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sábado, 24 de outubro de 2020

Onde está a cruz?

A cruz é o lugar onde renunciamos à nossa própria vida para desfrutarmos da vida abundante que só Cristo pode dar; uma vida cujo prazer, contentamento e propósito está naquele que é o autor e consumador da nossa fé. A cruz é o lugar onde é mortificado o adorador de si mesmo para, na Palavra e pelo poder do Espírito, ser gerado um novo ser capaz de adorar a Deus em espírito e em verdade

ao pé da cruz
Imagem: Pixabay

“Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade.” (Efésios 4:22-24)


Pr. Cleber Montes Moreira


Numa postagem no Facebook uma internauta elogiava jovens evangélicos de um determinado grupo por sua prontidão para servir “atendendo ao chamado”. Nas fotos, jovens descontraídos, demonstrando alegria, em cenas divertidas. Nos vídeos, coreografias ao som de músicas dançantes em ambiente com paredes escuras e luzes de neon — não consegui identificar se a celebração cúltica ocorria num templo religioso ou outro espaço próprio para shows. No palco “animadores” e “dançarinos” comandavam a galera, tendo num telão projetada a imagem de um leão. Durante aquela performance espetacular a maioria, aglomerada, usava máscaras — não entendi se em obediência a algum protocolo determinado por algum decreto, em decorrência da pandemia, ou se, inconscientemente, como indicativo de falsa espiritualidade.

 

Observando atentamente aquelas fotos e vídeos, notando com atenção cada cena registrada do ambiente, surgiu em minha mente uma pergunta inquietante: Onde está a cruz? Não falo sobre uma cruz de madeira, metal ou outro material, pendurada em algum pescoço, fixada ou projetada numa parede — porque este tipo de cruz não havia, mesmo —, mas da cruz do evangelho. Falo da cruz sobre a qual Jesus falou: “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” (Mateus 10:38). Falo da cruz sem a qual ninguém é, verdadeiramente, cristão. Falo da cruz de quem renunciando à sua vida, por amor ao Senhor, encontra a vida abundante que só Cristo pode dar (Mateus 10:39); uma vida cujo prazer, contentamento e propósito está naquele que é o “autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” (Hebreus 12:2); uma cruz pela qual somos libertos da antiga natureza, do velho modo de viver, corrompido pelos desejos impuros e pelo engano, tendo nossos pensamentos e atitudes renovados pelo Espírito Santo, sendo, agora, revestidos por uma nova natureza, criada para ser justa e santa, segundo o padrão de Deus (confira Efésios 4:22-24); falo da cruz que nos transforma em “verdadeiros adoradores” cuja adoração é “em espírito e em verdade” (João 4:22-24), não na carne, não no engano, não movida pelo hedonismo, tendo não o homem, mas Cristo como centro e Sua glória como propósito.

 

Culto a Deus não é oferecido com agitação de corpos, danças, gritos, cambalhotas, declarações triunfalistas, sermonetes descontextualizados… Devemos aprender com Paulo que o culto racional se pratica na inconformação com o mundo, renovação da mente e na experiência da vontade de Deus mediante a apresentação dos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Romanos 12:1,2). Precisamos aprender da experiência de Isaías, quando os serafins em reverência cobriam com suas asas seus rostos e pés enquanto declaravam que “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”, e com o profeta que, diante da presença de Deus, em temor e reconhecimento, exclamou: “Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos” (Isaías 6:3).

 

As igrejas falham quando proveem entretenimento para os jovens como estratégia para atraí-los ou “mantê-los na igreja”, produzindo, assim, um estilo carnal de ‘adoração’ descolada da cruz. Charles Spurgeon, dizia: “o diabo raramente teve uma ideia mais sagaz que sugerir à igreja que parte da sua missão é fornecer entretenimento para as pessoas, tendo em vista conquistá-las”. Não sou contra o entretenimento, no tempo e no espaço próprio, mas entendo que o “evangelho do entretenimento” não leva ninguém ao Salvador, não produz discípulos de Cristo, embora seja eficaz em produzir adesões; afinal, é natural que jovens de vida secular sejam facilmente atraídos por este tipo de oferta, uma vez que encontram na “igreja” atrativos que há mundo. Além disso, podem levar uma “vida divertida”, e até liberal, seguindo um falso evangelho capaz de aplacar suas consciências. Não é sem motivo que certa ocasião, uma famosa atriz, ao dar seu testemunho — ou tristemunho — declarou que escolheu ser membro de uma determinada igreja porque lá não havia regras, e que podia estar em comunhão com Deus e continuar fazendo tudo o que fazia antes. Certamente que o diabo se especializou em oferecer ao pecador um evangelho palatável, que não requer abnegação nem santidade, um evangelho sem exigências e sem a cruz.

 

Pensemos no que disse Joe Thorn: “A infiltração do entretenimento dentro do culto não é uma questão de estilo, mas de substância. O entretenimento é uma coisa boa, mas o seu propósito é o alívio da mente e do corpo, não a transformação da mente ou a edificação do espírito.”

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Mamãe ou Papai?

 “Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes.” (1 Coríntios 1:19)

mamãe ou papai

Opinião


Pr. Cleber Montes Moreira


A Revista Crescer publicou, no dia 23 de setembro, com base numa entrevista com a enfermeira Aline Oliveira, matéria intitulada “Homem trans descobre gravidez de gêmeos com cinco meses”1. No texto o uso de “ele”, “dele”, “o gestante”, “o paciente” etc., segue a tendência do “politicamente correto” como padrão quase universal adotado pela imprensa. Em certo momento a entrevistada, tratando sobre a decisão “do gestante” por ficar com os bebês, após desistir de entregá-los para adoção, diz: “É legal o posicionamento dele, ele diz que não vai ser mãe, vai ser pai”. Entretanto, logo após escorrega ao afirmar: “Ela disse que não se sente confortável em amamentar e nós percebemos já o incomodo dele com os seios crescendo por causa do leite. É um sofrimento para ele” — a entrevistada começa com “ela”, depois usa os pronomes “dele” e “ele”.

Não trato aqui especificamente sobre o caso deste “grávido” — o debate não é sobre pessoas —, mas sobre a questão da gravidez (indesejada ou não) de “homens trans” como algo que ocorre com certa frequência2, o que demonstra que a negação do sexo biológico afronta a natureza, e ela não deixa barato.

Pense comigo: Como um “homem trans” engravida? Fazendo sexo, obviamente que assumindo na hora do ato o papel de mulher. E como podemos chamar homem alguém que tem vagina, útero, menstrua, engravida, os seios crescem durante a gravidez e é capaz de amamentar? Por mais que a falsa ciência queira negar o padrão de Deus e colaborar na perversão humana, a natureza, seguindo o curso determinado pelo Criador, sempre prega uma peça nos “sabichões” — e assim o Eterno vai destruindo a “sabedoria dos sábios” e aniquilando a “inteligência dos inteligentes”.

Segundo o Dicionário Michaelis Online, homem é “o ser humano do sexo masculino”3, enquanto mulher é “ser humano do sexo feminino”4. É evidente que isso não é uma “construção social”, mas determinação daquele que “homem e mulher os criou” (Gênesis 1:27). Jesus mesmo afirmou: “Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea” (Marcos 10:6), e isso não pode ser mudado — a natureza está aí para provar.


