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terça-feira, 11 de agosto de 2020

“Posso entrar?”

 Uma igreja local sem Cristo é como um corpo sem cabeça, sem direção, sem propósito e sem vida; uma igreja sem o Senhor é qualquer coisa, menos igreja

celebração
Imagem: Unsplash

“Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.”(Apocalipse 3:20)


Pr. Cleber Montes Moreira


A Carta à Igreja em Laodiceia é a última das sete cartas do Apocalipse escritas às igrejas da Ásia. Nela o Senhor não faz nenhum elogio, mas revela a sua condição terrível. Mornidão espiritual e soberba são duas características marcantes aqui reveladas. A igreja pensava ser rica, mas era pobre, cega e estava nua. No verso 20 surge a nota mais triste, digna de lamento, reveladora de sua desgraça: “Eis que estou à porta.” Esta palavra não é dita aos de fora, aos que desconhecem o evangelho, mas à igreja. Há uma porta fechada, e Jesus está batendo, como que dizendo, “posso entrar?”

Normalmente, quando pensamos em igreja, pensamos num grupo de pessoas salvas, obedientes ao evangelho, orientadas pela Verdade, adorando, servindo, proclamando o reino de Deus e vivendo segundo os valores deste mesmo reino. Pensamos num corpo saudável, onde há amor, comunhão, mutualidade e, antes de qualquer coisa, a presença e direção de Jesus Cristo. Mas, no caso de Laodiceia, o Senhor está do lado de fora, excluído. Ele bate à porta, mas ela está fechada por dentro. Ele não irá arrombá-la, continuará lá fora, esperando que a igreja queira abri-la.

Você já pensou numa igreja sem Jesus? Talvez não. Mas, infelizmente, Laodiceia não é um caso único. A revelação feita no texto sobre aquela igreja expõe a realidade de muitas outras de nosso tempo.

Uma igreja local pode ter um lindo templo, poltronas confortáveis, púlpito bonito, bom equipamento de som, datashow, boa música, muita gente no auditório, grupos de louvor, corais, solistas, boa estrutura, boas entradas financeiras, liderança capacitada, ministérios, realizar atividades diversas e, mesmo assim, faltar o principal. Se Jesus não estiver presente, não será uma igreja, apenas um ajuntamento de pecadores perdidos: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.” (Mateus 7:21-23). A explicação está em que “todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia” (Mateus 7:26).

Uma igreja que não está edificada em Cristo é como uma casa edificada sobre terreno arenoso. Pode ser, a olho humano, bonita, operosa e atuante, mas lhe faltará o principal: o firme fundamento sobre o qual a verdadeira igreja é construída! E este fundamento é Jesus: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mateus 16:18 — ler também Efésios 2:20).

O Salvador faz parte da comunhão de sua igreja local? Ele é o cabeça de sua igreja, ou ela é dirigida por homens? Lembre-se: uma igreja sem Cristo é como um corpo sem cabeça, sem direção, sem propósito e sem vida.

Posso entrar? Reflita sobre a gravidade desta pergunta.

domingo, 2 de agosto de 2020

Em nome do “amor”

A Teologia Inclusiva, que como praga se alastra, relativiza a Palavra de Deus, desconstrói o conceito bíblico de pecado e eleva o amor à condição de doutrina única como quesito para a entrada no Reino, desprezando o arrependimento e a conversão

inclusiva
Imagem: Pixabay


“Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, a fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, e se convertam, e eu os cure.” (João 12:40)


Pr. Cleber Montes Moreira


Lídia procurava uma comunidade em que pudesse exercer sua fé cristã, ser aceita e se sentir bem. Passando pelo Facebook de uma amiga, encontrou um convite para um culto de família. Ao ler a legenda, logo se identificou com o perfil daquela igreja e propôs em seu coração fazer uma visita. Depois de conversarem, Nathália aceitou acompanhá-la.

No dia especial, chegaram uns minutos antes e foram recebidas calorosamente por uma equipe devidamente treinada. Sorrisos contagiantes, abraços, demonstrações de carinho… Um ambiente perfeito e de acolhimento. Em pouco tempo, passaram a se considerar parte daquela família.

Preconceito era palavra proibida, o lema daquela igreja era inclusão. Ali eram admitidas todas as formas de amor. Aliás, o amor era a única doutrina que se exigia dos fiéis — Amar a todos, sem distinção, como Cristo amou. Para o “casal”, um lugar de refúgio. As pastoras, assumidas e casadas, traziam sempre mensagens relevantes para o público, abordando temas como fidelidade conjugal, adoção e criação de filhos, violência contra mulheres, negros e outras minorias, igualdade de gênero etc. Congressos e retiros espirituais eram promovidos, e a evangelização era ensinada como meio de cumprir a missão. Durante as celebrações da Ceia, os “diferentes” eram sempre bem-vindos à mesa do Senhor. A obra social jamais era esquecida.

Inesquecível foi o dia em que Lídia e Nathália puderam celebrar sua união conjugal. Mesmo sem a presença de vários familiares, mas diante de centenas de irmãos tão acolhedores, elas selaram seu amor e rogaram as bênçãos de Deus para o seu “casamento”. A celebrante, pastora Bruna, pregou um poderoso sermão sobre “Os Deveres Matrimoniais”, enquanto Larissa, esposa de Bruna, entoou uma linda canção. O momento alto da celebração foi quando, após o sim e troca das alianças, a noiva beijou a noiva.

Que desgraça é a “Compaixão e Graça” desprovida da Verdade, que barateia o evangelho, supervaloriza as obras e aniquila a cruz em nome de um falso amor. A Teologia Inclusiva, que como praga se alastra, relativiza a Palavra de Deus, desconstrói o conceito bíblico de pecado e eleva o amor à condição de doutrina única como quesito para a entrada no Reino, desprezando o arrependimento e a conversão. Por ela ninguém precisa nascer de novo, pois todos podem se apresentar diante de Deus como estão: nada lhes é exigido, apenas que amem e aceitem as pessoas. O caminho da perdição está sempre sendo alargado… Os operários do engano, fiéis ao patrão, não descansam.


Em 2018

sábado, 1 de agosto de 2020

“Pecado é não amar”, é isso mesmo que a Bíblia ensina?

O conceito de pecado deve ser concebido na inteireza e abrangência do ensino bíblico, sem reducionismo ou relativismo, para que ninguém fique desavisado sobre a severidade do juízo divino sobre os pecadores não arrependidos. Dizer que Jesus preferiu não julgar ou condenar, pois estava mais interessado em amar e acolher é politicamente correto, mas faz parte de um discurso mentiroso e diabólico

aquarela
Imagem: Pixabay


Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.” (Efésios 5:6)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

O título desta reflexão é a frase, tomada de outro contexto, com que um líder religioso finaliza uma postagem em que afirma que Jesus não condenou a homossexualidade porque “preferiu não julgar ou condenar, pois estava mais interessado em amar e acolher.” No post, o autor admite a existência de textos bíblicos contrários à prática, mas insiste que se forem levados em conta, o leitor poderá “promover e justificar atrocidades”, bem como afirma que a Bíblia precisa ser contextualizada e lida a partir da consciência do Evangelho e da centralidade do amor. Ele enfatiza que “a letra mata, mas o compromisso com o Amor salva e promove vida”, e conclui: “Pecado é não amar.

