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sábado, 24 de outubro de 2020

Onde está a cruz?

A cruz é o lugar onde renunciamos à nossa própria vida para desfrutarmos da vida abundante que só Cristo pode dar; uma vida cujo prazer, contentamento e propósito está naquele que é o autor e consumador da nossa fé. A cruz é o lugar onde é mortificado o adorador de si mesmo para, na Palavra e pelo poder do Espírito, ser gerado um novo ser capaz de adorar a Deus em espírito e em verdade

ao pé da cruz
Imagem: Pixabay

“Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade.” (Efésios 4:22-24)


Pr. Cleber Montes Moreira


Numa postagem no Facebook uma internauta elogiava jovens evangélicos de um determinado grupo por sua prontidão para servir “atendendo ao chamado”. Nas fotos, jovens descontraídos, demonstrando alegria, em cenas divertidas. Nos vídeos, coreografias ao som de músicas dançantes em ambiente com paredes escuras e luzes de neon — não consegui identificar se a celebração cúltica ocorria num templo religioso ou outro espaço próprio para shows. No palco “animadores” e “dançarinos” comandavam a galera, tendo num telão projetada a imagem de um leão. Durante aquela performance espetacular a maioria, aglomerada, usava máscaras — não entendi se em obediência a algum protocolo determinado por algum decreto, em decorrência da pandemia, ou se, inconscientemente, como indicativo de falsa espiritualidade.

 

Observando atentamente aquelas fotos e vídeos, notando com atenção cada cena registrada do ambiente, surgiu em minha mente uma pergunta inquietante: Onde está a cruz? Não falo sobre uma cruz de madeira, metal ou outro material, pendurada em algum pescoço, fixada ou projetada numa parede — porque este tipo de cruz não havia, mesmo —, mas da cruz do evangelho. Falo da cruz sobre a qual Jesus falou: “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” (Mateus 10:38). Falo da cruz sem a qual ninguém é, verdadeiramente, cristão. Falo da cruz de quem renunciando à sua vida, por amor ao Senhor, encontra a vida abundante que só Cristo pode dar (Mateus 10:39); uma vida cujo prazer, contentamento e propósito está naquele que é o “autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” (Hebreus 12:2); uma cruz pela qual somos libertos da antiga natureza, do velho modo de viver, corrompido pelos desejos impuros e pelo engano, tendo nossos pensamentos e atitudes renovados pelo Espírito Santo, sendo, agora, revestidos por uma nova natureza, criada para ser justa e santa, segundo o padrão de Deus (confira Efésios 4:22-24); falo da cruz que nos transforma em “verdadeiros adoradores” cuja adoração é “em espírito e em verdade” (João 4:22-24), não na carne, não no engano, não movida pelo hedonismo, tendo não o homem, mas Cristo como centro e Sua glória como propósito.

 

Culto a Deus não é oferecido com agitação de corpos, danças, gritos, cambalhotas, declarações triunfalistas, sermonetes descontextualizados… Devemos aprender com Paulo que o culto racional se pratica na inconformação com o mundo, renovação da mente e na experiência da vontade de Deus mediante a apresentação dos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Romanos 12:1,2). Precisamos aprender da experiência de Isaías, quando os serafins em reverência cobriam com suas asas seus rostos e pés enquanto declaravam que “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”, e com o profeta que, diante da presença de Deus, em temor e reconhecimento, exclamou: “Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos” (Isaías 6:3).

 

As igrejas falham quando proveem entretenimento para os jovens como estratégia para atraí-los ou “mantê-los na igreja”, produzindo, assim, um estilo carnal de ‘adoração’ descolada da cruz. Charles Spurgeon, dizia: “o diabo raramente teve uma ideia mais sagaz que sugerir à igreja que parte da sua missão é fornecer entretenimento para as pessoas, tendo em vista conquistá-las”. Não sou contra o entretenimento, no tempo e no espaço próprio, mas entendo que o “evangelho do entretenimento” não leva ninguém ao Salvador, não produz discípulos de Cristo, embora seja eficaz em produzir adesões; afinal, é natural que jovens de vida secular sejam facilmente atraídos por este tipo de oferta, uma vez que encontram na “igreja” atrativos que há mundo. Além disso, podem levar uma “vida divertida”, e até liberal, seguindo um falso evangelho capaz de aplacar suas consciências. Não é sem motivo que certa ocasião, uma famosa atriz, ao dar seu testemunho — ou tristemunho — declarou que escolheu ser membro de uma determinada igreja porque lá não havia regras, e que podia estar em comunhão com Deus e continuar fazendo tudo o que fazia antes. Certamente que o diabo se especializou em oferecer ao pecador um evangelho palatável, que não requer abnegação nem santidade, um evangelho sem exigências e sem a cruz.

 

Pensemos no que disse Joe Thorn: “A infiltração do entretenimento dentro do culto não é uma questão de estilo, mas de substância. O entretenimento é uma coisa boa, mas o seu propósito é o alívio da mente e do corpo, não a transformação da mente ou a edificação do espírito.”

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Perdoar é possível

Perdoar não é uma obrigação, não é uma arte, não é uma ciência, perdoar é uma virtude, é um dom do Espírito; o perdão deve ser mais que uma frase decorada, mais que uma oração automatizada, deve ser um princípio de vida

perdão
Imagem: Pixabay

“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas.” (Mateus 6:14,15)


Pr. Cleber Montes Moreira


Em 22 de janeiro de 2016, a Missão Portas Abertas publicou em seu site uma nota sobre um cristão que foi atacado por militantes do Boko Haram, que invadiram sua casa na tentativa de decapitá-lo. A Organização, que apoia cristãos perseguidos ao redor do mundo, informou que Yakubu (nome fictício) sobreviveu por um milagre e foi capaz de perdoar seus agressores. Ao ler este relato, logo lembrei-me da última oração de Estêvão, que, ao ser apedrejado, intercedeu pelos seus perseguidores: “E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu” (Atos 7:60). Cultivar o perdão foi algo que Estêvão aprendeu com o Mestre, que do alto da cruz rogou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34).

O caso de Yakubu e Estêvão não são fatos isolados. Há, na história do cristianismo, muitos outros relatos de cristãos que foram capazes de perdoar seus agressores, mesmo diante da morte iminente. O perdão é valor praticado e ensinado pelo Senhor. “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mateus 6:12) deve ser para nós mais que uma frase decorada, mais que uma oração automatizada, deve ser um princípio de vida. E não importa o tamanho da agressão, o perdão será sempre maior que tudo. Uma calúnia, um desaforo, uma agressão física, uma traição… há quem tenha sofrido bem mais que isso, há quem tenha suportado dores bem mais terríveis e, mesmo assim, praticado o perdão. Perdoar não é uma obrigação, não é uma arte, não é uma ciência, perdoar é uma virtude, é um dom do Espírito.

