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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Amor inclusivo

Amar é ensinar o povo a deitar fora os seus falsos deuses, a abandonar seus pecados, a buscar a face de Deus, a se humilhar, a orar e a se desviar de seus maus caminhos (2 Crônicas 7:14). O amor verdadeiro é um convite ao arrependimento

inclusão
Imagem: Pixabay


“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

“Vai-te, e não peques mais.”

(João 3:16; 8:11)

 

Pr. Cleber Montes Moreira

 

“Deus abençoa toda forma de amor”, foi o que disse uma pessoa que é apresentada como pastor, mesmo sem ter passado por um concílio e ter sido consagrada ao ministério pastoral. O amor está cada vez mais em moda. Um outro pastor, inclusivo, publicou em seu perfil, no Facebook: “Onde estiver o amor, ali estarei eu.

A base bíblica para isso é Deus é amor — como sempre, o texto é pretexto —. Porém, pergunto: o amor, do ponto de vista comum das pessoas, se coaduna com o amor de Deus? O amor que ama o pecador, mas não lhe avisa do perigo, é amor? O amor que convida para a igreja, contudo não versa sobre arrependimento, é amor? O amor que alardeia a inclusão no reino, como se alguém pudesse entrar para ele por uma janela arrombada, sem, todavia, vestir os trajes de santidade, é amor (Mateus 22:12)? O amor que convida “venha como está”, mas não ensina a Palavra que desencadeia a transformação, o novo nascimento, é amor?

O amor que considera o evangelho não como o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, mas o reimagina a partir da cultura, das lutas, do sofrimento, da vontade de um povo e o adapta para que se torne aceitável não é amor. O amor que entende a exigência da santidade como legalismo dos intolerantes e inculca nas mentes uma concepção de vida cristã dissociada dos valores bíblicos não é amor.

Amor é perdoar a adúltera e dizer “vai-te e não peques mais” (João 8:11). É curar um paralítico e adverti-lo dizendo: “não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior” (João 5:14). Amor é entrar em casa de um homem pecador, anunciar-lhe as boas novas de perdão e depois concluir que “hoje veio salvação a esta casa” (Lucas 19:9). Amor é chorar pela Jerusalém que apedreja e mata os profetas, aqueles mesmos que denunciavam o adultério espiritual do povo, e lamentar que seus moradores não deram ouvidos à Palavra e, por isso, serão julgados.

Praticar o amor é dizer a Verdade, sem adorná-la, sem diminuí-la, sem torná-la outra coisa, sem dizer que ela é o que não é, mas apresentá-la como está nas Sagradas Escrituras, ainda que isso não seja politicamente correto em nossos dias. Amor é ensinar o povo a deitar fora os seus falsos deuses, a abandonar seus pecados, a buscar a face de Deus, a se humilhar, a orar e a se desviar de seus maus caminhos (2 Crônicas 7:14). O oposto disso jamais será amor, e sim artimanha maligna para enganar pessoas, enredá-las e levá-las pelo caminho da perdição. Amor não é tornar a vereda cristã uma estrada larga e asfaltada, adorná-la à vista das pessoas, mas ensinar que “larga é a porta que conduz à perdição, e apartado o caminho que conduz à vida” (Mateus 7:13). O verdadeiro amor, praticado e ensinado por Jesus, visa não à adesão das pessoas a uma instituição religiosa, mas à conversão, à salvação e à inclusão no reino de Deus, reino de vida, reino de valores eternos, reino odiado pelo mundo. O amor chama do pecado, das trevas para a maravilhosa luz (1 Pedro 2:9) e ensina que luz e trevas não se comunicam, que não há harmonia entre Cristo e Belial, que não há acordo entre o santo e o profano, que o salvo não imita a conduta dos ímpios, nem pratica a idolatria, pois é santuário de Deus (leia Coríntios 6:14-18; Salmos 1).

Ah, o amor… “O amor é inclusivo”, dizem. Sim, e por isso o verdadeiro amor caminha lado a lado com a Verdade. O amor convida ao arrependimento, e a Verdade liberta (João 8:32, 36). Sim, liberta de todo pecado, de tudo que é abominável, das paixões ilícitas, das práticas e comportamentos sexuais abomináveis, de tudo o que é falso e enganoso. Qualquer amor que não comunica esta mensagem é qualquer coisa, menos amor; e qualquer verdade que não liberta é qualquer coisa, menos Verdade.

A função precípua do amor não é enganar, mas salvar e transformar. Por isso, só o verdadeiro amor — amor de Deus, que nos constrange a amar como Ele amou — é inclusivo. Porque Deus amou, e Jesus morreu para salvar o que crê, e crer é conversão. Se fosse para a pessoa continuar no pecado, não teria sentido o Filho de Deus pagar tão alto preço. Pense nisso!

domingo, 2 de agosto de 2020

“Novo Normal”: a serpente e a velha “Nova Ordem”

O “Novo Normal” é a negação do normal estabelecido por Deus, dos ensinos e valores bíblicos, da liberdade e da vida; é a velha mentira contada pela antiga serpente com o nome pomposo de “Nova Ordem” e sob a propaganda de que “é para o seu bem”

tentação
Imagem: Pixabay


Pr. Cleber Montes Moreira


Você já deve ter escutado que “depois da pandemia o mundo não será o mesmo”. Esta afirmação nos remete a outra expressão em alta: O “Novo Normal”, que sugere uma nova realidade pós-pandemia.

A expressão “Novo Normal” teria sido cunhada por Mohamed El-Erian, empresário egípcio americano, conselheiro econômico principal da Allianz, a controladora corporativa da PIMCO, onde atuou como CEO e codiretor de investimentos. Segundo matéria de Octavio de Barros, colunista de O Valor Econômico, Mohamed El-Erian publicou em 2009 um artigo em que trata do conceito da economia operando em um modelo chamado de “novo normal” (“A new normal”, Mohamed A. El-Erian, “Secular Outlook”, maio 2009), referindo-se à situação da economia global após a crise de 2008.1 Com a pandemia do novo coronavírus, a expressão ganhou força e passou a ser tema constante nos debates, noticiários, blogs e redes sociais, inclusive nos meios religiosos. Segundo Maria Aparecida Rhein Schirato,2 o “Novo Normal” consiste na “proposta de um novo padrão que possa garantir nossa sobrevivência.”3

Em artigo intitulado “Um novo normal?”, Guy Ryder, diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), afirmou: “Agora é a hora de olhar mais de perto esse novo normal e começar a tarefa de torná-lo um normal melhor, não tanto para aqueles que já têm muito, mas para aqueles que obviamente têm muito pouco.”4 No site da ONU (Organização das Nações Unidas) para o Brasil, lemos: “‘Um novo normal’: ONU estabelece roteiro para estimular economias e salvar empregos após COVID-19”. O artigo trata do lançamento de um documento com “novas diretrizes para apoiar os países na recuperação social e econômica, criando uma nova economia e mais empregos depois da pandemia da COVID-19”, e alerta que não haverá retorno ao “antigo normal”, ao mesmo tempo em que “pede apoio internacional e compromisso político para que todas as pessoas tenham acesso a serviços essenciais e proteção social”.5 O documento trata, com maior “atenção”, de grupos considerados vulneráveis, como mulheres negras, LGBTs e outras “minorias”; um documento com viés ideológico.

