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sábado, 24 de outubro de 2020

Onde está a cruz?

A cruz é o lugar onde renunciamos à nossa própria vida para desfrutarmos da vida abundante que só Cristo pode dar; uma vida cujo prazer, contentamento e propósito está naquele que é o autor e consumador da nossa fé. A cruz é o lugar onde é mortificado o adorador de si mesmo para, na Palavra e pelo poder do Espírito, ser gerado um novo ser capaz de adorar a Deus em espírito e em verdade

ao pé da cruz
Imagem: Pixabay

“Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade.” (Efésios 4:22-24)


Pr. Cleber Montes Moreira


Numa postagem no Facebook uma internauta elogiava jovens evangélicos de um determinado grupo por sua prontidão para servir “atendendo ao chamado”. Nas fotos, jovens descontraídos, demonstrando alegria, em cenas divertidas. Nos vídeos, coreografias ao som de músicas dançantes em ambiente com paredes escuras e luzes de neon — não consegui identificar se a celebração cúltica ocorria num templo religioso ou outro espaço próprio para shows. No palco “animadores” e “dançarinos” comandavam a galera, tendo num telão projetada a imagem de um leão. Durante aquela performance espetacular a maioria, aglomerada, usava máscaras — não entendi se em obediência a algum protocolo determinado por algum decreto, em decorrência da pandemia, ou se, inconscientemente, como indicativo de falsa espiritualidade.

 

Observando atentamente aquelas fotos e vídeos, notando com atenção cada cena registrada do ambiente, surgiu em minha mente uma pergunta inquietante: Onde está a cruz? Não falo sobre uma cruz de madeira, metal ou outro material, pendurada em algum pescoço, fixada ou projetada numa parede — porque este tipo de cruz não havia, mesmo —, mas da cruz do evangelho. Falo da cruz sobre a qual Jesus falou: “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” (Mateus 10:38). Falo da cruz sem a qual ninguém é, verdadeiramente, cristão. Falo da cruz de quem renunciando à sua vida, por amor ao Senhor, encontra a vida abundante que só Cristo pode dar (Mateus 10:39); uma vida cujo prazer, contentamento e propósito está naquele que é o “autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” (Hebreus 12:2); uma cruz pela qual somos libertos da antiga natureza, do velho modo de viver, corrompido pelos desejos impuros e pelo engano, tendo nossos pensamentos e atitudes renovados pelo Espírito Santo, sendo, agora, revestidos por uma nova natureza, criada para ser justa e santa, segundo o padrão de Deus (confira Efésios 4:22-24); falo da cruz que nos transforma em “verdadeiros adoradores” cuja adoração é “em espírito e em verdade” (João 4:22-24), não na carne, não no engano, não movida pelo hedonismo, tendo não o homem, mas Cristo como centro e Sua glória como propósito.

 

Culto a Deus não é oferecido com agitação de corpos, danças, gritos, cambalhotas, declarações triunfalistas, sermonetes descontextualizados… Devemos aprender com Paulo que o culto racional se pratica na inconformação com o mundo, renovação da mente e na experiência da vontade de Deus mediante a apresentação dos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Romanos 12:1,2). Precisamos aprender da experiência de Isaías, quando os serafins em reverência cobriam com suas asas seus rostos e pés enquanto declaravam que “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”, e com o profeta que, diante da presença de Deus, em temor e reconhecimento, exclamou: “Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos” (Isaías 6:3).

 

As igrejas falham quando proveem entretenimento para os jovens como estratégia para atraí-los ou “mantê-los na igreja”, produzindo, assim, um estilo carnal de ‘adoração’ descolada da cruz. Charles Spurgeon, dizia: “o diabo raramente teve uma ideia mais sagaz que sugerir à igreja que parte da sua missão é fornecer entretenimento para as pessoas, tendo em vista conquistá-las”. Não sou contra o entretenimento, no tempo e no espaço próprio, mas entendo que o “evangelho do entretenimento” não leva ninguém ao Salvador, não produz discípulos de Cristo, embora seja eficaz em produzir adesões; afinal, é natural que jovens de vida secular sejam facilmente atraídos por este tipo de oferta, uma vez que encontram na “igreja” atrativos que há mundo. Além disso, podem levar uma “vida divertida”, e até liberal, seguindo um falso evangelho capaz de aplacar suas consciências. Não é sem motivo que certa ocasião, uma famosa atriz, ao dar seu testemunho — ou tristemunho — declarou que escolheu ser membro de uma determinada igreja porque lá não havia regras, e que podia estar em comunhão com Deus e continuar fazendo tudo o que fazia antes. Certamente que o diabo se especializou em oferecer ao pecador um evangelho palatável, que não requer abnegação nem santidade, um evangelho sem exigências e sem a cruz.

 

Pensemos no que disse Joe Thorn: “A infiltração do entretenimento dentro do culto não é uma questão de estilo, mas de substância. O entretenimento é uma coisa boa, mas o seu propósito é o alívio da mente e do corpo, não a transformação da mente ou a edificação do espírito.”

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Evangelho ou mero comércio?

Cada vez mais os oportunistas usam do evangelho como ferramenta para bons negócios. Quem não tem base bíblica, já não consegue mais distinguir entre o que é o evangelho e o que é apenas comércio

livraria
Imagem: Unsplash

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E, por avareza, farão de vós negócio com palavras fingidas…” (2 Pedro 2:1-3)


Pr. Cleber Montes Moreira


Certa vez estive numa livraria evangélica onde fui comprar um DVD de um filme para presentear. Enquanto escolhia, achei inúmeros títulos: mensagens de cunho neopentecostal, DVDs de “louvor profético”, de “dança profética” e até de aula de dança (não era do professor Carlinhos de Jesus). A variedade é imensa e atende a todos os gostos.

Um irmão que me acompanhava olhava as Bíblias, quando me perguntou: “Você já viu a Bíblia da Mulher?” Em tom de brincadeira disse que sim, mas que ainda não havia encontrado a Bíblia do Homem. Ele respondeu: “Existe!”, o que aguçou minha curiosidade e me levou a observar as várias Bíblias à disposição na loja: Bíblia do Adolescente (essa eu já conhecia), Bíblia da Vovó (e a do vovô, não tem?), Bíblia da Garota de Fé (essa me chamou a atenção), isso sem falar na Bíblia “Batalha Espiritual e Vitória Financeira” de Silas Malafaia e tantas outras. A variedade é grande e por isso não conseguiria enumerar todos os títulos aqui.

