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quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Evangelho ou mero comércio?

Cada vez mais os oportunistas usam do evangelho como ferramenta para bons negócios. Quem não tem base bíblica, já não consegue mais distinguir entre o que é o evangelho e o que é apenas comércio

livraria
Imagem: Unsplash

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E, por avareza, farão de vós negócio com palavras fingidas…” (2 Pedro 2:1-3)


Pr. Cleber Montes Moreira


Certa vez estive numa livraria evangélica onde fui comprar um DVD de um filme para presentear. Enquanto escolhia, achei inúmeros títulos: mensagens de cunho neopentecostal, DVDs de “louvor profético”, de “dança profética” e até de aula de dança (não era do professor Carlinhos de Jesus). A variedade é imensa e atende a todos os gostos.

Um irmão que me acompanhava olhava as Bíblias, quando me perguntou: “Você já viu a Bíblia da Mulher?” Em tom de brincadeira disse que sim, mas que ainda não havia encontrado a Bíblia do Homem. Ele respondeu: “Existe!”, o que aguçou minha curiosidade e me levou a observar as várias Bíblias à disposição na loja: Bíblia do Adolescente (essa eu já conhecia), Bíblia da Vovó (e a do vovô, não tem?), Bíblia da Garota de Fé (essa me chamou a atenção), isso sem falar na Bíblia “Batalha Espiritual e Vitória Financeira” de Silas Malafaia e tantas outras. A variedade é grande e por isso não conseguiria enumerar todos os títulos aqui.

Na mesma loja, sobre o balcão, encontrei um convite impresso intitulado “7 passos para a vitória completa”, do qual transcrevo abaixo algumas partes:

Com a presença de 7 profetas de Deus que virão de outras cidades para orar por você e abençoar sua vida (…).

Um momento especial para você que busca cura para o corpo e alma, libertação das obras malignas, prosperidade espiritual e financeira, avivamento espiritual, transformação e salvação (…).

Serão 7 quintas-feiras que vão mudar a história da sua vida.

 

Eu perguntei, em tom de brincadeira, se aquela era realmente uma livraria evangélica.

Você já reparou na quantidade de livros para campanhas, no estilo quarenta dias disso ou daquilo?

Uma vez recebi uma ligação:

— Não sei se o senhor sabe, mas nós estamos numa campanha para aumentar o conhecimento bíblico nas igrejas. — Daí em diante a pessoa começou a fazer propaganda de livros, comentários, dicionários, Bíblias… Sem muita paciência para esperar a leitura do catálogo inteiro, a interrompi dizendo que no momento não tinha interesse. Mas fiquei pensando: “Aumentar o conhecimento bíblico ou as vendas?” Qual seria seu real motivo?

O que percebo é que cada vez mais o evangelho se transforma em oportunidade para bons negócios. E vale tudo para agradar e chamar a atenção do freguês. Desde o que ocorre nas lojas ao que acontece nas igrejas, tudo gira em torno do lucro ou do aumento das entradas financeiras. A fé nunca foi tão comercializada como hoje em dia. Quem não tem base bíblica, já não consegue mais distinguir entre o que é o evangelho e o que é mero comércio.

Este é um tempo de confusão.

sábado, 10 de outubro de 2020

Profetas e jumentos

Falsos profetas falam por conta própria, falam o que querem, proferem o engano, estão em trevas e não na iluminação do Espírito Santo

jumento
Imagem: Pixabay

“E a jumenta disse a Balaão: Porventura não sou a tua jumenta, em que cavalgaste desde o tempo em que me tornei tua até hoje? Acaso tem sido o meu costume fazer assim contigo? E ele respondeu: Não.” (Números 22:30)


Pr. Cleber Montes Moreira


O profeta Balaão foi chamado por Balaque, rei dos moabitas, para amaldiçoar o povo de Israel, ao qual temia. Para isso foram oferecidas ao profeta muitas riquezas. Balaão era ganancioso. Sabia que consultando a Deus não receberia nenhuma palavra contra os israelitas, como, aliás, aconteceu. Mas, em seu íntimo desejava os presentes oferecidos. Quando seguia para se encontrar com Balaque, a jumenta de Balaão vê um anjo, mas ele não. Por três vezes, ao empacar por causa do emissário de Deus em seu caminho, a jumenta é espancada. Então, o Senhor usa a boca da jumenta e repreende a Balaão.

O que destaco no texto é o fato de Deus ter falado por meio de uma jumenta. Animais não falam, mas a jumenta falou (“E a jumenta disse a Balaão”). Deus pode usar o que quiser para falar, embora prefira falar por meio de seus profetas humanos. Ele poderia falar por meio dos anjos, enviando-os à Terra para trazer sua mensagem, mas usou deste artifício raríssimas vezes. Poderia fazer ouvir do céu a sua voz, como o som de um trovão. Poderia usar qualquer criatura ou coisa se quisesse, mas não quis. Aprouve a Deus chamar e vocacionar pessoas para o ministério da pregação de sua Palavra. É por meio destes que Ele nos fala, mediante a revelação que está em Sua Palavra, a Bíblia. Entretanto, naquela ocasião, excepcionalmente, falou por meio de uma jumenta.

Pergunto: qual o conhecimento que a jumenta tinha sobre Deus? Certamente, nenhum. Jumentos não são seres intelectuais como nós. Possuem instintos, mas não capacidade intelectiva. Assim não poderia a jumenta aprender sobre Deus, ter experiência com Deus, nem se relacionar com Ele como podem os humanos. Mas, Deus falou pela boca da jumenta.

Sem a intenção de ser indelicado, mas na tentativa de provocar uma oportuna reflexão, é que afirmo: há muitos jumentos por aí falando em nome de Deus. Pessoas que não tiveram um encontro transformador com Cristo, que não buscam o conhecimento do Altíssimo, que não manejam bem a Palavra da Verdade, que não se relacionam nem colecionam experiências com o Divino. A jumenta de Balaão possui mais crédito que estes, uma vez que aprouve a Deus usá-la, mas os profetas aqui mencionados não são chamados, muito menos vocacionados. Falam por conta própria, falam o que querem, proferem o engano, estão em trevas e não na iluminação do Espírito Santo. A jumenta foi usada por Deus, mas estes…

Um dos jumentos de nosso tempo, cujo nome não mencionarei aqui, pregou, num de seus sermões que Jesus era muito rico, que tinha uma bela casa à beira-mar, e muitas outras baboseiras. O que dizer dos pregadores da prosperidade e seus sermões desconectados das Escrituras Sagradas? É… No tempo de Balaão houve uma jumenta profetisa1, hoje, há profetas jumentos. Perdoem-me os animais!