É certo que a Bíblia não é um livro de ódio, que não autoriza nenhum tipo de violência e que revela o amor de Deus “que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Igualmente, o cristianismo verdadeiro não é uma religião de intolerância e ódio, mas defensora das liberdades, incluindo a liberdade de expressão e liberdade religiosa. Os cristãos não são contra os homossexuais, contra seguidores de outras religiões e nem segregadores, entretanto, a liberdade que defendem para os demais, defendem também para si. Assim, se alguém tem o direito de seguir princípios religiosos destoantes do cristianismo, conservar práticas e valores segundo sua consciência, também os cristãos têm direito de preservarem seus valores, viverem e expressarem sua fé sem medo ou constrangimentos. Se, por exemplo, alguém crê que comer carne é pecado, os cristãos têm o direito de pensar o contrário e agir conforme sua consciência e firmados na Palavra Sagrada, sem, todavia, que sua liberdade signifique ódio ou incentivo à violência, uma vez que o Cristo nos ensina um modo mais excelente. Como cristãos, defendemos a liberdade de pensar e de se expressar como direito inalienável.

Em sua Declaração Doutrinária, os batistas da Convenção Batista Brasileira tratam assim sobre o tema “Liberdade Religiosa”:

Deus e somente Deus é o Senhor da consciência. A liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais do homem, inerente à sua natureza moral e espiritual. Por força dessa natureza, a liberdade religiosa não deve sofrer ingerência de qualquer poder humano. Cada pessoa tem o direito de cultuar a Deus, segundo os ditames de sua consciência, livre de coações de qualquer espécie. A igreja e o Estado devem estar separados por serem diferentes em sua natureza, objetivos e funções. É dever do Estado garantir o pleno gozo e exercício da liberdade religiosa, sem favorecimento a qualquer grupo ou credo. O Estado deve ser leigo e a Igreja livre. Reconhecendo que o governo do Estado é de ordenação divina para o bem-estar dos cidadãos e a ordem justa da sociedade, é dever dos crentes orar pelas autoridades, bem como respeitar e obedecer às leis e honrar os poderes constituídos, exceto naquilo que se oponha à vontade e à lei de Deus.1

O fato de os cristãos conservadores considerarem o aborto como prática pecaminosa não significa, de forma alguma, que estejam destilando ódio contra alguém, mas sim emitindo opinião com base em seu entendimento das Escrituras, o que lhes é garantido pela Constituição Federal, que considera “inviolável a liberdade de consciência e de crença.2 Da mesma maneira, quando o tema é Ideologia de Gênero, homossexualidade ou mesmo o ingresso de LGBTs nas igrejas, a posição tradicional cristã contrária a tais práticas não indica homofobia, ódio, nem incentivo à violência, mas posições e conceitos formados a partir da leitura da Palavra de Deus. Igualmente, quando tratando de outros temas afirmam que um ou outro ato ou comportamento é pecaminoso, isso não implica intolerância, discriminação ou preconceito, mas em opinião religiosa, respeitosa e embasada.

Por defenderem as liberdades e direitos, como já dito aqui, é que os cristãos não aceitam que qualquer código de valores, regras, dogmas, ideologias etc., que violem direitos e/ou liberdades, sejam impostos arbitrariamente como padrão a ser seguido. É por isso que não querem Ideologia de Gênero ensinada nas escolas, nem distribuição de “kits” ou materiais que promovam a homossexualidade no ambiente escolar. Até porque, se o comportamento homossexual é algo natural, como alguns defendem, ele não precisa, como a heterossexualidade, ser imposto e/ou incentivado. Estamos num país livre, onde cada qual pode viver e agir conforme sua consciência, sem, entretanto, ferir o direito alheio, impondo aos demais o que considera ser para si natural e bom. Laborar para que o comportamento de alguma minoria seja imposto como padrão comum e normativo para a sociedade é tolher direitos e cercear a liberdade de quem pensa e quer viver de outra maneira.

Os cristãos têm o direito de chamar de “pecado” qualquer prática que assim considerem, à luz de seu entendimento bíblico. Isso vale para o aborto, para o homossexualismo, bem como para qualquer outra prática, sem, no entanto, consistir sua opinião em preconceito, homofobia ou qualquer outro tipo de discriminação ou violência. Opinião não é coisa a ser criminalizada num país livre. Graças ao bom Deus, o Brasil é uma nação democrática, e temos nossas liberdades e direitos garantidos.

Quanto a afirmação de que “pecado é não amar”, é preciso, com lucidez, colocar a coisa como se deve. A frase, como estruturada, é reducionista e serve propositalmente para lançar uma cortina de fumaça a fim de encobrir a verdade, e isso é artimanha maligna para enredar pessoas e levá-las à perdição. Tal sutileza cumpre perfeitamente seu objetivo de criar uma atmosfera favorável para que pessoas justifiquem suas práticas e, mesmo assim, se considerem na comunhão com Deus. Se as palavras forem devidamente ordenadas, temos “não amar é pecado”, e nisso há sentido. Dizer que “pecado é não amar” é o mesmo que afirmar que o único pecado é não amar, enquanto dizer que “não amar é pecado” não nega a existência de outras práticas condenadas nas Escrituras. A ideia de pecado deve ser concebida na inteireza e abrangência do ensino bíblico, sem reducionismo ou relativismo, para que ninguém fique desavisado sobre a severidade do juízo divino sobre os pecadores não arrependidos. Qualquer outro discurso consistirá em palavras vãs, cujo propósito já sabemos (Efésios 5:6).

Tenha em mente que as afirmações cristãs feitas com base bíblica, quando da abordagem de temas tão polêmicos e relevantes, não devem ser consideradas preconceituosas, odiosas, homofóbicas ou incentivadoras de qualquer violência, e sim como declarações de verdade, desnudas, graves, porém cheias de amor verdadeiro, como o amor de um pai que avisa seu filho com gravidade sobre algum perigo a ser evitado. Tais declarações são de cunho religioso e não intencionam desencadear guerra contra pessoas ou classes, uma vez que os cristãos sabem que não têm “que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” (Efésios 6:12).

Jesus sempre marcou posição firme sobre o pecado e a necessidade de arrependimento. Certa vez, ele disse: “Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados.” (João 8:24). Seu discurso jamais anulou seu amor, tanto que morreu pelos pecadores, bem como seu amor nunca cooperou para atenuar suas falas severas e cheias de Verdade (João 6:60,66). À mulher adúltera amou e perdoou, porém a advertiu dizendo “vai-te e não peques mais”, mostrando-lhe o caminho do arrependimento como condição para uma nova vida (João 8:11). A mesma Bíblia que diz que “Deus é amor” (1 João 4:8) é a mesma que diz que “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hebreus 10:31), e que o Poderoso “tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo” por meio do Cristo ressurreto (Atos 17:31). Falar de amor e ocultar o juízo divino é desonestidade. Dizer que Jesus preferiu não julgar ou condenar, pois estava mais interessado em amar e acolher é politicamente correto, mas faz parte de um discurso mentiroso e diabólico.