Na mesma loja, sobre o balcão, encontrei um convite impresso intitulado “7 passos para a vitória completa”, do qual transcrevo abaixo algumas partes:

Com a presença de 7 profetas de Deus que virão de outras cidades para orar por você e abençoar sua vida (…).

Um momento especial para você que busca cura para o corpo e alma, libertação das obras malignas, prosperidade espiritual e financeira, avivamento espiritual, transformação e salvação (…).

Serão 7 quintas-feiras que vão mudar a história da sua vida.

 

Eu perguntei, em tom de brincadeira, se aquela era realmente uma livraria evangélica.

Você já reparou na quantidade de livros para campanhas, no estilo quarenta dias disso ou daquilo?

Uma vez recebi uma ligação:

— Não sei se o senhor sabe, mas nós estamos numa campanha para aumentar o conhecimento bíblico nas igrejas. — Daí em diante a pessoa começou a fazer propaganda de livros, comentários, dicionários, Bíblias… Sem muita paciência para esperar a leitura do catálogo inteiro, a interrompi dizendo que no momento não tinha interesse. Mas fiquei pensando: “Aumentar o conhecimento bíblico ou as vendas?” Qual seria seu real motivo?

O que percebo é que cada vez mais o evangelho se transforma em oportunidade para bons negócios. E vale tudo para agradar e chamar a atenção do freguês. Desde o que ocorre nas lojas ao que acontece nas igrejas, tudo gira em torno do lucro ou do aumento das entradas financeiras. A fé nunca foi tão comercializada como hoje em dia. Quem não tem base bíblica, já não consegue mais distinguir entre o que é o evangelho e o que é mero comércio.

Este é um tempo de confusão.

sábado, 29 de agosto de 2020

Meus sonhos ou a vontade de Deus?

 No contexto do falso evangelho, focado na criatura, o homem sonha, e Deus realiza; o homem decreta, e Deus faz acontecer; o homem ordena, e Deus obedece; o homem é deus, e Deus é servo

Bíblia
Imagem: Unsplash


“Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor.” (Efésios 5:17)

 

Pr. Cleber Montes Moreira


Há um deus adorado por alguns evangélicos que está cada vez mais em evidência, um deus que realiza sonhos e que está sempre a serviço do homem. Confesso que já estou cansado de certas frases compartilhadas em redes sociais, tais como: “Deus dá vida aos nossos sonhos”; “Sonhar é humano, mas realizar os seus sonhos é obra de Deus”; “Sonhe, os sonhos alimentam nossa fé”; “Pela fé verei meus sonhos realizados por Deus”; “Deus realiza sonhos”; “Deus não engaveta seus sonhos, e na hora certa Ele te surpreende dizendo: O tempo chegou”. Há uma canção gospel cuja letra diz:

Deus vai fazer o que você sonhar (…)

Deus vai realizar os teus sonhos

Mesmo em tempo de seca

Muita chuva terá

Você agora está no deserto

Mas eu sei que está perto

Da tua benção chegar (…)

 

A maioria, quando diz “Os sonhos de Deus jamais serão frustrados”, está, na verdade, pensando em seus sonhos, e não na vontade divina. Criador e criatura inverteram seus papéis: O homem sonha, e Deus realiza. O homem decreta, e Deus faz acontecer. O homem ordena, e Deus obedece. O homem é deus, e Deus é servo. Desculpem, mas este não é o Deus da Bíblia, embora seja o deus de muita gente que se diz cristã.

Que tal uma mudança de foco? Que tal a vontade de Deus como prioridade? Que tal submetermos todos os nossos sonhos, anseios, ideais e planos àquele que sabe o que é melhor, com o objetivo de sermos seus instrumentos para a realização de Sua vontade?

Quem prioriza seus sonhos pensa como o mundo e não tem a mente de Cristo. Quem se conforma ao padrão secular não pode experimentar a “boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2), pois seu entendimento está entenebrecido. Mais que isso, quem prioriza seus sonhos e despreza a vontade de Deus não tem parte com o Senhor, pois Ele mesmo disse: “Porquanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe.” (Marcos 3:35).

Deus não é Deus de sonhos. A Bíblia não fala dos sonhos de Deus, mas de Sua vontade e realizações. Quem dirige a história não precisa sonhar. Cabe ao homem desejar servi-lo e submeter-se à Sua vontade, como instrumento. Aprendamos com Jesus: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” (João 4:34). Do contrário, “certo é que Deus não ouvirá a vaidade, nem atentará para ela o Todo-Poderoso” (Jó 35:13). Pense nisso!


quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Movidos pela ganância

Pastores e líderes espirituais há que se tornaram especialistas em gestão eclesiástica, tecnocratas do evangelho; eles foram treinados para uma liderança eficaz objetivando o crescimento e a lucratividade

lucro
Imagem: Pixabay

“E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas…” (2 Pedro 2:3)               

Na Bíblia King Kames Atualizada (BKJA), lemos: “Movidos por sórdida ganância, tais mestres os explorarão com suas lendas e artimanhas…”


Pr. Cleber Montes Moreira


Na sociedade atual há uma briga acirrada, e até desleal, pela conquista de espaço e mercado. Empresas e marcas estão sempre em disputa. Basta ver os comerciais da TV: Marcas de refrigerantes, cervejas, remédios, produtos para limpeza, higiene, beleza e serviços estão sempre concorrendo com seus similares na telinha. Também nos outdoors e em qualquer outro espaço de mídia publicitária. O importante é vender! Não importa se para conquistar os clientes a propaganda seja enganosa.

Infelizmente, o mesmo tem ocorrido no meio dito evangélico. Quantos nomes de igrejas você conhece? Provavelmente um “sem número”; elas se proliferam por toda parte. Tradicionais, conservadoras, modernas, irreverentes, informais, inovadoras, inclusivas, sem rótulos… Tem para todos os gostos e necessidades do freguês. Elas estão sempre competindo umas com as outras no afã de atrair pessoas. Cada uma tem seu slogan, frases de efeito, mensagens publicitárias e promessas. Elas ocupam espaço na TV, no rádio, internet, outdoors e em todos os lugares possíveis.

