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domingo, 28 de junho de 2020

A Escola Bíblica Dominical como instrumento para alcançar as futuras gerações

Se cada geração entender a importância do discipulado, e alcançar e capacitar a próxima para que faça o mesmo, a Palavra de Deus seguirá salvando, santificando, edificando, e aperfeiçoando os salvos de hoje e de amanhã para a Boa Obra

Bíblia
Imagem: Pixabay

“E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te.” (Deuteronômio 6:6 — grifo do autor)


Pr. Cleber Montes Moreira


A maior demonstração de amor e fidelidade a Deus é acolher a Sua Palavra, praticá-la e transmiti-la às futuras gerações. Por isso ela deve estar guardada no coração (Salmos 119:11), inundar nossos pensamentos, transbordar em nossas ações, ser declarada por nossos lábios (Lucas 6:45), ensinada aos filhos em casa, andando pelo caminho, antes de dormir e ao acordar (v. 7). Ela deve estar sempre diante de nossos olhos, para que seja memorizada, compreendida, aplicada, e opere eficazmente em nós e nossas famílias (vs. 7,8). Para Israel ser bem-aventurado em sua terra, deveria observar isso. Também nós, se quisermos agradar a Deus, alcançar os nossos e transmitirmos valores eternos aos filhos, e por meio deles fazermos chegar a Palavra aos nossos netos, bisnetos e assim por diante. Se cada geração entender a importância do discipulado, e alcançar e capacitar a nova geração para que faça o mesmo, a Palavra de Deus seguirá salvando, santificando, edificando, e aperfeiçoando os salvos de hoje e de amanhã para a Boa Obra. Porém, aquela geração que romper com este clico colherá resultados nefastos.

Um dos recursos que temos à disposição, que nos ajuda a cumprir o que nos pede o texto bíblico, é a Escola Bíblica Dominical. Ela não é apenas uma atividade, ou departamento da igreja, mas um instrumento poderoso de ensino e transformação de vidas. Muitos que hoje servem a Cristo, aprenderam os princípios fundamentais da fé cristã desde pequenos, na EBD. A Bíblia diz: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Provérbios 22:6). Eu creio nisso. E você?

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Apenas cumpra o seu ministério

Há líderes que se esforçam demasiadamente para elaboração de estratégias de crescimento e multiplicação, e se esquecem da responsabilidade de criarem um ambiente propício à ação do Espírito Santo na medida em que, obstinados pelo crescimento, desprezam o compromisso e o ensino da Sã Doutrina

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Imagem: Pixabay

“Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.” (1 Coríntios 3:6,7 — grifo do autor)


Pr. Cleber Montes Moreira


No início de meu ministério comprei alguns livros sobre “como fazer sua igreja crescer”. Sinceramente que pensava poder fazer algo sobre isso. Li livros e matérias diversas sobre o assunto. Ainda hoje noto os modelos de gestão e estratégias de crescimento que estão em voga, tidas por alguns como a “nova invenção da roda”. Com o tempo percebi que esta é uma intenção inútil, por mais honesta que seja. Assim como não podemos acrescentar um centímetro à nossa estatura (Mateus 6:27), tampouco fazer uma criança crescer, a não ser criar um ambiente e condições favoráveis à saúde, também não podemos fazer a igreja crescer a partir de nossa capacidade. O grande problema que vejo é que estamos confundindo os papéis no processo de crescimento: “somos cooperadores de Deus” (v. 9) e não deuses; nossa tarefa é plantar e regar, ou seja, alimentar e sustentar os cristãos com a pregação do evangelho genuíno, todavia, o crescimento, é Deus quem dá. É como o lavrador cujo trabalho é observar as estações, preparar a terra, semear e cuidar da lavoura, sabendo que quem faz a semente germinar e crescer é o Criador, utilizando de leis da natureza que Ele mesmo estabeleceu.

O problema de alguns líderes de hoje é que eles se esforçam demasiadamente para elaboração de estratégias de crescimento e multiplicação, tarefa que compete a Deus, e se esquecem da responsabilidade de criar um ambiente propício à ação do Espírito Santo na medida em que, focando no crescimento, desprezam o compromisso e o ensino da Sã Doutrina. Dessa forma, o resultado que conseguem é meramente numérico, decorrente de adesões e não de conversões. A consequência são igrejas cheias de membros carnais, tendo pastores humanos e não a Cristo por cabeça, manejados por metodologias e estratégias seculares e não pela Palavra da Verdade, guiados por “visões” e não pelo evangelho.

Se você é pastor e quer cooperar para o crescimento da igreja local, apenas plante e regue: pregue a Palavra com integridade, a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina, seja sóbrio em tudo, suporte os sofrimentos, faça a obra de um pastor e de um evangelista, cumpra fielmente o seu ministério, e creia que Deus fará a sua parte (Leia 2 Timóteo 4:5).

quinta-feira, 25 de junho de 2020

A fé não empodera

Enquanto a fé dos que buscam “andar sobre as águas” tende a produzir autoconfiança, a fé bíblica revela que precisamos do socorro divino, sem o qual estamos perdidos

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Imagem: Pixabay

 

“E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me! E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?” (Mateus 14:29-31)


Pr. Cleber Montes Moreira


Há quem ostente uma fé num deus servil, subserviente ao homem, fé capaz de “mover montanhas”, de dar a quem crê o poder de “mover no sobrenatural”, de decretar curas, milagres e outras realizações; fé que diminui o Criador e empodera a criatura. Porém, esta fé que exalta nosso ego nada mais é que um ‘recurso de autoajuda’, capaz de gerar uma sensação agradável de poder e segurança que obscurece o entendimento de nossa dependência de Deus, e por isso nos leva ao naufrágio.

É certo que Pedro foi ousado ao fazer tal pedido. É certo que ele caminhou, ainda que por pouco tempo, sobre o mar, desafiando leis naturais. É certo que sua atitude pode merecer alguma admiração, mesmo tendo origem numa dúvida: “se és tu” — ele desafiou Jesus para que provasse ser Ele mesmo, e não um fantasma ou outro ser (v. 26). Mas, é também certo que ele teve que suplicar por socorro para não se afogar, motivo pelo qual concluo que nossa fé não é aferida quando andamos sobre as águas, mas quando clamamos por Cristo e seguramos em sua mão salvadora, sempre estendida para nos ajudar.

