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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

A Trajetória da Igreja

“Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera; aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.” (Atos 1:1-3)

trajetória
Imagem: Pixabay


Texto Bíblico: Atos 1:1-11


Pr. Cleber Montes Moreira


Entendamos por “trajetória da igreja” o caminho que ela tem de percorrer na história, desde o seu surgimento até a sua glorificação com Cristo. Há uma linha de partida e uma linha de chegada. Os registros bíblicos são apenas parte de uma história emocionante que continua sendo escrita através dos séculos, e cujo fim ainda não sabemos quando se dará, uma vez que não nos foi revelado o momento do encontro entre a “noiva” e o “noivo” (Mateus 24:36), embora os sinais daquele grande dia se evidenciem cada vez mais.

Os registros de Atos são importantes por sua autoridade história, para a teologia da igreja, e como garantia de que Deus está atuando através dos séculos, conduzindo todas as coisas para o fim que Ele mesmo planejou.

Apesar de todas as aflições que os fiéis do início da era cristã tiveram de suportar, bem como todo o sofrimento causado aos cristãos de todos os tempos — zombarias, opressões, perseguições e mesmo a morte — a trajetória da Igreja é de sucesso e não de fracasso. A declaração do Senhor de que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18) não apenas lhe confere autoridade, mas lhe assegura de que Ele a governa, sustenta e a faz triunfar sobre todas as forças que tentam impedi-la, e mesmo bani-la da Terra: o seu futuro está guardado em Cristo. Nenhuma outra instituição teria resistido às mesmas provas pelas quais a Igreja tem passado ao longo dos séculos. Por isso a história é prova inconteste de que a Igreja é de Cristo, e não uma invenção humana.

Devemos aceitar “Atos dos Apóstolos” como a parte inicial da história que está sendo registrada nos anais divinos. O autor nos mostra o fundamento sobre o qual a igreja é edificada, se desenvolve, cresce e se espalha pelo mundo, a convicção que a faz prosseguir, quem a sustenta e orienta, bem como esperança que a motiva.

1. A trajetória da igreja se inicia e se orienta a partir de “tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar” (vs. 1,2)

Segundo a tradição cristã do segundo século, tanto o livro de Atos como o terceiro Evangelho foram escritos por um companheiro de viagem de Paulo, identificado em Colossenses 4:14 como “Lucas, o médico amado”, e citado entre os companheiros de trabalho do apóstolo (Colossenses 4:10-17; ver também 2 Timóteo 4:11; Filemom 1,24). “Meu livro anterior”, o evangelho de Lucas, registra o ministério de Jesus desde o seu nascimento até sua ascensão. Aquele que narrou com fidelidade o que “Jesus começou a fazer e a ensinar” agora registra os primeiros passos da igreja.

Os discípulos foram ensinados e treinados por Jesus. A igreja permanecia na “doutrina dos apóstolos” (Atos 2:42), ou seja, naquilo que eles receberam do Senhor e transmitiram aos outros crentes. Por isso ela é edificada, e trilha a história a partir de “tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar”, de modo que sua trajetória não é orientada por doutrinas humanas, teologias que desprezam a Bíblia, ou qualquer outra fonte posta como autoritativa, mas exclusivamente pelos ensinos de Cristo.

2. A igreja prossegue em sua trajetória pela convicção de que Cristo está vivo (v. 3; 24:1-53)

O escritor encerra sua narrativa anterior com registros de aparições do Cristo ressurreto (Lucas 24:1-53), e inicia Atos afirmando que o Senhor se apresentou vivo “com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas relacionadas com o Reino de Deus,” ou seja, de modo indubitável. Paulo, escrevendo aos Coríntios, exortando-os a permanecerem firmes no evangelho que lhes foi pregado, lhes fala sobre algumas das manifestações do Senhor (leia 1 Coríntios 15:1-8). A fé no Cristo vivo motiva a igreja: ela existe e se move por esta convicção.

3. A trajetória da igreja é orientada Espírito Santo (vs. 4,5,8)

Existem muitos métodos de gestão e estratégias adotados pelas igrejas de hoje. “Igrejas orientadas” por isso ou aquilo, “igreja” isso ou aquilo, e vários nomes e conceitos orientadores que têm por propósito a administração eficaz, o crescimento e a qualidade das igrejas. Há muitas igrejas dirigidas segundo sabedoria humana em desprezo da ação norteadora do Espírito Santo. Não é incomum que, logo após um processo de sucessão pastoral, pastores com uma “nova visão” trabalhem para desconstruir o ‘modelo’ anterior para implementar aquele que acha correto, como se a igreja fosse um “laboratório de experimentos”. Se este comportamento se verificasse no princípio, certamente que o Livro de Atos não existiria, ou se existisse, seria um livro histórico, mas não inspirado: ele retrataria os atos de um grupo religioso, de um “modelo de gestão eclesiástica” e não da igreja de Cristo.

A verdadeira igreja é orientada, encorajada, capacitada e usada pelo Espírito para os propósitos divinos. O poder do Espírito (virtude/capacitação) derramado sobre os salvos tem um objetivo: instrumentalizá-los para que sejam “testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra”. Em Atos vemos o Espírito Santo capacitando os salvos, dando-lhes ousadia, alegria, confortando, abrindo e fechando portas, orientando na pregação etc. O mesmo Espírito, com o mesmo poder e intenção, atua na igreja do presente.

4. A igreja segue sua trajetória motivada pela esperança de que Cristo voltará (vs. 9-11)

A ausência física do Senhor poderia ser motivo de desânimo para os discípulos. Os ensinos, as palavras encorajadoras, os momentos de oração e outras experiências do cotidiano com o Mestre deixaria uma saudade capaz de abrir uma lacuna em seus corações. Entretanto, lhes foi prometido um outro Consolador, bem como lhes foi feita uma promessa: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu já lhes teria dito. Pois vou preparar um lugar para vocês. E, quando eu for e preparar um lugar, voltarei e os receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, vocês estejam também” (João 14:2,3 — NAA).