Até algumas igrejas históricas deixaram de ser igrejas e passaram a tratar as coisas com uma visão secular de negócio, lucro, crescimento e gestão meramente humana. Nesta visão, o que importa não é cada indivíduo, e sim a massa. Pessoas passaram a ser tratadas como números e clientes. Líderes agora são gestores, e pastores são especialistas em administração; eles se tornaram tecnocratas do evangelho, cuja missão é gerir, e não pastorear; atrair, e não transformar; promover adesões, e não conversões. Eles se preocupam com a lã, e não com as ovelhas. Se não der lucro, por causa da lei de mercado, a “empresa” tem que rever sua administração. Tudo isso porque os lobos devoradores, disfarçados de homens de Deus, são movidos por sórdida ganância. É a infalível Palavra de Deus se cumprindo.

domingo, 16 de agosto de 2020

O evangelho ou “siga o fluxo”

Quer salvar vidas? Pregue o evangelho! Não tenha vergonha da Palavra da Verdade. Quer o templo abarrotado? Quer novas adesões? Fácil, siga o fluxo

Bíblia
Imagem: Unsplash

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.” (Romanos 1:16)


Pr. Cleber Montes Moreira


Tem sido afirmado que vivemos um tempo de muitas adesões e poucas conversões no seio das igrejas. Isso é fato inegável, tanto que considero o meio dito evangélico como sendo um grande desafio missionário para este tempo. A multidão de não convertidos, misturada aos crentes, na membresia das igrejas, atesta tal realidade. Em função disso vemos membros se comportando como infiéis, dando péssimo testemunho e provocando escândalos. Eles estão em toda parte, em todos os setores da sociedade, ostentando o nome de Cristo, porém, vivendo em oposição aos Seus ensinos e valores. Como ilustração, lembro aqui aquele caso que ficou conhecido em todo o Brasil, em que deputados, ditos evangélicos, oram agradecendo a Deus pela propina recebida.

Em que a igreja está errando exatamente? Por que há entre nós tanta gente perdida? O assunto merece uma abordagem muito ampla, o que não farei aqui por questão de tempo e espaço, mas, em resumo, digo que a mensagem do evangelho tem sido substituída por mensagens e estratégias meramente humanas (para não dizer diabólicas). A prova disso é a quantidade de métodos e modelos de gerenciamento de igrejas e fórmulas para crescimento cada vez mais empregadas (há sempre alguém que se apresenta como descobridor da pólvora).

Pastores deixaram de pastorear para exercerem a função de CEO. O marketing das igrejas é aprimorado, mas o pastoreio de fato e o ensino da Sã Doutrina são abandonados. Veja, por exemplo, algumas frases em placas de igrejas: “Lugar de gente feliz”, “Lugar de gente feliz e ungida”, “Sempre pensando em te fazer feliz”, “Lugar de bênção”, “Lugar de vitórias e milagres”, “Casa de milagres”, “Igreja que ama você”, “Pare de sofrer”, “Uma fonte de prosperidade”. Numa outra está “A grande onda vai te pegar”. Isso me faz lembrar a publicidade de algumas grandes marcas, como Magazine Luíza que adotou o slogan “Vem Ser Feliz”. A Coca-Cola já usou “Abra a Felicidade”; o empresário Abílio Diniz, provocando concorrentes, chegou a dizer: “Agora, lugar de gente feliz é no Carrefour.” Há empresas especializadas neste tipo de marketing, que prestam assessoria às igrejas e cuidam da imagem do pastor, bispo ou apóstolo.

Uma certa igreja tirou o nome de sua denominação da fachada e colocou “Igreja da Cidade”. O motivo? Estratégia de marketing. Como fruto dessa propaganda, muitas igrejas estão se tornando menos bíblicas e mais inclusivas (no sentido secular do termo). Imagino o dia em que seminários substituirão a formação teológica pela de “Gestores Eclesiásticos”. Creia, isso não demora a acontecer.

A afirmação paulina deve ser objeto de reflexão: O evangelho “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê”. Somente o evangelho, o puro e verdadeiro evangelho, e nada mais! Paulo estava pronto para anunciar o evangelho (Romanos 1:15). A mensagem confiada à igreja é o evangelho. O “IDE” de Jesus é para comunicar o evangelho. A fé vem pelo ouvir, e ouvir o evangelho. Nada no plano de Deus substitui o evangelho. Quem troca o evangelho por um método, estratégia ou fórmula faz a obra do diabo, e não a obra de Cristo. Por isso tenho dito: Ah, se a igreja fosse tão somente e simplesmente igreja e nada mais, certamente que a realidade seria outra, bem diferente da que enxergamos.

Há, diante do exposto, dois caminhos que as lideranças das igrejas devem observar e escolher, segundo o seu propósito: Quer salvar vidas? Pregue o evangelho! Não tenha vergonha da Palavra da Verdade. Quer seu templo abarrotado? Quer novas adesões? Fácil, siga o fluxo. No mundo há ótimas estratégias e modelos que você pode escolher. Sua escolha certamente será segundo a natureza de seu chamado.


NOTA: O problema que aqui considero não é o uso de estratégias e marketing, mas a finalidade do emprego destes expedientes em detrimento da direção do Espírito e abandono da Verdade.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Igreja ou prostíbulo?

 “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela.” (Mateus 7:13)

porta
Imagem: Unsplash


Pr. Cleber Montes Moreira


O Pastor Neemias Santos Lima, em seu livro “Aos Olhos do Pai”, cita que em visita à Segunda Igreja Batista de Porto Velho, Rondônia, pôde ouvir do Pastor Márcio Hübner, então Secretário Executivo da Convenção Batista daquele Estado, uma história interessante a respeito daquela igreja: “Quando o templo foi construído, havia uma casa de prostituição cujo nome era Porta Larga. Para contrastar com essa realidade, a igreja fez o templo com a porta estreita.

Talvez aquela igreja quisesse ensinar para a sociedade que a porta do inferno é larga, enquanto a do céu é bem estreita, fazendo ecoar, assim, o ensino do próprio Cristo.

Quem quiser entrar para o reino de Deus deverá, sem dúvidas, andar por um caminho difícil e atravessar por uma porta estreita. Aqueles que desejam o mundo encontrão portas largas e escancaradas, andarão por avenidas asfaltadas e terão caminho livre para o inferno. O mundo oferece prazeres que satisfazem a carne, porém, quem deseja a vida eterna tem que mortificar a carne e rejeitar o mundo e suas ofertas. Por isso, a mensagem da igreja deve enfatizar o arrependimento e o nascimento para uma nova vida. Mas, é assim que ocorre hoje em dia?

Tenho visto muitas igrejas com portas bem largas. São igrejas que deixaram de ser igrejas, segundo a Bíblia, para se tornarem verdadeiros prostíbulos espirituais, promovendo qualquer coisa capaz de atrair pessoas para seus templos. Suavizam o evangelho, negociam princípios e doutrinas, promovem entretenimento, pregam sermões de autoajuda e fazem muitas outras coisas. Normalmente têm marketing bem agressivo.