1  Força de expressão.

sábado, 19 de setembro de 2020

Sobre falsos profetas

Os falsários da Palavra têm conhecimento intelectual sobre Deus, conhecem a Bíblia, mas sua pregação e comportamento contrariam os valores cristãos — o evangelho que pregam é cheio de sutilezas, forjado para enganar

Falso evanhgelho
Imagem: Pixabay

“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores.” (Mateus 7:15)


Pr. Cleber Montes Moreira


Certo dia, deixaram em minha mesa um artigo muito interessante, no qual o autor discorreu sobre dinheiro e prosperidade. Com certeza, a pessoa que deixou o texto o fez em tom provocativo, como uma brincadeirinha, já antevendo minha reação.

O autor falou sobre prioridades, ensinou que o dinheiro não é tudo, que não se deve amar e se deixar escravizar por ele etc. Coisas com as quais concordo. O único detalhe, capaz de me causar indignação, é a assinatura do texto. O autor é um dos maiores pregadores da prosperidade de nosso tempo, construtor de megatemplo, dono de rede de comunicação, vendedor de livros e de ilusões a incautos. Percebe-se aqui algo terrível: ele tem conhecimento intelectual sobre Deus, conhece a Bíblia, mas, na prática, sua pregação e comportamento se opõe aos valores do evangelho. É um enganador, um falso profeta, que se enriqueceu com dinheiro de fiéis. Basta uma busca pelo YouTube e lá encontraremos vídeos deste bispo, ensinando seus pastores sobre como tirar dinheiro das pessoas. Ele tem conhecimento intelectual, mas não conhecimento experiencial de Deus. É o tipo de incrédulo travestido de crente; um lobo em pele de ovelha — um incrédulo oculto.

Um jovem, muito habilidoso na música, ex-membro da igreja à qual servi, mudou-se de cidade. Um conhecido seu encontrou-se com outra pessoa, também daquela cidade, e perguntou: “Como está fulano?” A resposta foi: “Fulano está muito bem! Fundou uma igreja, já comprou carro, está enriquecendo…” Mais um conhecedor intelectual do evangelho, sem, entretanto, experiência transformadora com Cristo. Como estes, há muitos outros. O apóstolo Paulo assim os descreve: “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo” (2 Coríntios 11:13). Conhecem a Luz, mas amam as trevas (João 3:19). Podem ter muito conhecimento da Bíblia, história, teologia, filosofia, mas não têm vida com Deus. São conhecedores do evangelho, mas não praticantes. O seu conhecimento não está à disposição do Reino de Deus, mas de seus próprios propósitos. Eles não fazem parte do Reino, não trabalham para o Reino, mas querem construir o próprio reino ou império.

Porque não os enviei, diz o Senhor, e profetizam falsamente em meu nome…” (Jeremias 27:15).

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Evangelho abracadabrista

 O precioso nome do Senhor Jesus tem sido vilipendiado por aqueles que o tomam indevidamente. “Em nome de Jesus” é a frase predileta de falsários da Palavra disfarçados de “homens de Deus”, que estão por aí enganando gente incauta

cruz e vela
Imagem: Pixabay

“E, havendo atravessado a ilha até Pafos, acharam um certo judeu mágico, falso profeta, chamado Barjesus.” (Atos 13:6)

 

Pr. Cleber Montes Moreira


Há pessoas que quando querem emagrecer, optam por dietas, remédios e até cirurgias para conseguirem seu intento. Mas, um pastor de Cariacica, na Grande Vitória, virou notícia em vários jornais por causa da promessa de emagrecimento instantâneo, que ficou conhecido popularmente por lipoaspiração divina. Disse o religioso, em entrevista a um jornal:

— Alguns estão acima do peso por problemas na tireoide e hipófise, mas já escutei o testemunho de fiéis que sentem como se tivessem passado por uma cirurgia e ficam até com cicatriz. Deus foi o cirurgião1.

Segundo ele, os fiéis que recebem a oração sentem como se ficassem anestesiados, entram em sono profundo e, quando acordam, já estão mais magros.

Quando tomo conhecimento de episódios como este, seja pelos jornais, pela TV ou outras fontes, logo penso numa palavra: abracadabra! Minha conclusão é que muita gente é iludida por um evangelho “abracadabrista”.

Segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, “abracadabra” significa:

1. Palavra cabalística a que se atribuía a virtude de curar moléstias. 2. Amuleto com essa palavra inscrita. 3. [Figurado] Crença supersticiosa no poder dessa palavra. 4. Fórmula pronunciada geralmente na crença de que invoca poderes mágicos ou sobrenaturais. 5. Palavra ou expressão que não se percebe.

Conforme o Dicionário Web:

Palavra mágica, a que os antigos atribuíam a virtude de curar moléstias várias, e cujas letras deviam ser escritas em triângulo, de modo que pudesse ser lida de todos os lados.

Hoje, é uma palavra à qual se atribuem poderes mágicos. É bastante usada como palavra de encantamento por mágicos, ilusionistas, encantadores, feiticeiros etc. Provavelmente você já a tenha encontrado num livro, escutado num filme ou desenho animado e, talvez, a proferido durante alguma brincadeira de criança. Já “abracadabrista” diz respeito à “que ou pessoa que pratica abracadabra”.

O evangelho abracadabrista é cheio de magia e encantamentos:

“Abracadabra”, e o doente é curado;

“Abracadabra”, e a vitória é decretada;

“Abracadabra”, e o espírito mau é amarrado;

“Abracadabra”, e o sonho é interpretado;

“Abracadabra”, e uma nova profecia é revelada;

“Abracadabra” para emagrecer;

“Abracadabra” para deixar de fumar;

“Abracadabra” para prosperar;

“Abracadabra” para arranjar marido;

“Abracadabra” para trazer o amor de volta em sete dias etc.


O que muda, infelizmente, é a palavra de ordem para que a magia ou milagre se realize: o nome santo de nosso Senhor Jesus. Sim, o nome precioso de Cristo tem sido vilipendiado por aqueles que o tomam indevidamente. “Em nome de Jesus” é a frase predileta de ‘bruxos’ disfarçados de “homens de Deus”, que estão por aí enganando gente incauta. Não é sem motivo que o próprio Cristo tenha dito: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores” (Mateus 7:15). E, ainda: “E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos” (Mateus 24:11). Eles não são enviados de Deus, embora profetizem falsamente em seu nome (Jeremias 27:15). Eles não merecem crédito, mas desprezo.           