Aqueles que viram o Senhor subir aos céus já haviam recebido a promessa de que Ele voltaria, e os levaria para Ele mesmo, para que estivessem juntos por toda a eternidade. Nós somos movidos por esta viva esperança. Sobre os heróis da fé, o escritor aos Hebreus declarou: “Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra” (Hebreus 11:13). A exemplo deles “não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a que há de vir” (Hebreus 13:14). Paulo nos ensina que “a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20). Muitos outros textos falam da cidade realmente maravilhosa, para onde Cristo irá nos levar, mas, o mais importante, e por isso o céu é valioso, é que Ele estará lá, no meio de seu povo (Apocalipse 22:1-5).

A convicção da volta do Senhor nos fortalece, é a viva esperança que nos faz prosseguir.

Reflita

1. A Palavra (doutrina/ensino) de Cristo é fundamento e orientação para o agir da igreja durante sua peregrinação.

2. A convicção de que Cristo está vivo alegra e motiva a igreja a prosseguir;

3. O Espírito Santo é a fonte de poder que instrumentaliza os salvos.

4. A confiança de que Cristo voltará para levar sua igreja a faz prosseguir perseverante em sua trajetória vitoriosa.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Pastores e o “Armário Teológico”

Teólogos, pastores e líderes há que abandonaram a teologia conservadora e as interpretações bíblicas históricas; eles e assumiram publicamente novas convicções; trocaram a fé tradicional pela chamada Teologia Inclusiva, e adotaram um novo posicionamento em relação a temas basilares da fé cristã. Outros, porém, por algum motivo, continuam no “armário teológico”

armário
Imagem: Pixabay


“Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela…”(2 Timóteo 3:5)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

A expressão “sair do armário” é tradução da gíria americana “come out of the closet”, que teria surgido a partir de outras duas expressões. Nos séculos 19 e 20, “come out” (“sair”, “surgir”, “se revelar”) era usado quando os pais organizavam os famosos bailes de debutantes que serviam para apresentar as adolescentes à sociedade. Era nestas festas de quinze anos que as meninas “se revelavam” adultas. Já a expressão “skeletons in the closet” (“esqueletos no armário”) era usada como sinônimo de algum segredo vexaminoso. Foi assim que “come out of the closet” passou a ser uma metáfora para aqueles que assumiam a homossexualidade, ou, como se diz hoje em dia, a sua “orientação sexual” ou “identidade de gênero”.

Creio que “sair do armário” seja uma expressão também adequada para ser usada em relação àqueles que resolveram sair do “armário teológico”, ou seja, abandonaram a teologia conservadora e as interpretações bíblicas históricas e assumiram publicamente outras convicções. Muitos líderes e autoridades religiosas — teólogos, pastores, padres etc. — têm trocado a fé tradicional pela chamada Teologia Inclusiva. Adotaram um novo posicionamento em relação a temas como pecado, arrependimento, novo nascimento, amor, justiça etc., e passaram a sustentar um discurso complacente em relação a certos valores e comportamentos. Algumas práticas antes consideradas pecaminosas agora são aceitas como sendo normais, dentre elas comportamentos (ou “orientações”) sexuais alternativas ao padrão tradicional. Para fundamentar “biblicamente” tais padrões resolveram ignorar, revisar ou ressignificar certos textos bíblicos e estabeleceram uma nova hermenêutica em que a Bíblia passou a ser interpretada não mais a partir da perspectiva de Seu Autor, mas das experiências, anseios e conveniências humanas. Eles passaram a fazer a “leitura pública da Bíblia” que consiste em sua interpretação a partir de certos grupos sociais: LTGBTs, mulheres (feministas), negros, indígenas e outros, sempre tratando de adequar os “mandamentos” às suas demandas. Certos textos, principalmente dentre os escritos paulinos, passaram a ser considerados “interditivos” de mulheres e homossexuais. Por esta nova leitura a Palavra de Deus deixou de ser normativa, e assumiu posição de submissão à Teologia Inclusiva para servir às suas finalidades.

Estes pastores que saíram do armário teológico, porque adotaram uma postura “politicamente correta” têm encontrado espaço na mídia e atraído multidões. Para os pecadores nada melhor que este “evangelho” que ao mesmo tempo em que autoriza o viver na carne aplaca suas consciências em relação a Deus. É como se a Nicodemos não tivesse sido dito “que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3), nem à mulher adúltera “vai-te, e não peques mais”, (João 8:11), ou que João Batista e Jesus não tivessem iniciado seus ministérios com uma exortação ao arrependimento (Mateus 3:3; 4:17), ou ainda que não houvesse nas Escrituras nenhuma exigência à santidade, porque à luz desta teologia, como seus expoentes ensinam, o único pecado é “não amar”.

Muitos pastores que têm saído do armário teológico expõem suas ‘convicções inclusivas’ a partir de seus púlpitos e por meio de todas as mídias possíveis; escrevem livros, promovem congressos e festivais, criam páginas e blogs onde publicam seus textos, coordenam movimentos etc. Geralmente investem e conseguem exercer grande influência sobre os mais jovens. Por isso muitas igrejas com perfil histórico se desviaram da Sã Doutrina, se desligaram ou foram desligadas de suas denominações, e passaram a interagir com outras igrejas e movimentos inclusivos. Outras ainda estão no rol de denominações históricas, mas sem compromisso doutrinário e teológico. É o caso de algumas igrejas onde pastores inclusivos, LGBTs, teólogos feministas, defensores do aborto, dentre outros, têm trânsito livre para pregar e ensinar.

Apesar da naturalidade como alguns pastores estão “saindo do armário” — de fato perderam a vergonha —, há outros que, mesmo abraçando tais convicções, não tiveram, ainda, a mesma coragem. Eles continuam no “armário teológico”. Alguns, talvez, estejam também naquele outro “armário”. Sei de pastores que não tendo assumido publicamente a Teologia Inclusiva procuram se cercar de ministros auxiliares (indicados por eles mesmos) e líderes inclusivos. Alguns encenam uma performance conservadora, porém agem sutilmente por meio de seu corpo de líderes para perverter a doutrina e desviar suas igrejas — tudo é uma questão de tempo. Por que eles continuam no armário? Talvez não haja uma única resposta, mas, provavelmente, por alguma conveniência ainda não tenham “se revelado”: porque estão numa zona de conforto, pastoreando boas igrejas e ganhando ótimos salários; porque ocupam cargos denominacionais e fazem de sua posição instrumento de militância (ainda que velada); porque não querem se indispor com líderes conservadores na igreja ou denominação; porque “ainda não é hora”; ou por outros motivos.