Pense um pouco: Qual o maior perdão já praticado em toda a história da humanidade? Certamente o perdão de nossos pecados. Este perdão é fruto do amor divino, “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8), portanto, o segredo para perdoar é amar. Quanto mais amamos, mais perdoamos. Assim, se amarmos as pessoas como Cristo as ama, se colocarmos em prática o “amarás o teu próximo como a ti mesmo”, seremos capazes de perdoar. E quem nos capacita a amar e perdoar é o Espírito Santo; se Ele governa nossas vidas, perdoar é possível.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

O maior tesouro

 O evangelho não é uma fórmula mágica para enriquecimento material e satisfação da vontade e anseios humanos

comércio
Imagem: Pixabay


“Então Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos; que receberemos?” (Mateus 19:27)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Muitas pessoas compreendem o evangelho como uma fórmula mágica para enriquecimento material e satisfação da vontade e anseios humanos. Há até quem ouse tentar barganhar com o Senhor: “Se Deus me curar…”, “Se Deus ouvir minha oração…”, “Se Deus me der um emprego…”, “Se Deus me der um carro novo…”, “Se Deus me ajudar nos estudos…”, “Se Deus restaurar minha família…”, Se Deus fizer isso ou aquilo, “prometo passar a crente”, “prometo ser um dizimista fiel” etc. Mas o Poderoso não abriu um balcão de negócios no qual se pode trocar bênçãos temporais por promessas humanas. O ser humano, em seu estado de miséria, não está em condições de negociar com Deus, bastando-lhe somente a abundante graça, sem a qual está perdido.

O contexto do texto lido nos fala de um jovem rico que estava tão apegado às riquezas temporais que não podia servir a Cristo. Assim também estão todos os que colocam seu coração neste mundo, esperando no Senhor apenas para esta vida, esquecendo-se de que é necessário buscar o reino de Deus em primeiro lugar (Mateus 6:36). Para aqueles que assim se comportam, eis o que Paulo diz: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” (1 Coríntios 15:19).

Ao contrário daquele jovem, rico, mas, do ponto de vista espiritual, miserável, os discípulos deixaram tudo para seguir o Mestre. Literalmente, tudo! E, que recompensa tem os que assim fazem? E nós que “deixamos tudo, e te seguimos; que receberemos?”, perguntou Pedro. A resposta do Senhor foi: “E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor de meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna.” (Mateus 19:29). Que riqueza pode ser maior que a vida eterna? A saúde, o emprego, a família, bens materiais? Nada é maior e mais precioso que a salvação, oferecida graciosamente.

O evangelho não é barganha. Para entrar para o reino de Deus é preciso deixar de amar o mundo e de se preocupar deliberadamente com as coisas seculares. Quem quer ganhar o mundo acaba perdendo a própria vida: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” (Mateus 16:26). Por isso Jesus disse que “é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Mateus 19:24). Quem tem seu coração no mundo está perdido, mas quem, por amor a Cristo, renuncia ao mundo, “receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna.” E este é o maior tesouro que alguém pode encontrar. Pense nisso!

sábado, 8 de agosto de 2020

Incrédulos louvam?

 Fora do relacionamento com Deus ninguém é capaz de produzir qualquer expressão agradável ao Pai, nada que possa ser chamado, verdadeiramente, de louvor

louvor
Imagem: Unsplash


Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (João 4:23, 24)


Pr. Cleber Montes Moreira


Sei que o texto acima fala sobre adoração. Adorar é um termo muito abrangente, é mais que louvar, entretanto, quero particularizar e discorrer mais especificamente sobre o louvor, considerando-o como um ato, elemento, ou aspecto da adoração.

Pessoas que conversavam num grupo, elogiavam a participação de alguém durante um evento secular, diziam que “fulano louvou muito bonito”. Alguém, logo após seu “louvor”, teria perguntado se pertencia a alguma igreja evangélica. A resposta dada foi que não, e que jamais havia frequentado uma. Pelas informações, não tem um testemunho de conversão nem qualquer compromisso com o evangelho de Cristo.

“Louvar” está em moda, e incrédulos também louvam. Não entrando no mérito da qualidade, nem do conteúdo dos louvores atuais, as músicas gospel têm ótima aceitação, penetram fundo no emocional das pessoas e, muitas canções tornam-se populares, de modo que mesmo os que vivem alheios às questões religiosas as conhecem e até cantam. Aliás, louvar já não é mais coisa só de crente; há muita gente louvando por aí: louvam em casa, nas ruas, nos programas de TV, nos auditórios, nas festas, durante shows etc. Há até um certo cantor que certa feita avisou: “não sou evangélico, sou cantor gospel”. Agradeço pela sinceridade, mas pergunto: incrédulos louvam? Seus louvores chegam a Deus?

O salmista afirmou que “os mortos não louvam ao Senhor” (Salmos 115:17a). Os mortos são aqueles que não têm vida, sejam os ídolos, sejam os que os adoram, sejam os mortos vivos deste mundo, sejam os que já partiram sem um encontro com Cristo. Mortos não louvam, e toda pessoa sem o Salvador está morta em ofensas e pecados (Efésios 2:1). O perdido não pode louvar nem agora e nem depois da morte. O louvor dos incrédulos são palavras jogadas ao vento, sem qualquer utilidade, pois ninguém pode louvar com os lábios se não louvar primeiro com a vida.

Os verdadeiros adoradores adoram em espírito e em verdade, e não como a samaritana que adorava o que não conhecia (João 4:22,23). O mesmo princípio se aplica ao louvor, pois o louvor é parte da adoração. Louvor sem conhecimento, compromisso e vida com Deus pode ser qualquer coisa, menos louvor. Da mesma forma que a oração eficaz é aquela feita por um justo, é o louvor do redimido que chega aos céus. Fora da relação pessoal com Deus não há verdadeiro adorador, nem qualquer expressão agradável ao Pai. A samaritana tinha, talvez, vínculos com a religião de seus antepassados, porém não cultivava um relacionamento pessoal com o Pai Eterno.

Há muitos que se intitulam, ou são intitulados adoradores, há muita coisa chamada louvor, mas não se impressione, assim como “nem tudo que reluz é ouro”, nem todo aquele que diz “Senhor, Senhor” tem parte com Ele.