Não se iluda, caro leitor, o verdadeiro evangelho não é mágica, nem encantamento, mas o poder de Deus para a salvação (Romanos 1:16). Não consiste em instrumento para a realização da vontade humana, mas na Palavra Viva e transformadora de vidas que se rendem a Cristo. O engano escraviza, mas a Verdade liberta. Pense nisso!


1 http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2013/11/pastor-promete-emagrecimento-instantaneo-atraves-da-oracao-no-es.html (acessado em 25 de abril de 2015)


sábado, 5 de setembro de 2020

Varinha de Condão

Os empreendimentos religiosos se sustentam por duas iniciativas: o desejo do (in)fiel, incauto, que busca soluções e/ou prosperidade fácil, e a ambição do lobo voraz, aproveitador, falsário da Palavra. Ambos pecam pelo apetite carnal e se afastam cada vez mais de Deus; o primeiro, às vezes, pela ignorância (e ganância), o segundo pela má-fé

vara mágica
Imagem: Pixabay

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” (2 Pedro 2:1-3)


Pr. Cleber Montes Moreira


O que é uma vara de condão? É uma pequena vara usada por fadas, feiticeiros, mágicos e afins, que supostamente tem atributo especial ou poder sobrenatural para exercer uma influência negativa ou positiva e, hipoteticamente, mágica. Enquanto escrevo estas primeiras linhas, meu filho de seis anos* lê e observa:

— Pai, isso não existe!

Tudo bem, não se desespere, pois a Teologia da Prosperidade criou, faz algum tempo, diretamente de sua oficina, a caneta ungida. As esferográficas made in China, ungidas pelo “homem de deus” em algum monte por aí, prometem ser a vara de condão para quem quer passar em provas, concursos públicos, assinar contratos, abrir empresas etc. Para ter uma, basta ofertar, quer dizer, semear, a pequena quantia de cem reais. Uma proposta tentadora, já que os benefícios trazem retornos infinitamente maiores.

Pesquisando sobre o assunto, encontrei num site de leilões e compras virtuais uma caneta de marca nacional, também ungida, e cujo anúncio contém as mesmas promessas. Não sei se uma franquia da loja anterior, digo, igreja, ou se algum novo empreendedor, digo, homem de deus, que abriu concorrência. Fato é que já existem outros “investidores” oferecendo o mesmo produto, um gritando mais alto que o outro para atrair a freguesia.

Não é de hoje que objetos ungidos têm sido colocados nas prateleiras do mercado da fé. Água ungida, sal ungido, lenços, mantos, óleos, alianças, saquinhos de cimento, tijolos, colher de pedreiro, chaves, rosas, meias de algodão, lâmpadas benzidas em Israel, vassouras, kits de beleza, rendinha do milagre, fronha… Ufa! Quase perdi o fôlego. Não dá para listar aqui todos os itens, até porque O Fantástico Mundo dos Empreendedores da Fé sempre surpreende com alguma novidade1. É a lei da oferta e da procura que viabiliza os negócios de quem vende e quem compra. Chamar isso de evangelho é apenas questão de marketing; usar a Bíblia e afirmar falar em nome de Deus sempre dá bons resultados. A “fé”, sem a qual o “milagre não acontece”, é a “vara de condão” dos encantadores.

Os empreendimentos religiosos se sustentam por duas iniciativas: o desejo do (in)fiel, incauto, que busca soluções e/ou prosperidade fácil, e a ambição do lobo voraz, aproveitador, falsário da Palavra. Ambos pecam pelo apetite carnal e se afastam cada vez mais de Deus; o primeiro, às vezes, pela ignorância (e ganância), o segundo pela má-fé.

Se você busca sinceramente a Deus, esteja atento: Varinha de Condão não existe! Nossa esperança em Cristo não deve ser apenas para este mundo (1 Coríntios 15:19). O evangelho não é uma promessa de soluções fáceis, imediatas e temporais, mas a Boa Nova de perdão e salvação para aquele que, pela fé, renunciar a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir após o Salvador (Lucas 9:23).


* Texto escrito em 2018


1 Veja aqui alguns destes objetos “ungidos”: https://www.youtube.com/watch?v=0o6rciU1SHY (acessado em 19 de abril de 2018).

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Ser cristão ou ser “a Universal”?

 Pessoas há que, estimuladas pelo marketing agressivo, tornam-se simpatizantes e até seguidoras de um evangelho cujo foco está no sucesso temporal, e não na salvação eterna

religião
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“Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.” (Hebreus 11:13)


Pr. Cleber Montes Moreira


Há um comercial de TV muito conhecido no qual pessoas bem-sucedidas contam sua história de vida, declaram seu progresso, vitórias e sucessos, e terminam seu testemunho sempre com a frase: “Eu sou a Universal!” Esta é uma propaganda motivacional que visa vincular a ideia de prosperidade, de conquistas, de sucesso e felicidade àquela denominação religiosa. Pessoas há que estimuladas pelo marketing agressivo, tornam-se simpatizantes e até seguidoras deste tipo de evangelho cujo foco está no sucesso temporal, e não na salvação eterna. Interessante que, ao contrário destas pessoas, os heróis da fé não tiveram vida fácil. Na verdade, o escritor bíblico diz que eles “morreram na fé, sem ver o cumprimento das promessas…” Simplesmente creram. Se guiaram pela fé e não por vistas. Viveram na Terra como estrangeiros e peregrinos (Hebreus 11:13).

Dentre os personagens mencionados no capítulo 11 de Hebreus, a narrativa sobre Moisés é realmente interessante e oportuna. Diz o texto: “Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa. Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível.” (Hebreus 11:24-27). Ele tomou o caminho contrário ao que prega hoje o evangelho da prosperidade: recusou ser chamado filho da filha de Faraó, o que significa que rejeitou todas as glórias e benesses do reino, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, considerando obedecer a Deus algo mais precioso que os tesouros do Egito. No final, não entrou na Terra, apenas a viu de longe.

O texto bíblico ainda diz: “E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados” (Hebreus 11:36,37).

Certamente, pessoas como os heróis da fé não podem ser garotos-propaganda deste falso evangelho. O que teriam a dizer se testemunhassem naquele comercial de TV? Contar suas humilhações não seria politicamente correto.

O que é mais importante, ser cristão, ser guiado pela fé, ainda que em meio ao sofrimento, ou ser a Universal? Eu já fiz a minha escolha, e você?

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Seguir o amor, ou seguir a Verdade?