O “Novo Normal” está sendo implementado aos poucos, sem que a maioria perceba, e a pandemia é apenas uma oportunidade na construção de uma “Nova Ordem”. Os acontecimentos mais recentes comprovam isso. A ONU retomou seu discurso sobre um projeto de “governança global”. A proposta de criação de um governo mundial não surgiu agora, em função da pandemia, mas o coronavírus colocou o tema novamente em pauta. Faz tempo que líderes religiosos e políticos discorrem sobre a necessidade de um “governo mundial”. Em 2009 o papa Bento 16 já pedia uma “autoridade política mundial” para ordenar e regular as economias nacionais.6 Já o papa Francisco, tratando sobre “mudanças climáticas” em 2019, em carta dirigida aos bispos católicos, afirmou a necessidade de um novo sistema de governo global.7 O “Novo Normal” implica mudanças além do campo da política e da economia, afetando toda a estrutura social. Comportamentos e valores estão sendo revisados. Não se trata apenas de “fique em casa”, mas de cerceamento. Não se trata de usar ou não máscaras (e não trato aqui da eficácia ou não delas), mas de mordaça. Temo que depois das máscaras e da mordaça tentem nos impor uma ‘burca ideológica’. Na verdade caminhamos pra isso. O controle das mídias e a suspensão de contas nas redes sociais por ordem do STF, A CPMI das Fakes News e a conversa sobre “abuso de autoridade religiosa” indicam claramente para onde querem nos levar.

O “Novo Normal” ressignifica conceitos, impõe um padrão ao pensamento, e estabelece um novo código de valores que afeta drasticamente as estruturas conservadoras. Na era do “Novo Normal”, grupo que queima a bandeira nacional é considerado pela grande mídia como “manifestantes pró-democracia”, enquanto quem ostenta a mesma bandeira, com respeito e orgulho, é considerado fascista. A justiça manda soltar criminosos de alta periculosidade, por causa da Covid-19, e prende cidadãos de bem em casa, durante suas caminhadas, em bancos de praças etc., desrespeitando o direito constitucional de ir e vir. A PM é proibida de fazer operações nas “comunidades”, mas os traficantes podem transitar livremente, inclusive ostentando armas e promovendo festas. Ônibus e metrôs podem andar abarrotados, mas as reuniões religiosas ou estão proibidas ou com restrições. Lares e templos são invadidos, mesmo não havendo aglomerações, mas a PF não pode cumprir mandatos de busca e apreensão em residências ou escritórios de quem é protegido pelo ‘sistema’. Quem defende a vida é chamado de genocida, mas quem desvia recursos destinados ao combate da pandemia tem proteção do ‘Supremo’. Vacina chinesa é bem-vinda, enquanto, contrariando a classe médica e os resultados já comprovados, a Hidroxicloroquina e a Ivermectina agora só podem ser vendidas com receita médica, isso quando não são negadas aos doentes por políticas de prefeitos e governadores. Este “Novo Normal” estabelece que pai tem útero, que mulher tem pênis, que ciência só vale se for alinhada ao “pensamento”, que branco militante tem alma negra, e negro de direita é branco, que vidas negras/LGBTs/indígenas/femininas etc. importam, desde que sejam de esquerda e possam ser utilizadas como instrumentos de militância. No “Novo Normal” quem não rouba nem deixar roubar é punido. E não se esqueça da “profecia” que diz: “O crime de pensar não implica a morte. O crime de pensar é a própria morte” (George Orwell, 1984, Companhia das Letras, 2009) — penso que ela está se cumprindo.

O “Novo Normal” teve início no Éden com a promessa de que “certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gênesis 3:4,5). Os resultados afetaram toda a criação, e o “Novo Normal” constituiu-se na existência separada do Criador, fora do paraíso, cheia de aflições e condenada a morte. Hoje a velha serpente diz: “É para o seu bem”.

O “Novo Normal” é a negação do normal estabelecido por Deus, dos ensinos bíblicos, da liberdade e da vida; é a velha mentira contada por Satanás com o nome pomposo de “Nova Ordem”. Esteja atento, ainda hoje o pai da mentira continua oferecendo sua filha em casamento.


1 https://valor.globo.com/eu-e/coluna/o-novo-normal.ghtml (acessado em 20 de julho de 2020)

2 Maria Aparecida Rhein Schirato é Doutora e Mestra pela Universidade de São Paulo, docente do Insper desde 2008, com experiência em Consultoria e Gestão de Conflitos, Modelos de Gestão, Desenvolvimento de Liderança e Treinamentos Comportamentais. É diretora da Rhein-Schirato Consultores Associados há 30 anos. Possui formação em Filosofia, Psicologia e Psicanálise e é autora de livros e artigos ligados à sua área de especialização.

3 https://www.insper.edu.br/noticias/novo-normal-conceito/ (acessado em 20 de julho de 2020)

4 https://nacoesunidas.org/artigo-um-novo-normal/ (acessado em 20 de julho de 2020)

5 https://nacoesunidas.org/um-novo-normal-onu-estabelece-roteiro-para-estimular-economias-e-salvar-empregos-apos-covid-19/ (acessado em 20 de julho de 2020)

6 http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1221450-5602,00-EM+NOVA+ENCICLICA+PAPA+PROPOE+AUTORIDADE+MUNDIAL+NA+ECONOMIA.html

7 https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/papa-francisco-afirmou-que-a-humanidade-precisa-de-um-lider-global

Em nome do “amor”

A Teologia Inclusiva, que como praga se alastra, relativiza a Palavra de Deus, desconstrói o conceito bíblico de pecado e eleva o amor à condição de doutrina única como quesito para a entrada no Reino, desprezando o arrependimento e a conversão

inclusiva
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“Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, a fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, e se convertam, e eu os cure.” (João 12:40)


Pr. Cleber Montes Moreira


Lídia procurava uma comunidade em que pudesse exercer sua fé cristã, ser aceita e se sentir bem. Passando pelo Facebook de uma amiga, encontrou um convite para um culto de família. Ao ler a legenda, logo se identificou com o perfil daquela igreja e propôs em seu coração fazer uma visita. Depois de conversarem, Nathália aceitou acompanhá-la.

No dia especial, chegaram uns minutos antes e foram recebidas calorosamente por uma equipe devidamente treinada. Sorrisos contagiantes, abraços, demonstrações de carinho… Um ambiente perfeito e de acolhimento. Em pouco tempo, passaram a se considerar parte daquela família.

Preconceito era palavra proibida, o lema daquela igreja era inclusão. Ali eram admitidas todas as formas de amor. Aliás, o amor era a única doutrina que se exigia dos fiéis — Amar a todos, sem distinção, como Cristo amou. Para o “casal”, um lugar de refúgio. As pastoras, assumidas e casadas, traziam sempre mensagens relevantes para o público, abordando temas como fidelidade conjugal, adoção e criação de filhos, violência contra mulheres, negros e outras minorias, igualdade de gênero etc. Congressos e retiros espirituais eram promovidos, e a evangelização era ensinada como meio de cumprir a missão. Durante as celebrações da Ceia, os “diferentes” eram sempre bem-vindos à mesa do Senhor. A obra social jamais era esquecida.