Os pastores (e outros líderes) inclusivos que ainda não “saíram do armário”, por causa de sua dissimulação — muitos até travestidos de conservadores —, são um enorme perigo porque que agem de modo articulado e estratégico, quase que imperceptivelmente, para desconstruir valores e apresentar às suas igrejas, por meio de um discurso suave e “contextualizado”, um “evangelho” palatável e adequado às suas convicções e intenções sórdidas. Tenham cuidado, “pois certos homens, cuja condenação já estava sentenciada há muito tempo, infiltraram-se dissimuladamente no meio de vocês. Estes são ímpios, e transformam a graça de nosso Deus em libertinagem e negam Jesus Cristo, nosso único Soberano e Senhor” (Judas 1:4 — NVI).


Setembro de 2019


domingo, 19 de julho de 2020

Discurso fraudulento

A enganosa Teologia Inclusiva considera o “amor” como a única doutrina para o acesso a Deus, desprezando a fé, o arrependimento e o novo nascimento, afrontando a cruz e blasfemando contra o Salvador, ensinando que qualquer pecador, mesmo um ateu confesso, se é capaz de amar ao próximo, está salvo

bandeira inclusiva
Imagem: Pixabay

“Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo.” (Colossenses 2:8)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Na época em que ocorreu o acidente que vitimou o jornalista Ricardo Boechat, um pastor evangélico progressista publicou numa rede social:

“Ainda sobre o Boechat, alguns estão perguntando: ‘Adianta ter amor ao próximo e não acreditar em Deus?’ Gente! Ter amor ao próximo é acreditar em Deus!”

A teologia Inclusiva considera o amor como a única doutrina para o acesso a Deus, desprezando exigências bíblicas como o arrependimento e o novo nascimento. Assim, qualquer pecador, mesmo um ateu confesso, se é capaz de amar ao próximo, está salvo. Esta “teologia” (entre aspas mesmo), exalta a liberdade e despreza a cruz, debocha do evangelho, barateia a graça, torna desnecessária a obra de Cristo, e zomba do próprio Deus porque apresenta uma mentira travestida de verdade. Para não dizer que rasgam a Bíblia, os teólogos inclusivos ressignificam sua mensagem para adequá-la aos interesses humanos e aplacar as consciências em relação ao pecado. Aqueles que defendem os valores do verdadeiro evangelho são tidos como “puritanos e castradores” que proferem uma “repetição infinda de velhas fórmulas moralistas, que escravizam as pessoas, em vez de libertá-las”.1

Nada mais perigoso que essa mentira travestida de verdade. É como se dissessem: “Evitem a porta estreita, nela há falso moralismo, muitas exigências inúteis, e o caminho é muito difícil. Entrem pela porta larga onde não há legalismos, onde sua liberdade não será tolhida, onde o “evangelho” é suave e sua vida não será importunada.” Quer coisa melhor que um evangelho atrativo e sem a exigência da cruz? (Lucas 9:23)

“Se você ama, tudo bem, nada mais importa, você está salvo!” Esta é a mensagem que gera ateus evangélicos, crentes num deus a seu gosto, guiados por uma “verdade” aprisionadora — mas que lhes dá uma falsa sensação de liberdade — e orientados por uma “bíblia” cuja leitura e entendimento se dá a partir dos anseios das pessoas, especialmente de certas minorias.

“Ter amor ao próximo é acreditar em Deus” é um discurso fraudulento, construído pelo inimigo mais sutil e ardiloso — Satanás — cujo propósito é alargar a porta do inferno.


1 http://teologiainclusiva.blogspot.com/ (acessado em 18 de fevereiro de 2019)

sábado, 18 de julho de 2020

“Todo amor é sagrado”?

Qualquer ‘amor’ que despreze os ensinos bíblicos, que relativize princípios e valores, ou que para se estabelecer necessite reinterpretar ou ressignificar as Escrituras está longe de ser ‘sagrado’

balões
Imagem: Pixabay


“Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor…” (João 15:10 — ACF)


Pr. Cleber Montes Moreira


Em seu perfil no Facebook uma igreja inclusiva divulgou uma imagem com a seguinte frase: “Todo amor é sagrado”1. Certamente que do ponto de vista desta sociedade decadente, amoldada ao “politicamente correto”, onde o principal valor é “seguir a voz do coração”, esta é uma afirmação muito bonita e suave aos ouvidos. Nada mais encantador que um discurso que versa sobre amor, principalmente se este for um discurso religioso, proferido em nome de Deus e tendo como base algum texto (por pretexto) das Escrituras. Não é sem motivo que atualmente este seja o tema predileto dos profetas do engano.

Será mesmo verdadeira a afirmação de que “todo amor é sagrado”? Esta pergunta deve ser respondida com base na Palavra de Deus, a regra de fé e prática de qualquer cristão autêntico, fora da qual não há nenhuma base confiável e normativa para a vida cristã. A Bíblia é inerrante e suficiente; não há outra fonte de revelação digna de total confiança, e por isso nenhuma outra palavra poderá substituir ou ser colocada em igualdade com a Palavra da Verdade. É nela que conhecemos o amor do Pai, bem como, por meio deste perfeito amor, somos chamados e ensinados sobre o modo como devemos amar a Deus e ao próximo.

Jesus nos adverte: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor” (João 15:10 — ACF). Por meio de João, o Pai nos fala:“E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele. Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (1 João 2:3-6 — ACF). O texto sagrado afirma que quem realmente conhece a Deus é aquele que guarda os seus mandamentos, que naquele que guarda a Sua Palavra (ensinos/mandamentos) o amor de Deus é aperfeiçoado, e que quem permanece verdadeiramente nele é aquele que anda como Ele (Jesus) andou.