1 https://revistacrescer.globo.com/Gravidez/noticia/2020/09/homem-trans-descobre-gravidez-de-gemeos-com-cinco-meses.html (acessado em 23 de setembro de 2020)

2 No dia 24 de setembro de 2020 fiz uma busca no Google por “homem trans engravida” obtendo “aproximadamente 35.800 resultados”

3 https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/homem/

4 https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/mulher/

sábado, 5 de setembro de 2020

Varinha de Condão

Os empreendimentos religiosos se sustentam por duas iniciativas: o desejo do (in)fiel, incauto, que busca soluções e/ou prosperidade fácil, e a ambição do lobo voraz, aproveitador, falsário da Palavra. Ambos pecam pelo apetite carnal e se afastam cada vez mais de Deus; o primeiro, às vezes, pela ignorância (e ganância), o segundo pela má-fé

vara mágica
Imagem: Pixabay

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” (2 Pedro 2:1-3)


Pr. Cleber Montes Moreira


O que é uma vara de condão? É uma pequena vara usada por fadas, feiticeiros, mágicos e afins, que supostamente tem atributo especial ou poder sobrenatural para exercer uma influência negativa ou positiva e, hipoteticamente, mágica. Enquanto escrevo estas primeiras linhas, meu filho de seis anos* lê e observa:

— Pai, isso não existe!

Tudo bem, não se desespere, pois a Teologia da Prosperidade criou, faz algum tempo, diretamente de sua oficina, a caneta ungida. As esferográficas made in China, ungidas pelo “homem de deus” em algum monte por aí, prometem ser a vara de condão para quem quer passar em provas, concursos públicos, assinar contratos, abrir empresas etc. Para ter uma, basta ofertar, quer dizer, semear, a pequena quantia de cem reais. Uma proposta tentadora, já que os benefícios trazem retornos infinitamente maiores.

Pesquisando sobre o assunto, encontrei num site de leilões e compras virtuais uma caneta de marca nacional, também ungida, e cujo anúncio contém as mesmas promessas. Não sei se uma franquia da loja anterior, digo, igreja, ou se algum novo empreendedor, digo, homem de deus, que abriu concorrência. Fato é que já existem outros “investidores” oferecendo o mesmo produto, um gritando mais alto que o outro para atrair a freguesia.

Não é de hoje que objetos ungidos têm sido colocados nas prateleiras do mercado da fé. Água ungida, sal ungido, lenços, mantos, óleos, alianças, saquinhos de cimento, tijolos, colher de pedreiro, chaves, rosas, meias de algodão, lâmpadas benzidas em Israel, vassouras, kits de beleza, rendinha do milagre, fronha… Ufa! Quase perdi o fôlego. Não dá para listar aqui todos os itens, até porque O Fantástico Mundo dos Empreendedores da Fé sempre surpreende com alguma novidade1. É a lei da oferta e da procura que viabiliza os negócios de quem vende e quem compra. Chamar isso de evangelho é apenas questão de marketing; usar a Bíblia e afirmar falar em nome de Deus sempre dá bons resultados. A “fé”, sem a qual o “milagre não acontece”, é a “vara de condão” dos encantadores.

Os empreendimentos religiosos se sustentam por duas iniciativas: o desejo do (in)fiel, incauto, que busca soluções e/ou prosperidade fácil, e a ambição do lobo voraz, aproveitador, falsário da Palavra. Ambos pecam pelo apetite carnal e se afastam cada vez mais de Deus; o primeiro, às vezes, pela ignorância (e ganância), o segundo pela má-fé.

Se você busca sinceramente a Deus, esteja atento: Varinha de Condão não existe! Nossa esperança em Cristo não deve ser apenas para este mundo (1 Coríntios 15:19). O evangelho não é uma promessa de soluções fáceis, imediatas e temporais, mas a Boa Nova de perdão e salvação para aquele que, pela fé, renunciar a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir após o Salvador (Lucas 9:23).


* Texto escrito em 2018


1 Veja aqui alguns destes objetos “ungidos”: https://www.youtube.com/watch?v=0o6rciU1SHY (acessado em 19 de abril de 2018).

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

A Caixinha

 “Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.” (Romanos 1:21,22)

caixinha
Imagem: Unsplash


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Nestes dias tão conturbados querem nos proibir de pensar: autoridades constituídas, líderes religiosos e forças “ocultas” querem proibir qualquer pensamento e/ou expressão antagônica ao “novo moralismo” que tentam nos impor. Não é sem motivo que alguns se apresentam como “editores da sociedade”. Quem ousa desafiar tal proibição é “intolerante”, “hipócrita”, “fariseu”, “preconceituoso”, “racista”, “fascista”, “misógino”, “xenofóbico” etc. Palavras de ordem em defesa da desordem que querem instaurar. 

Para ser aceito nesta nova sociedade você deve pensar fora da “caixinha”. Esta “caixinha” pode ser a Bíblia, uma tradição familiar, os bons costumes… Você precisa se libertar dessas “prisões”. Mas não saia por aí pensando por conta própria, isso é perigoso. Junte-se àqueles que te ajudarão neste novo processo de aprendizagem do “pensamento”. Por isso, ao sair da velha “caixa” você deverá entrar naquela que comporta outros valores — isso porque ninguém pensa fora da caixa, apenas escolhe a sua. Para ser livre você deverá vestir a camisa da ideologia e se juntar aos novos companheiros de militância. Nesta nova “caixinha” vigora uma cartilha onde você aprende que aqueles que pensam diferente são inimigos, e você deve enfrentá-los com suas novas armas. Se, por exemplo, aqueles que permanecem na velha “caixa”, sob os mesmos velhos argumentos, se manifestarem contra o aborto, diga que são “radicais” e “violentos”, e se for praticado por uma menina de apenas 10 anos (também vítima de violência), que é para proteger a vida dela (ainda que o aborto seja um risco maior). Explique que você não está defendendo o aborto, mas que neste caso ele é legal e necessário, que não se trata de feticídio pois o feto (mesmo com 22 semanas) ainda não tem consciência. Denuncie os médicos que se recusaram a aplicar a solução letal no pequeno corpo, diga que deveriam ser enquadrados por uma nova lei, a do “não exercício legal da profissão”, e exalte aqueles que cumpriram o seu dever em “defesa da vida” — mesmo que nenhuma vida precisasse ser sacrificada. Se disserem que “Deus é contra a matança de inocentes”, fundamente sua contra-argumentação no novo evangelho, fale sobre a “lei do amor”, cite os teólogos progressistas e discorra sobre os sagrados “direitos reprodutivos das mulheres”. Se insistirem, diga que servem a um “deus” intransigente, impiedoso, assassino… Se defenderem a família, acuse-os de “defensores da moral e dos bons costumes” — uma outra expressão para “caretas”, “antiquados”, “falsos moralistas” etc. Seu dever é sempre se opor a todo “discurso de ódio”. Mas fique tranquilo, o seu ódio não é ódio, só o deles.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

A celebração da morte, a “Nova Ordem” e o “crime de pensamento”

 A celebração da morte indica que já vivemos sob uma “Nova Ordem”. Pode ser que em breve a ficção vire realidade, e que insurgentes sejam levados aos tribunais acusados de “crime de pensamento”

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Imagem: Pixabay


Pr. Cleber Montes Moreira


Há muito que se discute a pena de morte no Brasil. Ela já está em vigor, faz tempo, e é aplicada de diversas formas. Ontem mais um inocente foi condenado à pena capital, enquanto o verdadeiro culpado segue foragido. O condenado um nascituro, de apenas 5 meses de gestação. Ele não conheceu o rosto da mãe. Foi morto sem nunca ter recebido o conforto de um colo, sentido o calor de um abraço, escutado uma canção de ninar, dormido num berço fofinho… Não teve um quarto preparado para recebê-lo, nem quem esperasse alegre por sua chegada. Não pôde ver a luz do dia, foi privado da infância, de brincar, de ir à escola, de sonhar… Os da própria família decidiram que ele não era bem-vindo.