Afirmar que textos bíblicos que tratam sobre pecados, se levados em conta pelo leitor, poderão “promover e justificar atrocidades”, é desqualificar a Palavra de Deus, atribuir-lhe ódio e violência, e esvaziá-la da Verdade. O evangelho, quando reduzido à mensagem moderna de amor, deixa de ser “o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16), e torna-se uma doutrina do diabo para arrebanhar almas incautas. Este falso amor que exclui a realidade do juízo é porta larga que conduz à perdição e, portanto, deve ser evitada. Pense nisso!


Em 2018


1 Declaração Doutrinária da CBB, “XV- Liberdade Religiosa”: http://www.batistas.com/portal-antigo/index.php?option=com_content&view=article&id=15&Itemid=15&showall=1 (acessado em 21 de abril de 2018).

2 Constituição Federal, Art. 5º, inciso VI, http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm (acessado em 24 de abril de 2018)

quinta-feira, 30 de julho de 2020

A ‘graça’ que tolera o erro é desgraça

Contrariando as Escrituras, muitas igrejas abandonaram a pregação contra o pecado e passaram a ostentar o que chamam de “cristianismo cheio de ‘graça’ e ‘acolhedor’”

Bíblia
Imagem: Pixabay


“Geralmente se ouve que há entre vós fornicação, e fornicação tal, que nem ainda entre os gentios se nomeia, como é haver quem possua a mulher de seu pai. Estais ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes por não ter sido dentre vós tirado quem cometeu tal ação.” (1 Coríntios 5:1,2)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Por causa de sua visão distorcida sobre a graça, a igreja em Corinto tolerava o pecado em seu seio, e fazia isso com certo orgulho. Da mesma forma, hoje, algumas igrejas, sob o viés de uma nova interpretação das Escrituras e a pretexto de amor e misericórdia, deixaram de cumprir a disciplina bíblica e adotaram uma postura de tolerância e inclusão que dá aos membros a liberdade de conservarem certas práticas pecaminosas. Alguns chamam isso, equivocadamente, de resiliência. Na verdade, trata-se de falsa espiritualidade que, com aparência de piedade, nada mais é que conformação com os padrões sociais vigentes, o que chamamos de mundanismo ou secularismo. Muitas igrejas locais, levadas por essa visão errada de cristianismo, passaram a estabelecer “novos diálogos” sobre certos temas, como o aborto, a aceitação de homossexuais na membresia, a relação da igreja com movimentos e ideologias político-sociais etc. Em decorrência disso, cresce, cada vez mais, o liberalismo em meio aos ditos evangélicos.

Assim como em Corinto, já não há tristeza quando o pecado se estabelece em meio aos crentes, mas, ao contrário, uma ostentação do que entendem ser um cristianismo cheio de “graça” e acolhedor. Não importando mais o arrependimento, todos são chamados como estão, sem necessidade de qualquer mudança ou transformação para a comunhão com um deus tolerante e perfeitamente moldado para atender, sob medida, aos anseios dos que sofrem, principalmente das minorias. Assim, pecadores não transformados — devassos, idólatras, maldizentes, alcoólatras, exploradores, corruptos etc. (v. 11) —, sentam-se à mesa da comunhão e comem, para a sua própria condenação, não discernindo o caráter do Corpo de Cristo.

Paulo encerra sua exortação dizendo: “Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo.” (v. 13). A graça que tolera o erro, é desgraça. Quando o assunto é pecado, não se deve fazer vista grossa. A disciplina é ensino bíblico e deve ser cumprida com amor e zelo, do contrário o fermento do mal contaminará toda a massa.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

A religião dos “amantes de si mesmos”

Mais que pelo entendimento errado das Escrituras, que pela falta de uma hermenêutica correta, a apostasia da fé deste tempo é fruto do amor que contempla os interesses pessoais, que alimenta a ganância, que coloca o ego como centro da adoração do sistema religioso humano

narcisismo
Imagem: Pixabay

“Porque haverá homens amantes de si mesmos…” (2 Timóteo 3:2)


Pr. Cleber Montes Moreira


Enquanto o amor se esfria no mundo em decorrência da multiplicação da iniquidade (Mateus 24:12), o amor sincero, altruísta, um outro tipo de amor se estabelece cada vez mais como marca de uma geração corrompida e cada vez mais distante de Deus. Falo do amor ao qual se refere Paulo ao dizer que os homens dos “tempos trabalhosos” seriam “amantes de si mesmos”.

Este amor — amor egoísta, que busca saciar os deleites da carne — parece ser a força propulsora de uma apostasia da fé jamais vista na história. Ele move tanto aqueles que procuram os benefícios dos falsos evangelhos quanto os falsos profetas que providenciam meios para atender às demandas do mercado da fé. Os primeiros estão sempre em busca da cura, do milagre, do emprego, da prosperidade, de trazer de volta o amor que se foi, de desfazer algum “trabalho de macumbaria”, de legitimar seus pecados, e outros favores e vantagens, enquanto os últimos — movidos pelo mesmo amor — ofertam soluções e fazem promessas em troca do que lhes interessa, quase sempre o dinheiro, o poder e o status. É assim que por meio deste amor multidões com comichão nos ouvidos, não suportando a sã doutrina, constituem para si líderes segundo seus próprios interesses, os quais, por sua vez, e porque são carnais e não espirituais, passam a mercadejar a Palavra em benefício próprio (2 Timóteo 4:3; 2 Pedro 2:3; 2 Coríntios 2:17).

Aqueles que amam a si mesmos acabam se tornando “sologâmicos”, ou seja, casados consigo mesmos, com seus interesses e caprichos. Eles fazem juras de amor e prometem ser fiéis a si mesmos na busca da satisfação pessoal, muitas vezes ao custo da honra, da desconstrução da família, em detrimento dos interesses e bem-estar do próximo, e do afastamento de Deus.

Mais que pelo entendimento errado das Escrituras, que pela falta de uma hermenêutica correta, a apostasia da fé deste tempo é fruto do amor que contempla os interesses pessoais, que alimenta a ganância, que coloca o ego como centro da adoração do sistema religioso humano; também nos arraiais evangélicos onde quase tudo converge para o homem. Basta uma análise simples das canções gospel, das mensagens proferidas por “encantadores de pecadores” (como chamo certos pregadores), e dos eventos que atraem multidões de “adoradores” para que se perceba onde está o foco. Nestas celebrações marcadas por rituais hedonistas, a adoração é dirigida ao (in)fiel — tudo é preparado para ele, para o seu prazer, para a sua exaltação.