A “doutrina do amor” — falso amor — é o referencial para aqueles que desprezaram a Bíblia; é fonte normativa e instrumento para a “reimaginação” de toda estrutura considerada “injusta” e “opressora”

Bíblia
Imagem: Priscilla du Preez, Unsplash


“Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.” (Efésios 4:15)


Pr. Cleber Montes Moreira


Há um falso evangelho sendo alardeado, fundamentado e pautado no amor — ou, pelo menos, no seu entendimento hodierno. Relembro o caso do pastor, expoente deste “evangelho”, que publicou em seu perfil no Facebook: “Onde estiver o amor, ali estou eu.” A teologia deste evangelho é chamada de Teologia Inclusiva, e seus seguidores enfatizam o amor em detrimento da verdade. Este é um cristianismo que descamba para o universalismo. Na prática, se alinha a certas ideologias políticas, milita em defesa de certas minorias e pela inclusão de pessoas sem o arrependimento na membresia das igrejas, desconsiderando que a mensagem cristã, proclamada pelo próprio Cristo, consiste em “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.” (Mateus 4:17). É como se dissessem aos pecadores: “Venham, possuam o reino e continuem como estão.”

Uma pastora, também expoente deste pensamento, disse num encontro que os valores da sociedade não caem prontos do céu, mas são produzidos a partir das perspectivas de diferentes grupos, incluindo os valores sexuais. A proposta do movimento que ela representa é uma releitura, uma reinterpretação, uma reimaginação da igreja, da fé, e mesmo das Escrituras. Uma igreja que aderiu a este pensamento, e que decidiu em sua assembleia receber homossexuais em sua membresia — o que implica batizá-los, realizar casamentos homoafetivos, conferir-lhes direitos e deveres —, justificou-se, por intermédio de seu pastor, com estas palavras: “O que a Igreja *** fez, revela que, mesmo não tendo todas as respostas para a questão da homossexualidade na Bíblia ou na doutrina histórica, decidimos seguir o caminho do amor.” Observem que o amor, e não a Verdade, é o referencial para a tomada de decisões, embasamento doutrinário e reimaginação de toda estrutura que se considera injusta e oposta ao amor.

Seguir o amor é um discurso politicamente correto, bonito, bem-aceito, que soa como acolhedor, inclusivo… Mas é, antes de tudo, diabólico. É uma perversão da Palavra de Deus, e o que o diabo mais sabe fazer é dar um novo sentido ao que Deus disse. Foi com este artifício que enganou Eva e Adão, tentou enganar a Jesus e tem enganado a muitos.

Percebam que Paulo exorta a seus leitores para que sigam a Verdade em amor, e não para que sigam o amor. A verdade a que se refere é o senhorio de Cristo, sua doutrina, elemento que propicia crescimento e firmeza, inclusive contra as heresias. Seguir o “amor” é seguir o engano, é falhar, é se afastar de Deus, é ser “meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” (Efésios 4:14). Seguir a Verdade em amor é seguir o Mestre.

Quem segue o amor está no mundo, quem segue a Verdade em amor está em Cristo. Pense nisso!

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Amor inclusivo

Amar é ensinar o povo a deitar fora os seus falsos deuses, a abandonar seus pecados, a buscar a face de Deus, a se humilhar, a orar e a se desviar de seus maus caminhos (2 Crônicas 7:14). O amor verdadeiro é um convite ao arrependimento

inclusão
Imagem: Pixabay


“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

“Vai-te, e não peques mais.”

(João 3:16; 8:11)

 

Pr. Cleber Montes Moreira

 

“Deus abençoa toda forma de amor”, foi o que disse uma pessoa que é apresentada como pastor, mesmo sem ter passado por um concílio e ter sido consagrada ao ministério pastoral. O amor está cada vez mais em moda. Um outro pastor, inclusivo, publicou em seu perfil, no Facebook: “Onde estiver o amor, ali estarei eu.

A base bíblica para isso é Deus é amor — como sempre, o texto é pretexto —. Porém, pergunto: o amor, do ponto de vista comum das pessoas, se coaduna com o amor de Deus? O amor que ama o pecador, mas não lhe avisa do perigo, é amor? O amor que convida para a igreja, contudo não versa sobre arrependimento, é amor? O amor que alardeia a inclusão no reino, como se alguém pudesse entrar para ele por uma janela arrombada, sem, todavia, vestir os trajes de santidade, é amor (Mateus 22:12)? O amor que convida “venha como está”, mas não ensina a Palavra que desencadeia a transformação, o novo nascimento, é amor?

O amor que considera o evangelho não como o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, mas o reimagina a partir da cultura, das lutas, do sofrimento, da vontade de um povo e o adapta para que se torne aceitável não é amor. O amor que entende a exigência da santidade como legalismo dos intolerantes e inculca nas mentes uma concepção de vida cristã dissociada dos valores bíblicos não é amor.

Amor é perdoar a adúltera e dizer “vai-te e não peques mais” (João 8:11). É curar um paralítico e adverti-lo dizendo: “não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior” (João 5:14). Amor é entrar em casa de um homem pecador, anunciar-lhe as boas novas de perdão e depois concluir que “hoje veio salvação a esta casa” (Lucas 19:9). Amor é chorar pela Jerusalém que apedreja e mata os profetas, aqueles mesmos que denunciavam o adultério espiritual do povo, e lamentar que seus moradores não deram ouvidos à Palavra e, por isso, serão julgados.

Praticar o amor é dizer a Verdade, sem adorná-la, sem diminuí-la, sem torná-la outra coisa, sem dizer que ela é o que não é, mas apresentá-la como está nas Sagradas Escrituras, ainda que isso não seja politicamente correto em nossos dias. Amor é ensinar o povo a deitar fora os seus falsos deuses, a abandonar seus pecados, a buscar a face de Deus, a se humilhar, a orar e a se desviar de seus maus caminhos (2 Crônicas 7:14). O oposto disso jamais será amor, e sim artimanha maligna para enganar pessoas, enredá-las e levá-las pelo caminho da perdição. Amor não é tornar a vereda cristã uma estrada larga e asfaltada, adorná-la à vista das pessoas, mas ensinar que “larga é a porta que conduz à perdição, e apartado o caminho que conduz à vida” (Mateus 7:13). O verdadeiro amor, praticado e ensinado por Jesus, visa não à adesão das pessoas a uma instituição religiosa, mas à conversão, à salvação e à inclusão no reino de Deus, reino de vida, reino de valores eternos, reino odiado pelo mundo. O amor chama do pecado, das trevas para a maravilhosa luz (1 Pedro 2:9) e ensina que luz e trevas não se comunicam, que não há harmonia entre Cristo e Belial, que não há acordo entre o santo e o profano, que o salvo não imita a conduta dos ímpios, nem pratica a idolatria, pois é santuário de Deus (leia Coríntios 6:14-18; Salmos 1).