É lamentável ver como algumas igrejas se esforçam para alargar o caminho. Por causa disso, elas estão com seus templos cheios de pessoas vazias; gente que encontra alegria passageira, experimenta emoções, que nutre algum tipo de fé, mas segue sem a experiência de uma conversão genuína. Gente crente, mas não cristã. Gente perdida andando por um caminho largo.

A porta de sua igreja é larga ou estreita? Digo da igreja, e não do templo. Sua mensagem é cristocêntrica ou antropocêntrica? Ou seja, é bíblica, ou adaptada para agradar e atrair pessoas? Esteja atento para não confundir igreja com prostíbulo. A diferença, neste caso, está na largura da porta.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Noiva ou meretriz?

 Na era do “politicamente correto” muitos dos que se intitulam crentes no Senhor Jesus agem movidos por sentimentos e interesses seculares, demonstrando completa conformação com o mundo

Bíblia
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“Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.” (Efésios 5:27)


Pr. Cleber Montes Moreira


Li uma frase de John MacArthur que me fez pensar no processo de secularização pelo qual estão passando muitas igrejas e crentes de hoje em dia: “É evidente que muitos que se dizem evangélicos atualmente agem norteados por outros objetivos, e não por uma visão bíblica de mundo.” É fato que muitas decisões tomadas hoje em dia, tanto por igrejas como por aqueles que se dizem crentes, são motivadas por princípios e anseios que demonstram sua completa conformação com o mundo. A ética, a verdade, a justiça e, sobretudo, o amor, ou foram relativizados ou substituídos por aquilo que é mais conveniente ou “politicamente correto”. Até mesmo os dons espirituais passaram a ser exercidos tendo em vista o benefício próprio, e não dos outros.

O poder, a influência, o status, a fama, os bens e o dinheiro passaram a ser prioridades em detrimento da justiça e santidade de vida. Aqueles que deveriam proclamar o reino de Deus e convocar homens ao arrependimento se fizeram súditos do reino temporal dominado por hostes malignas. Negligenciaram a orientação paulina, que diz: “Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo.” (Filipenses 2:15). Assim, a política praticada em meio aos ditos evangélicos já não se distingue daquela exercida por pessoas infiéis, cujo resultado é a corrupção, a opressão dos pobres, a calúnia, a difamação, a luta por interesses próprios ou partidários e o desprezo pelo bem comum.

Aquela pergunta, feita no passado, se faz cada vez mais necessária, tanto quanto as pessoas se afastam ainda mais de Deus: “Quando, porém, vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18:8). Que tipo de igrejas e crentes o Senhor encontrará? Crentes e igrejas locais que representam a imagem de uma noiva santa, ou de uma meretriz?

Lembre-se: Jesus vem para buscar a sua noiva, e não aquela que é amante do mundo. Pense nisso!


terça-feira, 11 de agosto de 2020

“Posso entrar?”

 Uma igreja local sem Cristo é como um corpo sem cabeça, sem direção, sem propósito e sem vida; uma igreja sem o Senhor é qualquer coisa, menos igreja

celebração
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“Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.”(Apocalipse 3:20)


Pr. Cleber Montes Moreira


A Carta à Igreja em Laodiceia é a última das sete cartas do Apocalipse escritas às igrejas da Ásia. Nela o Senhor não faz nenhum elogio, mas revela a sua condição terrível. Mornidão espiritual e soberba são duas características marcantes aqui reveladas. A igreja pensava ser rica, mas era pobre, cega e estava nua. No verso 20 surge a nota mais triste, digna de lamento, reveladora de sua desgraça: “Eis que estou à porta.” Esta palavra não é dita aos de fora, aos que desconhecem o evangelho, mas à igreja. Há uma porta fechada, e Jesus está batendo, como que dizendo, “posso entrar?”

Normalmente, quando pensamos em igreja, pensamos num grupo de pessoas salvas, obedientes ao evangelho, orientadas pela Verdade, adorando, servindo, proclamando o reino de Deus e vivendo segundo os valores deste mesmo reino. Pensamos num corpo saudável, onde há amor, comunhão, mutualidade e, antes de qualquer coisa, a presença e direção de Jesus Cristo. Mas, no caso de Laodiceia, o Senhor está do lado de fora, excluído. Ele bate à porta, mas ela está fechada por dentro. Ele não irá arrombá-la, continuará lá fora, esperando que a igreja queira abri-la.

Você já pensou numa igreja sem Jesus? Talvez não. Mas, infelizmente, Laodiceia não é um caso único. A revelação feita no texto sobre aquela igreja expõe a realidade de muitas outras de nosso tempo.

Uma igreja local pode ter um lindo templo, poltronas confortáveis, púlpito bonito, bom equipamento de som, datashow, boa música, muita gente no auditório, grupos de louvor, corais, solistas, boa estrutura, boas entradas financeiras, liderança capacitada, ministérios, realizar atividades diversas e, mesmo assim, faltar o principal. Se Jesus não estiver presente, não será uma igreja, apenas um ajuntamento de pecadores perdidos: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.” (Mateus 7:21-23). A explicação está em que “todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia” (Mateus 7:26).

Uma igreja que não está edificada em Cristo é como uma casa edificada sobre terreno arenoso. Pode ser, a olho humano, bonita, operosa e atuante, mas lhe faltará o principal: o firme fundamento sobre o qual a verdadeira igreja é construída! E este fundamento é Jesus: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mateus 16:18 — ler também Efésios 2:20).

O Salvador faz parte da comunhão de sua igreja local? Ele é o cabeça de sua igreja, ou ela é dirigida por homens? Lembre-se: uma igreja sem Cristo é como um corpo sem cabeça, sem direção, sem propósito e sem vida.

Posso entrar? Reflita sobre a gravidade desta pergunta.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Seguir o amor, ou seguir a Verdade?