A tendência de quem anda sobre as águas é confiar em si mesmo, por isso Jesus não permitiu que Pedro fosse longe, e logo o fez perceber a sua impotência diante de forças tão ameaçadoras. E nisso há um ensino contra a soberba: Ninguém pode ir encontrar com Cristo caminhando sobre as águas, para que não se glorie em si mesmo; é o Senhor que vem a nós, com sua graça e misericórdia, trazendo Salvação; é ele quem estende sua mão para nos erguer da miséria do pecado. Assim, a fé salvadora não é aquela que nos faz sentir acima das circunstâncias, que nos empodera, mas a que nos leva a buscar e confiar somente em Jesus, nossa única esperança. Pense nisso!

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Vencendo a ansiedade por meio da oração

A prática constante da oração nos faz confiar no agir de Deus, e esta confiança é a cura para o mal da ansiedade.

oração
Imagem: Pixabay

“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.” (Filipenses 4:6)


Pr. Cleber Montes Moreira


Como filhos de Deus temos um recurso eficaz contra a ansiedade, a oração. A sua prática constante nos fortalece para lidarmos com as aflições na confiança de que o Eterno está no controle, e que Ele pode, se for de sua agradável vontade, alterar o cenário desfavorável ou nos capacitar para lidarmos com as circunstâncias de modo que seu nome seja glorificado. A disciplina da oração nos faz entender e aceitar os desígnios de Deus para nós, e nos torna gratos pelo entendimento de que“todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8:28), inclusive tudo que nos aflige.

O ensino bíblico é para levarmos ao Pai, em oração, tudo que nos inquieta, seja algum medo, alguma culpa, algum sentimento indevido, alguma necessidade, alguma enfermidade, alguma preocupação… cada um terá o que apresentar em suas petições. O resultado é que a paz que excede todo o entendimento tranquilizará nossos corações e aquietará nossos pensamentos.

Quanto mais tempo passamos em oração, maior é nossa confiança no agir de Deus, e esta confiança é a cura eficaz para o mal da ansiedade. Pense nisso!

 

O Grande Amigo

(Hino 155 do Cantor Cristão)

 

Em Jesus amigo temos, mais chegado que um irmão,

E nos manda que levemos, tudo a Deus em oração.

Oh que paz perdemos sempre, ó que dor no coração,

Só porque nós não levamos tudo a Deus em oração!

 

Temos lidas e pesares, e na vida tentação,

Não ficamos sem conforto, indo a Cristo em oração.

Haverá um outro amigo de tão grande compaixão,

Os contritos Jesus Cristo, sempre atende em oração!

 

E se nós desfalecemos, Cristo estende nos a mão,

Pois é sempre a nossa força e refúgio em oração.

Se este mundo nos despreza, Cristo é nosso em oração,

Em Seus braços nos acolhe, e nos dá consolação!

 

Charles Crozat Converse (1832-1918)

Joseph Scriven (1820-1886)

terça-feira, 23 de junho de 2020

Os homens dos “tempos trabalhosos” serão presunçosos

Pessoas presunçosas, não ensináveis, desprezam os ensinos da Palavra de Deus… elas buscam posições de destaque e honra em detrimento dos outros, muitas vezes usando de má-fé.

presunção
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“Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos.” (2 Timóteo 3:2 — grifo do autor)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Outra característica dos homens dos últimos dias é que eles serão presunçosos. A palavra utilizada no texto é ἀλαζόνες (alazónes), que indica o comportamento daquele que presume de si mesmo mais do que é. No linguajar de nossos dias, é alguém que “se acha”. Na Bíblia Reina Valera de 1989, em espanhol, a tradução é “vanagloriosos”, em português “vangloriosos”, pessoa “que tem convencimento exagerado dos próprios méritos ou qualidades, que exibe suas pretensas conquistas; jactancioso, vaidoso, fanfarrão”.1 Indivúduo — ἀλαζών (alazón) — pretensioso, ostentador, orgulhoso. Segundo Fritz Rienecker e Cleon Rogers, é “alguém que se jacta e fica falando de suas próprias realizações e, em sua jactância, ultrapassa os limites da verdade e magnifica o fato a fim de se engrandecer, na tentativa de impressionar as pessoas”.2 É como um pescador que tendo apanhado um lambari conta que pescou um pirarucu tão grande, mas tão grande, que para tirar o peixe da água entortou o leito do rio.

Este comportamento jactancioso estava bem presente entre os fariseus.

Para algumas pessoas que confiavam em sua própria justiça e menosprezavam os outros, Jesus contou ainda esta parábola: “Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano. O fariseu, em pé, orava em seu íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: roubadores, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’ (Lucas 18:9-12 — BKJA).

Eles ainda apreciavam orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem admirados pelos outros, faziam caridade para serem vistos, e “tocavam trombetas” diante das pessoas anunciando seus atos, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens (Mateus 6:1-5). Eles são como aquele povo que, “seguindo suas próprias inclinações”, são capazes de dizer: “Afasta-te! Fica-te aí mesmo onde estás! Não te aproximes de mim, pois sou ainda mais santo do que tu!” (Isaías 65:5 — BKJA).

Conta-se que certa vez, quando John Bunyan acabara de pregar um sermão, um dos ouvintes lhe disse: “Sua mensagem foi brilhante. Jamais ouvi alguém falar desse jeito!” Bunyan respondeu: “Eu sei, irmão. Há pouco, o diabo me disse o mesmo.” Ele sabia que a exaltação do ego é uma armadilha que deve ser evitada. Há gente tão gabola que se vangloria até de sua humildade. Tenha cuidado para não deixar o diabo inflar seu ego.

Conforme Champlin, a raíz de alazón é ale e quer dizer “perambulação”.