O juiz que atendeu ao pedido do Ministério Público Estadual e ordenou a interrupção da gravidez, argumentou que “é legítimo e legal o aborto acima de 20-22 semanas no caso de gravidez decorrente de estupro, risco à vida da mulher e anencefalia fetal”, e disse que “a vontade da criança é soberana ainda que trate de incapaz, tendo a mesma declarado que não deseja dar seguimento à gravidez fruto de extrema violência que sofreu”.1 Percebam a incoerência: a criança de 10 anos sofreu “extrema violência”, mas o assassinato de uma criança em gestação não é violência alguma, apenas um ato legal. Sobre a afirmação de que “a vontade da criança é soberana”, pasmem, este é o mesmo argumento de muitos que defendem a pedofilia — talvez o magistrado não saiba.

Hoje alguns jornais noticiam que a criança, a de 10 anos, passa bem. Sobre a que foi assassinada não há notas nem pesar. Para os contrários à pena de morte sobram ameaças. Sim, a mídia que faz propaganda pró aborto, despudoradamente, publicou (com direito a gerundismo): “Promotoria vai investigar se grupos tentaram pressionar avó de menina estuprada a não autorizar aborto: O MP também vai investigar áudios de conversas de pessoas que estariam pressionando a família da criança a não interromper a gravidez.” O El País denunciou que “Ativistas radicais gritavam ‘Assassino’ na porta da clínica neste domingo para que não se cumprisse a lei”. Vejam: defensores da vida, em manifestação pacífica, são “ativistas radicais”.2 Nenhuma novidade: o certo é errado e o errado é certo, isso é do “politicamente correto”, é da Nova Ordem, é do “novo normal”; quem não se amolda ao novo padrão é um corpo estranho que precisa ser extirpado, tal como o inocente de seu “lar uterino”. Não estranhem se em breve “ativistas radicais” forem condenados e presos; se a morte de inocentes indefesos é legal, por que não criminalizar estes manifestantes perturbadores da ordem?

Hoje há comemoração — ainda que velada. Sim, há quem salte de alegria porque um indefeso inocente foi morto. Trata-se do mesmo sentimento daqueles que em 2018, emocionados, comemoraram em público a descriminalização da interrupção da gravidez na Irlanda.3 Abortistas também festejaram a legalização do aborto na França até o nono mês de gravidez. Como se não bastasse, já há quem defenda o “aborto pós-parto”, e não duvidem de que criem um Projeto de Lei para isso.

A celebração da morte é um dos indicativos de que já vivemos sob uma “Nova Ordem”. Temo que em breve a ficção vire realidade, e que discordantes, sob a alegação de “ativismo radical” e subversão da ordem, sejam levados aos tribunais e respondam por “crime de pensamento”.4


1 https://www.agazeta.com.br/es/cotidiano/medicos-concluem-1-etapa-de-interrupcao-de-gravidez-de-menina-estuprada-no-es-0820 (acessado em 17 de agosto de 2020)

2 https://brasil.elpais.com/brasil/2020-08-16/menina-de-10-anos-violentada-fara-aborto-legal-sob-alarde-de-conservadores-a-porta-do-hospital.html (acessado em 17 de agosto de 2020)

3 https://www.huffpostbrasil.com/2018/05/26/o-sim-para-a-legalizacao-do-aborto-e-as-imagens-da-comemoracao-das-mulheres-na-irlanda_a_23444154/ (acessado em 17 de agosto de 2020)

4 https://pt.wikipedia.org/wiki/Crime_de_pensamento (acessado em 17 de agosto de 2020)

domingo, 16 de agosto de 2020

O evangelho ou “siga o fluxo”

Quer salvar vidas? Pregue o evangelho! Não tenha vergonha da Palavra da Verdade. Quer o templo abarrotado? Quer novas adesões? Fácil, siga o fluxo

Bíblia
Imagem: Unsplash

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.” (Romanos 1:16)


Pr. Cleber Montes Moreira


Tem sido afirmado que vivemos um tempo de muitas adesões e poucas conversões no seio das igrejas. Isso é fato inegável, tanto que considero o meio dito evangélico como sendo um grande desafio missionário para este tempo. A multidão de não convertidos, misturada aos crentes, na membresia das igrejas, atesta tal realidade. Em função disso vemos membros se comportando como infiéis, dando péssimo testemunho e provocando escândalos. Eles estão em toda parte, em todos os setores da sociedade, ostentando o nome de Cristo, porém, vivendo em oposição aos Seus ensinos e valores. Como ilustração, lembro aqui aquele caso que ficou conhecido em todo o Brasil, em que deputados, ditos evangélicos, oram agradecendo a Deus pela propina recebida.

Em que a igreja está errando exatamente? Por que há entre nós tanta gente perdida? O assunto merece uma abordagem muito ampla, o que não farei aqui por questão de tempo e espaço, mas, em resumo, digo que a mensagem do evangelho tem sido substituída por mensagens e estratégias meramente humanas (para não dizer diabólicas). A prova disso é a quantidade de métodos e modelos de gerenciamento de igrejas e fórmulas para crescimento cada vez mais empregadas (há sempre alguém que se apresenta como descobridor da pólvora).

Pastores deixaram de pastorear para exercerem a função de CEO. O marketing das igrejas é aprimorado, mas o pastoreio de fato e o ensino da Sã Doutrina são abandonados. Veja, por exemplo, algumas frases em placas de igrejas: “Lugar de gente feliz”, “Lugar de gente feliz e ungida”, “Sempre pensando em te fazer feliz”, “Lugar de bênção”, “Lugar de vitórias e milagres”, “Casa de milagres”, “Igreja que ama você”, “Pare de sofrer”, “Uma fonte de prosperidade”. Numa outra está “A grande onda vai te pegar”. Isso me faz lembrar a publicidade de algumas grandes marcas, como Magazine Luíza que adotou o slogan “Vem Ser Feliz”. A Coca-Cola já usou “Abra a Felicidade”; o empresário Abílio Diniz, provocando concorrentes, chegou a dizer: “Agora, lugar de gente feliz é no Carrefour.” Há empresas especializadas neste tipo de marketing, que prestam assessoria às igrejas e cuidam da imagem do pastor, bispo ou apóstolo.

Uma certa igreja tirou o nome de sua denominação da fachada e colocou “Igreja da Cidade”. O motivo? Estratégia de marketing. Como fruto dessa propaganda, muitas igrejas estão se tornando menos bíblicas e mais inclusivas (no sentido secular do termo). Imagino o dia em que seminários substituirão a formação teológica pela de “Gestores Eclesiásticos”. Creia, isso não demora a acontecer.

A afirmação paulina deve ser objeto de reflexão: O evangelho “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê”. Somente o evangelho, o puro e verdadeiro evangelho, e nada mais! Paulo estava pronto para anunciar o evangelho (Romanos 1:15). A mensagem confiada à igreja é o evangelho. O “IDE” de Jesus é para comunicar o evangelho. A fé vem pelo ouvir, e ouvir o evangelho. Nada no plano de Deus substitui o evangelho. Quem troca o evangelho por um método, estratégia ou fórmula faz a obra do diabo, e não a obra de Cristo. Por isso tenho dito: Ah, se a igreja fosse tão somente e simplesmente igreja e nada mais, certamente que a realidade seria outra, bem diferente da que enxergamos.