Inesquecível foi o dia em que Lídia e Nathália puderam celebrar sua união conjugal. Mesmo sem a presença de vários familiares, mas diante de centenas de irmãos tão acolhedores, elas selaram seu amor e rogaram as bênçãos de Deus para o seu “casamento”. A celebrante, pastora Bruna, pregou um poderoso sermão sobre “Os Deveres Matrimoniais”, enquanto Larissa, esposa de Bruna, entoou uma linda canção. O momento alto da celebração foi quando, após o sim e troca das alianças, a noiva beijou a noiva.

Que desgraça é a “Compaixão e Graça” desprovida da Verdade, que barateia o evangelho, supervaloriza as obras e aniquila a cruz em nome de um falso amor. A Teologia Inclusiva, que como praga se alastra, relativiza a Palavra de Deus, desconstrói o conceito bíblico de pecado e eleva o amor à condição de doutrina única como quesito para a entrada no Reino, desprezando o arrependimento e a conversão. Por ela ninguém precisa nascer de novo, pois todos podem se apresentar diante de Deus como estão: nada lhes é exigido, apenas que amem e aceitem as pessoas. O caminho da perdição está sempre sendo alargado… Os operários do engano, fiéis ao patrão, não descansam.


Em 2018

sábado, 1 de agosto de 2020

“Pecado é não amar”, é isso mesmo que a Bíblia ensina?

O conceito de pecado deve ser concebido na inteireza e abrangência do ensino bíblico, sem reducionismo ou relativismo, para que ninguém fique desavisado sobre a severidade do juízo divino sobre os pecadores não arrependidos. Dizer que Jesus preferiu não julgar ou condenar, pois estava mais interessado em amar e acolher é politicamente correto, mas faz parte de um discurso mentiroso e diabólico

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Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.” (Efésios 5:6)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

O título desta reflexão é a frase, tomada de outro contexto, com que um líder religioso finaliza uma postagem em que afirma que Jesus não condenou a homossexualidade porque “preferiu não julgar ou condenar, pois estava mais interessado em amar e acolher.” No post, o autor admite a existência de textos bíblicos contrários à prática, mas insiste que se forem levados em conta, o leitor poderá “promover e justificar atrocidades”, bem como afirma que a Bíblia precisa ser contextualizada e lida a partir da consciência do Evangelho e da centralidade do amor. Ele enfatiza que “a letra mata, mas o compromisso com o Amor salva e promove vida”, e conclui: “Pecado é não amar.

É certo que a Bíblia não é um livro de ódio, que não autoriza nenhum tipo de violência e que revela o amor de Deus “que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Igualmente, o cristianismo verdadeiro não é uma religião de intolerância e ódio, mas defensora das liberdades, incluindo a liberdade de expressão e liberdade religiosa. Os cristãos não são contra os homossexuais, contra seguidores de outras religiões e nem segregadores, entretanto, a liberdade que defendem para os demais, defendem também para si. Assim, se alguém tem o direito de seguir princípios religiosos destoantes do cristianismo, conservar práticas e valores segundo sua consciência, também os cristãos têm direito de preservarem seus valores, viverem e expressarem sua fé sem medo ou constrangimentos. Se, por exemplo, alguém crê que comer carne é pecado, os cristãos têm o direito de pensar o contrário e agir conforme sua consciência e firmados na Palavra Sagrada, sem, todavia, que sua liberdade signifique ódio ou incentivo à violência, uma vez que o Cristo nos ensina um modo mais excelente. Como cristãos, defendemos a liberdade de pensar e de se expressar como direito inalienável.

Em sua Declaração Doutrinária, os batistas da Convenção Batista Brasileira tratam assim sobre o tema “Liberdade Religiosa”:

Deus e somente Deus é o Senhor da consciência. A liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais do homem, inerente à sua natureza moral e espiritual. Por força dessa natureza, a liberdade religiosa não deve sofrer ingerência de qualquer poder humano. Cada pessoa tem o direito de cultuar a Deus, segundo os ditames de sua consciência, livre de coações de qualquer espécie. A igreja e o Estado devem estar separados por serem diferentes em sua natureza, objetivos e funções. É dever do Estado garantir o pleno gozo e exercício da liberdade religiosa, sem favorecimento a qualquer grupo ou credo. O Estado deve ser leigo e a Igreja livre. Reconhecendo que o governo do Estado é de ordenação divina para o bem-estar dos cidadãos e a ordem justa da sociedade, é dever dos crentes orar pelas autoridades, bem como respeitar e obedecer às leis e honrar os poderes constituídos, exceto naquilo que se oponha à vontade e à lei de Deus.1

O fato de os cristãos conservadores considerarem o aborto como prática pecaminosa não significa, de forma alguma, que estejam destilando ódio contra alguém, mas sim emitindo opinião com base em seu entendimento das Escrituras, o que lhes é garantido pela Constituição Federal, que considera “inviolável a liberdade de consciência e de crença.2 Da mesma maneira, quando o tema é Ideologia de Gênero, homossexualidade ou mesmo o ingresso de LGBTs nas igrejas, a posição tradicional cristã contrária a tais práticas não indica homofobia, ódio, nem incentivo à violência, mas posições e conceitos formados a partir da leitura da Palavra de Deus. Igualmente, quando tratando de outros temas afirmam que um ou outro ato ou comportamento é pecaminoso, isso não implica intolerância, discriminação ou preconceito, mas em opinião religiosa, respeitosa e embasada.

Por defenderem as liberdades e direitos, como já dito aqui, é que os cristãos não aceitam que qualquer código de valores, regras, dogmas, ideologias etc., que violem direitos e/ou liberdades, sejam impostos arbitrariamente como padrão a ser seguido. É por isso que não querem Ideologia de Gênero ensinada nas escolas, nem distribuição de “kits” ou materiais que promovam a homossexualidade no ambiente escolar. Até porque, se o comportamento homossexual é algo natural, como alguns defendem, ele não precisa, como a heterossexualidade, ser imposto e/ou incentivado. Estamos num país livre, onde cada qual pode viver e agir conforme sua consciência, sem, entretanto, ferir o direito alheio, impondo aos demais o que considera ser para si natural e bom. Laborar para que o comportamento de alguma minoria seja imposto como padrão comum e normativo para a sociedade é tolher direitos e cercear a liberdade de quem pensa e quer viver de outra maneira.

Os cristãos têm o direito de chamar de “pecado” qualquer prática que assim considerem, à luz de seu entendimento bíblico. Isso vale para o aborto, para o homossexualismo, bem como para qualquer outra prática, sem, no entanto, consistir sua opinião em preconceito, homofobia ou qualquer outro tipo de discriminação ou violência. Opinião não é coisa a ser criminalizada num país livre. Graças ao bom Deus, o Brasil é uma nação democrática, e temos nossas liberdades e direitos garantidos.