Deus não busca louvores, Ele busca vidas santas dispostas no altar; Ele não busca adoração, mas adoradores que adorem em espírito e em Verdade, porque nem tudo o que sai da boca sai do coração, e nem todo barulho que o homem produz são louvores que brotam de uma vida transformada. Pense nisso!

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

A Trajetória da Igreja

“Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera; aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.” (Atos 1:1-3)

trajetória
Imagem: Pixabay


Texto Bíblico: Atos 1:1-11


Pr. Cleber Montes Moreira


Entendamos por “trajetória da igreja” o caminho que ela tem de percorrer na história, desde o seu surgimento até a sua glorificação com Cristo. Há uma linha de partida e uma linha de chegada. Os registros bíblicos são apenas parte de uma história emocionante que continua sendo escrita através dos séculos, e cujo fim ainda não sabemos quando se dará, uma vez que não nos foi revelado o momento do encontro entre a “noiva” e o “noivo” (Mateus 24:36), embora os sinais daquele grande dia se evidenciem cada vez mais.

Os registros de Atos são importantes por sua autoridade história, para a teologia da igreja, e como garantia de que Deus está atuando através dos séculos, conduzindo todas as coisas para o fim que Ele mesmo planejou.

Apesar de todas as aflições que os fiéis do início da era cristã tiveram de suportar, bem como todo o sofrimento causado aos cristãos de todos os tempos — zombarias, opressões, perseguições e mesmo a morte — a trajetória da Igreja é de sucesso e não de fracasso. A declaração do Senhor de que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18) não apenas lhe confere autoridade, mas lhe assegura de que Ele a governa, sustenta e a faz triunfar sobre todas as forças que tentam impedi-la, e mesmo bani-la da Terra: o seu futuro está guardado em Cristo. Nenhuma outra instituição teria resistido às mesmas provas pelas quais a Igreja tem passado ao longo dos séculos. Por isso a história é prova inconteste de que a Igreja é de Cristo, e não uma invenção humana.

Devemos aceitar “Atos dos Apóstolos” como a parte inicial da história que está sendo registrada nos anais divinos. O autor nos mostra o fundamento sobre o qual a igreja é edificada, se desenvolve, cresce e se espalha pelo mundo, a convicção que a faz prosseguir, quem a sustenta e orienta, bem como esperança que a motiva.

1. A trajetória da igreja se inicia e se orienta a partir de “tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar” (vs. 1,2)

Segundo a tradição cristã do segundo século, tanto o livro de Atos como o terceiro Evangelho foram escritos por um companheiro de viagem de Paulo, identificado em Colossenses 4:14 como “Lucas, o médico amado”, e citado entre os companheiros de trabalho do apóstolo (Colossenses 4:10-17; ver também 2 Timóteo 4:11; Filemom 1,24). “Meu livro anterior”, o evangelho de Lucas, registra o ministério de Jesus desde o seu nascimento até sua ascensão. Aquele que narrou com fidelidade o que “Jesus começou a fazer e a ensinar” agora registra os primeiros passos da igreja.

Os discípulos foram ensinados e treinados por Jesus. A igreja permanecia na “doutrina dos apóstolos” (Atos 2:42), ou seja, naquilo que eles receberam do Senhor e transmitiram aos outros crentes. Por isso ela é edificada, e trilha a história a partir de “tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar”, de modo que sua trajetória não é orientada por doutrinas humanas, teologias que desprezam a Bíblia, ou qualquer outra fonte posta como autoritativa, mas exclusivamente pelos ensinos de Cristo.

2. A igreja prossegue em sua trajetória pela convicção de que Cristo está vivo (v. 3; 24:1-53)

O escritor encerra sua narrativa anterior com registros de aparições do Cristo ressurreto (Lucas 24:1-53), e inicia Atos afirmando que o Senhor se apresentou vivo “com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas relacionadas com o Reino de Deus,” ou seja, de modo indubitável. Paulo, escrevendo aos Coríntios, exortando-os a permanecerem firmes no evangelho que lhes foi pregado, lhes fala sobre algumas das manifestações do Senhor (leia 1 Coríntios 15:1-8). A fé no Cristo vivo motiva a igreja: ela existe e se move por esta convicção.

3. A trajetória da igreja é orientada Espírito Santo (vs. 4,5,8)

Existem muitos métodos de gestão e estratégias adotados pelas igrejas de hoje. “Igrejas orientadas” por isso ou aquilo, “igreja” isso ou aquilo, e vários nomes e conceitos orientadores que têm por propósito a administração eficaz, o crescimento e a qualidade das igrejas. Há muitas igrejas dirigidas segundo sabedoria humana em desprezo da ação norteadora do Espírito Santo. Não é incomum que, logo após um processo de sucessão pastoral, pastores com uma “nova visão” trabalhem para desconstruir o ‘modelo’ anterior para implementar aquele que acha correto, como se a igreja fosse um “laboratório de experimentos”. Se este comportamento se verificasse no princípio, certamente que o Livro de Atos não existiria, ou se existisse, seria um livro histórico, mas não inspirado: ele retrataria os atos de um grupo religioso, de um “modelo de gestão eclesiástica” e não da igreja de Cristo.

A verdadeira igreja é orientada, encorajada, capacitada e usada pelo Espírito para os propósitos divinos. O poder do Espírito (virtude/capacitação) derramado sobre os salvos tem um objetivo: instrumentalizá-los para que sejam “testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra”. Em Atos vemos o Espírito Santo capacitando os salvos, dando-lhes ousadia, alegria, confortando, abrindo e fechando portas, orientando na pregação etc. O mesmo Espírito, com o mesmo poder e intenção, atua na igreja do presente.

4. A igreja segue sua trajetória motivada pela esperança de que Cristo voltará (vs. 9-11)

A ausência física do Senhor poderia ser motivo de desânimo para os discípulos. Os ensinos, as palavras encorajadoras, os momentos de oração e outras experiências do cotidiano com o Mestre deixaria uma saudade capaz de abrir uma lacuna em seus corações. Entretanto, lhes foi prometido um outro Consolador, bem como lhes foi feita uma promessa: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu já lhes teria dito. Pois vou preparar um lugar para vocês. E, quando eu for e preparar um lugar, voltarei e os receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, vocês estejam também” (João 14:2,3 — NAA).