Há, diante do exposto, dois caminhos que as lideranças das igrejas devem observar e escolher, segundo o seu propósito: Quer salvar vidas? Pregue o evangelho! Não tenha vergonha da Palavra da Verdade. Quer seu templo abarrotado? Quer novas adesões? Fácil, siga o fluxo. No mundo há ótimas estratégias e modelos que você pode escolher. Sua escolha certamente será segundo a natureza de seu chamado.


NOTA: O problema que aqui considero não é o uso de estratégias e marketing, mas a finalidade do emprego destes expedientes em detrimento da direção do Espírito e abandono da Verdade.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Igreja ou prostíbulo?

 “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela.” (Mateus 7:13)

porta
Imagem: Unsplash


Pr. Cleber Montes Moreira


O Pastor Neemias Santos Lima, em seu livro “Aos Olhos do Pai”, cita que em visita à Segunda Igreja Batista de Porto Velho, Rondônia, pôde ouvir do Pastor Márcio Hübner, então Secretário Executivo da Convenção Batista daquele Estado, uma história interessante a respeito daquela igreja: “Quando o templo foi construído, havia uma casa de prostituição cujo nome era Porta Larga. Para contrastar com essa realidade, a igreja fez o templo com a porta estreita.

Talvez aquela igreja quisesse ensinar para a sociedade que a porta do inferno é larga, enquanto a do céu é bem estreita, fazendo ecoar, assim, o ensino do próprio Cristo.

Quem quiser entrar para o reino de Deus deverá, sem dúvidas, andar por um caminho difícil e atravessar por uma porta estreita. Aqueles que desejam o mundo encontrão portas largas e escancaradas, andarão por avenidas asfaltadas e terão caminho livre para o inferno. O mundo oferece prazeres que satisfazem a carne, porém, quem deseja a vida eterna tem que mortificar a carne e rejeitar o mundo e suas ofertas. Por isso, a mensagem da igreja deve enfatizar o arrependimento e o nascimento para uma nova vida. Mas, é assim que ocorre hoje em dia?

Tenho visto muitas igrejas com portas bem largas. São igrejas que deixaram de ser igrejas, segundo a Bíblia, para se tornarem verdadeiros prostíbulos espirituais, promovendo qualquer coisa capaz de atrair pessoas para seus templos. Suavizam o evangelho, negociam princípios e doutrinas, promovem entretenimento, pregam sermões de autoajuda e fazem muitas outras coisas. Normalmente têm marketing bem agressivo.

É lamentável ver como algumas igrejas se esforçam para alargar o caminho. Por causa disso, elas estão com seus templos cheios de pessoas vazias; gente que encontra alegria passageira, experimenta emoções, que nutre algum tipo de fé, mas segue sem a experiência de uma conversão genuína. Gente crente, mas não cristã. Gente perdida andando por um caminho largo.

A porta de sua igreja é larga ou estreita? Digo da igreja, e não do templo. Sua mensagem é cristocêntrica ou antropocêntrica? Ou seja, é bíblica, ou adaptada para agradar e atrair pessoas? Esteja atento para não confundir igreja com prostíbulo. A diferença, neste caso, está na largura da porta.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Ser cristão ou ser “a Universal”?

 Pessoas há que, estimuladas pelo marketing agressivo, tornam-se simpatizantes e até seguidoras de um evangelho cujo foco está no sucesso temporal, e não na salvação eterna

religião
Imagem: Unsplash


“Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.” (Hebreus 11:13)


Pr. Cleber Montes Moreira


Há um comercial de TV muito conhecido no qual pessoas bem-sucedidas contam sua história de vida, declaram seu progresso, vitórias e sucessos, e terminam seu testemunho sempre com a frase: “Eu sou a Universal!” Esta é uma propaganda motivacional que visa vincular a ideia de prosperidade, de conquistas, de sucesso e felicidade àquela denominação religiosa. Pessoas há que estimuladas pelo marketing agressivo, tornam-se simpatizantes e até seguidoras deste tipo de evangelho cujo foco está no sucesso temporal, e não na salvação eterna. Interessante que, ao contrário destas pessoas, os heróis da fé não tiveram vida fácil. Na verdade, o escritor bíblico diz que eles “morreram na fé, sem ver o cumprimento das promessas…” Simplesmente creram. Se guiaram pela fé e não por vistas. Viveram na Terra como estrangeiros e peregrinos (Hebreus 11:13).

Dentre os personagens mencionados no capítulo 11 de Hebreus, a narrativa sobre Moisés é realmente interessante e oportuna. Diz o texto: “Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa. Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível.” (Hebreus 11:24-27). Ele tomou o caminho contrário ao que prega hoje o evangelho da prosperidade: recusou ser chamado filho da filha de Faraó, o que significa que rejeitou todas as glórias e benesses do reino, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, considerando obedecer a Deus algo mais precioso que os tesouros do Egito. No final, não entrou na Terra, apenas a viu de longe.

O texto bíblico ainda diz: “E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados” (Hebreus 11:36,37).

Certamente, pessoas como os heróis da fé não podem ser garotos-propaganda deste falso evangelho. O que teriam a dizer se testemunhassem naquele comercial de TV? Contar suas humilhações não seria politicamente correto.

O que é mais importante, ser cristão, ser guiado pela fé, ainda que em meio ao sofrimento, ou ser a Universal? Eu já fiz a minha escolha, e você?

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Eu me envergonho…

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2 Timóteo 2:15)

pastor
Imagem: Unsplash


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Paulo exorta a Timóteo para que se apresente perante Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar. Assim também deveria ser a vida de todo pastor: andar à vista do Altíssimo, aprovado, exercendo o ministério com integridade, não tendo do que se envergonhar diante de Deus nem dos homens. Entretanto, há tantos que se tornam causa de escândalos e pedras de tropeço. O pior é que muitos não sentem vergonha de seus atos, às vezes, cometidos intencionalmente. Há pastores, e há os lobos em pele de pastor.

Há muitos que se envergonham quando erram e retomam o caminho, há os que não sentem vergonha alguma, e há os que nos causam vergonha…

Eu me envergonho quando vejo pregadores cobrando altos cachês para pregarem em igrejas e em eventos.            

Eu me envergonho dos pastores que agem como “animadores de auditório”, como humoristas, cativando atenção para si e não para Deus.

Eu me envergonho dos pastores que deixam de prover alimento para prover entretenimento para suas ovelhas.

Eu me envergonho dos pastores que se esquecem da Bíblia e capricham em citar frases e ensinos de certos personagens que não têm nenhum compromisso com a Verdade.

Eu me envergonho dos pastores que trocam a teologia bíblica pela sabedoria humana.

Eu me envergonho quando vejo pseudopastores brigando em redes sociais e se atacando mutuamente.

Eu me envergonho quando vejo pastores praticando deliberadamente o proselitismo, pescando em aquários, investindo, desonestamente, sobre o rebanho que Deus confiou a outro.

Eu me envergonho quando certos líderes e pregadores pedem, sem qualquer pudor, dinheiro para proveito próprio, com a desculpa de sustentar seus ministérios, para depois ostentarem mansões, carrões e até jatinhos.

Eu me envergonho de ver tantos obreiros banalizando o casamento, divorciando-se de suas esposas sem motivo justo e se envolvendo em outros relacionamentos (ou aventuras amorosas).

Eu me envergonho dos pregadores que usam a Bíblia a pretexto de suas más intenções, citando textos isolados e interpretando-os de forma interesseira.

Eu me envergonho dos pastores que não conhecem a Bíblia.

Eu me envergonho dos pastores que desprezam a oração e a vida devocional.