Quanto a afirmação de que “pecado é não amar”, é preciso, com lucidez, colocar a coisa como se deve. A frase, como estruturada, é reducionista e serve propositalmente para lançar uma cortina de fumaça a fim de encobrir a verdade, e isso é artimanha maligna para enredar pessoas e levá-las à perdição. Tal sutileza cumpre perfeitamente seu objetivo de criar uma atmosfera favorável para que pessoas justifiquem suas práticas e, mesmo assim, se considerem na comunhão com Deus. Se as palavras forem devidamente ordenadas, temos “não amar é pecado”, e nisso há sentido. Dizer que “pecado é não amar” é o mesmo que afirmar que o único pecado é não amar, enquanto dizer que “não amar é pecado” não nega a existência de outras práticas condenadas nas Escrituras. A ideia de pecado deve ser concebida na inteireza e abrangência do ensino bíblico, sem reducionismo ou relativismo, para que ninguém fique desavisado sobre a severidade do juízo divino sobre os pecadores não arrependidos. Qualquer outro discurso consistirá em palavras vãs, cujo propósito já sabemos (Efésios 5:6).

Tenha em mente que as afirmações cristãs feitas com base bíblica, quando da abordagem de temas tão polêmicos e relevantes, não devem ser consideradas preconceituosas, odiosas, homofóbicas ou incentivadoras de qualquer violência, e sim como declarações de verdade, desnudas, graves, porém cheias de amor verdadeiro, como o amor de um pai que avisa seu filho com gravidade sobre algum perigo a ser evitado. Tais declarações são de cunho religioso e não intencionam desencadear guerra contra pessoas ou classes, uma vez que os cristãos sabem que não têm “que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” (Efésios 6:12).

Jesus sempre marcou posição firme sobre o pecado e a necessidade de arrependimento. Certa vez, ele disse: “Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados.” (João 8:24). Seu discurso jamais anulou seu amor, tanto que morreu pelos pecadores, bem como seu amor nunca cooperou para atenuar suas falas severas e cheias de Verdade (João 6:60,66). À mulher adúltera amou e perdoou, porém a advertiu dizendo “vai-te e não peques mais”, mostrando-lhe o caminho do arrependimento como condição para uma nova vida (João 8:11). A mesma Bíblia que diz que “Deus é amor” (1 João 4:8) é a mesma que diz que “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hebreus 10:31), e que o Poderoso “tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo” por meio do Cristo ressurreto (Atos 17:31). Falar de amor e ocultar o juízo divino é desonestidade. Dizer que Jesus preferiu não julgar ou condenar, pois estava mais interessado em amar e acolher é politicamente correto, mas faz parte de um discurso mentiroso e diabólico.

Afirmar que textos bíblicos que tratam sobre pecados, se levados em conta pelo leitor, poderão “promover e justificar atrocidades”, é desqualificar a Palavra de Deus, atribuir-lhe ódio e violência, e esvaziá-la da Verdade. O evangelho, quando reduzido à mensagem moderna de amor, deixa de ser “o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16), e torna-se uma doutrina do diabo para arrebanhar almas incautas. Este falso amor que exclui a realidade do juízo é porta larga que conduz à perdição e, portanto, deve ser evitada. Pense nisso!


Em 2018


1 Declaração Doutrinária da CBB, “XV- Liberdade Religiosa”: http://www.batistas.com/portal-antigo/index.php?option=com_content&view=article&id=15&Itemid=15&showall=1 (acessado em 21 de abril de 2018).

2 Constituição Federal, Art. 5º, inciso VI, http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm (acessado em 24 de abril de 2018)

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Tempos difíceis

O mundo está em desordem. Uma nova “verdade” está sendo difundida, não apenas destoante, mas ofensiva aos princípios e valores da Palavra de Deus, norte do cristão

peixes
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“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.” (2 Timóteo 3:1)


Pr. Cleber Montes Moreira


Marquinhos havia completado 15 anos. Era um jovem educado, atencioso e muito interessado nos estudos. Recentemente, seu pai observara alguma mudança em seu comportamento, alguma inquietude, mas não sabia do que se tratava, apenas que estava diferente, estranho…Tentara conversar com ele algumas vezes, sem sucesso. Finalmente, naquela tarde, Marquinhos decidiu que contaria tudo, pois guardar aquilo o deixava cada vez mais angustiado. Foi quando, então, sem qualquer rodeio, desabafou:

— Pai, eu sou um pássaro.

— Como? Não entendi, pode repetir?

— Eu disse que sou um pássaro. Estou falando sério. Não é brincadeira.

— Pássaro?

— Sim.

Antônio pensou que o filho estivesse brincando, porém, como insistia, ficou convencido de que falava sério. “Pode estar perturbado, confuso, doente…”, pensou. Deixou que continuasse explicando, imaginando que falando poderia revelar mais precisamente seu problema, e assim ter como ajudá-lo.

— Na escola aprendemos que ninguém nasce gente. Essa coisa de que todos nascemos humanos é fruto de uma cultura impiedosa cultivada há anos por esta sociedade opressora. Cada um tem o direito de escolher ser o que quiser, sem interferência, sem a necessidade de sentir-se culpado, de ter que se explicar, e eu não me deixarei ser manipulado por ninguém. Eu sou um pássaro, me sinto como um, e quero ser livre como são os passarinhos.

— Filho, creio que precisamos buscar ajuda.

— Não. Não preciso de ajuda. Estou bem. Sabia que não entenderia, mas não estou decepcionado. O senhor não teve a mesma educação e, portanto, não tem a obrigação de entender como as coisas realmente são.

E tentou explicar um pouco mais:

— Da mesma forma que meninos não nascem meninos, e meninas não nascem meninas, ninguém nasce gente. Cada um é livre para ser o que quiser, quando e como quiser. É esta liberdade que torna a vida fascinante. Há quem escolha ser cachorro, há quem escolha ser gato, há quem escolha ser cavalo… há burros, há antas, há macacos, há papagaios, há veados… cada qual escolhe o que quer ser. — Enfatizou.

O pai, achando que a conversa já estava indo longe demais, propôs continuar noutro momento, para entender melhor o assunto, calculando que teria tempo para pensar no que dizer e em como ajudar o filho. Depois de lhe beijar na testa, saiu para pagar algumas contas na lotérica e buscar resultados de exames médicos, prometendo não demorar.

Marquinhos era órfão de mãe desde os 11 anos e morava sozinho com o pai. Embora fossem amigos, tinha dificuldades em se abrir com ele sobre certos assuntos. Para falar de sua opção, teve que tomar muita coragem.

O rapaz realmente não estava bem, parecia transtornado. No silêncio e solidão do apartamento onde morava, no décimo sexto andar, pensou: “Se sou um pássaro, tenho que agir como um”, e assim tomou providências. Em poucos minutos, um cenário horrível e de morte havia sido formado, para a perplexidade de quem transitava pela principal avenida do bairro: um corpo dilacerado, sustentado pelas lanças da pequena grade que separava o jardim da calçada, rodeado de curiosos e espantados. O rapaz alçara voo da janela de seu quarto, porém se esquecera de que não tinha asas.