Os profetas do engano são os ateus modernos: oportunistas de plantão, que falam em nome do Deus no qual eles mesmos não creem — porque se cressem teriam temor —, que usam a Bíblia apenas como pretexto e meio para conquistar a confiança dos incautos, que ostentam autoridade e poder espiritual, mas vivem na carne; ele são os “inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18,19).

Seja o helicóptero decolando de um heliponto de um mega templo em São Paulo, cheio de malas de dinheiro, a portinha de um templo de uma seita qualquer num bairro pobre, os frequentadores das correntes dos empresários, ou os pobres que procuram na religião alguma solução, parece que todos são movidos pelo mesmo amor que busca os próprios interesses.

O encontro dos “amantes de si mesmos” — de um lado os (in)fiéis que procuram um deus que corresponda aos seus desejos temporais, do outro os mercadores da fé que despudoradamente adéquam o evangelho aos anseios dos ouvintes — cria um ambiente favorável aos desvios, onde o amor-próprio passa a ser o fator gerador da apostasia da fé. Deste encontro de interesses (e interesseiros) que surge a necessidade de teologias moldáveis que correspondam às expectativas e contemplem a diversidade, que seja capaz de apresentar um deus serviçal, multiforme e representativo das mais diversas correntes de fé, de tradições e de comportamentos; um deus criado à imagem e semelhança dos homens. A Teologia da Prosperidade, o Evangelho Social, o Evangelho da Confissão Positiva, o Triunfalismo Gospel, a Teologia do Coaching, a Teologia Inclusiva (também chamada Teologia Queer e Teologia Gay) e outros desvios são apenas alguns dos meios pelos quais este deus se revela. Nada mais funesto, mais anticristão, que esta religião que fala de Deus, mas é, em sua essência, antropocêntrica — a religião dos “amantes de si mesmos”.


Fevereiro de 2020

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Vivo, porém morto

Santidade e santarrice não combinam. Aquele cuja vida cristã é representativa, ainda que possa enganar a muitos, está totalmente exposto diante de Deus, daquele que sabe quem tem fama de vivo mas está morto

dia dos mortos
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“Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela…” (2 Timóteo 3:5)

“Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto.” (Apocalipse 3:1)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Mariana é dona de uma voz inconfundível. Quando louva o auditório silencia. Parece que o Céu desce à Terra. Certa noite, após o pastor pregar uma poderosa mensagem sobre “Como Deus cuida de Seus filhos”, o auditório, repleto, se emocionou ao ouvi-la entoar maviosamente: “Aflito e triste coração, Deus cuidará de ti! Por ti opera a Sua mão, que cuidará de ti […].”

Ao contrário da piedade aparente, a adoradora domingueira leva uma vida dupla: aos domingos, e em datas especiais, como casamentos e aniversários, canta na igreja, porém, aos sábados e dias de festas frequenta lugares inadequados para um cristão, bebe, e ainda posta em seus perfis nas redes sociais fotos e legendas que não condizem com a fé cristã. Certa ocasião postou um convite para um evento de universitários intitulado “Festa da Pinga”. No templo, santa, no mundo, profana; ostenta vida, mas está morta.

Mariana não é exceção. Ela nos revela um comportamento cada vez mais frequente entre os crentes, principalmente entre os mais jovens: “um pé na igreja, outro no mundo”, como se pudessem ao mesmo tempo servir Cristo e satisfazer a carne, desconsiderando a exortação que diz: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4:4).

Para aqueles que acham que “brincar de crente” é muito divertido, fica a advertência: Santidade e santarrice não combinam. O hipócrita — aquele cuja vida cristã é representativa — pode enganar a muitos, mas não a Deus. Ele conhece as obras de cada um, e sabe quem tem fama de vivo mas está morto. Pense nisso!

domingo, 19 de julho de 2020

Discurso fraudulento

A enganosa Teologia Inclusiva considera o “amor” como a única doutrina para o acesso a Deus, desprezando a fé, o arrependimento e o novo nascimento, afrontando a cruz e blasfemando contra o Salvador, ensinando que qualquer pecador, mesmo um ateu confesso, se é capaz de amar ao próximo, está salvo

bandeira inclusiva
Imagem: Pixabay

“Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo.” (Colossenses 2:8)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Na época em que ocorreu o acidente que vitimou o jornalista Ricardo Boechat, um pastor evangélico progressista publicou numa rede social:

“Ainda sobre o Boechat, alguns estão perguntando: ‘Adianta ter amor ao próximo e não acreditar em Deus?’ Gente! Ter amor ao próximo é acreditar em Deus!”

A teologia Inclusiva considera o amor como a única doutrina para o acesso a Deus, desprezando exigências bíblicas como o arrependimento e o novo nascimento. Assim, qualquer pecador, mesmo um ateu confesso, se é capaz de amar ao próximo, está salvo. Esta “teologia” (entre aspas mesmo), exalta a liberdade e despreza a cruz, debocha do evangelho, barateia a graça, torna desnecessária a obra de Cristo, e zomba do próprio Deus porque apresenta uma mentira travestida de verdade. Para não dizer que rasgam a Bíblia, os teólogos inclusivos ressignificam sua mensagem para adequá-la aos interesses humanos e aplacar as consciências em relação ao pecado. Aqueles que defendem os valores do verdadeiro evangelho são tidos como “puritanos e castradores” que proferem uma “repetição infinda de velhas fórmulas moralistas, que escravizam as pessoas, em vez de libertá-las”.1

Nada mais perigoso que essa mentira travestida de verdade. É como se dissessem: “Evitem a porta estreita, nela há falso moralismo, muitas exigências inúteis, e o caminho é muito difícil. Entrem pela porta larga onde não há legalismos, onde sua liberdade não será tolhida, onde o “evangelho” é suave e sua vida não será importunada.” Quer coisa melhor que um evangelho atrativo e sem a exigência da cruz? (Lucas 9:23)

“Se você ama, tudo bem, nada mais importa, você está salvo!” Esta é a mensagem que gera ateus evangélicos, crentes num deus a seu gosto, guiados por uma “verdade” aprisionadora — mas que lhes dá uma falsa sensação de liberdade — e orientados por uma “bíblia” cuja leitura e entendimento se dá a partir dos anseios das pessoas, especialmente de certas minorias.

“Ter amor ao próximo é acreditar em Deus” é um discurso fraudulento, construído pelo inimigo mais sutil e ardiloso — Satanás — cujo propósito é alargar a porta do inferno.