Eu me envergonho dos pastores que pregam o que não vivem.

Eu me envergonho dos pastores que pregam o liberalismo em suas igrejas, consentindo imoralidades e abrindo as portas para o mundo entrar.

Eu me envergonho dos obreiros que, em nome do amor, se desviam da Sã Doutrina, como se o verdadeiro amor pudesse subjugar a verdade.

Eu me envergonho dos que pregam um evangelho inclusivo, a pretexto de consentirem que suas ovelhas vivam na prática de certos pecados, bem como de atrair pessoas sem visar sua transformação em Cristo.

Eu me envergonho de pastores que colocam certas teologias, movimentos e correntes acima da Bíblia, e cultuam certos personagens, dando a eles ênfase exagerada.

Eu me envergonho dos pastores que não zelam por seus púlpitos, entregando-os a qualquer um.

Eu me envergonho dos pastores que não zelam pela coerência da música em suas igrejas, permitindo que se cante de tudo, inclusive músicas com letras que contradizem a fé cristã.

Eu me envergonho dos pastores que fazem acordos e militam na política para dela se beneficiarem, muitas vezes transformando seus púlpitos em palanques, e suas igrejas em “currais eleitorais”.

Eu me envergonho dos pastores que não se dedicam ao pastoreio, mas que agem como tecnocratas eclesiásticos, sendo, muitas vezes, excelentes administradores, porém péssimos e negligentes no cumprimento de sua verdadeira missão.

Eu me envergonho dos pastores que impõem suas mãos precipitadamente sobre candidatos despreparados, de convicções duvidosas, seja por amizade, política de boa vizinhança ou qualquer outro motivo, desprezando as exigências bíblicas para o ministério.

Eu me envergonho dos pastores que aderem ao politicamente correto e desprezam o bíblico.

Eu me envergonho dos pastores que não exercem a disciplina sobre seu rebanho.

Eu me envergonho dos pastores que, por covardia, na intenção de não prejudicarem seus ministérios, não ousam mexer com certas pessoas, ou famílias da igreja, quando estas necessitam de disciplina.

Eu me envergonho dos pastores que abrem as portas para heresias.

Eu me envergonho dos pastores que glorificam a si mesmos, que alimentam a sua vaidade, em vez de glorificar ao Senhor dos Senhores.

Eu me envergonho…

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Seguir o amor, ou seguir a Verdade?

A “doutrina do amor” — falso amor — é o referencial para aqueles que desprezaram a Bíblia; é fonte normativa e instrumento para a “reimaginação” de toda estrutura considerada “injusta” e “opressora”

Bíblia
Imagem: Priscilla du Preez, Unsplash


“Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.” (Efésios 4:15)


Pr. Cleber Montes Moreira


Há um falso evangelho sendo alardeado, fundamentado e pautado no amor — ou, pelo menos, no seu entendimento hodierno. Relembro o caso do pastor, expoente deste “evangelho”, que publicou em seu perfil no Facebook: “Onde estiver o amor, ali estou eu.” A teologia deste evangelho é chamada de Teologia Inclusiva, e seus seguidores enfatizam o amor em detrimento da verdade. Este é um cristianismo que descamba para o universalismo. Na prática, se alinha a certas ideologias políticas, milita em defesa de certas minorias e pela inclusão de pessoas sem o arrependimento na membresia das igrejas, desconsiderando que a mensagem cristã, proclamada pelo próprio Cristo, consiste em “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.” (Mateus 4:17). É como se dissessem aos pecadores: “Venham, possuam o reino e continuem como estão.”

Uma pastora, também expoente deste pensamento, disse num encontro que os valores da sociedade não caem prontos do céu, mas são produzidos a partir das perspectivas de diferentes grupos, incluindo os valores sexuais. A proposta do movimento que ela representa é uma releitura, uma reinterpretação, uma reimaginação da igreja, da fé, e mesmo das Escrituras. Uma igreja que aderiu a este pensamento, e que decidiu em sua assembleia receber homossexuais em sua membresia — o que implica batizá-los, realizar casamentos homoafetivos, conferir-lhes direitos e deveres —, justificou-se, por intermédio de seu pastor, com estas palavras: “O que a Igreja *** fez, revela que, mesmo não tendo todas as respostas para a questão da homossexualidade na Bíblia ou na doutrina histórica, decidimos seguir o caminho do amor.” Observem que o amor, e não a Verdade, é o referencial para a tomada de decisões, embasamento doutrinário e reimaginação de toda estrutura que se considera injusta e oposta ao amor.

Seguir o amor é um discurso politicamente correto, bonito, bem-aceito, que soa como acolhedor, inclusivo… Mas é, antes de tudo, diabólico. É uma perversão da Palavra de Deus, e o que o diabo mais sabe fazer é dar um novo sentido ao que Deus disse. Foi com este artifício que enganou Eva e Adão, tentou enganar a Jesus e tem enganado a muitos.

Percebam que Paulo exorta a seus leitores para que sigam a Verdade em amor, e não para que sigam o amor. A verdade a que se refere é o senhorio de Cristo, sua doutrina, elemento que propicia crescimento e firmeza, inclusive contra as heresias. Seguir o “amor” é seguir o engano, é falhar, é se afastar de Deus, é ser “meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” (Efésios 4:14). Seguir a Verdade em amor é seguir o Mestre.

Quem segue o amor está no mundo, quem segue a Verdade em amor está em Cristo. Pense nisso!

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Amor inclusivo

Amar é ensinar o povo a deitar fora os seus falsos deuses, a abandonar seus pecados, a buscar a face de Deus, a se humilhar, a orar e a se desviar de seus maus caminhos (2 Crônicas 7:14). O amor verdadeiro é um convite ao arrependimento

inclusão
Imagem: Pixabay


“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

“Vai-te, e não peques mais.”

(João 3:16; 8:11)

 

Pr. Cleber Montes Moreira

 

“Deus abençoa toda forma de amor”, foi o que disse uma pessoa que é apresentada como pastor, mesmo sem ter passado por um concílio e ter sido consagrada ao ministério pastoral. O amor está cada vez mais em moda. Um outro pastor, inclusivo, publicou em seu perfil, no Facebook: “Onde estiver o amor, ali estarei eu.

A base bíblica para isso é Deus é amor — como sempre, o texto é pretexto —. Porém, pergunto: o amor, do ponto de vista comum das pessoas, se coaduna com o amor de Deus? O amor que ama o pecador, mas não lhe avisa do perigo, é amor? O amor que convida para a igreja, contudo não versa sobre arrependimento, é amor? O amor que alardeia a inclusão no reino, como se alguém pudesse entrar para ele por uma janela arrombada, sem, todavia, vestir os trajes de santidade, é amor (Mateus 22:12)? O amor que convida “venha como está”, mas não ensina a Palavra que desencadeia a transformação, o novo nascimento, é amor?

O amor que considera o evangelho não como o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, mas o reimagina a partir da cultura, das lutas, do sofrimento, da vontade de um povo e o adapta para que se torne aceitável não é amor. O amor que entende a exigência da santidade como legalismo dos intolerantes e inculca nas mentes uma concepção de vida cristã dissociada dos valores bíblicos não é amor.

Amor é perdoar a adúltera e dizer “vai-te e não peques mais” (João 8:11). É curar um paralítico e adverti-lo dizendo: “não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior” (João 5:14). Amor é entrar em casa de um homem pecador, anunciar-lhe as boas novas de perdão e depois concluir que “hoje veio salvação a esta casa” (Lucas 19:9). Amor é chorar pela Jerusalém que apedreja e mata os profetas, aqueles mesmos que denunciavam o adultério espiritual do povo, e lamentar que seus moradores não deram ouvidos à Palavra e, por isso, serão julgados.