Está claro que não existe amor puro, verdadeiro, que exclua a necessidade de obediência aos mandamentos de Deus explícitos na Bíblia. O critério do amor é este: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra…” De outro modo, “Quem não me ama não guarda as minhas palavras…” (João 14:23,24 — ACF). Assim percebemos que é impossível amar verdadeiramente sem antes amar a Deus, pois é o amor de Deus em nós que nos faz obedecer à Sua Palavra, que rege nossas vidas, incluindo, é claro, nossos relacionamentos. Qualquer ‘amor’ que despreze os ensinos bíblicos, que relativize princípios e valores, ou que para se estabelecer necessite reinterpretar ou ressignificar as Escrituras está longe de ser amor verdadeiro.

O “evangelho paz e amor” pode ser muito agradável, mas não se engane, ele não é o poder de Deus para salvar, mas a mentira do diabo para enredar pessoas. Este amor celebrado pela religião inclusiva exalta a carne, autoriza o pecado e em nada opera para o bem; trata de um amor corrompido, hedonista, reprovado por Deus, que escraviza, que desonra corpos… nada mais é que um sentimento egoísta travestido de amor. É o amor daqueles que se desviaram da fé, conforme Paulo já nos adivertiu: “Porque haverá homens amantes de si mesmos…” (2 Timóteo 3:2 — ACF).

Nada que esteja fora do padrão estabelecido por Deus em Sua palavra pode ser chamado de “sagrado”, nem mesmo aquilo que muita gente insiste em chamar de “amor”. Pense nisso!


1 https://www.facebook.com/ibacolher/photos/a.535725653433963/1081702915502898

terça-feira, 23 de junho de 2020

Os homens dos “tempos trabalhosos” serão presunçosos

Pessoas presunçosas, não ensináveis, desprezam os ensinos da Palavra de Deus… elas buscam posições de destaque e honra em detrimento dos outros, muitas vezes usando de má-fé.

presunção
Imagem: Pixabay

“Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos.” (2 Timóteo 3:2 — grifo do autor)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Outra característica dos homens dos últimos dias é que eles serão presunçosos. A palavra utilizada no texto é ἀλαζόνες (alazónes), que indica o comportamento daquele que presume de si mesmo mais do que é. No linguajar de nossos dias, é alguém que “se acha”. Na Bíblia Reina Valera de 1989, em espanhol, a tradução é “vanagloriosos”, em português “vangloriosos”, pessoa “que tem convencimento exagerado dos próprios méritos ou qualidades, que exibe suas pretensas conquistas; jactancioso, vaidoso, fanfarrão”.1 Indivúduo — ἀλαζών (alazón) — pretensioso, ostentador, orgulhoso. Segundo Fritz Rienecker e Cleon Rogers, é “alguém que se jacta e fica falando de suas próprias realizações e, em sua jactância, ultrapassa os limites da verdade e magnifica o fato a fim de se engrandecer, na tentativa de impressionar as pessoas”.2 É como um pescador que tendo apanhado um lambari conta que pescou um pirarucu tão grande, mas tão grande, que para tirar o peixe da água entortou o leito do rio.

Este comportamento jactancioso estava bem presente entre os fariseus.

Para algumas pessoas que confiavam em sua própria justiça e menosprezavam os outros, Jesus contou ainda esta parábola: “Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano. O fariseu, em pé, orava em seu íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: roubadores, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’ (Lucas 18:9-12 — BKJA).

Eles ainda apreciavam orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem admirados pelos outros, faziam caridade para serem vistos, e “tocavam trombetas” diante das pessoas anunciando seus atos, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens (Mateus 6:1-5). Eles são como aquele povo que, “seguindo suas próprias inclinações”, são capazes de dizer: “Afasta-te! Fica-te aí mesmo onde estás! Não te aproximes de mim, pois sou ainda mais santo do que tu!” (Isaías 65:5 — BKJA).

Conta-se que certa vez, quando John Bunyan acabara de pregar um sermão, um dos ouvintes lhe disse: “Sua mensagem foi brilhante. Jamais ouvi alguém falar desse jeito!” Bunyan respondeu: “Eu sei, irmão. Há pouco, o diabo me disse o mesmo.” Ele sabia que a exaltação do ego é uma armadilha que deve ser evitada. Há gente tão gabola que se vangloria até de sua humildade. Tenha cuidado para não deixar o diabo inflar seu ego.

Conforme Champlin, a raíz de alazón é ale e quer dizer “perambulação”.

Era a palavra usada para indicar uma atitude mental enlouquecida ou distraída. Os “vagabundos” geralmente eram indivíduos de vil caráter, fingidos, impostores; e assim a forma verbal dessa palavra indica os “fingidos”, os enganadores; e, em sua forma nominal, veio a indicar os “jactanciosos”, que proferiam coisas altissonantes sobre eles mesmos, mas que tudo era apenas pretensão”.3

Originalmente o alazón era um desses curandeiros impostores que levavam ao povo medicamentos, encantamentos e métodos de exorcismo que, segundo eles, curavam todos os males. Isso me faz lembrar daquele carro que passava em nossas ruas vendendo uma tal “pomada milagrosa”, capaz de curar quase tudo, mas também me faz pensar nos falsos profetas, jactanciosos, oportunistas, embusteiros, que “cheios de si” alardeiam poder e autoridade para fazer prosperar, curar enfermidades, realizar coisas sobrenaturais, profetizar, exorcizar, decretar, e até dar ordens a Deus. Eles proclamam santidade, autoridade e poder que não possuem; são vangloriosos e ávidos pelo lucro e/ou status. O seu evangelho é como aquela “pomada milagrosa” — pura enganação!

Pessoas vangloriosas, jactantes, desprovidas de humildade, não ensináveis, estão presentes em toda a sociedade, e também dentro das igrejas. Elas desprezam os ensinos da Palavra de Deus, violam regras, desrespeitam o próximo, são persuasivas, e buscam posições de destaque e honra em detrimento dos outros, muitas vezes usando de má-fé.