1 http://teologiainclusiva.blogspot.com/ (acessado em 18 de fevereiro de 2019)

sexta-feira, 10 de julho de 2020

“Nossa religião é o amor”: a estratégia do diabo para enredar pessoas

Seria o “amor” como religião eficaz e suficiente para reconciliar o homem com Deus? Neste caso, qual o papel de Jesus nesta chamada “religião do amor”?

guarda-chuvas
Imagem: Pixabay

“Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.” (Romanos 5:10)


Pr. Cleber Montes Moreira


Pastores lacradores gostam de usar frases de efeito. Esses dias um deles escreveu um texto cheio de expressões da Teologia Inclusiva e, dentre outras coisas, afirmou: “Nossa religião é o amor”. Esta mesma afirmação já foi feita por outros evangélicos, mas também por médiuns, filósofos e até ateus. Um twitteiro postou: “Minha religião é o amor, e eu não sigo regras, sigo meu coração.” Uma blogueira escreveu: “Faça do amor também sua religião!” Num texto de exaltação a Santa Sara Kali (padroeira dos ciganos), o articulista escreveu: “Sabiamente seus seguidores ensinam ‘Nossa religião é o Amor!’, pois a felicidade destas pessoas é viver sem prisões ou rótulos…” Um pastor inclusivo, já falecido, num de seus sermões declarou: “Nossa igreja é a igreja do amor”. Um outro escreveu um livro em que apresenta o amor como “uma atitude política revolucionária”, onde trata da ética a partir desse “amor” e não da Palavra de Deus, pelo menos não a partir de sua interpretação tradicional. Esses pastores consideram que é preciso “romper com o tradicionalismo moralístico envernizado de fé cristã”, modo como tratam a fé daqueles que consideram “tradicionalistas”, “moralistas”, “intolerantes” etc. Tudo o que se opõe ao discurso do “amor” é considerado como expressão de ódio. Eles dizem que “o amor é libertário”, porém tal “liberdade” nada mais é que permissividade, uma vez que este “amor” tudo consente. Prova disso é o que afirma Alexandre Feitosa em seu livro “O Prêmio do Amor” (Editora Oásis), páginas 41 e 42: “Não há argumentos que tornem ilegítimas as uniões homoafetivas diante das Escrituras visto que contra o amor não há lei!” Assim a “religião do amor” é a religião do “tudo pode” — desde que feito com ou por “amor” —, daqueles que “convertem em dissolução a graça de Deus” (Judas 1:4).

Considerando a etimologia da palavra religião, afirmar que “nossa religião é o amor” significa dizer que o homem é (re)ligado a Deus pelo “amor”, ou, pelo menos, pelo que consideram ser o “amor”. Assim o “amor” é tido como elemento que viabiliza a salvação. Talvez por isso certo pregador tenha dito que se alguém é capaz de amar, não importando se religioso ou ateu, nem a sua condição moral etc., esta pessoa está salva. Em outras palavras, se alguém é capaz de amar, mesmo que não confesse Cristo como seu Senhor e Salvador, mesmo que não tenha a experiência do arrependimento e do novo nascimento, e ainda que não viva orientado pelo Espírito de Deus (Lucas 3:8; Gálatas 5:16) está salvo. Apesar de condenarem o “tradicionalismo”, os pregadores inclusivos seguem uma nova (mas antiga) tradição que como o religiosismo judaico invalida as Escrituras: “Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira para pôr de lado os mandamentos de Deus, a fim de obedecer às suas tradições!” (Marcos 7:9 — NVI).

Porque no discurso e na prática os teólogos inclusivos consideram a suficiência do amor para (re)ligar a pessoa a Deus, Jesus Cristo passou a ocupar em sua teologia um lugar “estético”, de coadjuvante, muitas vezes exercendo papel de defensor dos “excluídos”. Eles não somente desprezam o Salvador e recusam o evangelho genuíno como único poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1:16), mas também a Bíblia como normativa para a vida cristã por considerarem certos textos “opressores” e/ou “interditivos”.

O verdadeiro amor é fruto da vida com Deus, e não instrumento de salvação. Jesus Cristo continua sendo, e sempre será, o único nome, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos (Atos 4:12). Apenas Ele tem o poder para reconciliar — (re)ligar — o homem com Deus (Romanos 5:10). Portanto, dizer que “nossa religião é o amor” pode até ser um discurso bonito, mas é estratégia do diabo para enredar pessoas. Pense nisso!

 

Em 02 de outubro de 2019

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Os homens dos “tempos trabalhosos” serão desobedientes a pais e mães

Filhos desobedientes a pais e mães são uma das características mais evidentes dos “tempos trabalhosos”; eles não são obra do acaso, mas frutos de uma sociedade sem compromisso com Deus

arte de rua
Imagem de Jana V. M. Por Pixabay

“Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos.” (2 Timóteo 3:2 — grifo do autor)


Pr. Cleber Montes Moreira


Os homens dos “tempos trabalhosos” também serão goneusin apeitheis (γονεῦσιν ἀπειθεῖς), “desobedientes a pais e mães”. Na Bíblia King James Atualizada, “desrespeitosos aos pais”. Escrevendo aos Romanos sobre os que não temem a Deus, Paulo diz que “desobedecem a seus pais” (Romanos 1:30 — NVI), e a Tito escreve: “Eles afirmam que conhecem a Deus, mas por seus atos o negam; são detestáveis, desobedientes e desqualificados para qualquer boa obra” (Tito 1:16 — NVI). Para Hernandes Dias Lopes “este é o maior sinal de decadência de um povo. Quando os filhos não respeitam mais os pais, perderam por completo qualquer respeito à autoridade. E o que se espera daí é a anarquia e a confusão”.1 Matthew Henry afirma que “quando os filhos são desobedientes aos seus pais demonstram que os tempos sejam perigosos”.2 William Barclay corrobora com esta conclusão ao afirmar que “o sinal da suprema decadência de uma civilização se dá quando a juventude perde todo o respeito pela idade, e se nega a reconhecer a dívida impagável e seu dever básico para com aqueles que lhe deram a vida”.3

É inegável que esta desobediência, insubordinação, falta de afetividade para com os pais, é uma das características mais evidentes deste tempo, porém, relembro, Paulo está falando de ocorrências no seio religioso. Fato é que há em nossas igrejas pessoas que se comportam assim, vivendo uma religiosidade cênica que camufla seu verdadeiro caráter. Champlin diz que “A falta de amor aos pais, além de total desconsideração para com sua autoridade, é própria do ‘paganismo’; mas igualmente caracteriza aqueles que repelem a autoridade de Deus, na ‘apostasia’”4. Isso contraria os princípios do evangelho e desagrada a Deus: “Filhos, obedeçam a seus pais em tudo, pois isso agrada ao Senhor” (Colossenses 3:20 — NVI). No Decálogo, lemos: “Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor teu Deus te dá” (Êxodo 20:12 — NVI).

Ainda que este não seja o único motivo, mas uma soma de fatores, é certo que filhos “desobedientes a pais e mães” decorrem, em muitos casos, de alguma falha na transmissão de valores, sendo, nestes casos, culpa dos pais. Sérgio Sinay, em seu livro “A Sociedade Dos Filhos Órfãos”5, nos alerta sobre um dos maiores problemas da sociedade: “o abandono da responsabilidade de criar os filhos”. Segundo ele, “boa parte dos pais de hoje não consegue estabelecer uma conexão real com suas crianças, o que resultará em uma geração altamente influenciada pelos maus valores da TV, da internet e do marketing agressivo”.