A “doutrina do amor” — falso amor — é o referencial para aqueles que desprezaram a Bíblia; é fonte normativa e instrumento para a “reimaginação” de toda estrutura considerada “injusta” e “opressora”

Bíblia
Imagem: Priscilla du Preez, Unsplash


“Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.” (Efésios 4:15)


Pr. Cleber Montes Moreira


Há um falso evangelho sendo alardeado, fundamentado e pautado no amor — ou, pelo menos, no seu entendimento hodierno. Relembro o caso do pastor, expoente deste “evangelho”, que publicou em seu perfil no Facebook: “Onde estiver o amor, ali estou eu.” A teologia deste evangelho é chamada de Teologia Inclusiva, e seus seguidores enfatizam o amor em detrimento da verdade. Este é um cristianismo que descamba para o universalismo. Na prática, se alinha a certas ideologias políticas, milita em defesa de certas minorias e pela inclusão de pessoas sem o arrependimento na membresia das igrejas, desconsiderando que a mensagem cristã, proclamada pelo próprio Cristo, consiste em “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.” (Mateus 4:17). É como se dissessem aos pecadores: “Venham, possuam o reino e continuem como estão.”

Uma pastora, também expoente deste pensamento, disse num encontro que os valores da sociedade não caem prontos do céu, mas são produzidos a partir das perspectivas de diferentes grupos, incluindo os valores sexuais. A proposta do movimento que ela representa é uma releitura, uma reinterpretação, uma reimaginação da igreja, da fé, e mesmo das Escrituras. Uma igreja que aderiu a este pensamento, e que decidiu em sua assembleia receber homossexuais em sua membresia — o que implica batizá-los, realizar casamentos homoafetivos, conferir-lhes direitos e deveres —, justificou-se, por intermédio de seu pastor, com estas palavras: “O que a Igreja *** fez, revela que, mesmo não tendo todas as respostas para a questão da homossexualidade na Bíblia ou na doutrina histórica, decidimos seguir o caminho do amor.” Observem que o amor, e não a Verdade, é o referencial para a tomada de decisões, embasamento doutrinário e reimaginação de toda estrutura que se considera injusta e oposta ao amor.

Seguir o amor é um discurso politicamente correto, bonito, bem-aceito, que soa como acolhedor, inclusivo… Mas é, antes de tudo, diabólico. É uma perversão da Palavra de Deus, e o que o diabo mais sabe fazer é dar um novo sentido ao que Deus disse. Foi com este artifício que enganou Eva e Adão, tentou enganar a Jesus e tem enganado a muitos.

Percebam que Paulo exorta a seus leitores para que sigam a Verdade em amor, e não para que sigam o amor. A verdade a que se refere é o senhorio de Cristo, sua doutrina, elemento que propicia crescimento e firmeza, inclusive contra as heresias. Seguir o “amor” é seguir o engano, é falhar, é se afastar de Deus, é ser “meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” (Efésios 4:14). Seguir a Verdade em amor é seguir o Mestre.

Quem segue o amor está no mundo, quem segue a Verdade em amor está em Cristo. Pense nisso!

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Amor inclusivo

Amar é ensinar o povo a deitar fora os seus falsos deuses, a abandonar seus pecados, a buscar a face de Deus, a se humilhar, a orar e a se desviar de seus maus caminhos (2 Crônicas 7:14). O amor verdadeiro é um convite ao arrependimento

inclusão
Imagem: Pixabay


“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

“Vai-te, e não peques mais.”

(João 3:16; 8:11)

 

Pr. Cleber Montes Moreira

 

“Deus abençoa toda forma de amor”, foi o que disse uma pessoa que é apresentada como pastor, mesmo sem ter passado por um concílio e ter sido consagrada ao ministério pastoral. O amor está cada vez mais em moda. Um outro pastor, inclusivo, publicou em seu perfil, no Facebook: “Onde estiver o amor, ali estarei eu.

A base bíblica para isso é Deus é amor — como sempre, o texto é pretexto —. Porém, pergunto: o amor, do ponto de vista comum das pessoas, se coaduna com o amor de Deus? O amor que ama o pecador, mas não lhe avisa do perigo, é amor? O amor que convida para a igreja, contudo não versa sobre arrependimento, é amor? O amor que alardeia a inclusão no reino, como se alguém pudesse entrar para ele por uma janela arrombada, sem, todavia, vestir os trajes de santidade, é amor (Mateus 22:12)? O amor que convida “venha como está”, mas não ensina a Palavra que desencadeia a transformação, o novo nascimento, é amor?

O amor que considera o evangelho não como o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, mas o reimagina a partir da cultura, das lutas, do sofrimento, da vontade de um povo e o adapta para que se torne aceitável não é amor. O amor que entende a exigência da santidade como legalismo dos intolerantes e inculca nas mentes uma concepção de vida cristã dissociada dos valores bíblicos não é amor.

Amor é perdoar a adúltera e dizer “vai-te e não peques mais” (João 8:11). É curar um paralítico e adverti-lo dizendo: “não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior” (João 5:14). Amor é entrar em casa de um homem pecador, anunciar-lhe as boas novas de perdão e depois concluir que “hoje veio salvação a esta casa” (Lucas 19:9). Amor é chorar pela Jerusalém que apedreja e mata os profetas, aqueles mesmos que denunciavam o adultério espiritual do povo, e lamentar que seus moradores não deram ouvidos à Palavra e, por isso, serão julgados.

Praticar o amor é dizer a Verdade, sem adorná-la, sem diminuí-la, sem torná-la outra coisa, sem dizer que ela é o que não é, mas apresentá-la como está nas Sagradas Escrituras, ainda que isso não seja politicamente correto em nossos dias. Amor é ensinar o povo a deitar fora os seus falsos deuses, a abandonar seus pecados, a buscar a face de Deus, a se humilhar, a orar e a se desviar de seus maus caminhos (2 Crônicas 7:14). O oposto disso jamais será amor, e sim artimanha maligna para enganar pessoas, enredá-las e levá-las pelo caminho da perdição. Amor não é tornar a vereda cristã uma estrada larga e asfaltada, adorná-la à vista das pessoas, mas ensinar que “larga é a porta que conduz à perdição, e apartado o caminho que conduz à vida” (Mateus 7:13). O verdadeiro amor, praticado e ensinado por Jesus, visa não à adesão das pessoas a uma instituição religiosa, mas à conversão, à salvação e à inclusão no reino de Deus, reino de vida, reino de valores eternos, reino odiado pelo mundo. O amor chama do pecado, das trevas para a maravilhosa luz (1 Pedro 2:9) e ensina que luz e trevas não se comunicam, que não há harmonia entre Cristo e Belial, que não há acordo entre o santo e o profano, que o salvo não imita a conduta dos ímpios, nem pratica a idolatria, pois é santuário de Deus (leia Coríntios 6:14-18; Salmos 1).