Ah, o amor… “O amor é inclusivo”, dizem. Sim, e por isso o verdadeiro amor caminha lado a lado com a Verdade. O amor convida ao arrependimento, e a Verdade liberta (João 8:32, 36). Sim, liberta de todo pecado, de tudo que é abominável, das paixões ilícitas, das práticas e comportamentos sexuais abomináveis, de tudo o que é falso e enganoso. Qualquer amor que não comunica esta mensagem é qualquer coisa, menos amor; e qualquer verdade que não liberta é qualquer coisa, menos Verdade.

A função precípua do amor não é enganar, mas salvar e transformar. Por isso, só o verdadeiro amor — amor de Deus, que nos constrange a amar como Ele amou — é inclusivo. Porque Deus amou, e Jesus morreu para salvar o que crê, e crer é conversão. Se fosse para a pessoa continuar no pecado, não teria sentido o Filho de Deus pagar tão alto preço. Pense nisso!

domingo, 2 de agosto de 2020

Em nome do “amor”

A Teologia Inclusiva, que como praga se alastra, relativiza a Palavra de Deus, desconstrói o conceito bíblico de pecado e eleva o amor à condição de doutrina única como quesito para a entrada no Reino, desprezando o arrependimento e a conversão

inclusiva
Imagem: Pixabay


“Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, a fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, e se convertam, e eu os cure.” (João 12:40)


Pr. Cleber Montes Moreira


Lídia procurava uma comunidade em que pudesse exercer sua fé cristã, ser aceita e se sentir bem. Passando pelo Facebook de uma amiga, encontrou um convite para um culto de família. Ao ler a legenda, logo se identificou com o perfil daquela igreja e propôs em seu coração fazer uma visita. Depois de conversarem, Nathália aceitou acompanhá-la.

No dia especial, chegaram uns minutos antes e foram recebidas calorosamente por uma equipe devidamente treinada. Sorrisos contagiantes, abraços, demonstrações de carinho… Um ambiente perfeito e de acolhimento. Em pouco tempo, passaram a se considerar parte daquela família.

Preconceito era palavra proibida, o lema daquela igreja era inclusão. Ali eram admitidas todas as formas de amor. Aliás, o amor era a única doutrina que se exigia dos fiéis — Amar a todos, sem distinção, como Cristo amou. Para o “casal”, um lugar de refúgio. As pastoras, assumidas e casadas, traziam sempre mensagens relevantes para o público, abordando temas como fidelidade conjugal, adoção e criação de filhos, violência contra mulheres, negros e outras minorias, igualdade de gênero etc. Congressos e retiros espirituais eram promovidos, e a evangelização era ensinada como meio de cumprir a missão. Durante as celebrações da Ceia, os “diferentes” eram sempre bem-vindos à mesa do Senhor. A obra social jamais era esquecida.

Inesquecível foi o dia em que Lídia e Nathália puderam celebrar sua união conjugal. Mesmo sem a presença de vários familiares, mas diante de centenas de irmãos tão acolhedores, elas selaram seu amor e rogaram as bênçãos de Deus para o seu “casamento”. A celebrante, pastora Bruna, pregou um poderoso sermão sobre “Os Deveres Matrimoniais”, enquanto Larissa, esposa de Bruna, entoou uma linda canção. O momento alto da celebração foi quando, após o sim e troca das alianças, a noiva beijou a noiva.

Que desgraça é a “Compaixão e Graça” desprovida da Verdade, que barateia o evangelho, supervaloriza as obras e aniquila a cruz em nome de um falso amor. A Teologia Inclusiva, que como praga se alastra, relativiza a Palavra de Deus, desconstrói o conceito bíblico de pecado e eleva o amor à condição de doutrina única como quesito para a entrada no Reino, desprezando o arrependimento e a conversão. Por ela ninguém precisa nascer de novo, pois todos podem se apresentar diante de Deus como estão: nada lhes é exigido, apenas que amem e aceitem as pessoas. O caminho da perdição está sempre sendo alargado… Os operários do engano, fiéis ao patrão, não descansam.


Em 2018

sábado, 1 de agosto de 2020

“Pecado é não amar”, é isso mesmo que a Bíblia ensina?

O conceito de pecado deve ser concebido na inteireza e abrangência do ensino bíblico, sem reducionismo ou relativismo, para que ninguém fique desavisado sobre a severidade do juízo divino sobre os pecadores não arrependidos. Dizer que Jesus preferiu não julgar ou condenar, pois estava mais interessado em amar e acolher é politicamente correto, mas faz parte de um discurso mentiroso e diabólico

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Imagem: Pixabay


Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.” (Efésios 5:6)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

O título desta reflexão é a frase, tomada de outro contexto, com que um líder religioso finaliza uma postagem em que afirma que Jesus não condenou a homossexualidade porque “preferiu não julgar ou condenar, pois estava mais interessado em amar e acolher.” No post, o autor admite a existência de textos bíblicos contrários à prática, mas insiste que se forem levados em conta, o leitor poderá “promover e justificar atrocidades”, bem como afirma que a Bíblia precisa ser contextualizada e lida a partir da consciência do Evangelho e da centralidade do amor. Ele enfatiza que “a letra mata, mas o compromisso com o Amor salva e promove vida”, e conclui: “Pecado é não amar.

É certo que a Bíblia não é um livro de ódio, que não autoriza nenhum tipo de violência e que revela o amor de Deus “que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Igualmente, o cristianismo verdadeiro não é uma religião de intolerância e ódio, mas defensora das liberdades, incluindo a liberdade de expressão e liberdade religiosa. Os cristãos não são contra os homossexuais, contra seguidores de outras religiões e nem segregadores, entretanto, a liberdade que defendem para os demais, defendem também para si. Assim, se alguém tem o direito de seguir princípios religiosos destoantes do cristianismo, conservar práticas e valores segundo sua consciência, também os cristãos têm direito de preservarem seus valores, viverem e expressarem sua fé sem medo ou constrangimentos. Se, por exemplo, alguém crê que comer carne é pecado, os cristãos têm o direito de pensar o contrário e agir conforme sua consciência e firmados na Palavra Sagrada, sem, todavia, que sua liberdade signifique ódio ou incentivo à violência, uma vez que o Cristo nos ensina um modo mais excelente. Como cristãos, defendemos a liberdade de pensar e de se expressar como direito inalienável.