Era a palavra usada para indicar uma atitude mental enlouquecida ou distraída. Os “vagabundos” geralmente eram indivíduos de vil caráter, fingidos, impostores; e assim a forma verbal dessa palavra indica os “fingidos”, os enganadores; e, em sua forma nominal, veio a indicar os “jactanciosos”, que proferiam coisas altissonantes sobre eles mesmos, mas que tudo era apenas pretensão”.3

Originalmente o alazón era um desses curandeiros impostores que levavam ao povo medicamentos, encantamentos e métodos de exorcismo que, segundo eles, curavam todos os males. Isso me faz lembrar daquele carro que passava em nossas ruas vendendo uma tal “pomada milagrosa”, capaz de curar quase tudo, mas também me faz pensar nos falsos profetas, jactanciosos, oportunistas, embusteiros, que “cheios de si” alardeiam poder e autoridade para fazer prosperar, curar enfermidades, realizar coisas sobrenaturais, profetizar, exorcizar, decretar, e até dar ordens a Deus. Eles proclamam santidade, autoridade e poder que não possuem; são vangloriosos e ávidos pelo lucro e/ou status. O seu evangelho é como aquela “pomada milagrosa” — pura enganação!

Pessoas vangloriosas, jactantes, desprovidas de humildade, não ensináveis, estão presentes em toda a sociedade, e também dentro das igrejas. Elas desprezam os ensinos da Palavra de Deus, violam regras, desrespeitam o próximo, são persuasivas, e buscam posições de destaque e honra em detrimento dos outros, muitas vezes usando de má-fé.


1 Google

2 Rienecker, Fritz – Rogers, Cleon. Chave linguística do Novo Testamento grego, página 477, Vida Nova, São Paulo-SP, 1985.

3 Champlin, Russell Norman. Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, Vol 5, página 386, Editora Candeia, São Paulo – SP, 1995

segunda-feira, 22 de junho de 2020

A “Síndrome de Tio Patinhas”

A avareza afeta a razão; na prática o avarento valoriza mais as coisas que a própria vida, pois enquanto ajunta esquece de viver.

avareza
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E lhes propôs uma parábola: “As terras de certo homem rico produziram com abundância. E ele começou a pensar consigo mesmo: ‘Que farei agora, pois não tenho onde armazenar toda a minha colheita?’. Então lhe veio à mente: ‘Já sei! Derrubarei os meus celeiros e construirei outros ainda maiores, e ali guardarei toda a minha safra e todos os meus bens. E assim direi à minha alma: tens grande quantidade de bens, depositados para muitos anos; agora tranquiliza-te, come, bebe e diverte-te! Contudo, Deus lhe afirmou: ‘Tolo! Esta mesma noite arrebatarei a tua alma. E todos os bens que tens entesourado para quem ficarão?’. Isso também acontece com quem poupa riquezas para si mesmo, mas não é rico para com Deus”. (Lucas 12: 16-21 — BKJA).


Pr. Cleber Montes Moreira


Alice é uma jovem executiva, funcionária de uma grande empresa do ramo de tecnologia. É inteligente, bonita, atraente, bem-sucedida… e A-VA-REN-TA!

Ela se veste inadequadamente para o cargo que ocupa, pois não considera razoável pagar o que suas colegas do escritório pagam pelas roupas que usam. Não aceita convites para sair com os amigos, só para não ter que dividir com eles a conta de gastos que considera desnecessários.

Por muito tempo morou num pequeno apartamento, próximo do trabalho, dividindo as despesas com outras duas jovens. Quando resolveu comprar um imóvel, pagou à vista por um apartamento bem mais simples do que poderia, considerando seu salário e a poupança acumulada. Aliás, na época ela conseguia poupar mais de 70% do que ganhava. Como não gosta de riscos, prefere a caderneta de poupança, mesmo com rendimentos menores.

Aos 32 anos ela ainda tem facilidade para iniciar relacionamentos, porém, por causa de seu comportamento avaro, seus namoros não duram muito.

Alice sofre da “Síndrome de Tio Patinhas”, patologia que ganhou este nome por causa do Tio Patinhas, personagem da Disney conhecido por sua avareza. Ele é tão mão de vaca que mesmo nadando em dinheiro não gasta um tostão, e nem empresta. Na vida real, em certas proporções, muitos assumem comportamento parecido. Para alguns especialistas, sofre da “Síndrome de Tio Patinhas” aquele que consegue poupar mensalmente 30% ou mais de sua renda líquida, o que é considerada uma poupança exagerada se o objetivo é não ficar sem dinheiro até o fim da vida. O aconselhável é acumular 20% da renda durante o período de vida ativa.1

Há gente que por causa da avareza não vive, não desfruta do que ganha, se priva de compartilhar momentos alegres, de cultivar amizades etc. O homem rico da parábola (Lucas 12:16-21) pensou apenas em acumular, desprezando o mais importante. Sua estratégia era guardar para usufruir mais tarde, porém não fez caso do tempo: no final não aproveitou a vida, não teve tempo para Deus, e se despediu deste mundo tal como veio, sem coisa alguma — porque ninguém leva para a eternidade o que junta aqui.

O sábio disse: “Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas, nunca se sentirá em paz e feliz com seus rendimentos. Certamente, isso também é ilusão, vaidade” (Eclesiastes 5:10 — BKJA). A avareza afeta a razão; na prática o avarento valoriza mais as coisas que a própria vida, pois enquanto ajunta esquece de viver.


Nota: Alice é um personagem fictício criado para contar fatos de uma história real.


1 Com informações de https://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/o-problema-das-pessoas-que-poupam-demais/ (acessado em 25 de junho de 2019)

domingo, 21 de junho de 2020

Portanto, não temeremos…

Quando a terra se abalar, quando o seu chão desabar, em quem você buscará socorro?

veleiro
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“Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza.” (Salmos 46:2,3)

 

Pr. Cleber Montes Moreira 

 

Em 1755, um terremoto seguido de um tsunami devastou Lisboa, causando a morte de cerca de 100 mil pessoas. No dia 26 de dezembro de 2004, um terremoto de 9.2 graus na Escala Richter provocou uma série de tsunamis que devastaram países banhados pelo Oceano Índico, principalmente a Indonésia, provocando mais de 230 mil mortes e deixando cerca de 40 mil desaparecidos. O terremoto no Haiti, em 2010, matou mais de 250 mil pessoas. O ciclone da Índia, em 1970, foi o pior registrado na história, causando, segundo estimativas, 500 mil mortes. O maior desastre natural ocorreu em 1931, na China, com a inundação do rio Huang He (Amarelo), durante os meses de julho e novembro, e matou cerca de 4 milhões de pessoas.