Ah, o amor… “O amor é inclusivo”, dizem. Sim, e por isso o verdadeiro amor caminha lado a lado com a Verdade. O amor convida ao arrependimento, e a Verdade liberta (João 8:32, 36). Sim, liberta de todo pecado, de tudo que é abominável, das paixões ilícitas, das práticas e comportamentos sexuais abomináveis, de tudo o que é falso e enganoso. Qualquer amor que não comunica esta mensagem é qualquer coisa, menos amor; e qualquer verdade que não liberta é qualquer coisa, menos Verdade.

A função precípua do amor não é enganar, mas salvar e transformar. Por isso, só o verdadeiro amor — amor de Deus, que nos constrange a amar como Ele amou — é inclusivo. Porque Deus amou, e Jesus morreu para salvar o que crê, e crer é conversão. Se fosse para a pessoa continuar no pecado, não teria sentido o Filho de Deus pagar tão alto preço. Pense nisso!

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Tempos difíceis

O mundo está em desordem. Uma nova “verdade” está sendo difundida, não apenas destoante, mas ofensiva aos princípios e valores da Palavra de Deus, norte do cristão

peixes
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“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.” (2 Timóteo 3:1)


Pr. Cleber Montes Moreira


Marquinhos havia completado 15 anos. Era um jovem educado, atencioso e muito interessado nos estudos. Recentemente, seu pai observara alguma mudança em seu comportamento, alguma inquietude, mas não sabia do que se tratava, apenas que estava diferente, estranho…Tentara conversar com ele algumas vezes, sem sucesso. Finalmente, naquela tarde, Marquinhos decidiu que contaria tudo, pois guardar aquilo o deixava cada vez mais angustiado. Foi quando, então, sem qualquer rodeio, desabafou:

— Pai, eu sou um pássaro.

— Como? Não entendi, pode repetir?

— Eu disse que sou um pássaro. Estou falando sério. Não é brincadeira.

— Pássaro?

— Sim.

Antônio pensou que o filho estivesse brincando, porém, como insistia, ficou convencido de que falava sério. “Pode estar perturbado, confuso, doente…”, pensou. Deixou que continuasse explicando, imaginando que falando poderia revelar mais precisamente seu problema, e assim ter como ajudá-lo.

— Na escola aprendemos que ninguém nasce gente. Essa coisa de que todos nascemos humanos é fruto de uma cultura impiedosa cultivada há anos por esta sociedade opressora. Cada um tem o direito de escolher ser o que quiser, sem interferência, sem a necessidade de sentir-se culpado, de ter que se explicar, e eu não me deixarei ser manipulado por ninguém. Eu sou um pássaro, me sinto como um, e quero ser livre como são os passarinhos.

— Filho, creio que precisamos buscar ajuda.

— Não. Não preciso de ajuda. Estou bem. Sabia que não entenderia, mas não estou decepcionado. O senhor não teve a mesma educação e, portanto, não tem a obrigação de entender como as coisas realmente são.

E tentou explicar um pouco mais:

— Da mesma forma que meninos não nascem meninos, e meninas não nascem meninas, ninguém nasce gente. Cada um é livre para ser o que quiser, quando e como quiser. É esta liberdade que torna a vida fascinante. Há quem escolha ser cachorro, há quem escolha ser gato, há quem escolha ser cavalo… há burros, há antas, há macacos, há papagaios, há veados… cada qual escolhe o que quer ser. — Enfatizou.

O pai, achando que a conversa já estava indo longe demais, propôs continuar noutro momento, para entender melhor o assunto, calculando que teria tempo para pensar no que dizer e em como ajudar o filho. Depois de lhe beijar na testa, saiu para pagar algumas contas na lotérica e buscar resultados de exames médicos, prometendo não demorar.

Marquinhos era órfão de mãe desde os 11 anos e morava sozinho com o pai. Embora fossem amigos, tinha dificuldades em se abrir com ele sobre certos assuntos. Para falar de sua opção, teve que tomar muita coragem.

O rapaz realmente não estava bem, parecia transtornado. No silêncio e solidão do apartamento onde morava, no décimo sexto andar, pensou: “Se sou um pássaro, tenho que agir como um”, e assim tomou providências. Em poucos minutos, um cenário horrível e de morte havia sido formado, para a perplexidade de quem transitava pela principal avenida do bairro: um corpo dilacerado, sustentado pelas lanças da pequena grade que separava o jardim da calçada, rodeado de curiosos e espantados. O rapaz alçara voo da janela de seu quarto, porém se esquecera de que não tinha asas.

Se você pensa na impossibilidade de um quadro como o narrado acima, se engana, a Ideologia de Espécie já está presente em vários países. Em 2016, o site Gospel Prime publicou notícia com o seguinte título: “Ideologia de espécie faz 10 mil ingleses viverem como cachorros.1 O site Exateus também publicou matéria sobre o assunto em que cita o caso da “francesa Karen, que nasceu homem, fez cirurgias para trocar de sexo e agora quer ser um cavalo. Ele(a) conta que essa ideia o(a) persegue desde que tinha sete anos de idade.” Também há “uma jovem que disse que é uma gata presa em um corpo humano.2

Imagino que em algum momento alguém dirá “eu sou um automóvel”, “eu sou uma cadeira”, “eu sou uma pedra”, “eu sou um repolho”, “eu sou uma abóbora”, “eu sou uma bananeira” e encontrarão respaldo na ciência e nas leis, visto que assim como ocorre com a Ideologia de Gênero, a questão não poderá ser tratada como doença ou anomalia, e sim como opção, e as pessoas não poderão procurar ajuda, já que os profissionais capacitados, bem como religiosos bem-intencionados, serão proibidos de atendê-los.

Pior que isso, talvez algumas igrejas comecem a ter o mesmo entendimento secular sobre estes casos, vendo-os do prisma de uma reinterpretação das Escrituras, e até formulando uma nova hermenêutica que os expliquem como sendo parte da diversidade criada pelo próprio Deus, pois é exatamente o que ocorre com a Ideologia de Gênero. Quem ousar pensar diferente será tido como arcaico, fundamentalista, legalista ou homofóbico, podendo, inclusive, ser penalizado perante a lei por sua discriminação e preconceitos. “Onde já se viu não aceitar que o filho seja um melão? Em que mundo nós estamos?”

No Brasil, e em muitos outros países, educadores, sociólogos e políticos, dentre outros, têm trabalhado pela inclusão da Ideologia de Gênero nas escolas. Sempre há uma nova investida, mesmo diante da recusa da sociedade. Na Suécia e na Holanda existem escolas onde não se pode chamar o aluno de menino e a aluna de menina, são chamados apenas de crianças, porque elas devem decidir, quando crescerem, se serão homens ou mulheres3. Imagine uma jovem formada, com belos seios, vagina, útero e ovários dizendo que decidiu ser homem! É tão racional quanto um jumento decidir que não é mais jumento, que é uma baleia. Pergunto: da perspectiva da biologia, tal “opção” é razoável? Não! Mas você pode argumentar que jumentos não tomam tal decisão. Será?