Aqueles que viram o Senhor subir aos céus já haviam recebido a promessa de que Ele voltaria, e os levaria para Ele mesmo, para que estivessem juntos por toda a eternidade. Nós somos movidos por esta viva esperança. Sobre os heróis da fé, o escritor aos Hebreus declarou: “Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra” (Hebreus 11:13). A exemplo deles “não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a que há de vir” (Hebreus 13:14). Paulo nos ensina que “a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20). Muitos outros textos falam da cidade realmente maravilhosa, para onde Cristo irá nos levar, mas, o mais importante, e por isso o céu é valioso, é que Ele estará lá, no meio de seu povo (Apocalipse 22:1-5).

A convicção da volta do Senhor nos fortalece, é a viva esperança que nos faz prosseguir.

Reflita

1. A Palavra (doutrina/ensino) de Cristo é fundamento e orientação para o agir da igreja durante sua peregrinação.

2. A convicção de que Cristo está vivo alegra e motiva a igreja a prosseguir;

3. O Espírito Santo é a fonte de poder que instrumentaliza os salvos.

4. A confiança de que Cristo voltará para levar sua igreja a faz prosseguir perseverante em sua trajetória vitoriosa.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Vivo, porém morto

Santidade e santarrice não combinam. Aquele cuja vida cristã é representativa, ainda que possa enganar a muitos, está totalmente exposto diante de Deus, daquele que sabe quem tem fama de vivo mas está morto

dia dos mortos
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“Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela…” (2 Timóteo 3:5)

“Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto.” (Apocalipse 3:1)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Mariana é dona de uma voz inconfundível. Quando louva o auditório silencia. Parece que o Céu desce à Terra. Certa noite, após o pastor pregar uma poderosa mensagem sobre “Como Deus cuida de Seus filhos”, o auditório, repleto, se emocionou ao ouvi-la entoar maviosamente: “Aflito e triste coração, Deus cuidará de ti! Por ti opera a Sua mão, que cuidará de ti […].”

Ao contrário da piedade aparente, a adoradora domingueira leva uma vida dupla: aos domingos, e em datas especiais, como casamentos e aniversários, canta na igreja, porém, aos sábados e dias de festas frequenta lugares inadequados para um cristão, bebe, e ainda posta em seus perfis nas redes sociais fotos e legendas que não condizem com a fé cristã. Certa ocasião postou um convite para um evento de universitários intitulado “Festa da Pinga”. No templo, santa, no mundo, profana; ostenta vida, mas está morta.

Mariana não é exceção. Ela nos revela um comportamento cada vez mais frequente entre os crentes, principalmente entre os mais jovens: “um pé na igreja, outro no mundo”, como se pudessem ao mesmo tempo servir Cristo e satisfazer a carne, desconsiderando a exortação que diz: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4:4).

Para aqueles que acham que “brincar de crente” é muito divertido, fica a advertência: Santidade e santarrice não combinam. O hipócrita — aquele cuja vida cristã é representativa — pode enganar a muitos, mas não a Deus. Ele conhece as obras de cada um, e sabe quem tem fama de vivo mas está morto. Pense nisso!

terça-feira, 21 de julho de 2020

Vidas cheias de poder

Vidas cheias de poder são as que verdadeiramente pertencem e se sujeitam ao Espírito de Deus; são aquelas que o Eterno usa para a sua glória

pentecostes
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“E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo…” (Atos 2:2-4)


Pr. Cleber Montes Moreira


A Bíblia não diz que houve vento nem fogo, mas um som como que de um vento, e línguas que se pareciam com labaredas de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. Mesmo diante da clareza do texto, alguns não conseguem compreendê-lo.

É notório que muitos estão em busca dos sinais, do “extraordinário” de Deus, e não do próprio Deus, desprezando assim o importante: uma vida transformada, submissa e cheia do Espírito Santo. Esta busca insensata leva a enganos e produzi frustrações.

Conheci um homem que abandonou sua igreja e foi para outra em busca de uma experiência extraordinária: ele queria ser “batizado com o Espírito Santo”. Ficou por lá algum tempo, sempre orando, jejuando, e fazendo o que achava ser necessário para que seu sonho fosse realizado: queria falar em línguas, profetizar, e fazer outras coisas que somente pessoas “batizadas com o Espírito Santo” faziam. Enquanto se esforçava, observava algumas vidas “cheias de poder” por meio das quais deus — porque não poderia ser Deus — realizava grandes “sinais e maravilhas”: o pastor estava em adultério, alguns líderes eram maus pagadores, outros crentes tinham vida dúbia. Um dia ele pensou: “Isso não pode ser obra divina”. Após concluir que aquelas manifestações eram apenas encenações, aquele irmão, arrependido, me procurou chorando. Orei com ele e o aconselhei a procurar seu antigo pastor e a retornar para a igreja da qual havia saído, coisa que ele fez.

Aquele crente jamais falou em “línguas”, nunca “curou” alguém pela imposição de suas mãos, nunca recebeu nenhuma nova “profecia”, nem realizou algum outro sinal, porém, ao estudar sua Bíblia transformou-se num excelente crente e num ótimo evangelista. Ele descobriu que não precisava falar na “língua dos anjos”, mas comunicar o evangelho na língua dos homens (v. 8), e o Espírito o revestiu de poder para isso.

Há muita gente procurando “vento” e “fogo” como evidência da manifestação do Espírito Santo, no entanto, certos fenômenos e certas demonstrações de poder podem vir de outras fontes:“Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos”; “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz” (Mateus 24:24; 2 Coríntios 11:13,14 — grifos do autor).

O Pai da mentira e seus servos podem realizar “grandes sinais e prodígios”; podem enganar a muitos produzindo coisas extraordinárias, mas sua obra não resistirá à prova.

Vidas cheias de poder são as que verdadeiramente pertencem e se sujeitam ao Espírito de Deus, as demais, independente de suas realizações, são vidas vazias. Pense nisso!

quinta-feira, 16 de julho de 2020

“Se o Senhor quiser…”

Amanhã, se eu acordar, Cristo estará comigo, se não acordar, estarei com Cristo. Esta certeza me basta; ela é revigorante, reconfortante, motivadora…

cemitério
Adicionar legenda

“Ao invés disso, deveriam dizer: ‘Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo’”. (Tiago 4:15 — NVI)


Pr. Cleber Montes Moreira


Alguém me disse: “Quero acordar cedo amanhã”. Respondi: Quero acordar. Falei brincando, mas depois comecei a pensar sobre o valor desta afirmação: ter acordado é uma bênção, por isso devo expressar minha gratidão a Deus por dádiva tão preciosa. Acordar amanhã é incerto, mas se acontecer, devo ter a consciência de que devo viver de modo que o Autor da vida seja glorificado em cada pensamento, em cada ato, e em cada palavra minha. Vivo por Ele e para Ele, e todos os meus dias devem ser para a sua glória.