Se você pensa na impossibilidade de um quadro como o narrado acima, se engana, a Ideologia de Espécie já está presente em vários países. Em 2016, o site Gospel Prime publicou notícia com o seguinte título: “Ideologia de espécie faz 10 mil ingleses viverem como cachorros.1 O site Exateus também publicou matéria sobre o assunto em que cita o caso da “francesa Karen, que nasceu homem, fez cirurgias para trocar de sexo e agora quer ser um cavalo. Ele(a) conta que essa ideia o(a) persegue desde que tinha sete anos de idade.” Também há “uma jovem que disse que é uma gata presa em um corpo humano.2

Imagino que em algum momento alguém dirá “eu sou um automóvel”, “eu sou uma cadeira”, “eu sou uma pedra”, “eu sou um repolho”, “eu sou uma abóbora”, “eu sou uma bananeira” e encontrarão respaldo na ciência e nas leis, visto que assim como ocorre com a Ideologia de Gênero, a questão não poderá ser tratada como doença ou anomalia, e sim como opção, e as pessoas não poderão procurar ajuda, já que os profissionais capacitados, bem como religiosos bem-intencionados, serão proibidos de atendê-los.

Pior que isso, talvez algumas igrejas comecem a ter o mesmo entendimento secular sobre estes casos, vendo-os do prisma de uma reinterpretação das Escrituras, e até formulando uma nova hermenêutica que os expliquem como sendo parte da diversidade criada pelo próprio Deus, pois é exatamente o que ocorre com a Ideologia de Gênero. Quem ousar pensar diferente será tido como arcaico, fundamentalista, legalista ou homofóbico, podendo, inclusive, ser penalizado perante a lei por sua discriminação e preconceitos. “Onde já se viu não aceitar que o filho seja um melão? Em que mundo nós estamos?”

No Brasil, e em muitos outros países, educadores, sociólogos e políticos, dentre outros, têm trabalhado pela inclusão da Ideologia de Gênero nas escolas. Sempre há uma nova investida, mesmo diante da recusa da sociedade. Na Suécia e na Holanda existem escolas onde não se pode chamar o aluno de menino e a aluna de menina, são chamados apenas de crianças, porque elas devem decidir, quando crescerem, se serão homens ou mulheres3. Imagine uma jovem formada, com belos seios, vagina, útero e ovários dizendo que decidiu ser homem! É tão racional quanto um jumento decidir que não é mais jumento, que é uma baleia. Pergunto: da perspectiva da biologia, tal “opção” é razoável? Não! Mas você pode argumentar que jumentos não tomam tal decisão. Será?

Certas militâncias reclamam que querem apenas fazer valer seus direitos, o que é, na verdade, uma estratégia de discurso. Querem mais que isso, querem impor um padrão. Querem transformar a exceção em regra para todos; querem amordaçar a sociedade e combater qualquer um que ouse pensar diferente.

No site “padrepauloricardo.org” lemos:

Na Alemanha, um casal, pai de nove filhos, está ameaçado de perder a liberdade, porque sua filha se negou a participar das aulas de educação sexual previstas para a escola primária. A polícia alemã já encarcerou Eugen Martens, em agosto de 2013, e só não prendeu ainda sua esposa, Luise, porque ela está amamentando o filho mais novo. O agente policial que visita a família, no entanto, garante: “O escritório da promotoria fará aplicar a decisão do juiz”. Ou seja, mais dia ou menos dia, também a mãe será presa.4

Já o site Consultor Jurídico publicou matéria com o seguinte título: “Em Ontário, pais podem perder filhos se recusarem identidade de gênero5. Nova lei estipula que o governo pode tirar os filhos de famílias que não aceitam suas identidades de gênero ou suas expressões de gênero. A justificativa é que a legislação deve ser centrada na criança e nos seus interesses, e não nos pais.

Em 2013, um menino de seis anos, na Argentina, “mudou de gênero” e recebeu uma nova certidão com um nome feminino. Não tem útero, não tem vagina, não menstruará, não poderá engravidar e ter filhos, mas é menina. E desde quando uma criança de seis anos tem maturidade para decidir sobre algo que mudará sua vida para sempre, inclusive afetando drasticamente o psicológico? Caso a decisão tenha sido autorizada pelos pais, trata-se de um crime.

Em 2016, o site G1 publicou: “Menino consegue na Justiça mudar para gênero feminino e trocar de nome.” O juiz de Sorriso, MT, que autorizou a mudança, apresentou a seguinte justificativa: “Ele nasceu com anatomia física contrária à identidade sexual psíquica.”6 O site do Jornal Extra publicou em 17 de junho de 2019: “Justiça do Rio autoriza criança a mudar de gênero e nome na certidão.” A justificativa? “Por se tratar de uma criança, explica a defensora pública do estado do Rio Elisa Costa de Oliveira, é preciso muita cautela nesse tipo de processo. Bruna (nome fictício), por exemplo, tinha um laudo médico indicando o diagnóstico de incongruência de gênero na infância.”7 Hoje é possível que qualquer pessoa tenha em seus documentos o seu “nome social”, inclusive uma criança.

Já o site Raciocínio Cristão deu a seguinte notícia: “Criança de 4 anos iniciará processo de mudança de sexo — Pastora gay apoia.8

Jesus disse: “Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome”. E também alertou: “Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão.” E no verso seguinte cita os falsos profetas (Leia Mateus 24:9-11). Este tempo chegou, e é agora.

No mundo há perseguição aos salvos, e nos arraiais evangélicos há traição. Os evangélicos inclusivos travam uma luta, ainda não percebida por muitos, contra os que ainda conservam a Palavra em sua essência. Esta luta, por enquanto, é de palavras, está no campo intelectual. Os heréticos avançam com discursos sobre amor, perdão, tolerância e outras sutilezas, e vão penetrando nas igrejas bíblicas e minando suas bases. Agem, principalmente, sobre os jovens, e também, discretamente, em vários seminários teológicos, para inculcarem nos que se preparam para servir as ideias da luta. Aqueles que são formados com esta mente são os que exercerão o pastorado, liderança de jovens e adolescentes, e depois lecionar nos seminários, onde continuarão sua militância.

O mundo está em desordem. Uma nova verdade está sendo apregoada, não apenas destoante, mas ofensiva aos princípios e valores da Palavra de Deus, norte do cristão. A maioria tem escolhido as benesses e facilidades do caminho largo. No entanto, a verdade não está, e nunca esteve, necessariamente, com a maioria. Engana-se quem pensa que “a voz do povo é a voz de Deus”. Em mar de peixes mortos, apenas os vivos são capazes de nadar contra as correntezas.

Paulo já havia avisado: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.” (2 Timóteo 3:1). Tempos trabalhosos, tempos terríveis, tempos penosos, tempos perigosos9… Há muitas formas de descrever os tempos difíceis aos quais o apóstolo se refere. Fato é que vivemos, nesta época, as realidades mencionadas pelo escritor bíblico. Quanto mais reconhecemos isso, mais necessário se faz que os verdadeiros cristãos marquem posição firme, independentemente das consequências. É hora de entendermos e assumirmos a condição do apóstolo que disse: “Por amor de Ti somos entregues à morte todo o dia; somos reputados como ovelhas para o matadouro.” (Romanos 8:36). Sabendo que “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos.” (2 Coríntios 4:8,9). Afinal, Deus está conosco, e não devemos temer “os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer.” (Lucas 12:4).