A fúria da natureza é impressionante, e atesta a nossa impotência. Quem sou eu diante de um terremoto de grande magnitude, um tsunami, ou um ciclone? Eventos mais brandos têm ceifado vidas. Um sobrevivente de um tsunami na Indonésia, em 2018, narrando sua experiência, disse: “Tentei me segurar em qualquer coisa para sobreviver”. E quando não há nada em que se segurar?

O salmista fala de eventos de grandeza imensurável, verdadeiros cataclismos, para expressar sua dependência e confiança naquele que tem poder para guardá-lo. Ele se sente seguro, “ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza”, ainda que as estruturas o universo sejam afetadas, pois sua confiança está naquele que é “o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Salmos 46:1).

Na vida, muitos acontecimentos podem ser comparados aos eventos mencionados pelo salmista. É durante as adversidades que demonstramos onde está nossa fé: ou nos apoiamos em nossa própria força, que nada é, ou tentamos nos agarrar em alguma “tábua de salvação”, seja alguma crença, religião, ou outra coisa, ou, então, confiamos em Deus, sabendo que “o Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio” (vs. 7,11).

Quando a terra se abalar, quando o seu chão desabar, em quem você buscará socorro?

Aqueles que confiam em Deus, somente eles, diante de qualquer situação, podem dizer com segurança: “Portanto, não temeremos…”. Pense nisso.

 

Quando nos cercar o mal,

Ao rugir o temporal,

Em Jesus é confiar,

Nunca poderá falhar.

(O Segredo do Viver, hino 329 do Cantor Cristão)

quinta-feira, 18 de junho de 2020

“Tempos trabalhosos”

Os dias atuais podem ser descritos como “tempos trabalhosos”, e os sinais que evidenciam a aproximação do fim estão, irrefutavelmente, bem diante de nossos olhos.

ampulheta
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“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.” (2 Timóteo 3:1)

 

Pr. Cleber Montes Moreira

 

É admitido que o autor, por causa da maldade e apostasia crescente em seu tempo, pensasse que aqueles dias antecediam a breve volta do Senhor. Champlin explica que: “Não há que duvidar que o autor sagrado pensava que estava nos últimos dias, ensinando profecias sobre a apostasia que se aplicam àqueles dias, como se isso já estivesse se cumprindo diante de seus próprios olhos.”1 No Comentário Bíblico Beacon lemos que “Paulo acreditava na proximidade da volta de Cristo, embora não vivesse para vê-la. O período que Paulo está descrevendo poderia estar logo à frente de Timóteo. E ele o chama tempos trabalhosos.2

Já naquele tempo muitas heresias eram propagadas e afetavam muito a vida das igrejas, tanto que as epístolas pastorais tinham dentre seus objetivos corrigir desvios. Os judaizantes e os gnósticos, presentes nas igrejas, são tratados com maior atenção pelo perigo que representavam.

Se realmente Paulo tinha em mente que aqueles “tempos trabalhosos” eram sinais da iminente volta do Senhor, o que ele escreveria se conhecesse a era em que vivemos? Embora sua realidade fosse realmente difícil, e mesmo considerando que os hereges com seus falsos ensinos nunca deixaram de trabalhar para interferir na vida das igrejas e contaminar sua doutrina, podemos dizer que neste tempo os que “resistem à verdade” e difundem mentiras (v. 8) se alastram como nunca. Os “homens maus e enganadores” (v. 13) estão por toda parte: pastores, bispos, apóstolos, patriarcas, gurus espirituais etc., representando denominações religiosas, ou seguindo “carreira solo”, laborando para enganar incautos e realizarem seus intentos malignos. Não é novidade que expressões como “o mundo está no fim” e “breve Jesus voltará”, dentre outras tantas, sejam pronunciadas em tom de exclamação por aqueles que acreditam que já presenciamos os tempos escatológicos. É natural que, diante dos males desta era, das heresias que se espalham, do falso profetismo que se prolifera como praga, aqueles que têm a esperança da volta do Senhor a considerem como muito próxima. Ainda que o Mestre tenha dito que “daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai” (Mateus 24:36), percebemos que o fim se aproxima tanto quanto podemos descrever os dias atuais como “tempos trabalhosos” em que os sinais que evidenciam a volta do Senhor estão, irrefutavelmente, bem diante de nossos olhos. Não nos compete tentar desvendar o quando, mas sim permanecermos atentos e fiéis, pois Ele mesmo advertiu: “Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis”; “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir” (Mateus 24:44; 25:13).


1 Champlin, Russell Norman, Ph. D., Comentário Bíblico, Volume 5, página 385, Hagnos, 2001

2 Beacon, Comentário Bíblico, Volume 9, página 525, CPAD, 2012

quarta-feira, 17 de junho de 2020

“O último cafezinho”

Texto em memória do irmão Luis Carlos de Moraes, amigo e cooperador em Cristo.

Luis Carlos de Moraes
Luis Carlos de Moraes

“Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã.” (Tiago 4:14a)


 

Pr. Cleber Montes Moreira

 

Durante o velório do Luis Carlos de Morais, amigo e irmão na fé, ouvi, sem querer, sua filha Fabiana dizendo à outra pessoa: “A gente nunca sabe quando será o último cafezinho”. Isso fez-me recordar que Luis havia prometido passar em nossa casa para um café. No último telefonema, reafirmou: “Não esqueci, passarei para tomar um café e conversar”. Não deu tempo, a vida pregou-lhe uma peça, e a nós também. Deus o chamou repentinamente, e o café programado não aconteceu. Ele aguardava a aposentadoria, tinha projetos, coisas que pretendia fazer e não pôde concretizar. Durante o sermão, o Pastor Gessy Frutuoso, citando Tiago, lembrou bem que não sabemos o que sucederá amanhã. É verdade que o futuro é um mistério que apenas Deus conhece. Sonhamos, fazemos planos, mas não sabemos se os realizaremos.