Este ano já morreram, até este exato momento, 75.825.3121 pessoas. É assim que muitos fizeram planos para hoje, todavia não poderão executá-los (Eclesiastes 9:10). Sonhos são interrompidos todos os dias, obras ficam inacabadas, projetos não saem do papel… Por isso não devemos alimentar a soberba, nem cultivar vãs pretensões, conforme nos ensina Tiago: “Ouçam agora, vocês que dizem: ‘Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro.’ Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Ao invés disso, deveriam dizer: ‘Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo.’ Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna” (Tiago 4:13-16 – NVI).

Uma certeza eu tenho, a de que “Meus dias são como sombras crescentes; sou como a relva que vai murchando” (Salmos 102:11 — NVI), por isso meus planos devem ser elaborados a partir desta oração: “Se o Senhor quiser”. Amanhã, se eu acordar Cristo estará comigo, se não acordar, estarei com Cristo. Esta certeza me basta; ela é revigorante, reconfortante, motivante… Viver sem ela é como estar morto, e há muitos que assim estão porque não planejaram para a eternidade. Pense nisso!


1 Número atualizado aqui: https://www.worldometers.info/br/

quarta-feira, 15 de julho de 2020

“E sejam agradecidos”

Quando reconhecemos o favor divino, além de manifestarmos nossa gratidão a Deus, comunicamos graça ao mundo. O que recebemos transmitimos, sendo não apenas retentores, mas compartilhadores da graça

gratidão
Imagem: Pixabay

Pr. Cleber Montes Moreira


Conta-se que três homens, sendo um ingrato, um egoísta e um agradecido, encontraram pela manhã em suas portas um buquê de rosas, tendo cada um reagido de modo diferente diante do inusitado presente.

O ingrato atirou suas rosas numa lixeira quando ia a pé para o serviço. O egoísta apanhou as rosas, sentiu seu perfume, e colocou-as num jarro para decorar sua sala. O agradecido, radiante de alegria pelo presente recebido, foi visto, enquanto fazia sua caminhada matinal, distribuindo rosas para todos que encontrava. Sempre que ofertava uma rosa, outra surgia milagrosamente em seu lugar, de forma que ao voltar para casa seu buquê ainda contava com a mesma quantidade de rosas de antes, e elas não murchavam.1

As pessoas ingratas são aquelas que tendo recebido da graça, jogam no esquecimento o que receberam. As egoístas são as que recebem e guardam para si. As agradecidas são as que recebem e compartilham com alegria.

Quando reconhecemos o favor divino, além de manifestarmos nossa gratidão a Deus, comunicamos graça ao mundo. O que recebemos — δωρεὰν (dórean) como um presente gratuito, sem pagamento, livremente, sem merecimento2 —, transmitimos, sendo não apenas retentores, mas compartilhadores da graça: “Graciosamente recebestes, graciosamente dai” (Mateus 10:8 — BKJA).

É com este sentimento que o salvo por Cristo, em gratidão ao Salvador, se dispõe a servir a Deus e ao próximo. O problema é que este espírito de gratidão está cada vez mais escasso. Certa ocasião, um jovem ao ser consultado pela comissão de indicações de sua igreja sobre a possibilidade de assumir um cargo para o ano seguinte, logo quis saber: “Quanto receberei por isso?” Ele não considerou servir com alegria àquele que para salvá-lo enviou seu Filho unigênito, nem que aquele cargo seria uma oportunidade de comunicar graça aos irmãos — ele foi ingrato, como muitos têm sido.

Paulo diz que devemos ser eucháristoi (εὐχάριστοι), agradecidos3. “E sejam agradecidos” (Colossenses 3:15 — NVI) faz parte das orientações que o apóstolo dá aos salvos, àqueles que tendo ressuscitado com Cristo devem focar nas coisas do alto, e não nas terrenas, e incorporar em seu viver os valores do Reino de Deus. É assim que “E tudo quanto fizerdes, seja por meio de palavras ou ações, fazei em o Nome do Senhor Jesus, oferecendo por intermédio dele graças a Deus Pai.” (Colossenses 3:17 — BKJA).

 

Em agosto de 2019


1 Texto adaptado de “O Presente das Rosas”, de autoria desconhecida.

2 https://biblehub.com/greek/1432.htm (acessado em 01 de agosto de 2019)

3 https://biblehub.com/greek/2170.htm (acessado em 31 de julho de 2019)

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Quando as aflições são bênçãos

Tenhamos sempre em mente que as aflições são bênçãos se nos servem como disciplina, se nos levam ao quebrantamento, se nos conduzem ao quarto de oração

Oração
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“Eu disse: Guardarei os meus caminhos para não pecar com a minha língua; guardarei a boca com um freio, enquanto o ímpio estiver diante de mim… Ouve, Senhor, a minha oração, e inclina os teus ouvidos ao meu clamor; não te cales perante as minhas lágrimas.” (Salmos 39:1,12 – Leia todo o salmo)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

O salmista está abatido. Seus pensamentos estão carregados, talvez de questionamentos e dúvidas acerca de Deus e outras coisas que, se exteriorizadas, podem escandalizar.

Na estrada da vida há declives. Ninguém está imune às tristezas, e nem à depressão. Diante de situações adversas, de sofrimentos extremos, de dolorosas provações, não é incomum que pessoas questionem o silêncio, a ação, ou a permissão de Deus quando suas expectativas são frustradas. Pode parecer que Ele tarda em socorrer, que não ouve as súplicas, que está ausente quando o pior acontece. “Onde Deus estava?”, “Por que Ele permitiu que isso acontecesse?”, “Por que não mandou o livramento?”, perguntam. Isso é de nossa humanidade, é fraqueza nossa.

Davi propôs em seu coração colocar um freio em sua boca, de não dizer nada diante dos ímpios. Mattew Henri diz que “devemos nos lembrar que eles vigiam as nossas palavras e as modificam, se puderem, para nossa desvantagem.” De fato, toda palavra impensada, precipitada e inconsequente que dissermos, e até nossos lamentos poderão ser usados contra nós. Por isso, em certos momentos, o silêncio é preciosíssimo, ainda que agrave a nossa dor (v. 2).