Certas militâncias reclamam que querem apenas fazer valer seus direitos, o que é, na verdade, uma estratégia de discurso. Querem mais que isso, querem impor um padrão. Querem transformar a exceção em regra para todos; querem amordaçar a sociedade e combater qualquer um que ouse pensar diferente.

No site “padrepauloricardo.org” lemos:

Na Alemanha, um casal, pai de nove filhos, está ameaçado de perder a liberdade, porque sua filha se negou a participar das aulas de educação sexual previstas para a escola primária. A polícia alemã já encarcerou Eugen Martens, em agosto de 2013, e só não prendeu ainda sua esposa, Luise, porque ela está amamentando o filho mais novo. O agente policial que visita a família, no entanto, garante: “O escritório da promotoria fará aplicar a decisão do juiz”. Ou seja, mais dia ou menos dia, também a mãe será presa.4

Já o site Consultor Jurídico publicou matéria com o seguinte título: “Em Ontário, pais podem perder filhos se recusarem identidade de gênero5. Nova lei estipula que o governo pode tirar os filhos de famílias que não aceitam suas identidades de gênero ou suas expressões de gênero. A justificativa é que a legislação deve ser centrada na criança e nos seus interesses, e não nos pais.

Em 2013, um menino de seis anos, na Argentina, “mudou de gênero” e recebeu uma nova certidão com um nome feminino. Não tem útero, não tem vagina, não menstruará, não poderá engravidar e ter filhos, mas é menina. E desde quando uma criança de seis anos tem maturidade para decidir sobre algo que mudará sua vida para sempre, inclusive afetando drasticamente o psicológico? Caso a decisão tenha sido autorizada pelos pais, trata-se de um crime.

Em 2016, o site G1 publicou: “Menino consegue na Justiça mudar para gênero feminino e trocar de nome.” O juiz de Sorriso, MT, que autorizou a mudança, apresentou a seguinte justificativa: “Ele nasceu com anatomia física contrária à identidade sexual psíquica.”6 O site do Jornal Extra publicou em 17 de junho de 2019: “Justiça do Rio autoriza criança a mudar de gênero e nome na certidão.” A justificativa? “Por se tratar de uma criança, explica a defensora pública do estado do Rio Elisa Costa de Oliveira, é preciso muita cautela nesse tipo de processo. Bruna (nome fictício), por exemplo, tinha um laudo médico indicando o diagnóstico de incongruência de gênero na infância.”7 Hoje é possível que qualquer pessoa tenha em seus documentos o seu “nome social”, inclusive uma criança.

Já o site Raciocínio Cristão deu a seguinte notícia: “Criança de 4 anos iniciará processo de mudança de sexo — Pastora gay apoia.8

Jesus disse: “Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome”. E também alertou: “Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão.” E no verso seguinte cita os falsos profetas (Leia Mateus 24:9-11). Este tempo chegou, e é agora.

No mundo há perseguição aos salvos, e nos arraiais evangélicos há traição. Os evangélicos inclusivos travam uma luta, ainda não percebida por muitos, contra os que ainda conservam a Palavra em sua essência. Esta luta, por enquanto, é de palavras, está no campo intelectual. Os heréticos avançam com discursos sobre amor, perdão, tolerância e outras sutilezas, e vão penetrando nas igrejas bíblicas e minando suas bases. Agem, principalmente, sobre os jovens, e também, discretamente, em vários seminários teológicos, para inculcarem nos que se preparam para servir as ideias da luta. Aqueles que são formados com esta mente são os que exercerão o pastorado, liderança de jovens e adolescentes, e depois lecionar nos seminários, onde continuarão sua militância.

O mundo está em desordem. Uma nova verdade está sendo apregoada, não apenas destoante, mas ofensiva aos princípios e valores da Palavra de Deus, norte do cristão. A maioria tem escolhido as benesses e facilidades do caminho largo. No entanto, a verdade não está, e nunca esteve, necessariamente, com a maioria. Engana-se quem pensa que “a voz do povo é a voz de Deus”. Em mar de peixes mortos, apenas os vivos são capazes de nadar contra as correntezas.

Paulo já havia avisado: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.” (2 Timóteo 3:1). Tempos trabalhosos, tempos terríveis, tempos penosos, tempos perigosos9… Há muitas formas de descrever os tempos difíceis aos quais o apóstolo se refere. Fato é que vivemos, nesta época, as realidades mencionadas pelo escritor bíblico. Quanto mais reconhecemos isso, mais necessário se faz que os verdadeiros cristãos marquem posição firme, independentemente das consequências. É hora de entendermos e assumirmos a condição do apóstolo que disse: “Por amor de Ti somos entregues à morte todo o dia; somos reputados como ovelhas para o matadouro.” (Romanos 8:36). Sabendo que “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos.” (2 Coríntios 4:8,9). Afinal, Deus está conosco, e não devemos temer “os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer.” (Lucas 12:4).

Que sejamos fiéis ao Senhor, à Sua Palavra, e em momento algum cedamos ao relativismo que nos é proposto pelo reino deste mundo; que não negligenciemos àqueles que, antes de nós, deram seus corpos e sangue em sacrifício, por amor a Deus e ao evangelho.

Saibamos que nossa luta não é contra pessoas, assim como diz a Palavra Santa: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” (Efésios 6:12).

Compreendamos ainda que embora nossa luta se dê no campo das ideias, estas são formuladas por pessoas e, por isso, o conflito, em algum momento, é inevitável. Busquemos sabedoria do alto, não lutemos com nossas forças, mas com as armas e a força do Espírito, sempre na dependência e como instrumentos daquele a quem servimos.