Que sejamos fiéis ao Senhor, à Sua Palavra, e em momento algum cedamos ao relativismo que nos é proposto pelo reino deste mundo; que não negligenciemos àqueles que, antes de nós, deram seus corpos e sangue em sacrifício, por amor a Deus e ao evangelho.

Saibamos que nossa luta não é contra pessoas, assim como diz a Palavra Santa: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” (Efésios 6:12).

Compreendamos ainda que embora nossa luta se dê no campo das ideias, estas são formuladas por pessoas e, por isso, o conflito, em algum momento, é inevitável. Busquemos sabedoria do alto, não lutemos com nossas forças, mas com as armas e a força do Espírito, sempre na dependência e como instrumentos daquele a quem servimos.


1 https://noticias.gospelprime.com.br/ideologia-de-especie-ingleses-viverem-cachorros/ (acessado em 03 de setembro de 2017)

2 https://exateus.com/2016/02/02/onde-vai-parar-essa-ideologia-de-genero-ou-especie-menino-de-9-anos-consegue-na-justica-mudar-genero-e-nome/ ; https://www.youtube.com/watch?time_continue=4&v=YWeBunPiIzo (links acessados em 03 de setembro de 2017)

3 http://www.ultimosacontecimentos.com.br/artigos/ideologia-de-genero-uma-ideologia-completamente-dirigida-e-arq.html (acessado em 03 de setembro de 2017)

4 https://padrepauloricardo.org/blog/pais-sao-presos-por-nao-aceitarem-ideologia-de-genero (acessado em 03 de setembro de 2017)

5 http://www.conjur.com.br/2017-jun-07/ontario-pais-podem-perder-filhos-negarem-identidade-genero (acessado em 03 de setembro de 2017)

6 http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2016/01/menino-consegue-na-justica-mudar-para-genero-feminino-e-trocar-de-nome.html (acessado em 03 de setembro de 2017)

7 https://extra.globo.com/noticias/rio/justica-do-rio-autoriza-crianca-mudar-de-genero-nome-na-certidao-23727357.html (acessado em 18 de junho de 2019)

8 http://www.raciociniocristao.com.br/2016/09/crianca-4-anos-iniciara-mudanca-de-sexo/ (acessado em 03 de setembro de 2017)

9 Do grego καιροὶ χαλεποί, tempos “difíceis” ou “perigosos. RIENECKER, Fritz - ROGERS, Cleon, Chave Linguística do Novo Testamento Grego, página 477, Vida Nova, 1985.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

“Miga, lacrei”

Lobos não podem ser tratados como ovelhas (Mateus 7:15; Atos 20:29). Somos advertidos a resisti-los, e não a tirarmos selfies com eles

Bíblia
Bíblia aberta: Romanos 16:17


“Desviai-vos deles.” (Romanos 16:17)


Pr. Cleber Montes Moreira


A frase título desta reflexão foi tomada de um comentário de uma foto publicada em redes sociais na qual um jovem, de uma igreja evangélica histórica, bacharel em Teologia, aparece ao lado de um teólogo gay. A foto foi tirada durante um evento conhecido como Festival Reimaginar, o qual acontece em várias cidades brasileiras, onde são debatidos temas como Direitos Humanos, violência, racismo, ecologia, missão e espiritualidade, Igreja, Diversidades e Gênero, dentre outros.

Num dos encontros, o painel que tratou de Igreja, Diversidades e Gênero — cujo vídeo está publicado no YouTube1 —, se inicia com a palavra da mediadora, uma jovem que se apresenta como sendo uma lésbica cristã, e tem as participações de uma pastora de uma igreja inclusiva e do referido teólogo, que também é militante de um movimento “inclusivo”.

Chamem como quiserem: “Teologia Queer”, “Teologia Inclusiva”, ou qualquer outra coisa, isso não é teologia, é artimanha maligna; não é ciência ou estudo que busca o conhecimento do Eterno, e sim uma tentativa de recriar Deus a partir de suas convicções, preferências e interesses; trata-se de um esforço bem articulado de reimaginar Deus, a fé e a igreja, e reinterpretar as Escrituras a partir de certos pressupostos. É um evangelho formatado com o objetivo de atrair pessoas excluídas sem a exigência do arrependimento como condição para a salvação e o relacionamento com Deus; é um evangelho humano, e não divino. Como eles mesmos dizem, é uma fé pública, porém, sabemos que a verdadeira fé não é de domínio público, assim como não são as doutrinas e os valores ensinados por Cristo. A verdade não vem do povo, de seu pensamento, de suas lutas, de sua cultura, de suas crenças, costumes ou vontade, mas do Pai das luzes. O evangelho se torna público na medida em que é proclamado aos pecadores, contudo, na medida em que é recusado, transforma-se em bem para aqueles que o guardam, e em maldição para os que o rejeitam (João 12:48). Os pilares da fé pública se erguem de humanos, enquanto os pilares da fé dos que creem em Deus se constroem e se sustentam na Rocha, que é Cristo, portanto, são inabaláveis; não podem ser relativizados, ressignificados ou reimaginados, pois a Palavra não muda, assim como imutável é Seu Autor. A Bíblia diz: “O conselho do Senhor permanece para sempre; os intentos do seu coração de geração em geração.” (Salmos 33:11).

Estes movimentos pela inclusão de LGBTQs2 (e outros) na membresia das igrejas vêm fazendo a cabeça de muita gente. Em nome do amor, falso amor, baseado no conceito secular e vigente de amor, “amor” que subjuga a verdade, estão relativizando os valores do Reino e a própria Bíblia, que já ganhou versões para o público LGBT, bem como livros e revistas para estudos que abordam a temática a partir desta reinterpretação.

Este é o tempo em que muitos, até mesmo em nome de Deus, ao mal chamam bem, e ao bem, mal, fazem das trevas luz, e da luz, trevas, do amargo doce, e do doce, amargo (Isaías 5:20), inculcando nas mentes que pecado já não é pecado, e que opinião contra o pecado é legalismo, intolerância, homofobia etc. Estamos vivendo os tempos difíceis aos quais Paulo se refere, em que há pessoas que ostentam a piedade, mas a negam na prática, que aprendem, porém nunca chegam ao conhecimento e experiência da verdade, mas a resistem porque suas mentes são depravadas, corruptas, e por isso são, diante de Deus, reprovados na fé (Leia 2 Timóteo 3:1-17). Nisso que escrevo não há ódio, há opinião, há respeito, mas há divergência. É impossível para alguém ostentar um discurso contrário à Bíblia, principalmente quando fruto de uma ressignificação, e mesmo assim estar ao lado da verdade e no caminho com Deus. A própria Escritura nos apresenta este princípio: “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Amós 3:3). É incoerente pensar que uma Bíblia ressignificada ou reduzida ao amor como única doutrina continue sendo a infalível e imutável Palavra de Deus, da mesma forma que não se pode admitir que aqueles que pregam uma Escritura reducionista sejam profetas autênticos e porta-vozes do evangelho. A verdade ou é acatada ou rejeitada; se modificada ou relativizada, já não é mais a verdade, ainda que consista em verdade para alguns.           