Há hora de calar, e hora de falar. O salmista, quando falou, falou com Deus. Enquanto orava percebeu sua fragilidade, também viu que a força e a glória humana não passa de vaidade. Ele entendeu as consequências de suas iniquidades, suplicou por alívio, e colocou sua esperança no Senhor. Percebeu que não é Deus quem nos lança em sofrimento, que se ausenta e nos abandona, mas que é o pecado que como a traça nos corrói e faz de nossa vida um sopro (v. 11). As aflições são bênçãos se nos servem como disciplina, se nos levam ao quebrantamento, se nos conduzem ao quarto de oração. Pense nisso!


Abril de 2019

sábado, 11 de julho de 2020

O carro ou a neta?

O apego às coisas materiais é uma das características mais fortes desta sociedade afastada de Deus; priorizar as coisas em detrimento de pessoas é uma marca reveladora da ausência de Cristo na vida. Ou somos reconhecidos como discípulos do Mestre, por imitá-lo, inclusive no amor, ou o negamos por um padrão oposto aos seus ensinos

auto
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“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.” (João 13:35)

 

Pr. Cleber Montes Moreira


Presenciei um episódio em que uma neta ligou para o avô pedindo que a buscasse na escola. Naquela tarde havia chovido bastante, e a menina disse que estava toda molhada. O avô pronunciou algumas palavras ríspidas, desligou o telefone e comentou zangado: “Se ela pensa que vai entrar no meu carro molhada, está enganada!” Após ouvir tal coisa passei a refletir sobre como temos priorizado coisas menores em detrimento das que são realmente importantes. Também pensei sobre qual tem sido o tratamento frequente daquele homem para com sua neta, bem como que tipo de lembrança ela terá dele no futuro. Certamente que se recordará de um dia em que seu avô se recusou a deixá-la entrar em seu carro, só porque estava molhada da chuva. Confesso que quis ser, ao menos por uns minutos, o avô daquela menina, ir buscá-la e levá-la para o conforto do lar. O carro? Eu não tenho um carro novo, mas se tivesse que diferença isso faria? Certamente que abriria a porta e a deixaria entrar sem me importar com o estofado. Os bens materiais são para que nos sirvamos deles, as pessoas para serem amadas. Quem faz o contrário quebra o grande mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Marcos 12:31). E, se devemos amar o próximo, os mais próximos são os nossos familiares. Portanto, o amor começa em casa.

O que você tem escolhido amar? O carro ou a neta? Os bens materiais ou as pessoas? Quais são os verdadeiros tesouros guardados em seu coração? O amor, não pelas coisas mas pelas pessoas, é a maior característica do cristão. Pense nisso!

 

 

Fato ocorrido em 2015.

domingo, 5 de julho de 2020

“Humildade” radiante

Que a falsa humildade não seja a potência motriz de nossas boas ações; que nosso amor e serviço seja sincero e desprovido de segundas intenções

lava pés
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“Com toda a certeza vos afirmo que eles já receberam o seu galardão”. (Mateus 6:6 — BKJA)


Pr. Cleber Montes Moreira


José era muito “humilde” e prestativo; ele sempre buscava oportunidades para servir, e depois saía contando para todos tudo o que fazia apenas por “amor”.

O pastor Adegivaldo é conhecido como servo exemplar e humilde. Certa feita ele resolveu inovar durante a celebração da ceia: pegou uma bacia com água e uma toalha, e lavou os pés de cada membro da igreja presente naquela reunião. Sua intenção era imitar o Senhor, e pregar para suas ovelhas um “sermão vivo”. Já no outro dia, aquela “pregação” alcançou o mundo através das redes sociais: em seus perfis ele postou um texto sobre seu feito e fotos que eternizaram aquele momento. Nos comentários, vários louvores ao pastor.

Há pessoas tão humildes, mas tão humildes, que sua humildade é como a luz do sol (é vista por todos). São como aqueles religiosos do tempo de Jesus, que faziam suas obras diante dos homens e oravam publicamente para serem vistos e elogiados (Mateus 6:1-6) — eles praticavam uma “humildade” radiante! O farisaísmo atual se assemelha ao daquele tempo, mas a advertência do Mestre é a mesma: “Guardai-vos de fazer (como eles) […]. Com toda a certeza vos afirmo que eles já receberam o seu galardão” (Mateus 6:1,6 — BKJA).

Que esta “humildade” não seja a potência motriz de nossas boas ações; que nosso amor e serviço seja sincero e sem segundas intenções.

Quando você fizer algo por amor e obediência a Cristo, não dê entrevistas, “não toques trombeta diante de ti” (v. 2); não troque o galardão do Senhor por apenas “quinze minutos” de fama. Pense nisso!

 

Agosto de 2019

quinta-feira, 2 de julho de 2020

É só o certo que dá certo

Líderes estão sendo treinados para fazerem o que dá certo, e não o que é biblicamente certo fazer. Isso pode gerar resultados temporais, porém, contraria os valores do evangelho

sucesso
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“Comeis a gordura, e vos vestis da lã; matais o cevado; mas não apascentais as ovelhas […]. E os pastores apascentaram a si mesmos, e não apascentaram as minhas ovelhas.” (Ezequiel 34:3,8)

 

Pr. Cleber Montes Moreira

 

“Pare de fazer o que não dá certo!” era a frase chave num post sobre empreendedorismo, mas que poderia ser dita aos pastores ávidos por sucesso, àqueles que querem saber tudo sobre “como fazer sua igreja crescer”, “como atrair multidões”, “como encantar plateias” e coisas do tipo. Se pronunciada num evento sobre ‘Coaching Ministerial’, certamente renderia aplausos.

Num vídeo no YouTube, um ‘Pastor Coach’ convocava para mais uma “Conferência Liderança de Sucesso”, com a presença de pastores e apóstolos especialistas no assunto. Na descrição, um link para compra de ingressos. Convites como estes são feitos quase que diariamente.

Pastores e líderes em geral estão sendo treinados para fazerem o que dá certo, e não o que é biblicamente certo fazer. Cursos, treinamentos, conferências e palestras, sem generalizar, focam mais as estratégias, tratam mais sobre como conseguir os resultados — na maioria das vezes a multiplicação dos fiéis, o aumento das entradas financeiras, administração visando o sucesso etc. — que a fidelidade e sujeição à Palavra de Deus. Como consequência temos cada vez mais empreendedores religiosos, gestores de pessoas, gerentes eclesiásticos, gente especializada na tosquia, e não pastores de ovelhas (no sentido bíblico). É como se a estratégia fosse “Pare de fazer o que não dá certo!”, e assim é, embora não declaradamente. O problema desta visão de liderança antibíblica é que: 

Fazer o que dá certo pode indicar ambições egoístas de líderes desonestos, muitas vezes travestidas de boas intenções.