A frase de Fabiana levou-me a refletir sobre quando será o último café de cada um de nós. Parece que temos a habilidade de brincar com o tempo: agendamos coisas, fazemos planos, refazemos, corremos, adiamos… brincar com o tempo parece ser o “passatempo” predileto da humanidade, porém, com o tempo não se brinca, antes é ele que nos surpreende. E como! Quantos acontecimentos, quantas revelações, quantas decisões repentinas… não é sem motivo que se diz que “a vida é uma caixinha de surpresa”. Às vezes ocorre de tal modo que é preciso reinventar o modo de viver para continuar…

Diante desta realidade de acontecimentos que independem de nossa vontade, inclusive a morte, como agimos? Creio ser este um momento oportuno para considerarmos o valor das pessoas, nossas palavras, gestos e ações… Não devemos adiar demonstrações de afeto, decisões que promovam a felicidade dos outros, negligenciarmos a família, amizades, momentos de intimidade e tudo aquilo que verdadeiramente importa. Não sabemos o que acontecerá amanhã, não sabemos quando será nosso último cafezinho. Pense nisso!


Nota: O Irmão Luis Carlos de Moraes faleceu no dia 02 e foi sepultado no dia 03 de novembro de 2016. Hoje, dia 17 de junho de 2020 completaria 65 anos.


terça-feira, 16 de junho de 2020

Adoração versus tradicionalismos

Pessoas carnais elegem para si os seus “montes”, mas os salvos adoram em espírito e em verdade. As águas das tradições podem prover alguma satisfação momentânea, mas somente o Espírito de Deus sacia a pessoa e faz jorrar de seu interior rios de água viva.

oração
Imagem: Free Images

“Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus.” (João 4:20,22).


Pr. Cleber Montes Moreira


Os samaritanos tinham suas tradições religiosas. Eles criam que o lugar correto para adoração era o monte Gerizim, que, segundo eles, era o lugar para onde Abraão foi oferecer Isaque em sacrifício, e onde, mais tarde, se encontrou com Melquisedeque. Também os judeus eram tradicionalistas, e pensavam que em virtude de sua religiosidade estavam mais próximos de Deus — eles alegavam ser “filhos de Abraão” e detentores exclusivos da promessa (Mateus 3:9).

No mundo há diversas tradições religiosas, mas guardá-las não significa ter relação experiencial com Deus. Alguém pode ser extremamente religioso, e mesmo assim estar perdido. Saulo, por exemplo, excedia no judaísmo, no entanto não era um verdadeiro adorador (Gálatas 1:14). Os judeus, religiosos exímios, por causa de sua tradição invalidavam os mandamentos divinos (Mateus 15:6). Há tradições que destoam da Bíblia, outras não. Fato é que ninguém pode ser qualificado como adorador apenas por guardar certas tradições.

A samaritana, a despeito de suas crenças, estava perdida. Ela não entendia que para adorar teria de desenvolver um relacionamento pessoal com o Pai, o que implica fé e obediência. Adorar não é ir a algum lugar ‘adorativo’ e/ou cumprir certos ritos, é ‘ser’, e alguém só pode ‘ser’ nova criatura por meio do novo nascimento. Por isso, ao religioso Nicodemos Jesus disse: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3).

Adorar não é praticar tradições herdadas dos antepassados, ou adquiridas por convivência social. A verdadeira adoração é vida com Deus e para Deus. Os pais zelosos podem transferir conhecimento para os filhos, porém não podem gerá-los espiritualmente em Cristo. Só o Espírito Santo pode fazer isso. Assim, o verdadeiro adorador é gerado por Deus; é nascido não da água (carne) mas do Espírito (João 3:5).

Pessoas carnais elegem para si os seus “montes”, mas os salvos adoram em espírito e em verdade. As águas das tradições podem prover alguma satisfação momentânea, mas somente o Espírito de Deus sacia a pessoa e faz jorrar de seu interior rios de água viva (João 4:10; 7:38).

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Quando selfies viram troféus

Nem sempre o que está na foto revela a verdade, muito menos quando a imagem capturada serve para autopromoção. Felicidade, humildade, altruísmo etc., podem ser apenas ingredientes de um cenário forjado.

selfie
Imagem: Pixabay

“Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens….” (Mateus 6:2)

 

Pr. Cleber Montes Moreira


Certa vez fiquei chocado com policiais que, após prenderem um sequestrador, tiraram fotos com o criminoso, como se exibissem um troféu. Algo semelhante aconteceu quando PMs de outra região prenderam um famoso traficante, ao lado do qual tiraram várias selfies, o que repercutiu mal na mídia e rendeu críticas perante a opinião pública. Um prefeito foi criticado por exigir que funcionários das Unidades Básicas de Saúde, que atendem em domicílios, postassem nas redes fotos de atendimentos como meio de promover sua administração. Em virtude disso, muitos profissionais posaram para selfies ao lado de idosos acamados, e outros violaram a privacidade alheia expondo a intimidade de pessoas, o que fere direitos e pode desencadear demandas judiciais.

Este mesmo comportamento inadequado tem sido praticado por vários líderes religiosos: selfies ao lado de doentes, acamados, drogados, pedintes… Selfies durante a evangelização, entrega de cestas básicas e outras ações para promoção de seus ministérios, ou mesmo como forma de enviar relatórios aos membros de suas igrejas. Se pudessem, certamente posariam para fotos com o diabo sendo amarrado e pisoteado por eles, e divulgariam seu feito em todos os canais possíveis. Os que assim agem se comparam aos que tocam trombetas diante de si e realizam boas coisas para serem glorificados pelos homens. Seja por vaidade ou como prestação de contas, isso contraria o princípio da discrição ensinado no Sermão do Monte.

Fotos servem para registrar momentos preciosos: aniversários, casamentos, reuniões, passeios… eternizam sorrisos, testemunham amizades, preservam fatos e servem a muitos outros bons propósitos, no entanto, jamais devem ser usadas em contextos e para fins que firam à ética, principalmente a cristã. Quando selfies viram troféus, significa que valores importantes foram violados. Pense nisso!

Adoração carnal ou espiritual?

Se praticarmos uma adoração correta, o nosso prazer estará em Deus e sua vontade; nosso objetivo será servir, honrar e glorificar o seu nome, mesmo fora dos ajuntamentos cúlticos… Quando adoramos em espírito e em verdade, tudo o que fazemos tem sentido e propósito de natureza espiritual.

alvo
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“Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (João 4:20-24)


Pr. Cleber Montes Moreira


Quem é glorificado nos cultos hodiernos, Deus ou o homem? O que determina a liturgia, a escolha dos cânticos, bem como os sermões (quando há) que são ministrados, o Espírito Santo ou os “adoradores”? O que interfere na escolha do ‘lugar de adoração’?