1 https://noticias.gospelprime.com.br/ideologia-de-especie-ingleses-viverem-cachorros/ (acessado em 03 de setembro de 2017)

2 https://exateus.com/2016/02/02/onde-vai-parar-essa-ideologia-de-genero-ou-especie-menino-de-9-anos-consegue-na-justica-mudar-genero-e-nome/ ; https://www.youtube.com/watch?time_continue=4&v=YWeBunPiIzo (links acessados em 03 de setembro de 2017)

3 http://www.ultimosacontecimentos.com.br/artigos/ideologia-de-genero-uma-ideologia-completamente-dirigida-e-arq.html (acessado em 03 de setembro de 2017)

4 https://padrepauloricardo.org/blog/pais-sao-presos-por-nao-aceitarem-ideologia-de-genero (acessado em 03 de setembro de 2017)

5 http://www.conjur.com.br/2017-jun-07/ontario-pais-podem-perder-filhos-negarem-identidade-genero (acessado em 03 de setembro de 2017)

6 http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2016/01/menino-consegue-na-justica-mudar-para-genero-feminino-e-trocar-de-nome.html (acessado em 03 de setembro de 2017)

7 https://extra.globo.com/noticias/rio/justica-do-rio-autoriza-crianca-mudar-de-genero-nome-na-certidao-23727357.html (acessado em 18 de junho de 2019)

8 http://www.raciociniocristao.com.br/2016/09/crianca-4-anos-iniciara-mudanca-de-sexo/ (acessado em 03 de setembro de 2017)

9 Do grego καιροὶ χαλεποί, tempos “difíceis” ou “perigosos. RIENECKER, Fritz - ROGERS, Cleon, Chave Linguística do Novo Testamento Grego, página 477, Vida Nova, 1985.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

A ‘graça’ que tolera o erro é desgraça

Contrariando as Escrituras, muitas igrejas abandonaram a pregação contra o pecado e passaram a ostentar o que chamam de “cristianismo cheio de ‘graça’ e ‘acolhedor’”

Bíblia
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“Geralmente se ouve que há entre vós fornicação, e fornicação tal, que nem ainda entre os gentios se nomeia, como é haver quem possua a mulher de seu pai. Estais ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes por não ter sido dentre vós tirado quem cometeu tal ação.” (1 Coríntios 5:1,2)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Por causa de sua visão distorcida sobre a graça, a igreja em Corinto tolerava o pecado em seu seio, e fazia isso com certo orgulho. Da mesma forma, hoje, algumas igrejas, sob o viés de uma nova interpretação das Escrituras e a pretexto de amor e misericórdia, deixaram de cumprir a disciplina bíblica e adotaram uma postura de tolerância e inclusão que dá aos membros a liberdade de conservarem certas práticas pecaminosas. Alguns chamam isso, equivocadamente, de resiliência. Na verdade, trata-se de falsa espiritualidade que, com aparência de piedade, nada mais é que conformação com os padrões sociais vigentes, o que chamamos de mundanismo ou secularismo. Muitas igrejas locais, levadas por essa visão errada de cristianismo, passaram a estabelecer “novos diálogos” sobre certos temas, como o aborto, a aceitação de homossexuais na membresia, a relação da igreja com movimentos e ideologias político-sociais etc. Em decorrência disso, cresce, cada vez mais, o liberalismo em meio aos ditos evangélicos.

Assim como em Corinto, já não há tristeza quando o pecado se estabelece em meio aos crentes, mas, ao contrário, uma ostentação do que entendem ser um cristianismo cheio de “graça” e acolhedor. Não importando mais o arrependimento, todos são chamados como estão, sem necessidade de qualquer mudança ou transformação para a comunhão com um deus tolerante e perfeitamente moldado para atender, sob medida, aos anseios dos que sofrem, principalmente das minorias. Assim, pecadores não transformados — devassos, idólatras, maldizentes, alcoólatras, exploradores, corruptos etc. (v. 11) —, sentam-se à mesa da comunhão e comem, para a sua própria condenação, não discernindo o caráter do Corpo de Cristo.

Paulo encerra sua exortação dizendo: “Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo.” (v. 13). A graça que tolera o erro, é desgraça. Quando o assunto é pecado, não se deve fazer vista grossa. A disciplina é ensino bíblico e deve ser cumprida com amor e zelo, do contrário o fermento do mal contaminará toda a massa.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Noiva de Cristo ou amante do diabo?

Empunhando a bandeira do “amor” o movimento inclusivo propõe “novos diálogos”, um evangelho moldável, e uma igreja “acolhedora” e aculturada

noiva
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“E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as.” (Efésios 5:11)

“Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (Tiago 4:4)

 

Pr. Cleber Montes Moreira


O cristianismo deve ser uma censura ao mundo, e não uma mesa de debates. Os princípios cristãos nunca devem ser relativizados a pretexto de uma postura de tolerância e entendimento com os diferentes. Há, entretanto, um movimento que se esforça neste sentido, por “novos diálogos”, por um evangelho inclusivo e por uma igreja sensível, que se amolda e se acultura ao contexto e valores sociais vigentes.

Este movimento é portador de um discurso estético, politicamente correto, sobre a necessidade da igreja dialogar com a sociedade sobre certos temas, como, por exemplo, aborto, ideologia de gênero, inclusão de LGBTQs, relações homoafetivas, teologia queer, novas configurações familiares, teologia negra, feminismo, direitos humanos e outros; como se fosse possível luz e trevas entrarem em acordo e firmarem consenso, como se os fundamentos cristãos pudessem ser adequados ou ressignificados a partir do entendimento comum entre as partes.

O argumento utilizado é quase sempre o amor. Para eles, o amor é a única doutrina, uma vez que tudo mais pode ser reinterpretado. Esta é uma tentativa diabólica de fazer a igreja relevante perante a sociedade, de produzir uma nova teologia a partir das ruas, de criar uma hermenêutica com base no pensamento de certas minorias e reimaginar a igreja. Isso nada mais é que parte de um esforço bem articulado para levar adiante um processo de desconstrução não só da igreja mas da própria sociedade, que passa pela quebra de paradigmas e conduz para um novo código moral que se contrapõe ao padrão divino ensinado nas Escrituras; é a criação de um novo deus, um novo evangelho, uma nova sociedade e uma nova religião. É pauta de uma agenda em andamento.

Este diálogo é falácia maligna, é estratégia das trevas. Deus não deixou sua igreja na Terra para se entender com o mundo senão para fazer discípulos de Cristo que venham a fazer jus ao nome cristão. A luz não comunga com as trevas, antes revela e condena suas más obras e desnuda o pecado; por isso os salvos são odiados (Mateus 24:9 — leia o contexto).

A verdadeira igreja é a noiva do Cordeiro que se preserva santa e irrepreensível (Efésios 5:27; Apocalipse 19:7). Ela não precisa ser reimaginada, deve ser igreja conforme o modelo bíblico, e capacitar os santos para cumprir seu papel de Sal e Luz. Igreja que busca consenso com o mundo não é igreja, é amante do diabo.


Abril de 2018