O que dá certo pode ser politicamente correto, sem, necessariamente, ser certo.

Nem tudo o que dá certo se harmoniza com a verdade.

Nem tudo o que dá certo é moralmente certo.

Nem tudo o que dá certo é honesto.

Nem tudo o que dá certo é biblicamente certo.

Nem tudo o que dá certo hoje dará certo sempre.

Nem tudo o que dá certo acalma consciências culposas.

Nem tudo o que dá certo é segundo a perfeita Vontade do Pai.

Nem tudo o que dá certo promove o verdadeiro evangelho.

Nem tudo o que dá certo nos isenta de sermos responsabilizados por Deus.


Fazer o que dá certo pode projetar na sociedade uma boa imagem do líder, pode encher templos, aumentar receitas, porém, tem sido a estratégia mais usada pelo diabo para alcançar, por meio destes líderes inescrupulosos, o seu próprio sucesso em enredar pessoas e encaminhá-las ao inferno (líderes e liderados).

Se você não quer colaborar com o intento maligno de Satanás, então deixe de buscar o sucesso pessoal e temporal, PARE DE FAZER O QUE DÁ CERTO, e comece imediatamente a fazer o certo. Isso não resultará em elogios do mundo, mas é o certo, e na visão de Deus é só o certo que dá certo.


segunda-feira, 29 de junho de 2020

A Escola de Justino

Quase tudo que Justino sabia sobre Deus, ele aprendera na EBD. As lições recebidas na “maior escola do mundo” cooperaram para forjar seu caráter, formar seus valores, e prepará-lo para a vida

criança lendo a Bíblia
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“Trazendo à memória a fé não fingida que em ti há, a qual habitou primeiro em tua avó Lóide, e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também habita em ti […]. E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.” (2 Timóteo 1:5; 3:15)


Pr. Cleber Montes Moreira


Justino, órfão de pai, criado pela mãe e a avó materna, nunca teve vida fácil. Passou escassez de quase tudo, teve de trabalhar cedo para ajudar nas despesas da casa, não pôde frequentar a escola, e o pouco que aprendeu a ler foi com uma vizinha professora, a quem chamava de tia. Por muito tempo o único livro da casa, a velha Bíblia, e algumas revistas recebidas na igreja foram-lhe bastante úteis para treinar a leitura. Era inteligente, autodidata. Na década de 1970 cooperou na organização de uma igreja no bairro onde morava. Sempre operante, dirigia cultos, pregava, ensinava classes bíblicas e gostava de evangelizar. Desenvolto, hábil no ensino da Palavra de Deus, certa feita alguém lhe inquiriu sobre a escola em que havia estudado, ao que respondeu: “Na Escola Bíblica Dominical.” Sim, ele desenvolveu sua habilidade na leitura desde criança, a partir das revistas da EBD da antiga igreja. Assim como Lóide e Eunice, que instruíram Timóteo na fé, Justino também aprendeu com o testemunho da avó e da mãe, mulheres sábias, que despertaram nele, desde a infância, o interesse pela classe dominical.

Quase tudo que Justino sabia sobre Deus, ele aprendera na EBD. As lições recebidas na “maior escola do mundo” cooperaram para forjar seu caráter, formar seus valores, e prepará-lo para a vida. Mesmo sem formação secular, alcançou sabedoria. Seu testemunho era impactante e persuasivo. Agora era ele quem conduzia seus três filhos no bom caminho.

Creio que se agirmos como Lóide e Eunice, e como a avó e a mãe de Justino, se ensinarmos aos pequeninos as sagradas Escrituras, que podem fazê-los sábios para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus, tais ensinos frutificarão em suas vidas e Deus fará neles a Sua Obra.

A escola de Justino pode ser também a escola de sua família. Pense nisso!

domingo, 28 de junho de 2020

A Escola Bíblica Dominical como instrumento para alcançar as futuras gerações

Se cada geração entender a importância do discipulado, e alcançar e capacitar a próxima para que faça o mesmo, a Palavra de Deus seguirá salvando, santificando, edificando, e aperfeiçoando os salvos de hoje e de amanhã para a Boa Obra

Bíblia
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“E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te.” (Deuteronômio 6:6 — grifo do autor)


Pr. Cleber Montes Moreira


A maior demonstração de amor e fidelidade a Deus é acolher a Sua Palavra, praticá-la e transmiti-la às futuras gerações. Por isso ela deve estar guardada no coração (Salmos 119:11), inundar nossos pensamentos, transbordar em nossas ações, ser declarada por nossos lábios (Lucas 6:45), ensinada aos filhos em casa, andando pelo caminho, antes de dormir e ao acordar (v. 7). Ela deve estar sempre diante de nossos olhos, para que seja memorizada, compreendida, aplicada, e opere eficazmente em nós e nossas famílias (vs. 7,8). Para Israel ser bem-aventurado em sua terra, deveria observar isso. Também nós, se quisermos agradar a Deus, alcançar os nossos e transmitirmos valores eternos aos filhos, e por meio deles fazermos chegar a Palavra aos nossos netos, bisnetos e assim por diante. Se cada geração entender a importância do discipulado, e alcançar e capacitar a nova geração para que faça o mesmo, a Palavra de Deus seguirá salvando, santificando, edificando, e aperfeiçoando os salvos de hoje e de amanhã para a Boa Obra. Porém, aquela geração que romper com este clico colherá resultados nefastos.

Um dos recursos que temos à disposição, que nos ajuda a cumprir o que nos pede o texto bíblico, é a Escola Bíblica Dominical. Ela não é apenas uma atividade, ou departamento da igreja, mas um instrumento poderoso de ensino e transformação de vidas. Muitos que hoje servem a Cristo, aprenderam os princípios fundamentais da fé cristã desde pequenos, na EBD. A Bíblia diz: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Provérbios 22:6). Eu creio nisso. E você?