Há uma discussão constante sobre ritmos, letras, coreografias, danças, ministrações e outras coisas, sobre o que pode e o que não pode, sobre o que é certo e o que é errado. A questão deveria ser outra: O que fazemos glorifica a Deus? Quando o objetivo é a honra e a glória do Pai eterno essa conversa perde o sentido, pois a intenção deixa de ser agradar ao homem, mas ao único que é digno de ser adorado.

Os cultos carnais se caracterizam por manifestações carnais; eles são pensados e projetados para atender às pessoas. Por isso alguns templos se transformaram em casas de shows, plataformas em palcos, louvores passaram a ser acompanhados de expressões corporais e as celebrações viraram espetáculos, e tudo ao sabor do “cliente” — sim, o adorador agora é “consumidor”! Fala-se muito hoje em “adoração extravagante”, para muitos ex-tra-va-san-te!

Há no ser humano uma forte tendência em configurar sua “espiritualidade” segundo crenças pessoais, cultura, anseios e vontade. Isso é carnalidade, e reflete no modo da “adoração”. Pessoas carnais oferecem uma “adoração” carnal (como se isso fosse possível). Não é sem motivo que muitas igrejas — nada mais que empreendimentos humanos — procuram adequar sua oferta de “culto” de forma a suprir a demanda do mercado. O que o povo gosta e o que o povo quer é que determinará o serviço a ser oferecido.

A grande questão não é se adoramos neste ou naquele monte, num templo, em casas, ou em outro lugar (há cristãos perseguidos que se reúnem em lugares incomuns), mas sim quem é o centro de nossa adoração: Se for o homem, então será uma adoração carnal e intencionalmente voltada para o prazer das pessoas. Neste caso, o carnaval cumpre melhor seu objetivo que certos cultos. Mas, se for Deus, então o nosso prazer estará em tudo o que lhe agrada, e nosso objetivo será servir, honrar e glorificar o seu nome, mesmo fora dos ajuntamentos cúlticos, com nosso caráter, nosso trabalho e nossas vidas dispostas integralmente diante dele e para Ele. Quando adoramos em espírito e em verdade, tudo o que fazemos tem sentido e propósito de natureza espiritual.

domingo, 14 de junho de 2020

Adoração não combina com pecado

Adoração não combina com pecado! Não podemos honrar a Deus com nossos louvores e hábitos religiosos sem antes vivermos segundo os valores do evangelho.

celebração
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“Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá. A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido; porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.” (João 4:16-18)

 

Pr. Cleber Montes Moreira


“Nossos pais adoraram neste monte” (4:20) pode revelar alguns hábitos daquela mulher. Talvez, seguindo os costumes de seus antepassados, fosse ao monte adorar. Há muita gente que guarda tradições religiosas e pensa ser um verdadeiro adorador, mesmo sem ter tido uma experiência pessoal com o Senhor, e mesmo quando leva uma vida dissociada dos valores do evangelho.

A samaritana, apesar das crenças herdadas, não estava em condições de adorar a Deus em espírito e em verdade, pois vivia na carnalidade. Jesus declara isso quando diz sobre seus relacionamentos amorosos e expõe sua vida mundana. Ela ‘adorava o que não conhecia’ (4:22); não tinha um relacionamento pessoal com Deus, e seu coração estava em prazeres temporais.

Conheço um “pastor” que prega sobre o “amor” como sendo a única doutrina que se deve seguir. Certa feita disse, durante uma palestra para jovens, que não há mal algum nas relações sexuais fora do casamento, e que é aceitável que jovens cristãos frequentem motéis. Há muita gente confessando a Cristo com os lábios, porém negando sua autoridade sobre sua vida.

Definitivamente, adoração não combina com pecado! Não podemos honrar a Deus com nossos louvores e hábitos religiosos sem antes vivermos segundo os valores do evangelho. (Mateus 15:8). Quem não adora com a vida, não pode adorar com os lábios. Ou andamos em espírito ou andamos na carne; não há meio-termo. Do contrário, o comparecer perante Ele não será um ato de adoração, mas uma afronta (Isaías 1). Pense nisso!

sábado, 13 de junho de 2020

Virar a página

Colocar em ação os princípios do amor e do perdão ensinados por Jesus não é fácil, mas é possível quando dependemos tão somente daquele que nos governa — o Espírito que o mundo não conhece, mas que habita em nós.

perdão
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“Esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Filipenses 3:13,14)


Pr. Cleber Montes Moreira


Romper com o passado não fácil, mas às vezes é necessário. Isso envolve sentimentos e atitude. É preciso perdoar quem nos ofendeu, desapegar das mágoas, livrar-se da ira e de outros sentimentos negativos. É preciso enxergar os que nos fazem o mal como pessoas mais fracas, que carecem de nossas orações. Jesus nos ensinou a amar os que nos tem por inimigos, a fazer o bem aos que nos odeiam, a orar pelos que nos maltratam e perseguem (Mateus 5:44), e Paulo disse que devemos abençoar e não amaldiçoar os que nos fazem mal (Romanos 12:14). Tornar em prática estes ensinos demonstra grandeza de caráter e elevado nível espiritual — uma pessoa carnal não pode viver estes valores, nem enxergá-los como virtude; para gente assim o que tem sentido e prevalece como regra é a “lei de talião” — ou retaliação. Há até quem ore pedindo a Deus que faça “justiça” contra seu opositor!