É verdade que a correria dos tempos modernos, comportamento que Mário Sérgio Cortella chama de “miojização da vida”, tem feito com que pais se abdiquem de responsabilidades na formação dos filhos. Esta tarefa normalmente é terceirizada, passando a ser delegada aos avós, babás, escolas, igrejas e outros. Muitas vezes as crianças são submetidas aos cuidados da TV, a babá moderna, de onde absorvem maus valores, bem como entregues aos smartphones, o que as expõe a riscos e más influências. Ouvi sobre pais que lutam para que as creches abram aos sábados, domingos e feriados, para que tenham onde deixar os filhos. Tais expedientes também fazem parte da realidade de pais cristãos que, agindo conforme o mundo, se esquecem do dever de criar os filhos no “caminho em que devem andar” (Provérbios 22:6). Para piorar, a sociedade (inclusive a religiosa) exige desses filhos um padrão acima do comum ‘porque são filhos de crentes ou de pastores’, criando ambiente favorável para que muitos se afastem da fé, se desviam para as drogas e/ou criminalidade, tornem-se imorais, depressivos etc.

Se de um lado há a terceirização das responsabilidades, por outro há também o problema da superproteção. Há pais que dão aos filhos tudo o que pedem, que não lhes permite passar por frustrações, que criam pequenos “reis” e “rainhas” diante dos quais se prostram e se submetem. Estes filhos normalmente se tornarão, além de desobedientes, insubordinados, “absolutos” e infelizes.

Filhos desobedientes a pais e mães não é obra do acaso, mas frutos de uma sociedade sem compromisso com Deus, característica que se reflete também no seio religioso.

Como não se pode transferir a salvação para os filhos, os pais deveriam transmitir-lhes conhecimento, instrui-los na Palavra do Senhor, discipliná-los e prepará-los para a vida como ela é.


1 Lopes, Dias Hernandes. 2 Timóteo, o Testamento de Paulo à Igreja, página 88, Hagnos, São Paulo, 2014.

2 Henry, Matthew. Comentário Bíblico

3 Barclay, William. Comentário Bíblico. The Second Letter to Timothy, Tradução: Carlos Biagini

4 Champlin, Russell Norman, Ph. D., Comentário Bíblico, Volume 5, página 386, Hagnos, 2001

5 Sinay, Sérgio. A sociedade dos filhos órfãos, Editora Best Seller, 2012, ISBN: 978-8576844402

terça-feira, 23 de junho de 2020

Os homens dos “tempos trabalhosos” serão presunçosos

Pessoas presunçosas, não ensináveis, desprezam os ensinos da Palavra de Deus… elas buscam posições de destaque e honra em detrimento dos outros, muitas vezes usando de má-fé.

presunção
Imagem: Pixabay

“Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos.” (2 Timóteo 3:2 — grifo do autor)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Outra característica dos homens dos últimos dias é que eles serão presunçosos. A palavra utilizada no texto é ἀλαζόνες (alazónes), que indica o comportamento daquele que presume de si mesmo mais do que é. No linguajar de nossos dias, é alguém que “se acha”. Na Bíblia Reina Valera de 1989, em espanhol, a tradução é “vanagloriosos”, em português “vangloriosos”, pessoa “que tem convencimento exagerado dos próprios méritos ou qualidades, que exibe suas pretensas conquistas; jactancioso, vaidoso, fanfarrão”.1 Indivúduo — ἀλαζών (alazón) — pretensioso, ostentador, orgulhoso. Segundo Fritz Rienecker e Cleon Rogers, é “alguém que se jacta e fica falando de suas próprias realizações e, em sua jactância, ultrapassa os limites da verdade e magnifica o fato a fim de se engrandecer, na tentativa de impressionar as pessoas”.2 É como um pescador que tendo apanhado um lambari conta que pescou um pirarucu tão grande, mas tão grande, que para tirar o peixe da água entortou o leito do rio.

Este comportamento jactancioso estava bem presente entre os fariseus.

Para algumas pessoas que confiavam em sua própria justiça e menosprezavam os outros, Jesus contou ainda esta parábola: “Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano. O fariseu, em pé, orava em seu íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: roubadores, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’ (Lucas 18:9-12 — BKJA).

Eles ainda apreciavam orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem admirados pelos outros, faziam caridade para serem vistos, e “tocavam trombetas” diante das pessoas anunciando seus atos, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens (Mateus 6:1-5). Eles são como aquele povo que, “seguindo suas próprias inclinações”, são capazes de dizer: “Afasta-te! Fica-te aí mesmo onde estás! Não te aproximes de mim, pois sou ainda mais santo do que tu!” (Isaías 65:5 — BKJA).

Conta-se que certa vez, quando John Bunyan acabara de pregar um sermão, um dos ouvintes lhe disse: “Sua mensagem foi brilhante. Jamais ouvi alguém falar desse jeito!” Bunyan respondeu: “Eu sei, irmão. Há pouco, o diabo me disse o mesmo.” Ele sabia que a exaltação do ego é uma armadilha que deve ser evitada. Há gente tão gabola que se vangloria até de sua humildade. Tenha cuidado para não deixar o diabo inflar seu ego.

Conforme Champlin, a raíz de alazón é ale e quer dizer “perambulação”.

Era a palavra usada para indicar uma atitude mental enlouquecida ou distraída. Os “vagabundos” geralmente eram indivíduos de vil caráter, fingidos, impostores; e assim a forma verbal dessa palavra indica os “fingidos”, os enganadores; e, em sua forma nominal, veio a indicar os “jactanciosos”, que proferiam coisas altissonantes sobre eles mesmos, mas que tudo era apenas pretensão”.3

Originalmente o alazón era um desses curandeiros impostores que levavam ao povo medicamentos, encantamentos e métodos de exorcismo que, segundo eles, curavam todos os males. Isso me faz lembrar daquele carro que passava em nossas ruas vendendo uma tal “pomada milagrosa”, capaz de curar quase tudo, mas também me faz pensar nos falsos profetas, jactanciosos, oportunistas, embusteiros, que “cheios de si” alardeiam poder e autoridade para fazer prosperar, curar enfermidades, realizar coisas sobrenaturais, profetizar, exorcizar, decretar, e até dar ordens a Deus. Eles proclamam santidade, autoridade e poder que não possuem; são vangloriosos e ávidos pelo lucro e/ou status. O seu evangelho é como aquela “pomada milagrosa” — pura enganação!

Pessoas vangloriosas, jactantes, desprovidas de humildade, não ensináveis, estão presentes em toda a sociedade, e também dentro das igrejas. Elas desprezam os ensinos da Palavra de Deus, violam regras, desrespeitam o próximo, são persuasivas, e buscam posições de destaque e honra em detrimento dos outros, muitas vezes usando de má-fé.


1 Google

2 Rienecker, Fritz – Rogers, Cleon. Chave linguística do Novo Testamento grego, página 477, Vida Nova, São Paulo-SP, 1985.