Em sua Declaração Doutrinária, os batistas da Convenção Batista Brasileira tratam assim sobre o tema “Liberdade Religiosa”:

Deus e somente Deus é o Senhor da consciência. A liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais do homem, inerente à sua natureza moral e espiritual. Por força dessa natureza, a liberdade religiosa não deve sofrer ingerência de qualquer poder humano. Cada pessoa tem o direito de cultuar a Deus, segundo os ditames de sua consciência, livre de coações de qualquer espécie. A igreja e o Estado devem estar separados por serem diferentes em sua natureza, objetivos e funções. É dever do Estado garantir o pleno gozo e exercício da liberdade religiosa, sem favorecimento a qualquer grupo ou credo. O Estado deve ser leigo e a Igreja livre. Reconhecendo que o governo do Estado é de ordenação divina para o bem-estar dos cidadãos e a ordem justa da sociedade, é dever dos crentes orar pelas autoridades, bem como respeitar e obedecer às leis e honrar os poderes constituídos, exceto naquilo que se oponha à vontade e à lei de Deus.1

O fato de os cristãos conservadores considerarem o aborto como prática pecaminosa não significa, de forma alguma, que estejam destilando ódio contra alguém, mas sim emitindo opinião com base em seu entendimento das Escrituras, o que lhes é garantido pela Constituição Federal, que considera “inviolável a liberdade de consciência e de crença.2 Da mesma maneira, quando o tema é Ideologia de Gênero, homossexualidade ou mesmo o ingresso de LGBTs nas igrejas, a posição tradicional cristã contrária a tais práticas não indica homofobia, ódio, nem incentivo à violência, mas posições e conceitos formados a partir da leitura da Palavra de Deus. Igualmente, quando tratando de outros temas afirmam que um ou outro ato ou comportamento é pecaminoso, isso não implica intolerância, discriminação ou preconceito, mas em opinião religiosa, respeitosa e embasada.

Por defenderem as liberdades e direitos, como já dito aqui, é que os cristãos não aceitam que qualquer código de valores, regras, dogmas, ideologias etc., que violem direitos e/ou liberdades, sejam impostos arbitrariamente como padrão a ser seguido. É por isso que não querem Ideologia de Gênero ensinada nas escolas, nem distribuição de “kits” ou materiais que promovam a homossexualidade no ambiente escolar. Até porque, se o comportamento homossexual é algo natural, como alguns defendem, ele não precisa, como a heterossexualidade, ser imposto e/ou incentivado. Estamos num país livre, onde cada qual pode viver e agir conforme sua consciência, sem, entretanto, ferir o direito alheio, impondo aos demais o que considera ser para si natural e bom. Laborar para que o comportamento de alguma minoria seja imposto como padrão comum e normativo para a sociedade é tolher direitos e cercear a liberdade de quem pensa e quer viver de outra maneira.

Os cristãos têm o direito de chamar de “pecado” qualquer prática que assim considerem, à luz de seu entendimento bíblico. Isso vale para o aborto, para o homossexualismo, bem como para qualquer outra prática, sem, no entanto, consistir sua opinião em preconceito, homofobia ou qualquer outro tipo de discriminação ou violência. Opinião não é coisa a ser criminalizada num país livre. Graças ao bom Deus, o Brasil é uma nação democrática, e temos nossas liberdades e direitos garantidos.

Quanto a afirmação de que “pecado é não amar”, é preciso, com lucidez, colocar a coisa como se deve. A frase, como estruturada, é reducionista e serve propositalmente para lançar uma cortina de fumaça a fim de encobrir a verdade, e isso é artimanha maligna para enredar pessoas e levá-las à perdição. Tal sutileza cumpre perfeitamente seu objetivo de criar uma atmosfera favorável para que pessoas justifiquem suas práticas e, mesmo assim, se considerem na comunhão com Deus. Se as palavras forem devidamente ordenadas, temos “não amar é pecado”, e nisso há sentido. Dizer que “pecado é não amar” é o mesmo que afirmar que o único pecado é não amar, enquanto dizer que “não amar é pecado” não nega a existência de outras práticas condenadas nas Escrituras. A ideia de pecado deve ser concebida na inteireza e abrangência do ensino bíblico, sem reducionismo ou relativismo, para que ninguém fique desavisado sobre a severidade do juízo divino sobre os pecadores não arrependidos. Qualquer outro discurso consistirá em palavras vãs, cujo propósito já sabemos (Efésios 5:6).

Tenha em mente que as afirmações cristãs feitas com base bíblica, quando da abordagem de temas tão polêmicos e relevantes, não devem ser consideradas preconceituosas, odiosas, homofóbicas ou incentivadoras de qualquer violência, e sim como declarações de verdade, desnudas, graves, porém cheias de amor verdadeiro, como o amor de um pai que avisa seu filho com gravidade sobre algum perigo a ser evitado. Tais declarações são de cunho religioso e não intencionam desencadear guerra contra pessoas ou classes, uma vez que os cristãos sabem que não têm “que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” (Efésios 6:12).

Jesus sempre marcou posição firme sobre o pecado e a necessidade de arrependimento. Certa vez, ele disse: “Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados.” (João 8:24). Seu discurso jamais anulou seu amor, tanto que morreu pelos pecadores, bem como seu amor nunca cooperou para atenuar suas falas severas e cheias de Verdade (João 6:60,66). À mulher adúltera amou e perdoou, porém a advertiu dizendo “vai-te e não peques mais”, mostrando-lhe o caminho do arrependimento como condição para uma nova vida (João 8:11). A mesma Bíblia que diz que “Deus é amor” (1 João 4:8) é a mesma que diz que “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hebreus 10:31), e que o Poderoso “tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo” por meio do Cristo ressurreto (Atos 17:31). Falar de amor e ocultar o juízo divino é desonestidade. Dizer que Jesus preferiu não julgar ou condenar, pois estava mais interessado em amar e acolher é politicamente correto, mas faz parte de um discurso mentiroso e diabólico.

Afirmar que textos bíblicos que tratam sobre pecados, se levados em conta pelo leitor, poderão “promover e justificar atrocidades”, é desqualificar a Palavra de Deus, atribuir-lhe ódio e violência, e esvaziá-la da Verdade. O evangelho, quando reduzido à mensagem moderna de amor, deixa de ser “o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16), e torna-se uma doutrina do diabo para arrebanhar almas incautas. Este falso amor que exclui a realidade do juízo é porta larga que conduz à perdição e, portanto, deve ser evitada. Pense nisso!


Em 2018


1 Declaração Doutrinária da CBB, “XV- Liberdade Religiosa”: http://www.batistas.com/portal-antigo/index.php?option=com_content&view=article&id=15&Itemid=15&showall=1 (acessado em 21 de abril de 2018).