Praticar o amor é dizer a Verdade, sem adorná-la, sem diminuí-la, sem torná-la outra coisa, sem dizer que ela é o que não é, mas apresentá-la como está nas Sagradas Escrituras, ainda que isso não seja politicamente correto em nossos dias. Amor é ensinar o povo a deitar fora os seus falsos deuses, a abandonar seus pecados, a buscar a face de Deus, a se humilhar, a orar e a se desviar de seus maus caminhos (2 Crônicas 7:14). O oposto disso jamais será amor, e sim artimanha maligna para enganar pessoas, enredá-las e levá-las pelo caminho da perdição. Amor não é tornar a vereda cristã uma estrada larga e asfaltada, adorná-la à vista das pessoas, mas ensinar que “larga é a porta que conduz à perdição, e apartado o caminho que conduz à vida” (Mateus 7:13). O verdadeiro amor, praticado e ensinado por Jesus, visa não à adesão das pessoas a uma instituição religiosa, mas à conversão, à salvação e à inclusão no reino de Deus, reino de vida, reino de valores eternos, reino odiado pelo mundo. O amor chama do pecado, das trevas para a maravilhosa luz (1 Pedro 2:9) e ensina que luz e trevas não se comunicam, que não há harmonia entre Cristo e Belial, que não há acordo entre o santo e o profano, que o salvo não imita a conduta dos ímpios, nem pratica a idolatria, pois é santuário de Deus (leia Coríntios 6:14-18; Salmos 1).

Ah, o amor… “O amor é inclusivo”, dizem. Sim, e por isso o verdadeiro amor caminha lado a lado com a Verdade. O amor convida ao arrependimento, e a Verdade liberta (João 8:32, 36). Sim, liberta de todo pecado, de tudo que é abominável, das paixões ilícitas, das práticas e comportamentos sexuais abomináveis, de tudo o que é falso e enganoso. Qualquer amor que não comunica esta mensagem é qualquer coisa, menos amor; e qualquer verdade que não liberta é qualquer coisa, menos Verdade.

A função precípua do amor não é enganar, mas salvar e transformar. Por isso, só o verdadeiro amor — amor de Deus, que nos constrange a amar como Ele amou — é inclusivo. Porque Deus amou, e Jesus morreu para salvar o que crê, e crer é conversão. Se fosse para a pessoa continuar no pecado, não teria sentido o Filho de Deus pagar tão alto preço. Pense nisso!

domingo, 2 de agosto de 2020

“Novo Normal”: a serpente e a velha “Nova Ordem”

O “Novo Normal” é a negação do normal estabelecido por Deus, dos ensinos e valores bíblicos, da liberdade e da vida; é a velha mentira contada pela antiga serpente com o nome pomposo de “Nova Ordem” e sob a propaganda de que “é para o seu bem”

tentação
Imagem: Pixabay


Pr. Cleber Montes Moreira


Você já deve ter escutado que “depois da pandemia o mundo não será o mesmo”. Esta afirmação nos remete a outra expressão em alta: O “Novo Normal”, que sugere uma nova realidade pós-pandemia.

A expressão “Novo Normal” teria sido cunhada por Mohamed El-Erian, empresário egípcio americano, conselheiro econômico principal da Allianz, a controladora corporativa da PIMCO, onde atuou como CEO e codiretor de investimentos. Segundo matéria de Octavio de Barros, colunista de O Valor Econômico, Mohamed El-Erian publicou em 2009 um artigo em que trata do conceito da economia operando em um modelo chamado de “novo normal” (“A new normal”, Mohamed A. El-Erian, “Secular Outlook”, maio 2009), referindo-se à situação da economia global após a crise de 2008.1 Com a pandemia do novo coronavírus, a expressão ganhou força e passou a ser tema constante nos debates, noticiários, blogs e redes sociais, inclusive nos meios religiosos. Segundo Maria Aparecida Rhein Schirato,2 o “Novo Normal” consiste na “proposta de um novo padrão que possa garantir nossa sobrevivência.”3

Em artigo intitulado “Um novo normal?”, Guy Ryder, diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), afirmou: “Agora é a hora de olhar mais de perto esse novo normal e começar a tarefa de torná-lo um normal melhor, não tanto para aqueles que já têm muito, mas para aqueles que obviamente têm muito pouco.”4 No site da ONU (Organização das Nações Unidas) para o Brasil, lemos: “‘Um novo normal’: ONU estabelece roteiro para estimular economias e salvar empregos após COVID-19”. O artigo trata do lançamento de um documento com “novas diretrizes para apoiar os países na recuperação social e econômica, criando uma nova economia e mais empregos depois da pandemia da COVID-19”, e alerta que não haverá retorno ao “antigo normal”, ao mesmo tempo em que “pede apoio internacional e compromisso político para que todas as pessoas tenham acesso a serviços essenciais e proteção social”.5 O documento trata, com maior “atenção”, de grupos considerados vulneráveis, como mulheres negras, LGBTs e outras “minorias”; um documento com viés ideológico.

O “Novo Normal” está sendo implementado aos poucos, sem que a maioria perceba, e a pandemia é apenas uma oportunidade na construção de uma “Nova Ordem”. Os acontecimentos mais recentes comprovam isso. A ONU retomou seu discurso sobre um projeto de “governança global”. A proposta de criação de um governo mundial não surgiu agora, em função da pandemia, mas o coronavírus colocou o tema novamente em pauta. Faz tempo que líderes religiosos e políticos discorrem sobre a necessidade de um “governo mundial”. Em 2009 o papa Bento 16 já pedia uma “autoridade política mundial” para ordenar e regular as economias nacionais.6 Já o papa Francisco, tratando sobre “mudanças climáticas” em 2019, em carta dirigida aos bispos católicos, afirmou a necessidade de um novo sistema de governo global.7 O “Novo Normal” implica mudanças além do campo da política e da economia, afetando toda a estrutura social. Comportamentos e valores estão sendo revisados. Não se trata apenas de “fique em casa”, mas de cerceamento. Não se trata de usar ou não máscaras (e não trato aqui da eficácia ou não delas), mas de mordaça. Temo que depois das máscaras e da mordaça tentem nos impor uma ‘burca ideológica’. Na verdade caminhamos pra isso. O controle das mídias e a suspensão de contas nas redes sociais por ordem do STF, A CPMI das Fakes News e a conversa sobre “abuso de autoridade religiosa” indicam claramente para onde querem nos levar.