1 Google

2 Rienecker, Fritz – Rogers, Cleon. Chave linguística do Novo Testamento grego, página 477, Vida Nova, São Paulo-SP, 1985.

3 Champlin, Russell Norman. Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, Vol 5, página 386, Editora Candeia, São Paulo – SP, 1995

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Casados consigo mesmos

"Eu me amo, eu me amo
Não posso mais viver sem mim
Eu me amo, eu me amo
Não posso mais viver sem mim"
(Ultraje a Rigor)

narcisismo
Imagem: Free Images

“Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus.” (Filipenses 2:3-5 ― NVI)


Pr. Cleber Montes Moreira


Recebi pelo Whatsapp um link de uma matéria intitulada: “Empresária mineira se casa com ela mesma para celebrar amor-próprio.” Em entrevista ela declarou: “Eu resolvi casar comigo por causa da minha história, de eu ter chegado ao ponto de compreender que, em primeiro lugar, eu sou a pessoa mais importante da minha vida.”1 Vestida a caráter, segurando um espelho, a noiva, de 38 anos, fez votos de amor-próprio diante de cerca de 100 convidados.2 A celebração ocorreu no dia 26 de maio de 2019, numa praça de Belo Horizonte (MG).

A sologamia, termo traduzido do inglês sologamy, ato de contrair casamento consigo mesmo, já é moda em vários lugares do mundo. As cerimônias com decoração, trajes próprios, bolo, convidados, padrinhos, votos matrimoniais, dentre outras coisas, fazem lembrar um casamento convencional. Há no mercado várias empresas do ramo especializadas neste tipo de “casamento”. Os adeptos defendem que a sologamia nada mais é do que o comprometimento com o amor-próprio, com os próprios interesses e a própria felicidade.3 Isso lembra o refrão da música “Eu me amo”, do grupo “Ultraje a Rigor”, que satiriza o narcisismo:

 

Eu me amo, eu me amo
Não posso mais viver sem mim
Eu me amo, eu me amo
Não posso mais viver sem mim4

 

Ainda que para muitos a sologamia seja um ato simbólico, ilustra com propriedade o que Paulo ensinou sobre as pessoas dos “últimos dias”, as quais ele chama de “amantes de si mesmos”. Elas se exaltam sobremaneira, amam a si mesmas mais que tudo e que todos, se colocam como o centro do universo, e buscam incessante e incansavelmente, a todo custo, alimentar seu ego com tudo que lhes dá prazer são insaciáveis, obstinadas! Ainda que para satisfazerem seus intentos tenham que violar regras e desprezar princípios e valores morais.

Os “amantes de si mesmos” bem poderiam ser chamados de “casados consigo mesmos”.

Creio que a maior característica das pessoas deste tempo seja a busca excessiva pelo prazer como bem supremo. À luz do ensino paulino, percebemos que à medida que o mundo avança para Tempo do Fim, o egoísmo se pronuncia ainda mais (2 Timóteo 3:2).

A felicidade como finalidade última, preponderante, é fruto do egocentrismo, e tende a ser construída sobre o desrespeito dos direitos, da indiferença, do desprezo ao próximo, da corrupção, do ódio, da violência… Este comportamento, segundo o sábio, consiste em “insurgência contra a sabedoria” (Provérbios 18:1), e contraria o ensino paulino em Filipenses 2:3-5.

A questão é que quem é “casado consigo mesmo” usufrui de uma felicidade que dura como um raio. No final, como enfatiza o autor de Eclesiastes, “tudo é vaidade”. A “felicidade”, ilusória como uma miragem, é levada pelo vento, e a própria vida passa como “um conto ligeiro”. Pense nisso!


1 https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/05/24/empresaria-mineira-se-casa-com-ela-mesma-para-celebrar-amor-proprio.htm (acessado em 27 de maio de 2019)

2 https://revistamarieclaire.globo.com/Casamento/noticia/2019/05/empresaria-se-casa-com-ela-mesma-em-belo-horizonte-veja-fotos-da-cerimonia.html (acessado em 27 de maio de 2019)

3 https://www.hypeness.com.br/2017/06/sologamia-por-que-o-casamento-consigo-mesmoa-esta-virando-tendencia/ (acessado em 27 de maio de 2019)

4 https://www.letras.mus.br/ultraje-a-rigor/49186/

sexta-feira, 29 de maio de 2020

“Arrependei-vos”

O arrependimento foi o assunto com o qual Jesus iniciou seu ministério terreno, é doutrina elementar do cristianismo, é experiência indispensável para a entrada no reino de Deus. Ao longo de sua história a igreja tem pregado sobre o tema, mas agora eis que surge um “novo evangelho”, palatável, sutil, e que sem compromisso com a verdade, servindo a propósitos malignos, ignora pontos cruciais da mensagem verdadeiramente cristã.

arrependimento
Imagem: Pixabay

“E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galileia, pregando o evangelho do reino de Deus, e dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho.” (Marcos 1:14,15)


Pr. Cleber Montes Moreira


Assuntos como pecado e arrependimento tonaram-se inadequados para este tempo e deixaram de ser tratados em muitos púlpitos. Isso porque o que se prega tem que primeiro passar pelo crivo da opinião pública, para agradar a audiência e cooperar com a ambição do crescimento fácil que domina os corações de tantos pregadores. Se o sermão for “duro de ouvir”, a frequência tende a diminuir, coisa que deve ser evitada (João 6:60,66). É óbvio que nenhum falso pregador admitirá isso, porém suas práticas os denunciam: atenuar a mensagem, abordar temas de interesse dos ouvintes, ser politicamente correto, proferir sermões de autoajuda, recorrer à psicologia e adotar outras práticas que facilitem a multiplicação é quase que padrão. Daí vemos templos cheios de pessoas que não são confrontadas com sua pecaminosidade, em decorrência de que não experimentam verdadeira conversão. É certo que se o pecado não é denunciado, as consciências são aplacadas quanto à culpa e à necessidade de arrependimento.