O rancor labora contra aqueles que o conservam, impedindo-os de avançar. A alma que gasta tempo demasiado ruminando as ofensas não evolui, e não pode prosseguir, desimpedidamente, na busca pela semelhança com o Senhor Jesus. Mas, imitá-lo, ser segundo Ele, é o desafio de todo discípulo. Para alcançar este alvo é preciso virar a página; só assim será possível escrever novos capítulos com relatos de experiências significantes. É verdade que cometeremos erros na busca por esse elevado modo de viver, por isso devemos levar em consideração o princípio prático ensinado por Paulo (tomado de seu contexto, mas aplicável a outros), quando escreve: “esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. Observe: primeiro esquecer, desapegar, perdoar, apagar, “fechar a conta e passar a régua”, para então prosseguir até atingir o alvo proposto por Deus. Fácil? Não! Mas possível se dependermos tão somente daquele que nos governa — o Espírito que o mundo não conhece, mas que em nós habita.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Herege favorito

Quem elege para si um herege é também herege e, normalmente, dentro de sua visão de herege, considera como herege todos os que se opõem à sua heresia. Este estado de cegueira é um transtorno espiritual que impede a Obra do Espírito Santo, que “mata no ninho” a verdadeira fé, a qual não encontra solo próprio para germinar...

cegueira
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“Deixai-os; são cegos condutores de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova.” (Mateus 15:14)

 

Pr. Cleber Montes Moreira


Em minha juventude, eu sempre debatia com uma pessoa da família por conta de sua paixão por um certo pregador da TV. Não importa o que dissesse o homem, ele tinha sempre a razão, era um “profeta de Deus” e estava acima de qualquer suspeita. Esta fé cega me inquietava. Dizia comigo: como pode alguém que é criado na igreja, que tem contato com a Bíblia, crer em tudo que esse sujeito prega? O cara era o seu “herege favorito”. Não demorou muito e aquele que era idolatrado caiu; teve um problema moral e se afastou do ministério pastoral, bem como encerrou seu programa de TV. Depois de muito tempo, insiste em retomar seu lugar, mas com uma cabeça ainda confusa, com convicções estranhas, roupas exóticas e tom de crítica acentuada a seus opositores.

A lembrança do ocorrido me faz refletir sobre os dias atuais. Mais que nunca, há pessoas que elegem para si o seu herege favorito. Passam a confiar em certos pastores, bispos, apóstolos etc., e os transformam em gurus espirituais, aos quais devotam fé cega e apaixonada. Não importa se o que a pessoa prega tem ou não amparo bíblico, mais vale a palavra do “homem de Deus”. Às vezes, a cegueira é tamanha que não levam em conta a condição moral da pessoa, os argumentos de quem tenta abrir os olhos, nem mesmo a Bíblia. Vejo, hoje, multidões como que hipnotizadas indo após deuses humanos, falhos, pecadores, oportunistas, tosquiadores… acima de tudo, HE-RE-GES!

Há quem discuta e até brigue por causa de seus ídolos de carne. No momento em que escrevo, há uma batalha ferrenha entre dois pastores da mídia que se acusam mutuamente, motivo pelo qual há debates acalorados, disputa nas redes sociais e troca de ofensas por parte daqueles que saem em defesa do herege de sua predileção.

Quem elege para si um herege é também herege e, normalmente, dentro de sua visão de herege, considera como herege todos os que se opõem à sua heresia. Este estado de cegueira é um transtorno espiritual que impede a Obra do Espírito Santo, que “mata no ninho” a verdadeira fé, a qual não encontra solo próprio para germinar, principalmente quando a heresia acolhida no coração vem disfarçada de evangelho e sufoca a verdade. Assim, o grande problema em se eleger um herege favorito é que ambos, ídolo e idólatra, caminham para o precipício, pois “se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova.” (Mateus 15:14). Pense nisso!

terça-feira, 9 de junho de 2020

Sua obra, seu memorial

A obra do cristão deve depor a seu favor, mesmo depois de sua morte. Se o que fazemos em vida glorifica a Deus e marca a vida das pessoas, nosso testemunho consistirá num legado, e isso, mais que produzir elogios em nosso funeral, continuará influenciando pessoas.

pegadas
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“E, levantando-se Pedro, foi com eles; e quando chegou o levaram ao quarto alto, e todas as viúvas o rodearam, chorando e mostrando as túnicas e roupas que Dorcas fizera quando estava com elas.” (Atos 9:39)


Pr. Cleber Montes Moreira


Dorcas adoeceu e veio a falecer (v. 37). Segundo os costumes da época, fora de Jerusalém era permitido esperar até três dias para sepultar um defunto. Por isso colocaram seu corpo em um quarto alto. Como Jope estava a menos de 16 km de Lida, onde Pedro estava, dois homens foram enviados para chamá-lo com urgência (v. 38). O motivo deste pedido talvez fosse que em Jope tivessem ouvido sobre a cura de Enéias, um paralítico que estava acamado havia 8 anos (vs. 32-35).

O texto nos revela que houve uma grande comoção pela morte daquela discípula. Quando Pedro chegou, diz a Bíblia, “todas as viúvas o rodearam, chorando e mostrando as túnicas e roupas que Dorcas fizera quando estava com elas” (v. 39). O que fazia era de coração, movida pelo amor que a tornava sensível e operosa. Sua fé era produtiva. Com o seu trabalho, quantas pessoas teria vestido, alimentado e ajudado de alguma forma? Quantas vidas teria levado ao Salvador? Imagino que tantas quanto pôde.

O modo como as pessoas reagem quando da morte de alguém pode ser um atestado de como foi a sua vida. Os feitos de cada um revelam qual é o seu caráter, e o modo como sua morte será sentida. Sua obra é seu memorial.

Muitos se preocupam em como contar seu testemunho. Nossa preocupação, entretanto, deve ser contar isso com a vida. Se nosso viver e obra glorificar a Deus, a mensagem que pregamos com a voz terá autoridade. Já vi cristãos glorificarem na bonança, nos apertos, e mesmo no leito de morte. Certamente que os testemunhos mais poderosos que já vi, ou sobre os quais já ouvi ou li, se deram em situações bem difíceis. Dorcas não elegeu um momento para testemunhar; ela o fez em vida (com a vida), também na morte (pela lembrança que deixou), e em sua ressurreição, sendo prova do amor e poder do Pai eterno.

Eu não sei o que escreverão em sua lápide. Não sei o que dirão sobre você em seu funeral, e nem depois disso. Mas, penso que tudo o que disserem estará relacionado ao que você fez e ao modo como viveu. A questão principal é: o quanto isso terá sido importante para a transformação das pessoas?

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Sejam pacientes na tribulação

A terra revolvida com violência pelo arado, o sol escaldante, as chuvas, o vento, o calor, o frio… todas as situações colaboram para que, no tempo apropriado, o fruto esteja maduro e pronto para ser colhido.

terra
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“Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração.” (Romanos 12:12 — NVI — grifo do autor)

 

Pr. Cleber Montes Moreira

 

Como tal recomendação pode ser observada por uma geração que busca soluções imediatas? Se não temos calma para esperar uma chuva passar, o ônibus chegar, a fila andar, nem paciência com as coisas mínimas, como esperamos suportar pressões que muitas vezes parecem desafiar os nossos limites?