O “Novo Normal” ressignifica conceitos, impõe um padrão ao pensamento, e estabelece um novo código de valores que afeta drasticamente as estruturas conservadoras. Na era do “Novo Normal”, grupo que queima a bandeira nacional é considerado pela grande mídia como “manifestantes pró-democracia”, enquanto quem ostenta a mesma bandeira, com respeito e orgulho, é considerado fascista. A justiça manda soltar criminosos de alta periculosidade, por causa da Covid-19, e prende cidadãos de bem em casa, durante suas caminhadas, em bancos de praças etc., desrespeitando o direito constitucional de ir e vir. A PM é proibida de fazer operações nas “comunidades”, mas os traficantes podem transitar livremente, inclusive ostentando armas e promovendo festas. Ônibus e metrôs podem andar abarrotados, mas as reuniões religiosas ou estão proibidas ou com restrições. Lares e templos são invadidos, mesmo não havendo aglomerações, mas a PF não pode cumprir mandatos de busca e apreensão em residências ou escritórios de quem é protegido pelo ‘sistema’. Quem defende a vida é chamado de genocida, mas quem desvia recursos destinados ao combate da pandemia tem proteção do ‘Supremo’. Vacina chinesa é bem-vinda, enquanto, contrariando a classe médica e os resultados já comprovados, a Hidroxicloroquina e a Ivermectina agora só podem ser vendidas com receita médica, isso quando não são negadas aos doentes por políticas de prefeitos e governadores. Este “Novo Normal” estabelece que pai tem útero, que mulher tem pênis, que ciência só vale se for alinhada ao “pensamento”, que branco militante tem alma negra, e negro de direita é branco, que vidas negras/LGBTs/indígenas/femininas etc. importam, desde que sejam de esquerda e possam ser utilizadas como instrumentos de militância. No “Novo Normal” quem não rouba nem deixar roubar é punido. E não se esqueça da “profecia” que diz: “O crime de pensar não implica a morte. O crime de pensar é a própria morte” (George Orwell, 1984, Companhia das Letras, 2009) — penso que ela está se cumprindo.

O “Novo Normal” teve início no Éden com a promessa de que “certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gênesis 3:4,5). Os resultados afetaram toda a criação, e o “Novo Normal” constituiu-se na existência separada do Criador, fora do paraíso, cheia de aflições e condenada a morte. Hoje a velha serpente diz: “É para o seu bem”.

O “Novo Normal” é a negação do normal estabelecido por Deus, dos ensinos bíblicos, da liberdade e da vida; é a velha mentira contada por Satanás com o nome pomposo de “Nova Ordem”. Esteja atento, ainda hoje o pai da mentira continua oferecendo sua filha em casamento.


1 https://valor.globo.com/eu-e/coluna/o-novo-normal.ghtml (acessado em 20 de julho de 2020)

2 Maria Aparecida Rhein Schirato é Doutora e Mestra pela Universidade de São Paulo, docente do Insper desde 2008, com experiência em Consultoria e Gestão de Conflitos, Modelos de Gestão, Desenvolvimento de Liderança e Treinamentos Comportamentais. É diretora da Rhein-Schirato Consultores Associados há 30 anos. Possui formação em Filosofia, Psicologia e Psicanálise e é autora de livros e artigos ligados à sua área de especialização.

3 https://www.insper.edu.br/noticias/novo-normal-conceito/ (acessado em 20 de julho de 2020)

4 https://nacoesunidas.org/artigo-um-novo-normal/ (acessado em 20 de julho de 2020)

5 https://nacoesunidas.org/um-novo-normal-onu-estabelece-roteiro-para-estimular-economias-e-salvar-empregos-apos-covid-19/ (acessado em 20 de julho de 2020)

6 http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1221450-5602,00-EM+NOVA+ENCICLICA+PAPA+PROPOE+AUTORIDADE+MUNDIAL+NA+ECONOMIA.html

7 https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/papa-francisco-afirmou-que-a-humanidade-precisa-de-um-lider-global

Em nome do “amor”

A Teologia Inclusiva, que como praga se alastra, relativiza a Palavra de Deus, desconstrói o conceito bíblico de pecado e eleva o amor à condição de doutrina única como quesito para a entrada no Reino, desprezando o arrependimento e a conversão

inclusiva
Imagem: Pixabay


“Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, a fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, e se convertam, e eu os cure.” (João 12:40)


Pr. Cleber Montes Moreira


Lídia procurava uma comunidade em que pudesse exercer sua fé cristã, ser aceita e se sentir bem. Passando pelo Facebook de uma amiga, encontrou um convite para um culto de família. Ao ler a legenda, logo se identificou com o perfil daquela igreja e propôs em seu coração fazer uma visita. Depois de conversarem, Nathália aceitou acompanhá-la.

No dia especial, chegaram uns minutos antes e foram recebidas calorosamente por uma equipe devidamente treinada. Sorrisos contagiantes, abraços, demonstrações de carinho… Um ambiente perfeito e de acolhimento. Em pouco tempo, passaram a se considerar parte daquela família.

Preconceito era palavra proibida, o lema daquela igreja era inclusão. Ali eram admitidas todas as formas de amor. Aliás, o amor era a única doutrina que se exigia dos fiéis — Amar a todos, sem distinção, como Cristo amou. Para o “casal”, um lugar de refúgio. As pastoras, assumidas e casadas, traziam sempre mensagens relevantes para o público, abordando temas como fidelidade conjugal, adoção e criação de filhos, violência contra mulheres, negros e outras minorias, igualdade de gênero etc. Congressos e retiros espirituais eram promovidos, e a evangelização era ensinada como meio de cumprir a missão. Durante as celebrações da Ceia, os “diferentes” eram sempre bem-vindos à mesa do Senhor. A obra social jamais era esquecida.

Inesquecível foi o dia em que Lídia e Nathália puderam celebrar sua união conjugal. Mesmo sem a presença de vários familiares, mas diante de centenas de irmãos tão acolhedores, elas selaram seu amor e rogaram as bênçãos de Deus para o seu “casamento”. A celebrante, pastora Bruna, pregou um poderoso sermão sobre “Os Deveres Matrimoniais”, enquanto Larissa, esposa de Bruna, entoou uma linda canção. O momento alto da celebração foi quando, após o sim e troca das alianças, a noiva beijou a noiva.

Que desgraça é a “Compaixão e Graça” desprovida da Verdade, que barateia o evangelho, supervaloriza as obras e aniquila a cruz em nome de um falso amor. A Teologia Inclusiva, que como praga se alastra, relativiza a Palavra de Deus, desconstrói o conceito bíblico de pecado e eleva o amor à condição de doutrina única como quesito para a entrada no Reino, desprezando o arrependimento e a conversão. Por ela ninguém precisa nascer de novo, pois todos podem se apresentar diante de Deus como estão: nada lhes é exigido, apenas que amem e aceitem as pessoas. O caminho da perdição está sempre sendo alargado… Os operários do engano, fiéis ao patrão, não descansam.


Em 2018

sábado, 1 de agosto de 2020

“Pecado é não amar”, é isso mesmo que a Bíblia ensina?

O conceito de pecado deve ser concebido na inteireza e abrangência do ensino bíblico, sem reducionismo ou relativismo, para que ninguém fique desavisado sobre a severidade do juízo divino sobre os pecadores não arrependidos. Dizer que Jesus preferiu não julgar ou condenar, pois estava mais interessado em amar e acolher é politicamente correto, mas faz parte de um discurso mentiroso e diabólico

aquarela
Imagem: Pixabay


Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.” (Efésios 5:6)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

O título desta reflexão é a frase, tomada de outro contexto, com que um líder religioso finaliza uma postagem em que afirma que Jesus não condenou a homossexualidade porque “preferiu não julgar ou condenar, pois estava mais interessado em amar e acolher.” No post, o autor admite a existência de textos bíblicos contrários à prática, mas insiste que se forem levados em conta, o leitor poderá “promover e justificar atrocidades”, bem como afirma que a Bíblia precisa ser contextualizada e lida a partir da consciência do Evangelho e da centralidade do amor. Ele enfatiza que “a letra mata, mas o compromisso com o Amor salva e promove vida”, e conclui: “Pecado é não amar.