É lamentável que pessoas envolvidas em tais movimentos estejam ministrando em seminários, em igrejas, e produzindo material para o ensino teológico e educação cristã, bem como para a leitura do povo evangélico. Mas é justamente este o expediente que adotam para fazer a cabeça dos que ainda não estão firmes na Sã Doutrina. Infelizmente, muitos estão ministrando aos adolescentes e jovens pelas igrejas, outros estão se preparando para o ministério pastoral, e outros já estão no exercício do pastorado, o que nos dá uma perspectiva terrível sobre a futura geração de crentes. A preocupação aqui não é quanto às igrejas declaradamente inclusivas, pois estas, no uso de sua liberdade, já se decidiram pelo tipo de “fé” que querem praticar, mas em relação às igrejas e denominações históricas que têm sido contaminadas por estes movimentos e ideologias progressistas.

David Martyn Lloyd Jones dizia que todo falso ensinamento deve ser odiado e combatido. Paulo exortou a Timóteo a se afastar dos heréticos (2 Timóteo 3:5), e aos romanos escreveu: “E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples.” (Romanos 16:17,18 — grifo do autor). Assim, também nós, se desejarmos igrejas fortes, crentes com fé sólida, e se quisermos construir um caminho que nos dê uma perspectiva melhor para as futuras gerações, precisamos afastar de nosso meio aqueles que, insubmissos à Palavra, persistem na intenção de desviar pessoas do bom caminho.

Lobos não podem ser tratados como ovelhas (Mateus 7:15; Atos 20:29). Somos advertidos a resisti-los, e não a tirarmos selfies com eles.

Miga, lacrei!”? Estou fora! E você?


Em 2018


1 https://www.youtube.com/watch?v=3bmDnYNhuCY (acessado em 29 de agosto de 2017)

2 Conheça outras SIGLAS acessando este link: http://desacato.info/lgbt-lgbti-lgbtq-ou-o-que/; http://blog.educahelp.com/lgbtq-pra-que-tanta-sigla/ (sites acessados em 26 de abril de 2018).

terça-feira, 28 de julho de 2020

Noiva de Cristo ou amante do diabo?

Empunhando a bandeira do “amor” o movimento inclusivo propõe “novos diálogos”, um evangelho moldável, e uma igreja “acolhedora” e aculturada

noiva
Imagem: Pixabay


“E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as.” (Efésios 5:11)

“Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (Tiago 4:4)

 

Pr. Cleber Montes Moreira


O cristianismo deve ser uma censura ao mundo, e não uma mesa de debates. Os princípios cristãos nunca devem ser relativizados a pretexto de uma postura de tolerância e entendimento com os diferentes. Há, entretanto, um movimento que se esforça neste sentido, por “novos diálogos”, por um evangelho inclusivo e por uma igreja sensível, que se amolda e se acultura ao contexto e valores sociais vigentes.

Este movimento é portador de um discurso estético, politicamente correto, sobre a necessidade da igreja dialogar com a sociedade sobre certos temas, como, por exemplo, aborto, ideologia de gênero, inclusão de LGBTQs, relações homoafetivas, teologia queer, novas configurações familiares, teologia negra, feminismo, direitos humanos e outros; como se fosse possível luz e trevas entrarem em acordo e firmarem consenso, como se os fundamentos cristãos pudessem ser adequados ou ressignificados a partir do entendimento comum entre as partes.

O argumento utilizado é quase sempre o amor. Para eles, o amor é a única doutrina, uma vez que tudo mais pode ser reinterpretado. Esta é uma tentativa diabólica de fazer a igreja relevante perante a sociedade, de produzir uma nova teologia a partir das ruas, de criar uma hermenêutica com base no pensamento de certas minorias e reimaginar a igreja. Isso nada mais é que parte de um esforço bem articulado para levar adiante um processo de desconstrução não só da igreja mas da própria sociedade, que passa pela quebra de paradigmas e conduz para um novo código moral que se contrapõe ao padrão divino ensinado nas Escrituras; é a criação de um novo deus, um novo evangelho, uma nova sociedade e uma nova religião. É pauta de uma agenda em andamento.

Este diálogo é falácia maligna, é estratégia das trevas. Deus não deixou sua igreja na Terra para se entender com o mundo senão para fazer discípulos de Cristo que venham a fazer jus ao nome cristão. A luz não comunga com as trevas, antes revela e condena suas más obras e desnuda o pecado; por isso os salvos são odiados (Mateus 24:9 — leia o contexto).

A verdadeira igreja é a noiva do Cordeiro que se preserva santa e irrepreensível (Efésios 5:27; Apocalipse 19:7). Ela não precisa ser reimaginada, deve ser igreja conforme o modelo bíblico, e capacitar os santos para cumprir seu papel de Sal e Luz. Igreja que busca consenso com o mundo não é igreja, é amante do diabo.


Abril de 2018

sábado, 25 de julho de 2020

Pedofilia, ‘coitadismo’ e Nova Ordem

Estamos testemunhando a celebração do ‘coitadismo’. A vitimização dos “coitados”, tendo a grande mídia como aliada, visa atenuar certas práticas, antes inaceitáveis, e gerar comoção social, abrindo terreno para a descriminalização e normatização de certas condutas

menina
Imagem: Pixabay


“Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” (Isaías 5:20 – ACF)


Pr. Cleber Montes Moreira


“A pedofilia é uma doença crônica que não tem cura, mas tem tratamento.” Esta é a frase com a qual uma apresentadora de TV inicia uma conversa com outra repórter, quando também afirma que os “pedófilos sofrem de um transtorno”, e que “há muito preconceito quanto a isso, pois é o tipo de crime que nos enoja muito como sociedade, mas fato é que é uma doença, não tem cura, mas tem tratamento”.1

Em matéria publicada no Portal G1, na aba “Ciência e Saúde”, por Tatiana Coelho, em 13 de março de 2019, lemos: “Comumente, diz-se que ‘pedofilia é crime’, mas não é exatamente assim. Pedofilia é uma doença classificada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde os anos 60. Segundo o Código Penal brasileiro, o que é crime é o abuso sexual de menores de 14 anos e consumo e distribuição de pornografia infantil.” A articulista cita Danilo Baltieri, médico psiquiatra da Faculdade de Medicina do ABC e responsável pelo Ambulatório ABCSex, que trata pedófilos: “Existe uma dificuldade do profissional da saúde em enfrentar este tema, que não é fácil. Existe um preconceito público enorme, o que é totalmente compreensível, e o assunto é complexo mesmo. É difícil. E ainda: “doenças crônicas como depressão, diabetes e hipertensão ganham mais atenção da medicina” por causa do tabu.2

No site do CONJUR, em artigo intitulado “Pedofilia não é um crime, mas, sim, uma doença”3, Denis Caramigo afirma que:

A pedofilia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) é uma doença em que o indivíduo possui um transtorno psicológico e, assim sendo, apresenta um desejo, uma fantasia e/ou estímulo sexual por crianças pré-púberes (…)

A pedofilia é uma doença e, como tal, deve ser encarada e tratada (…)

Ninguém pode ser punido criminalmente por ter alguma doença, porém, quando o pedófilo (quem tem pedofilia) exterioriza a sua patologia e essa conduta se amolda em alguma tipicidade penal, estará caracterizado o crime (da tipicidade incorrida e não de pedofilia).