Não encontramos na Bíblia nenhum ensino de que a vida seria fácil; em nenhum momento esta promessa nos é feita. Jesus mesmo disse, pouco antes de suportar a cruz: “Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” (João 16:33 — grifo do autor). Sim, Aquele que em tudo foi tentado, atribulado, afrontado, humilhado, que carregou sobre si a vergonha de nossos pecados e foi crucificado, é quem deseja que nele tenhamos paz e bom ânimo (Hebreus 4:15). Ele foi exemplo perfeito de paciência, e ainda hoje tem boa vontade para conosco.

No texto bíblico a paciência vem depois da esperança, talvez como ensino de que a esperança produz a paciência: é o que vemos lá na frente, as promessas de Deus para nós, a linha de chegada, tudo o que nos está reservado na eternidade, convictos de que Ele nos ama, que nos motiva a continuar nossa jornada de fé sem desanimar. É como o lavrador que prepara a terra, semeia com esperança, e aguarda pacientemente a colheira — ele sabe que há um tempo próprio para cada espécie. A terra revolvida com violência pelo arado, o sol escaldante, as chuvas, o vento, o calor, o frio… todas as situações colaboram para que, no tempo apropriado, o fruto esteja maduro e pronto para ser colhido. Enquanto passamos por tribulações Deus está agindo, e o fruto do Espírito sendo produzido em nós. Precisamos esperar com paciência, sabendo que “Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Romanos 8:28).

A paciência, como fruto do Espírito, é a capacidade para suportar todas as coisas com humildade, mansidão, fé e resiliência, confiando na fidelidade daquele que governa e dirige todas as coisas. Que possamos exercitá-la, com per-se-ve-ran-ça!

sábado, 6 de junho de 2020

Primeiro amor

A vida cristã não é ativismo religioso, é, antes de tudo, um relacionamento real e prazeroso com Deus.

Bíblia
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“Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.” (Apocalipse 2:4)

 

Pr. Cleber Montes Moreira


Embora a igreja em Éfeso receba elogios da parte do Senhor por causa de seu trabalho, de sua paciência em meio ao sofrimento, e de sua intolerância para com os falsos mestres, ela é repreendida por ter abandonado o seu primeiro amor. O verbo traduzido por ‘deixaste’ significa “deixar ir, mandar embora, desistir, abandonar, esquecer”1, e denota uma ação voluntária, o que agrava a situação. 

Mais importante que realizar boas obras em nome do Senhor, que combater os hereges, que cultivar a resiliência em meio às turbulências e forças opositoras — embora estas coisas sejam indispensáveis —, é AMAR a Deus sobre todas as coisas, com um amor relacional, incondicional, fervoroso e prazeroso, com a consciência de que a medida deste amor deve aumentar mais e mais, e nos esforçarmos para que isso realmente aconteça.

A vida cristã não pode ser um fardo, uma obrigação, uma representação, nem ativismo religioso; servir a Deus sem amá-lo é pecado. Servir ao próximo sem amor é hipocrisia. O zelo que nos faz insensíveis torna-se em legalismo. Por isso a advertência: “Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te” (v. 5).

Antes de todas as coisas, decidamos amar a Deus e aos outros com um amor sincero, altruísta, que motive nossas ações, que confirme nossa fé, para que em tudo o Pai Eterno seja glorificado. Pense nisso!


1 BEACON, Comentário Bíblico, Volume 10, página 412, CPAD, 2005

Rienecker, Fritz - Rogers,Cleon, Chave linguística do Novo Testamento grego, Vida Nova, 1985

Posso todas as coisas

Aquele em quem cremos e a quem confiamos nossas vidas opera em nós poderosamente para que nele, em sua força, capacidade e poder, possamos passar por todas as situações e suportar as aflições desta vida sem perdermos a esperança. Experimentamos paz verdadeira quando olhamos para cima, quando nosso contentamento está em Deus.

graça
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“Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.” (Filipenses 4:13)


Pr. Cleber Montes Moreira


Paulo nos revela o segredo para uma vida feliz: viver contente em todas as situações, mesmo as mais adversas, adaptando-se às circunstâncias da vida sem se abater e nem perder a fé. A autoridade de seu ensino está em sua própria experiência: “Porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade” (Filipenses 4:11,12). Na versão da BKJA, lemos: “Porquanto aprendi a viver satisfeito sob toda e qualquer circunstância.” Na NVI a mesma frase está assim: “Pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância.” Esta resiliência diante das vicissitudes da vida não vem de nós mesmos, mas daquele que habita e reproduz em nós o caráter de Cristo.

Aquele em quem cremos e a quem confiamos nossas vidas opera em nós poderosamente para que nele, em sua força, capacidade e poder, possamos passar por todas as situações e suportar as aflições desta vida sem perdermos a esperança. Experimentamos paz verdadeira quando olhamos para cima, quando nosso contentamento está em Deus. Embora sejamos impotentes diante de certos problemas e situações, o poder do Eterno se aperfeiçoa em nossa fraqueza, nos ajudando a perseverar nas lutas. Paulo poderia ter dito: Posso todas as coisas: posso ter pão ou padecer fome, estar livre ou em prisão, estar entre amigos ou esquecido, com saúde ou enfermo, em paz ou perseguido… posso suportar todas as coisas naquele que me sustenta sem perder a fé, sem desesperar, sem murmurar, e me alegrar em meu Deus. O apóstolo não se guiava pelo que podia ver, mas pela fé (2 Coríntios 5:7). Embora tenha recebido auxílio precioso da igreja em Filipos, motivo pelo qual agradece, sabe que pode confiar no Pai Eterno, mesmo quando tudo falhar.

Da mesma forma que “quanto mais escura a noite, mais brilhantes são as estrelas”1, quanto maior a provação mais claramente percebemos a suficiência da graça — ela nos basta, em todas as circunstâncias, Deus mesmo ensinou! (2 Coríntios 12:9)


1 Fyodor Dostoyevsky, escritor, filósofo e jornalista Russo do século XIX.