Quem prega um evangelho que não expõe a natureza pecaminosa dos que perecem sem Cristo, que não chama ao arrependimento, engana seus ouvintes e admite na membresia da igreja pessoas sem salvação, tornando-se, perante o Senhor, culpado pelas almas que ajudou a encaminhar ao inferno. Contra estes, profere o Todo Poderoso: “o seu sangue eu o requererei da tua mão” (Ezequiel 33:6,8).

Pecadores não podem ir ao Salvador sem abandonar seus pecados. Por isso, qualquer que pregue um outro evangelho que não convide ao arrependimento, apresenta um falso cristo e anuncia uma falsa salvação.

Arrependei-vos” foi a primeira mensagem proclamada publicamente por Jesus, e é também a mensagem mais urgente que qualquer igreja e qualquer pregador verdadeiramente cristão tem de anunciar.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

O desafio de restaurar valores cristãos na família

Em meio a uma sociedade decadente, já intitulada por alguns como “sociedade pós -cristã”, restaurar valores cristãos em família é um desafio necessário e inadiável. Família abençoada, e que Deus usa para abençoar outras famílias, é aquela que se orienta pelos ensinos e princípios bíblicos.

Família Cristã
Imagem: Pixabay

"Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar? E achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida." (Lucas 15:8,9)



Pr. Cleber Montes Moreira

 

Vivemos num mundo em constante transformação, o que não significa, necessariamente, do ponto de vista bíblico, alguma evolução. Muitas vezes os avanços trazem consequências drásticas e prejuízos incalculáveis. O progresso, sobretudo o tecnológico, deu ao ser humano a sensação de independência de Deus, o que desencadeia a soberba, a autoconfiança, o individualismo, a materialização e falência de valores em nossa sociedade. Este modo de viver é bem entendido à luz de Romanos 1:22, que diz: “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos”.

Sendo seu próprio deus, por priorizar o que lhe dá prazer em detrimento dos princípios encontrados nas Sagradas Escrituras, o ser humano passou a criar valores próprios e estabeleceu uma nova ética. Assim o hedonismo passou a ser característica principal e norteador do comportamento humano. Na busca pelo prazer como bem supremo vale qualquer coisa: é isso que dita as regras. Os valores cristãos, como a própria Bíblia, hoje são considerados como arcaicos.

A humanidade pode atingir o solo da Lua, explorar Marte, fabricar chuvas, transformar espécies geneticamente, bem como criar seu próprio sistema ético-moral. “Não dependemos mais de Deus”, dizem. “Mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador…” e em decorrência disso “Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si”, e “os abandonou às paixões infames” (Romanos 1:24,25-26). Como no tempo do apóstolo Paulo, esta é também uma “geração corrompida e perversa” (Filipenses 1:15), que foi entregue às consequências de seus atos, pois “tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7). A degradação é tal que podemos fazer aquela mesma pergunta que Jesus fez em Lucas 18:8: “Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” Entendo que os sofrimentos, decepções, pavores e todo o mal que assola a humanidade é fruto do pecado e conseguinte afastamento do Criador: “Esconderei o meu rosto deles, verei qual será o seu fim; porque são geração perversa, filhos em quem não há lealdade” (Deuteronômio 32:20).

A tragédia da vida sem Deus se dá tanto individual quanto coletivamente. A sociedade vem sofrendo as consequências de uma decadência quase generalizada, o que faz lembrar a civilização pré-diluviana: “Comiam, bebiam, casavam, e davam-se em casamento…”, vivendo dissolutamente como se não tivessem que prestar contas a Deus. Mas, o resultado foi este: “até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu a todos” (Lucas 17.27) ― Deus é longânimo, porém é justo, ele “é tardio em irar-se, mas grande em poder, e ao culpado não tem por inocente…” (Naum 1:3).

A família de Noé foi desafiada a iniciar uma nova colonização da Terra, pois era a única que ainda preservava os valores morais, éticos e espirituais revelados por Deus. Igualmente as famílias cristãs têm a missão de como Sal da Terra ‘saturar’ o mundo com tais valores, e como Luz do mundo fazer ver aqueles que, pela ação do deus deste século, estão cegos em seu entendimento, para que lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo (2 Coríntios 4:4), a fim de resgatarem valores perdidos. No entanto, necessitam agir primeiramente no seu próprio contexto, uma vez que o ‘secularismo’, ou ‘mundanismo’ as tem afetado drasticamente.

Estamos diante de um contexto adverso, que exige cuidados para com as famílias, quando precisamos buscar o que foi perdido para que estejamos em condições de cumprirmos a missão de Deus. É para isso que ainda estamos aqui, para realizarmos Seus propósitos! Para que nossas famílias sejam abençoadas e sejam bênção para outras famílias, precisamos, com urgência e diligência, encaramos o desafio de restaurar os valores cristãos em nossos lares.

Entendendo o termo:

Entendamos o significado do termo usado no título deste estudo: ‘restaurar’ significa reparar, recuperar, consertar, pôr em bom estado, restabelecer (…). Assim sendo, o desafio proposto aqui é recuperar, consertar, restabelecer, reaver os valores cristãos no seio das famílias.

Observemos, atentamente, o texto em epígrafe: “Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente até encontrá-la? E, tendo-a achado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido” (Lucas 15:8,9 ― grifos do autor). 

O perigo do descuido:

Jesus fala de algo que foi perdido dentro de casa, não na rua ou em outro lugar. Atualmente muitos valores têm sido perdidos dentro dos lares, tais como amor, respeito, carinho, compreensão, dedicação, comunhão, paz, boa administração do tempo, diálogo, cultivo da vida devocional, meditação na Palavra de Deus, oração em família, gestão dos recursos etc. Tais valores se perdem facilmente quando se deixa de ter a devida atenção.

Provavelmente aquela mulher perdeu sua moeda num momento de distração ou descuido. Ela a deixou cair, ou simplesmente rolou de onde estava colocada. Não sabemos exatamente como se deu a perda. Valores tão importantes também se perdem por falta de atenção e até mesmo negligência. Quando membros da família não vigiam acontecem grandes prejuízos: brigas, infidelidade, imoralidades, divórcios, abalos emocionais, rebeldia, filhos nas drogas… a lista parece não ter fim!