É certo que a Bíblia não é um livro de ódio, que não autoriza nenhum tipo de violência e que revela o amor de Deus “que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Igualmente, o cristianismo verdadeiro não é uma religião de intolerância e ódio, mas defensora das liberdades, incluindo a liberdade de expressão e liberdade religiosa. Os cristãos não são contra os homossexuais, contra seguidores de outras religiões e nem segregadores, entretanto, a liberdade que defendem para os demais, defendem também para si. Assim, se alguém tem o direito de seguir princípios religiosos destoantes do cristianismo, conservar práticas e valores segundo sua consciência, também os cristãos têm direito de preservarem seus valores, viverem e expressarem sua fé sem medo ou constrangimentos. Se, por exemplo, alguém crê que comer carne é pecado, os cristãos têm o direito de pensar o contrário e agir conforme sua consciência e firmados na Palavra Sagrada, sem, todavia, que sua liberdade signifique ódio ou incentivo à violência, uma vez que o Cristo nos ensina um modo mais excelente. Como cristãos, defendemos a liberdade de pensar e de se expressar como direito inalienável.

Em sua Declaração Doutrinária, os batistas da Convenção Batista Brasileira tratam assim sobre o tema “Liberdade Religiosa”:

Deus e somente Deus é o Senhor da consciência. A liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais do homem, inerente à sua natureza moral e espiritual. Por força dessa natureza, a liberdade religiosa não deve sofrer ingerência de qualquer poder humano. Cada pessoa tem o direito de cultuar a Deus, segundo os ditames de sua consciência, livre de coações de qualquer espécie. A igreja e o Estado devem estar separados por serem diferentes em sua natureza, objetivos e funções. É dever do Estado garantir o pleno gozo e exercício da liberdade religiosa, sem favorecimento a qualquer grupo ou credo. O Estado deve ser leigo e a Igreja livre. Reconhecendo que o governo do Estado é de ordenação divina para o bem-estar dos cidadãos e a ordem justa da sociedade, é dever dos crentes orar pelas autoridades, bem como respeitar e obedecer às leis e honrar os poderes constituídos, exceto naquilo que se oponha à vontade e à lei de Deus.1

O fato de os cristãos conservadores considerarem o aborto como prática pecaminosa não significa, de forma alguma, que estejam destilando ódio contra alguém, mas sim emitindo opinião com base em seu entendimento das Escrituras, o que lhes é garantido pela Constituição Federal, que considera “inviolável a liberdade de consciência e de crença.2 Da mesma maneira, quando o tema é Ideologia de Gênero, homossexualidade ou mesmo o ingresso de LGBTs nas igrejas, a posição tradicional cristã contrária a tais práticas não indica homofobia, ódio, nem incentivo à violência, mas posições e conceitos formados a partir da leitura da Palavra de Deus. Igualmente, quando tratando de outros temas afirmam que um ou outro ato ou comportamento é pecaminoso, isso não implica intolerância, discriminação ou preconceito, mas em opinião religiosa, respeitosa e embasada.

Por defenderem as liberdades e direitos, como já dito aqui, é que os cristãos não aceitam que qualquer código de valores, regras, dogmas, ideologias etc., que violem direitos e/ou liberdades, sejam impostos arbitrariamente como padrão a ser seguido. É por isso que não querem Ideologia de Gênero ensinada nas escolas, nem distribuição de “kits” ou materiais que promovam a homossexualidade no ambiente escolar. Até porque, se o comportamento homossexual é algo natural, como alguns defendem, ele não precisa, como a heterossexualidade, ser imposto e/ou incentivado. Estamos num país livre, onde cada qual pode viver e agir conforme sua consciência, sem, entretanto, ferir o direito alheio, impondo aos demais o que considera ser para si natural e bom. Laborar para que o comportamento de alguma minoria seja imposto como padrão comum e normativo para a sociedade é tolher direitos e cercear a liberdade de quem pensa e quer viver de outra maneira.

Os cristãos têm o direito de chamar de “pecado” qualquer prática que assim considerem, à luz de seu entendimento bíblico. Isso vale para o aborto, para o homossexualismo, bem como para qualquer outra prática, sem, no entanto, consistir sua opinião em preconceito, homofobia ou qualquer outro tipo de discriminação ou violência. Opinião não é coisa a ser criminalizada num país livre. Graças ao bom Deus, o Brasil é uma nação democrática, e temos nossas liberdades e direitos garantidos.

Quanto a afirmação de que “pecado é não amar”, é preciso, com lucidez, colocar a coisa como se deve. A frase, como estruturada, é reducionista e serve propositalmente para lançar uma cortina de fumaça a fim de encobrir a verdade, e isso é artimanha maligna para enredar pessoas e levá-las à perdição. Tal sutileza cumpre perfeitamente seu objetivo de criar uma atmosfera favorável para que pessoas justifiquem suas práticas e, mesmo assim, se considerem na comunhão com Deus. Se as palavras forem devidamente ordenadas, temos “não amar é pecado”, e nisso há sentido. Dizer que “pecado é não amar” é o mesmo que afirmar que o único pecado é não amar, enquanto dizer que “não amar é pecado” não nega a existência de outras práticas condenadas nas Escrituras. A ideia de pecado deve ser concebida na inteireza e abrangência do ensino bíblico, sem reducionismo ou relativismo, para que ninguém fique desavisado sobre a severidade do juízo divino sobre os pecadores não arrependidos. Qualquer outro discurso consistirá em palavras vãs, cujo propósito já sabemos (Efésios 5:6).

Tenha em mente que as afirmações cristãs feitas com base bíblica, quando da abordagem de temas tão polêmicos e relevantes, não devem ser consideradas preconceituosas, odiosas, homofóbicas ou incentivadoras de qualquer violência, e sim como declarações de verdade, desnudas, graves, porém cheias de amor verdadeiro, como o amor de um pai que avisa seu filho com gravidade sobre algum perigo a ser evitado. Tais declarações são de cunho religioso e não intencionam desencadear guerra contra pessoas ou classes, uma vez que os cristãos sabem que não têm “que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” (Efésios 6:12).

Jesus sempre marcou posição firme sobre o pecado e a necessidade de arrependimento. Certa vez, ele disse: “Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados.” (João 8:24). Seu discurso jamais anulou seu amor, tanto que morreu pelos pecadores, bem como seu amor nunca cooperou para atenuar suas falas severas e cheias de Verdade (João 6:60,66). À mulher adúltera amou e perdoou, porém a advertiu dizendo “vai-te e não peques mais”, mostrando-lhe o caminho do arrependimento como condição para uma nova vida (João 8:11). A mesma Bíblia que diz que “Deus é amor” (1 João 4:8) é a mesma que diz que “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hebreus 10:31), e que o Poderoso “tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo” por meio do Cristo ressurreto (Atos 17:31). Falar de amor e ocultar o juízo divino é desonestidade. Dizer que Jesus preferiu não julgar ou condenar, pois estava mais interessado em amar e acolher é politicamente correto, mas faz parte de um discurso mentiroso e diabólico.

Afirmar que textos bíblicos que tratam sobre pecados, se levados em conta pelo leitor, poderão “promover e justificar atrocidades”, é desqualificar a Palavra de Deus, atribuir-lhe ódio e violência, e esvaziá-la da Verdade. O evangelho, quando reduzido à mensagem moderna de amor, deixa de ser “o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16), e torna-se uma doutrina do diabo para arrebanhar almas incautas. Este falso amor que exclui a realidade do juízo é porta larga que conduz à perdição e, portanto, deve ser evitada. Pense nisso!


Em 2018


1 Declaração Doutrinária da CBB, “XV- Liberdade Religiosa”: http://www.batistas.com/portal-antigo/index.php?option=com_content&view=article&id=15&Itemid=15&showall=1 (acessado em 21 de abril de 2018).

2 Constituição Federal, Art. 5º, inciso VI, http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm (acessado em 24 de abril de 2018)