2 Constituição Federal, Art. 5º, inciso VI, http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm (acessado em 24 de abril de 2018)

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Tempos difíceis

O mundo está em desordem. Uma nova “verdade” está sendo difundida, não apenas destoante, mas ofensiva aos princípios e valores da Palavra de Deus, norte do cristão

peixes
Imagem: Pixabay


“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.” (2 Timóteo 3:1)


Pr. Cleber Montes Moreira


Marquinhos havia completado 15 anos. Era um jovem educado, atencioso e muito interessado nos estudos. Recentemente, seu pai observara alguma mudança em seu comportamento, alguma inquietude, mas não sabia do que se tratava, apenas que estava diferente, estranho…Tentara conversar com ele algumas vezes, sem sucesso. Finalmente, naquela tarde, Marquinhos decidiu que contaria tudo, pois guardar aquilo o deixava cada vez mais angustiado. Foi quando, então, sem qualquer rodeio, desabafou:

— Pai, eu sou um pássaro.

— Como? Não entendi, pode repetir?

— Eu disse que sou um pássaro. Estou falando sério. Não é brincadeira.

— Pássaro?

— Sim.

Antônio pensou que o filho estivesse brincando, porém, como insistia, ficou convencido de que falava sério. “Pode estar perturbado, confuso, doente…”, pensou. Deixou que continuasse explicando, imaginando que falando poderia revelar mais precisamente seu problema, e assim ter como ajudá-lo.

— Na escola aprendemos que ninguém nasce gente. Essa coisa de que todos nascemos humanos é fruto de uma cultura impiedosa cultivada há anos por esta sociedade opressora. Cada um tem o direito de escolher ser o que quiser, sem interferência, sem a necessidade de sentir-se culpado, de ter que se explicar, e eu não me deixarei ser manipulado por ninguém. Eu sou um pássaro, me sinto como um, e quero ser livre como são os passarinhos.

— Filho, creio que precisamos buscar ajuda.

— Não. Não preciso de ajuda. Estou bem. Sabia que não entenderia, mas não estou decepcionado. O senhor não teve a mesma educação e, portanto, não tem a obrigação de entender como as coisas realmente são.

E tentou explicar um pouco mais:

— Da mesma forma que meninos não nascem meninos, e meninas não nascem meninas, ninguém nasce gente. Cada um é livre para ser o que quiser, quando e como quiser. É esta liberdade que torna a vida fascinante. Há quem escolha ser cachorro, há quem escolha ser gato, há quem escolha ser cavalo… há burros, há antas, há macacos, há papagaios, há veados… cada qual escolhe o que quer ser. — Enfatizou.

O pai, achando que a conversa já estava indo longe demais, propôs continuar noutro momento, para entender melhor o assunto, calculando que teria tempo para pensar no que dizer e em como ajudar o filho. Depois de lhe beijar na testa, saiu para pagar algumas contas na lotérica e buscar resultados de exames médicos, prometendo não demorar.

Marquinhos era órfão de mãe desde os 11 anos e morava sozinho com o pai. Embora fossem amigos, tinha dificuldades em se abrir com ele sobre certos assuntos. Para falar de sua opção, teve que tomar muita coragem.

O rapaz realmente não estava bem, parecia transtornado. No silêncio e solidão do apartamento onde morava, no décimo sexto andar, pensou: “Se sou um pássaro, tenho que agir como um”, e assim tomou providências. Em poucos minutos, um cenário horrível e de morte havia sido formado, para a perplexidade de quem transitava pela principal avenida do bairro: um corpo dilacerado, sustentado pelas lanças da pequena grade que separava o jardim da calçada, rodeado de curiosos e espantados. O rapaz alçara voo da janela de seu quarto, porém se esquecera de que não tinha asas.

Se você pensa na impossibilidade de um quadro como o narrado acima, se engana, a Ideologia de Espécie já está presente em vários países. Em 2016, o site Gospel Prime publicou notícia com o seguinte título: “Ideologia de espécie faz 10 mil ingleses viverem como cachorros.1 O site Exateus também publicou matéria sobre o assunto em que cita o caso da “francesa Karen, que nasceu homem, fez cirurgias para trocar de sexo e agora quer ser um cavalo. Ele(a) conta que essa ideia o(a) persegue desde que tinha sete anos de idade.” Também há “uma jovem que disse que é uma gata presa em um corpo humano.2

Imagino que em algum momento alguém dirá “eu sou um automóvel”, “eu sou uma cadeira”, “eu sou uma pedra”, “eu sou um repolho”, “eu sou uma abóbora”, “eu sou uma bananeira” e encontrarão respaldo na ciência e nas leis, visto que assim como ocorre com a Ideologia de Gênero, a questão não poderá ser tratada como doença ou anomalia, e sim como opção, e as pessoas não poderão procurar ajuda, já que os profissionais capacitados, bem como religiosos bem-intencionados, serão proibidos de atendê-los.

Pior que isso, talvez algumas igrejas comecem a ter o mesmo entendimento secular sobre estes casos, vendo-os do prisma de uma reinterpretação das Escrituras, e até formulando uma nova hermenêutica que os expliquem como sendo parte da diversidade criada pelo próprio Deus, pois é exatamente o que ocorre com a Ideologia de Gênero. Quem ousar pensar diferente será tido como arcaico, fundamentalista, legalista ou homofóbico, podendo, inclusive, ser penalizado perante a lei por sua discriminação e preconceitos. “Onde já se viu não aceitar que o filho seja um melão? Em que mundo nós estamos?”

No Brasil, e em muitos outros países, educadores, sociólogos e políticos, dentre outros, têm trabalhado pela inclusão da Ideologia de Gênero nas escolas. Sempre há uma nova investida, mesmo diante da recusa da sociedade. Na Suécia e na Holanda existem escolas onde não se pode chamar o aluno de menino e a aluna de menina, são chamados apenas de crianças, porque elas devem decidir, quando crescerem, se serão homens ou mulheres3. Imagine uma jovem formada, com belos seios, vagina, útero e ovários dizendo que decidiu ser homem! É tão racional quanto um jumento decidir que não é mais jumento, que é uma baleia. Pergunto: da perspectiva da biologia, tal “opção” é razoável? Não! Mas você pode argumentar que jumentos não tomam tal decisão. Será?

Certas militâncias reclamam que querem apenas fazer valer seus direitos, o que é, na verdade, uma estratégia de discurso. Querem mais que isso, querem impor um padrão. Querem transformar a exceção em regra para todos; querem amordaçar a sociedade e combater qualquer um que ouse pensar diferente.