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Apenas cumpra o seu ministério

Há líderes que se esforçam demasiadamente para elaboração de estratégias de crescimento e multiplicação, e se esquecem da responsabilidade de criarem um ambiente propício à ação do Espírito Santo na medida em que, obstinados pelo crescimento, desprezam o compromisso e o ensino da Sã Doutrina

plantio
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“Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.” (1 Coríntios 3:6,7 — grifo do autor)


Pr. Cleber Montes Moreira


No início de meu ministério comprei alguns livros sobre “como fazer sua igreja crescer”. Sinceramente que pensava poder fazer algo sobre isso. Li livros e matérias diversas sobre o assunto. Ainda hoje noto os modelos de gestão e estratégias de crescimento que estão em voga, tidas por alguns como a “nova invenção da roda”. Com o tempo percebi que esta é uma intenção inútil, por mais honesta que seja. Assim como não podemos acrescentar um centímetro à nossa estatura (Mateus 6:27), tampouco fazer uma criança crescer, a não ser criar um ambiente e condições favoráveis à saúde, também não podemos fazer a igreja crescer a partir de nossa capacidade. O grande problema que vejo é que estamos confundindo os papéis no processo de crescimento: “somos cooperadores de Deus” (v. 9) e não deuses; nossa tarefa é plantar e regar, ou seja, alimentar e sustentar os cristãos com a pregação do evangelho genuíno, todavia, o crescimento, é Deus quem dá. É como o lavrador cujo trabalho é observar as estações, preparar a terra, semear e cuidar da lavoura, sabendo que quem faz a semente germinar e crescer é o Criador, utilizando de leis da natureza que Ele mesmo estabeleceu.

O problema de alguns líderes de hoje é que eles se esforçam demasiadamente para elaboração de estratégias de crescimento e multiplicação, tarefa que compete a Deus, e se esquecem da responsabilidade de criar um ambiente propício à ação do Espírito Santo na medida em que, focando no crescimento, desprezam o compromisso e o ensino da Sã Doutrina. Dessa forma, o resultado que conseguem é meramente numérico, decorrente de adesões e não de conversões. A consequência são igrejas cheias de membros carnais, tendo pastores humanos e não a Cristo por cabeça, manejados por metodologias e estratégias seculares e não pela Palavra da Verdade, guiados por “visões” e não pelo evangelho.

Se você é pastor e quer cooperar para o crescimento da igreja local, apenas plante e regue: pregue a Palavra com integridade, a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina, seja sóbrio em tudo, suporte os sofrimentos, faça a obra de um pastor e de um evangelista, cumpra fielmente o seu ministério, e creia que Deus fará a sua parte (Leia 2 Timóteo 4:5).

quinta-feira, 25 de junho de 2020

A fé não empodera

Enquanto a fé dos que buscam “andar sobre as águas” tende a produzir autoconfiança, a fé bíblica revela que precisamos do socorro divino, sem o qual estamos perdidos

help
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“E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me! E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?” (Mateus 14:29-31)


Pr. Cleber Montes Moreira


Há quem ostente uma fé num deus servil, subserviente ao homem, fé capaz de “mover montanhas”, de dar a quem crê o poder de “mover no sobrenatural”, de decretar curas, milagres e outras realizações; fé que diminui o Criador e empodera a criatura. Porém, esta fé que exalta nosso ego nada mais é que um ‘recurso de autoajuda’, capaz de gerar uma sensação agradável de poder e segurança que obscurece o entendimento de nossa dependência de Deus, e por isso nos leva ao naufrágio.

É certo que Pedro foi ousado ao fazer tal pedido. É certo que ele caminhou, ainda que por pouco tempo, sobre o mar, desafiando leis naturais. É certo que sua atitude pode merecer alguma admiração, mesmo tendo origem numa dúvida: “se és tu” — ele desafiou Jesus para que provasse ser Ele mesmo, e não um fantasma ou outro ser (v. 26). Mas, é também certo que ele teve que suplicar por socorro para não se afogar, motivo pelo qual concluo que nossa fé não é aferida quando andamos sobre as águas, mas quando clamamos por Cristo e seguramos em sua mão salvadora, sempre estendida para nos ajudar.

A tendência de quem anda sobre as águas é confiar em si mesmo, por isso Jesus não permitiu que Pedro fosse longe, e logo o fez perceber a sua impotência diante de forças tão ameaçadoras. E nisso há um ensino contra a soberba: Ninguém pode ir encontrar com Cristo caminhando sobre as águas, para que não se glorie em si mesmo; é o Senhor que vem a nós, com sua graça e misericórdia, trazendo Salvação; é ele quem estende sua mão para nos erguer da miséria do pecado. Assim, a fé salvadora não é aquela que nos faz sentir acima das circunstâncias, que nos empodera, mas a que nos leva a buscar e confiar somente em Jesus, nossa única esperança. Pense nisso!

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Vencendo a ansiedade por meio da oração

A prática constante da oração nos faz confiar no agir de Deus, e esta confiança é a cura para o mal da ansiedade.

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“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.” (Filipenses 4:6)


Pr. Cleber Montes Moreira


Como filhos de Deus temos um recurso eficaz contra a ansiedade, a oração. A sua prática constante nos fortalece para lidarmos com as aflições na confiança de que o Eterno está no controle, e que Ele pode, se for de sua agradável vontade, alterar o cenário desfavorável ou nos capacitar para lidarmos com as circunstâncias de modo que seu nome seja glorificado. A disciplina da oração nos faz entender e aceitar os desígnios de Deus para nós, e nos torna gratos pelo entendimento de que“todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8:28), inclusive tudo que nos aflige.

O ensino bíblico é para levarmos ao Pai, em oração, tudo que nos inquieta, seja algum medo, alguma culpa, algum sentimento indevido, alguma necessidade, alguma enfermidade, alguma preocupação… cada um terá o que apresentar em suas petições. O resultado é que a paz que excede todo o entendimento tranquilizará nossos corações e aquietará nossos pensamentos.

Quanto mais tempo passamos em oração, maior é nossa confiança no agir de Deus, e esta confiança é a cura eficaz para o mal da ansiedade. Pense nisso!

 

O Grande Amigo

(Hino 155 do Cantor Cristão)

 

Em Jesus amigo temos, mais chegado que um irmão,

E nos manda que levemos, tudo a Deus em oração.

Oh que paz perdemos sempre, ó que dor no coração,

Só porque nós não levamos tudo a Deus em oração!

 

Temos lidas e pesares, e na vida tentação,

Não ficamos sem conforto, indo a Cristo em oração.

Haverá um outro amigo de tão grande compaixão,

Os contritos Jesus Cristo, sempre atende em oração!

 

E se nós desfalecemos, Cristo estende nos a mão,

Pois é sempre a nossa força e refúgio em oração.

Se este mundo nos despreza, Cristo é nosso em oração,

Em Seus braços nos acolhe, e nos dá consolação!

 

Charles Crozat Converse (1832-1918)

Joseph Scriven (1820-1886)