Hoje nos distraímos facilmente com coisas que achamos incapazes de interferir na vida familiar: trabalho demasiado que subtrai o tempo; a TV assumindo papel preponderante na (de)formação do caráter e valores; absorção de conceitos seculares por se acreditar que “isso não tem nada a ver”; comportamento “politicamente correto” ao contrário do biblicamente certo, consumismo desenfreado que tira o foco do que é mais importante…

A Candeia e a Vassoura:

A candeia era uma lâmpada formada por um recipiente de barro ou de folha, munida de um bico pelo qual passa a extremidade de um pavio, que se enche com óleo para queimar. Talvez a figura mais próxima de nós seja a lamparina de querosene, ainda usada em lugares onde não há eletricidade. A candeia era a ‘lâmpada’ usada na época de Jesus.

A candeia, por emitir luz, metaforicamente representa a Palavra de Deus, que é a Luz da vida. A falta dessa Luz cria condições para o erro, pois Jesus mesmo disse “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mateus 22:29), e aquele que “andar de noite, tropeça, porque nele não há luz” (João 11:10).

Para reaver o que havia perdido a mulher teve que acender a luz, sem a qual ficaria praticamente impossível a busca. A Palavra (revelação) de Deus, personificada em Jesus ― “Eu sou a luz do mundo” (João 5:12) ― é indispensável como norte para a vida. São os ensinos do Senhor que dão luz para os que buscam encontrar a Verdade. Quem segue Sua doutrina “não tropeça, porque vê a luz deste mundo” (João 11:9). É Sua Palavra que revela o padrão ideal para a família cristã. Se em seu lar os valores bíblicos estão perdidos, somente com a Luz de Jesus poderão ser restaurados. Portanto, acenda a candeia!

Usando a vassoura:

Sou levado a pensar que aquela casa estava suja, e as sujeiras ocultavam a moeda, sendo necessário, para encontrá-la, varrer e vasculhar cada canto cuidadosamente. Não sabemos como a sujeira penetrou naquele lugar, mas, normalmente, entra pelas janelas, portas e frestas sem ser convidada. Se acumula nos cantos, em baixo dos móveis e tapetes, e se espalha por toda a casa. Em termos espirituais a contaminação entra por meio dos olhos, ouvidos, sentimentos, por janelas e portas da mente e do coração; pela TV e outras mídias, por influências maléficas de pessoas sem o temor de Deus com as quais convivemos etc. Esta sujeira se acumula e encobre valores que vão se perdendo aos poucos. Sempre digo que o diabo impõe seus (des)valores gradativamente, sorrateiramente, de modo muito sutil. Também neste caso devemos atentar para o que escreveu Paulo: “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” (Colossenses 2:8).

Procedendo a limpeza e a busca:

Depois da Luz de Deus sobre o entendimento (a candeia está acesa), percebe-se a necessidade da limpeza. Por onde começar?

Varra da sua mente o conceito de que “isso não tem nada a ver”, pois ele é a porta principal de entrada de tudo aquilo que não presta e atrapalha a sua vida. Esta frase representa a filosofia de vida de quem não quer compromisso com Deus e se dispõe a aceitar o domínio do pecado em sua vida;

Varra de sua mente todos os conceitos contrários à Palavra de Deus. Este é um tempo em que a sociedade transforma o bem em mal e o mal em bem, o certo em errado e o errado em certo, a justiça em injustiça e a injustiça em justiça… (Isaías 5:20). Os conceitos da “nova moralidade” conflitam com os ensinos das Escrituras e não podem ser tolerados por quem quer seguir a Cristo. Portanto, se há em sua mente algum pensamento, alguma crença, filosofia ou ‘achismo’ que conflita com os valores do evangelho, deve ser urgentemente varrido! Esta é uma faxina que não pode esperar!

Varra de seu coração todo e qualquer sentimento e/ou comportamento contrário aos princípios cristãos explícitos nas Sagradas Escrituras. Alguns sentimentos e comportamentos destrutivos comuns são o ódio, a inveja e a cobiça, mas existem outros que também devem ser erradicados, tais como amor-próprio excessivo, paixões ilícitas, o olhar interesseiro para o jardim do vizinho, a infidelidade etc.

Varra de sua vida a simpatia por coisas pecaminosas. Não basta apenas não praticar, é preciso não ter prazer nas coisas erradas, tais como cenas de novelas ou outros programas de TV que corrompem valores, em leituras impróprias, sites inadequados, ou mesmo em encobrir um erro de alguém ainda que por “amor” ou amizade etc.

Um mal hábito que tenho é o de guardar papéis que acho que podem servir no futuro, mas que ficam lá nas gavetas e prateleiras por anos, até que percebo sua inutilidade e, então, faço de vez em quando, uma faxina. Jogo fora cartas, jornais, revistas, folhas impressas e coisas que na verdade só ocuparam espaço e não têm serventia.

Quando criança comecei uma coleção de tampinhas de garrafas de refrigerante. Elas eram variadas: tampinhas de Coca-cola com desenhos da Disney, de Mineirinho com desenhos de animais, entre outras. A coleção crescia mais e mais, de forma que já não havia como guardar tudo. Aquilo não servia absolutamente para nada, mas um sentimento inexplicável me impedia de jogá-las fora. Demorei bastante e foi muito difícil me livrar daquele “lixo”, porém, quando o fiz, fiquei aliviado.

Pessoas há que conservam certas coisas por um apego sentimental que contraria a razão. No bairro onde moro uma pessoa conservava, até há pouco tempo, uma brasília velha, verde, com insulfilme e um som possante. O carro devia gerar gastos desnecessários, a lataria sempre era remendada, não tinha valor comercial, mas era cuidado com muito sentimento: um lixo que custava caro pra manter!