No site “padrepauloricardo.org” lemos:

Na Alemanha, um casal, pai de nove filhos, está ameaçado de perder a liberdade, porque sua filha se negou a participar das aulas de educação sexual previstas para a escola primária. A polícia alemã já encarcerou Eugen Martens, em agosto de 2013, e só não prendeu ainda sua esposa, Luise, porque ela está amamentando o filho mais novo. O agente policial que visita a família, no entanto, garante: “O escritório da promotoria fará aplicar a decisão do juiz”. Ou seja, mais dia ou menos dia, também a mãe será presa.4

Já o site Consultor Jurídico publicou matéria com o seguinte título: “Em Ontário, pais podem perder filhos se recusarem identidade de gênero5. Nova lei estipula que o governo pode tirar os filhos de famílias que não aceitam suas identidades de gênero ou suas expressões de gênero. A justificativa é que a legislação deve ser centrada na criança e nos seus interesses, e não nos pais.

Em 2013, um menino de seis anos, na Argentina, “mudou de gênero” e recebeu uma nova certidão com um nome feminino. Não tem útero, não tem vagina, não menstruará, não poderá engravidar e ter filhos, mas é menina. E desde quando uma criança de seis anos tem maturidade para decidir sobre algo que mudará sua vida para sempre, inclusive afetando drasticamente o psicológico? Caso a decisão tenha sido autorizada pelos pais, trata-se de um crime.

Em 2016, o site G1 publicou: “Menino consegue na Justiça mudar para gênero feminino e trocar de nome.” O juiz de Sorriso, MT, que autorizou a mudança, apresentou a seguinte justificativa: “Ele nasceu com anatomia física contrária à identidade sexual psíquica.”6 O site do Jornal Extra publicou em 17 de junho de 2019: “Justiça do Rio autoriza criança a mudar de gênero e nome na certidão.” A justificativa? “Por se tratar de uma criança, explica a defensora pública do estado do Rio Elisa Costa de Oliveira, é preciso muita cautela nesse tipo de processo. Bruna (nome fictício), por exemplo, tinha um laudo médico indicando o diagnóstico de incongruência de gênero na infância.”7 Hoje é possível que qualquer pessoa tenha em seus documentos o seu “nome social”, inclusive uma criança.

Já o site Raciocínio Cristão deu a seguinte notícia: “Criança de 4 anos iniciará processo de mudança de sexo — Pastora gay apoia.8

Jesus disse: “Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome”. E também alertou: “Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão.” E no verso seguinte cita os falsos profetas (Leia Mateus 24:9-11). Este tempo chegou, e é agora.

No mundo há perseguição aos salvos, e nos arraiais evangélicos há traição. Os evangélicos inclusivos travam uma luta, ainda não percebida por muitos, contra os que ainda conservam a Palavra em sua essência. Esta luta, por enquanto, é de palavras, está no campo intelectual. Os heréticos avançam com discursos sobre amor, perdão, tolerância e outras sutilezas, e vão penetrando nas igrejas bíblicas e minando suas bases. Agem, principalmente, sobre os jovens, e também, discretamente, em vários seminários teológicos, para inculcarem nos que se preparam para servir as ideias da luta. Aqueles que são formados com esta mente são os que exercerão o pastorado, liderança de jovens e adolescentes, e depois lecionar nos seminários, onde continuarão sua militância.

O mundo está em desordem. Uma nova verdade está sendo apregoada, não apenas destoante, mas ofensiva aos princípios e valores da Palavra de Deus, norte do cristão. A maioria tem escolhido as benesses e facilidades do caminho largo. No entanto, a verdade não está, e nunca esteve, necessariamente, com a maioria. Engana-se quem pensa que “a voz do povo é a voz de Deus”. Em mar de peixes mortos, apenas os vivos são capazes de nadar contra as correntezas.

Paulo já havia avisado: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.” (2 Timóteo 3:1). Tempos trabalhosos, tempos terríveis, tempos penosos, tempos perigosos9… Há muitas formas de descrever os tempos difíceis aos quais o apóstolo se refere. Fato é que vivemos, nesta época, as realidades mencionadas pelo escritor bíblico. Quanto mais reconhecemos isso, mais necessário se faz que os verdadeiros cristãos marquem posição firme, independentemente das consequências. É hora de entendermos e assumirmos a condição do apóstolo que disse: “Por amor de Ti somos entregues à morte todo o dia; somos reputados como ovelhas para o matadouro.” (Romanos 8:36). Sabendo que “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos.” (2 Coríntios 4:8,9). Afinal, Deus está conosco, e não devemos temer “os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer.” (Lucas 12:4).

Que sejamos fiéis ao Senhor, à Sua Palavra, e em momento algum cedamos ao relativismo que nos é proposto pelo reino deste mundo; que não negligenciemos àqueles que, antes de nós, deram seus corpos e sangue em sacrifício, por amor a Deus e ao evangelho.

Saibamos que nossa luta não é contra pessoas, assim como diz a Palavra Santa: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” (Efésios 6:12).

Compreendamos ainda que embora nossa luta se dê no campo das ideias, estas são formuladas por pessoas e, por isso, o conflito, em algum momento, é inevitável. Busquemos sabedoria do alto, não lutemos com nossas forças, mas com as armas e a força do Espírito, sempre na dependência e como instrumentos daquele a quem servimos.


1 https://noticias.gospelprime.com.br/ideologia-de-especie-ingleses-viverem-cachorros/ (acessado em 03 de setembro de 2017)

2 https://exateus.com/2016/02/02/onde-vai-parar-essa-ideologia-de-genero-ou-especie-menino-de-9-anos-consegue-na-justica-mudar-genero-e-nome/ ; https://www.youtube.com/watch?time_continue=4&v=YWeBunPiIzo (links acessados em 03 de setembro de 2017)

3 http://www.ultimosacontecimentos.com.br/artigos/ideologia-de-genero-uma-ideologia-completamente-dirigida-e-arq.html (acessado em 03 de setembro de 2017)

4 https://padrepauloricardo.org/blog/pais-sao-presos-por-nao-aceitarem-ideologia-de-genero (acessado em 03 de setembro de 2017)

5 http://www.conjur.com.br/2017-jun-07/ontario-pais-podem-perder-filhos-negarem-identidade-genero (acessado em 03 de setembro de 2017)

6 http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2016/01/menino-consegue-na-justica-mudar-para-genero-feminino-e-trocar-de-nome.html (acessado em 03 de setembro de 2017)

7 https://extra.globo.com/noticias/rio/justica-do-rio-autoriza-crianca-mudar-de-genero-nome-na-certidao-23727357.html (acessado em 18 de junho de 2019)

8 http://www.raciociniocristao.com.br/2016/09/crianca-4-anos-iniciara-mudanca-de-sexo/ (acessado em 03 de setembro de 2017)

9 Do grego καιροὶ χαλεποί, tempos “difíceis” ou “perigosos. RIENECKER, Fritz - ROGERS, Cleon, Chave Linguística do Novo Testamento Grego, página 477, Vida Nova, 1985.