Importante ressaltar que não existe cura para a pedofilia e, por este motivo, o pedófilo (que é quem padece de pedofilia) deve ter acompanhamento clínico constante para que não exteriorize a sua patologia.

Há de se dizer que nem todo pedófilo é um “criminoso”. Só comete crime aquele que exterioriza a sua pedofilia.

              No texto o autor faz distinção entre o “doente psicológico sexual” e o “criminoso sexual” (no caso, aquele que exterioriza a pedofilia).

              Para a OMS (Organização Mundial da Saúde) a pedofilia é caracterizada como doença e é classificada na CID (Classificação Internacional de Doenças) com o código F65.4, que a define como: “Preferência sexual por crianças, quer se tratem de meninos, meninas ou de crianças de um ou de outro sexo, geralmente pré-púberes”.

Ricardo Bordin, em seu artigo “‘Pedofilia — Doença Ou Crime:’ A Estratégia de Aceitação do Inaceitável”4, comenta sobre a questão:

Conforme o artigo 121 do Código Penal, “matar alguém” é crime. Pensar em matar alguém não é. Desejar que beltrano morra também não. Imaginar que esse mundo ficaria um pouco melhor se fulano morresse também não dá cadeia.

Vale constatar: a lei penal define como crime determinadas ações ou omissões passíveis de serem praticadas pelos indivíduos e fixa a punição adequada. Nosso ordenamento jurídico não prevê o “crime de pensamento”, que consistia, no romance 1984, de George Orwell, em insurgir-se mentalmente contra o sistema totalitário, sem nem mesmo verbalizar esta insatisfação.

Quer dizer, se a pessoa limita-se a abstrair em sua consciência a respeito daquele ato vetado pela legislação penal, sem jamais empreender esforços para materializar sua fantasia, então não houve vítimas, nem tampouco há prejuízo para terceiros, e, portanto, não há que se falar em comportamento criminoso.

Pois este é o primeiro passo da estratégia que o movimento revolucionário vem adotando em sua empreitada pela normalização da pedofilia no imaginário popular: confundir fetiche com conduta. (grifo meu)

Estamos testemunhando a celebração do ‘coitadismo’. Coitado do motorista bêbado que dirigia em alta velocidade quando atropelou na faixa de pedestres o jovem estudante que ia para a faculdade. Coitado do chefe da boca de fumo que morreu em confronto com a polícia. Coitadinho do menor que deflorou e matou a jovem cheia de sonhos. Coitado do jovem da comunidade, baleado por policiais enquanto fugia após praticar um latrocínio. Coitados dos adolescentes que invadiram a residência, amarraram o pai de família, apontaram uma arma para o bebê e estupraram a mulher. Coitado do político corrupto, preso “injustamente”. Coitado do pedófilo que violentou a menininha de apenas seis anos, ele é doente e precisa de ajuda. Coitadas das vítimas da sociedade opressora. Coitados…

A vitimização dos “coitados”, tendo a grande mídia como aliada, visa atenuar certas práticas, antes inaceitáveis, e gerar comoção social, abrindo terreno para a descriminalização e normatização de certas condutas. O pedófilo da novela e a série de reportagens sobre pedofilia fazem parte de um grande projeto de marketing de uma nova moralidade que é imposta à sociedade, não com terror e violência, mas com sutileza. Assim, o que era imoral passa a ser “moral”, o que era ilegal passa a ser legal, o que era incorreto passa a ser politicamente correto. O grande passo para a normatização da pedofilia será dado quando, para proteger os pequeninos, o Estado declarar que os “interesses das crianças” devem prevalecer sobre os interesses e direitos dos pais em educá-las, e tornar este pensamento em lei. Percebam que zelar pelos direitos e/ou interesses das crianças é algo “bom” “natural” e “inquestionável”. Você até pode pensar que estou delirando, mas no Canadá uma lei com este teor já foi aprovada:

A província de Ontário, no Canadá, aprovou uma lei no início de junho que deixou os cristãos evangélicos, que defendem os interesses da família, em pé de guerra com os políticos seculares, que defendem os interesses das crianças e adolescentes.

A Lei de Apoio a Crianças, Adolescentes e Famílias (Supporting Children, Youth and Families Act), de 2017, aprovada pela assembleia legislativa da província (de Ontário) por 63 votos a 23, proclama, em sua justificativa, que a legislação deve ser centrada na criança e nos interesses da criança — e não nos pais.

A nova lei também coloca os direitos da criança e do adolescente acima dos direitos dos pais (…).5

Em alguns países da Europa e nos Estados Unidos já existem associações civis, e até partidos políticos, que lutam pelo direito de adultos e crianças se relacionarem afetiva e sexualmente. No Brasil, o então presidente do Grupo Gay da Bahia, Luiz Mott, que já afirmou que Jesus era um sodomita ativo e João seu amante favorito, autor de “Meu Moleque Ideal”6, declarou várias vezes sua preferência por garotos. E quando o “amor entre homens e meninos” for considerado normal, e do interesse da criança? A lei estará ao lado de quem?

Vivemos dias de inversão de valores, mas não por acaso. A mudança de paradigmas não acontece abruptamente, mas de forma sutil, embora neste tempo percebamos (para quem enxerga) alguma celeridade. É que toda preparação para a desconstrução social não é de agora: ideias e conceitos foram “semeados” ao longo de muito tempo, e hoje “frutos” maduros desta semeadura estão sendo colhidos. As escolas, principalmente as universidades, e a grande mídia são instrumentos eficazes para estas transformações. Movimentos pró LGBTs, pró-aborto, inclusive de bandeira evangélica, são apenas algumas forças dentre tantas engajadas nestas mudanças. Agora, o tema da vez é a pedofilia: “Pedófilo é um doente, um coitado que precisa de ajuda.” O caos foi instaurado, e uma Nova Ordem está sendo estabelecida, acolhida por uma ‘nova consciência’ coletiva, devidamente ‘planejada’ para este momento. Pergunto: como você reage a tudo isso?


1 http://g1.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/videos/v/pedofilia-e-uma-doenca-que-nao-tem-cura-mas-tem-tratamento/6258247/ (acessado em 01 de agosto de 2018)

2 https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/03/13/pedofilia-como-o-tratamento-feito-no-brasil-pode-ajudar-a-prevenir-crimes.ghtml (acessado em 25 de julho de 2020)

3 https://www.conjur.com.br/2017-nov-10/denis-caramigo-pedofilia-nao-crime-sim-doenca (acessado em agosto de 2018)

4 https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/artigos/pedofilia-doenca-ou-crime-estrategia-de-aceitacao-inaceitavel/ (acessado em 01 de agosto de 2018)

5 https://www.conjur.com.br/2017-jun-07/ontario-pais-podem-perder-filhos-negarem-identidade-genero (acessado em 02 de agosto de 2018)

6 http://blogdemirianmacedo.blogspot.com/2011/02/meu-moleque-ideal-luiz-mott.html (acessado em 03 de agosto de 2018)