Tem gente que sabe que certas telenovelas trazem muitos malefícios, principalmente porque são instrumentos de desconstrução de valores, mas não conseguem abandonar o vício; muitas vezes toma partido por uma esposa, ou esposo em seu adultério, ou por um caso homossexual, ou por um bandido com cara de mocinho etc. Muitos se emocionam com cenas e histórias que conflitam com os valores cristãos. Há até quem aprecie cenas de pornografia explícita. Outros conservam palavreado “mundano”, outros vícios como “beber socialmente”; eu mesmo pastoreei uma igreja na qual havia um membro que fumava escondido, e conheço gente que bebe em oculto.

Pessoas há que insistem em conservar “pecadinhos” de estimação. Também há gente apática e omissa diante de realidades que normalmente causariam indignação ao crente. Quem tem simpatia pelo pecado está pecando. Pecado não se tolera, se erradica!

Conservar algum hábito pecaminoso por “capricho” é como conservar aquela brasília verde: pecados de estimação têm custo elevado, desproporcional ao prazer (momentâneo) que produz, e, invariavelmente, leva à ruína.

Depois de fazer sua ‘higiene pessoal’, ou seja, de se desfazer de todo o lixo, conscientize os demais membros de sua família para fazerem o mesmo. Assim sua casa (lar), com a cooperação de cada membro, ficará limpa!

Seja diligente:

Ser diligente é ser zeloso, cuidadoso, dedicado, criterioso naquilo que faz. A mulher sabia que para encontrar sua dracma precisava ser diligente. Muitas vezes não encontramos algo por não procurarmos direito. Assim também devemos agir no esforço de resgatarmos os valores do evangelho em nossos lares. Se formos relapsos em nossa relação com Deus, no cultivo de hábitos sadios, na vigilância, na devoção, na santidade (…), não obteremos sucesso. Quantas vezes fazemos com deszelo o que deveríamos fazer com dedicação?! Quantas vezes deixamos para amanhã aquilo é urgente?! Enquanto postergamos certas atitudes, a poeira vai se acumulando. A negligência sempre causa prejuízos, alguns incalculáveis!

Seja perseverante:

“Até encontrá-la” descreve a busca incansável daquela mulher, a sua determinação e perseverança. Muitas vezes queremos atingir alvos sem muito labor, sem muita oração, sem muito empenho… É comum a expectativa por resultados fáceis e imediatos, numa sociedade onde as mudanças acontecem rapidamente. No entanto, transformações profundas demandam muito esforço. De vez em quando ouço testemunhos do tipo “orei trinta anos pela conversão de meu esposo, mas valeu a pena: hoje ele está salvo”.

A perseverança é ensinada por Jesus. Foi Ele quem disse “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á” (Mateus 7:7,8), e também ensinou uma parábola “sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer” (Lucas 18:1).

Vejo que as famílias necessitam de transformações profundas e urgentes, mas que não acontecerão sem perseverança. Se não nos dedicarmos mais à oração, à busca da santidade de vida, ao conhecimento de Deus e Sua vontade, ao bem-estar dos nossos, e se não lutarmos em favor de nossas famílias não chegaremos a lugar algum. Pergunto:

  • O que a esposa crente será capaz de fazer para ganhar seu esposo incrédulo?
  • O que pais crentes serão capazes de fazer para ganhar seus filhos para Cristo?
  • O que você será capaz de fazer para proteger sua família da ação do diabo?
  • O que você será capaz de fazer para cultivar a comunhão no lar?
  • O que você será capaz de fazer para resgatar valores cristãos no seio de sua família?
  • Para tudo o que necessita sua família, até onde você é capaz de ir ou o que você é capaz de fazer?

O que necessita ser resgatado em sua família?

O texto fala de algo que foi perdido e encontrado depois. Creio que cada família deva responder à pergunta após avaliação de sua própria realidade, mas, em geral, pode ser:

  • Sentimentos e atitudes como amor, respeito, perdão, demonstração de afeto (…);
  • Interesse sincero pelos outros;
  • Atitudes positivas em relação aos demais membros da família;
  • Diálogo;
  • Silêncio;
  • Palavreado sadio;
  • Mutualidade;
  • Unidade;
  • Vida devocional (leitura bíblica, reflexão, oração);
  • Valores éticos e morais;
  • E outros.

Desfrutando alegrias:

Os valores do evangelho quando vivenciados produzem alegrias. Eles são a vontade de Deus para nossas vidas.

O resgate dos valores cristãos impactará cada membro da família. Quão bom é dizer “eu e minha casa serviremos ao Senhor” (Josué 24:15). Os salmos 127 e 128 retratam o resultado de observar os ensinos divinos na vida familiar. O marido cristão traz alegria à sua esposa, assim como a esposa cristã traz alegria ao seu marido. Pais cristãos contribuem para o sucesso e felicidade de seus filhos. Filhos cristãos, praticantes dos valores bíblicos, dão alegria aos pais.

Reflita:

O rei Josias teve papel importante na restauração do culto a Deus no Antigo Testamento. Durante a reforma do templo fora encontrado um livro, talvez o pentateuco, ou precisamente o livro de Deuteronômio (2 Reis 22:8). O livro, que estava perdido no templo, foi levado e lido na presença do rei. Após ouvir atentamente a sua leitura, Josias conclui que Israel estava em rebelião contra Deus, pois “nossos pais não deram ouvidos às palavras deste livro” (2 Reis 22:13) disse ele. Assim, além de comandar uma reforma no templo, o rei iniciou uma reforma espiritual que culminou no avivamento de Israel, e resgatou valores antes esquecidos. O culto a Deus foi restaurado!

Creio que assim como Deus usou Josias para restaurar o culto em Israel, poderá usar você para iniciar um avivamento espiritual em sua família, que resulte no resgate dos valores cristãos em seu lar. Isso depende da oração e da observância da Palavra de Deus, sempre na dependência do Espírito Santo. Talvez a Palavra esquecida numa gaveta, pedida em algum lugar, ou até desprezada… Sua família não poderá viver um intenso relacionamento com Deus sem que Sua Palavra seja lida, amada e vivida. Só por meio dela que valores cristão podem ser restaurados, tanto individual quanto coletivamente. Pense nisso!