3 Champlin, Russell Norman. Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, Vol 5, página 386, Editora Candeia, São Paulo – SP, 1995

segunda-feira, 22 de junho de 2020

A “Síndrome de Tio Patinhas”

A avareza afeta a razão; na prática o avarento valoriza mais as coisas que a própria vida, pois enquanto ajunta esquece de viver.

avareza
Imagem: Pixabay

E lhes propôs uma parábola: “As terras de certo homem rico produziram com abundância. E ele começou a pensar consigo mesmo: ‘Que farei agora, pois não tenho onde armazenar toda a minha colheita?’. Então lhe veio à mente: ‘Já sei! Derrubarei os meus celeiros e construirei outros ainda maiores, e ali guardarei toda a minha safra e todos os meus bens. E assim direi à minha alma: tens grande quantidade de bens, depositados para muitos anos; agora tranquiliza-te, come, bebe e diverte-te! Contudo, Deus lhe afirmou: ‘Tolo! Esta mesma noite arrebatarei a tua alma. E todos os bens que tens entesourado para quem ficarão?’. Isso também acontece com quem poupa riquezas para si mesmo, mas não é rico para com Deus”. (Lucas 12: 16-21 — BKJA).


Pr. Cleber Montes Moreira


Alice é uma jovem executiva, funcionária de uma grande empresa do ramo de tecnologia. É inteligente, bonita, atraente, bem-sucedida… e A-VA-REN-TA!

Ela se veste inadequadamente para o cargo que ocupa, pois não considera razoável pagar o que suas colegas do escritório pagam pelas roupas que usam. Não aceita convites para sair com os amigos, só para não ter que dividir com eles a conta de gastos que considera desnecessários.

Por muito tempo morou num pequeno apartamento, próximo do trabalho, dividindo as despesas com outras duas jovens. Quando resolveu comprar um imóvel, pagou à vista por um apartamento bem mais simples do que poderia, considerando seu salário e a poupança acumulada. Aliás, na época ela conseguia poupar mais de 70% do que ganhava. Como não gosta de riscos, prefere a caderneta de poupança, mesmo com rendimentos menores.

Aos 32 anos ela ainda tem facilidade para iniciar relacionamentos, porém, por causa de seu comportamento avaro, seus namoros não duram muito.

Alice sofre da “Síndrome de Tio Patinhas”, patologia que ganhou este nome por causa do Tio Patinhas, personagem da Disney conhecido por sua avareza. Ele é tão mão de vaca que mesmo nadando em dinheiro não gasta um tostão, e nem empresta. Na vida real, em certas proporções, muitos assumem comportamento parecido. Para alguns especialistas, sofre da “Síndrome de Tio Patinhas” aquele que consegue poupar mensalmente 30% ou mais de sua renda líquida, o que é considerada uma poupança exagerada se o objetivo é não ficar sem dinheiro até o fim da vida. O aconselhável é acumular 20% da renda durante o período de vida ativa.1

Há gente que por causa da avareza não vive, não desfruta do que ganha, se priva de compartilhar momentos alegres, de cultivar amizades etc. O homem rico da parábola (Lucas 12:16-21) pensou apenas em acumular, desprezando o mais importante. Sua estratégia era guardar para usufruir mais tarde, porém não fez caso do tempo: no final não aproveitou a vida, não teve tempo para Deus, e se despediu deste mundo tal como veio, sem coisa alguma — porque ninguém leva para a eternidade o que junta aqui.

O sábio disse: “Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas, nunca se sentirá em paz e feliz com seus rendimentos. Certamente, isso também é ilusão, vaidade” (Eclesiastes 5:10 — BKJA). A avareza afeta a razão; na prática o avarento valoriza mais as coisas que a própria vida, pois enquanto ajunta esquece de viver.


Nota: Alice é um personagem fictício criado para contar fatos de uma história real.


1 Com informações de https://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/o-problema-das-pessoas-que-poupam-demais/ (acessado em 25 de junho de 2019)

domingo, 21 de junho de 2020

“A ganância de possuir mais”

O avarento é movido por um interesse obstinado pelo que não tem; é insaciável e, ao mesmo tempo, miserável; nada do que ajuntar lhe será suficiente

avareza
Imagem: Pixabay

“Os homens amarão a si mesmos, serão ainda mais gananciosos…” (2 Timóteo 3:2 — BKJA — grifo do autor)


Pr. Cleber Montes Moreira


Ao contrário do que muitos pensam, a avareza não se restringe aos ricos e, provavelmente, esteja mais presente entre os pobres. A questão é que muitos a compreendem como sendo o acúmulo de riquezas quando, na verdade, diz respeito a insaciabilidade. Avarento não é o rico, mas aquele que tem ambição imoderada pelo dinheiro e riquezas, independente se rico ou pobre.

Quando o Senhor foi procurado por um homem para resolver uma peleja com seu irmão, por causa de uma herança, lhe advertiu: “Tende cautela e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porquanto a vida de uma pessoa não se constitui do acúmulo de bens que possa conseguir” (Lucas 12:15 — BKJA). O que Jesus condena aqui não é o ser rico, mas o ser cobiçoso. O termo traduzido por avareza, πλεονεξίας (pleonexias), significa “cobiça, avareza. A ganância de possuir mais”1. O sentido não é o de amar o que possui, mas de interesse obstinado pelo que não tem (mesmo o que pertence aos outros). Esta disposição insaciável por dinheiro e riquezas pode estar presente tanto no coração do rico quanto do pobre.

Os avarentos, por causa da cobiça egoísta, estão sempre propensos à contenda, e chagam a maquinar o mal contra seu próximo: “As artimanhas do homem de caráter maligno são todas perversas; imagina tramas cruéis para destruir com mentiras o pobre e indefeso, mesmo quando a súplica deste é justa” (Isaías 32:7 — BKJA).

Há um provérbio belga que diz: “O avarento esfolaria um piolho para obter sua pele”. Dante Alighieri disse que “a avareza é de natureza tão ruim e perversa que nunca consegue acalmar seu afã: depois de comer tem mais fome”. E a sabedoria popular conclui que “ao avarento tanto lhe falta o que tem como o que não tem”. O avarento é insaciável e, ao mesmo tempo, miserável; nada do que ajuntar lhe será suficiente.

Agostinho disse: “Não andes averiguando quanto tens, mas o que tu és. A verdadeira felicidade não consiste em ter muito, mas em contentar-se com pouco” (ou com o que se tem). Paulo escreveu a Timóteo: “De fato, a piedade acompanhada de alegria espiritual é grande fonte de lucro. Porque ingressamos neste mundo sem absolutamente nada, e ao partirmos daqui, nada podemos levar; por isso, devemos estar satisfeitos se tivermos com o que nos alimentar e vestir. No entanto, os que ambicionam ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitas vontades loucas e nocivas, que atolam muitas pessoas na ruína e na completa desgraça. Porquanto, o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e por causa dessa cobiça, alguns se desviaram da fé e se atormentaram em meio a muitos sofrimentos” (1 Timóteo 6:6-10 — BKJA). É bom pensar nisso!


1 Rienecker, Fritz – Rogers, Cleon. Chave linguística do Novo Testamento grego, página 132, Vida Nova, São Paulo-SP, 1985.

sábado, 20 de junho de 2020

Os homens dos "tempos trabalhosos" serão avarentos

A avareza é característica presente nos “amantes de si mesmos”. Alguém impregnado do amor-próprio valorizará tudo aquilo que puder ser usado para satisfazer sua cobiça, por isso terá obsessão pelo dinheiro

avareza
Imagem: Free Images

“Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos.” (2 Timóteo 3:2)


 Pr. Cleber Montes Moreira


O termo φιλάργυροι (philarguros), traduzido por avarentos, significa, literalmente, “amantes da prata” ou “amantes do dinheiro”. Este espírito cobiçoso chamado avareza é uma forma de idolatria, pois o dinheiro é tratado como a prioridade da vida, em razão de que a pessoa passa a desprezar valores importantes, pessoas e o próprio Deus. O dinheiro torna-se o seu “sol”, em torno do qual gira seus interesses.

A avareza é característica presente nos “amantes de si mesmos”. Alguém impregnado do amor-próprio valorizará tudo aquilo que puder ser usado para satisfazer sua cobiça, por isso terá obsessão pelo dinheiro. Não é sem motivo que Paulo escreveu que “o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos” (1 Timóteo 6:10 — NVI). Sim, o amor ao dinheiro provoca muitos males: O amor ao dinheiro leva a apostasia. Por amar ao dinheiro, pessoas gastam tempo demasiado no trabalho, deixando a família, os amigos e tantas coisas importantes para segundo plano. O amor ao dinheiro sufoca os bons sentimentos e torna a pessoa insensível. Todos os que se corrompem na política o fazem pelo amor ao dinheiro. Pelo amor ao dinheiro, ou ao que o dinheiro pode comprar, pessoas brigam, traem umas as outras, mentem, caluniam, roubam, matam… Plutarco disse que “a avareza é um tirano bem cruel; manda ajuntar e proíbe o uso daquilo que se junta; visita o desejo e interdiz o gozo”. Considerando seu poder nefasto, não é sem motivo que seja uma das marcas dos “tempos trabalhosos” aos quais Paulo se refere.

Se há um conselho oportuno que possa ser considerado em relação ao exposto, é este: Seja senhor e não servo do dinheiro. Considere o dinheiro como bênção, e não como combustível da cobiça. Use-o de maneira inteligente, para abençoar a si, a sua família e aos que dele necessitam; faça-o de modo generoso. Administre-o de forma que Deus seja glorificado. Seja fiel no sustento da Obra do Senhor e colabore para a expansão do evangelho. Fazendo assim seu coração estará no Céu, onde o seu verdadeiro tesouro está protegido, e não na Terra “onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam” (Mateus 6:19).

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Casados consigo mesmos

"Eu me amo, eu me amo
Não posso mais viver sem mim
Eu me amo, eu me amo
Não posso mais viver sem mim"
(Ultraje a Rigor)

narcisismo
Imagem: Free Images

“Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus.” (Filipenses 2:3-5 ― NVI)


Pr. Cleber Montes Moreira


Recebi pelo Whatsapp um link de uma matéria intitulada: “Empresária mineira se casa com ela mesma para celebrar amor-próprio.” Em entrevista ela declarou: “Eu resolvi casar comigo por causa da minha história, de eu ter chegado ao ponto de compreender que, em primeiro lugar, eu sou a pessoa mais importante da minha vida.”1 Vestida a caráter, segurando um espelho, a noiva, de 38 anos, fez votos de amor-próprio diante de cerca de 100 convidados.2 A celebração ocorreu no dia 26 de maio de 2019, numa praça de Belo Horizonte (MG).

A sologamia, termo traduzido do inglês sologamy, ato de contrair casamento consigo mesmo, já é moda em vários lugares do mundo. As cerimônias com decoração, trajes próprios, bolo, convidados, padrinhos, votos matrimoniais, dentre outras coisas, fazem lembrar um casamento convencional. Há no mercado várias empresas do ramo especializadas neste tipo de “casamento”. Os adeptos defendem que a sologamia nada mais é do que o comprometimento com o amor-próprio, com os próprios interesses e a própria felicidade.3 Isso lembra o refrão da música “Eu me amo”, do grupo “Ultraje a Rigor”, que satiriza o narcisismo:

 

Eu me amo, eu me amo
Não posso mais viver sem mim
Eu me amo, eu me amo
Não posso mais viver sem mim4

 

Ainda que para muitos a sologamia seja um ato simbólico, ilustra com propriedade o que Paulo ensinou sobre as pessoas dos “últimos dias”, as quais ele chama de “amantes de si mesmos”. Elas se exaltam sobremaneira, amam a si mesmas mais que tudo e que todos, se colocam como o centro do universo, e buscam incessante e incansavelmente, a todo custo, alimentar seu ego com tudo que lhes dá prazer são insaciáveis, obstinadas! Ainda que para satisfazerem seus intentos tenham que violar regras e desprezar princípios e valores morais.

Os “amantes de si mesmos” bem poderiam ser chamados de “casados consigo mesmos”.

Creio que a maior característica das pessoas deste tempo seja a busca excessiva pelo prazer como bem supremo. À luz do ensino paulino, percebemos que à medida que o mundo avança para Tempo do Fim, o egoísmo se pronuncia ainda mais (2 Timóteo 3:2).

A felicidade como finalidade última, preponderante, é fruto do egocentrismo, e tende a ser construída sobre o desrespeito dos direitos, da indiferença, do desprezo ao próximo, da corrupção, do ódio, da violência… Este comportamento, segundo o sábio, consiste em “insurgência contra a sabedoria” (Provérbios 18:1), e contraria o ensino paulino em Filipenses 2:3-5.

A questão é que quem é “casado consigo mesmo” usufrui de uma felicidade que dura como um raio. No final, como enfatiza o autor de Eclesiastes, “tudo é vaidade”. A “felicidade”, ilusória como uma miragem, é levada pelo vento, e a própria vida passa como “um conto ligeiro”. Pense nisso!


1 https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/05/24/empresaria-mineira-se-casa-com-ela-mesma-para-celebrar-amor-proprio.htm (acessado em 27 de maio de 2019)

2 https://revistamarieclaire.globo.com/Casamento/noticia/2019/05/empresaria-se-casa-com-ela-mesma-em-belo-horizonte-veja-fotos-da-cerimonia.html (acessado em 27 de maio de 2019)

3 https://www.hypeness.com.br/2017/06/sologamia-por-que-o-casamento-consigo-mesmoa-esta-virando-tendencia/ (acessado em 27 de maio de 2019)

4 https://www.letras.mus.br/ultraje-a-rigor/49186/