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sexta-feira, 17 de julho de 2020

Sob a orientação do Mestre

Aqueles que se dedicam à missão, para que produzam frutos que glorifiquem a Deus, precisam estar sob a orientação do Mestre

a grande pesca
Imagem: Pixabay

“Simão Pedro disse aos outros: — Vou pescar. Os outros responderam: — Nós também vamos com você. Foram e entraram no barco, mas, naquela noite, não pegaram nada […]. Então Jesus disse: — Joguem a rede à direita do barco e vocês acharão. Assim fizeram e já não podiam puxar a rede, tão grande era a quantidade de peixes.” (João 21:3,6 — NAA)


Pr. Cleber Montes Moreira


Pedro decidiu pescar, e os demais discípulos que ali estavam resolveram ir com ele. Dentre eles haviam pescadores profissionais, experientes, porém passaram toda a noite e nada pegaram. Logo pela manhã Jesus apareceu na praia e lhes perguntou: “será que vocês têm aí alguma coisa para comer? Eles responderam: — Não” (v. 5). Então o Mestre lhes disse: “Joguem a rede à direita do barco e vocês acharão.” O resultado? “Assim fizeram e já não podiam puxar a rede, tão grande era a quantidade de peixes” (v. 6). Pergunto: Por que aqueles homens, acostumados ao mar, nada apanharam durante a noite inteira? Porque estavam orientados por si mesmos, confiados em suas habilidades, certos de sua capacidade. Porém, quando se colocaram sob a orientação do Mestre o resultado foi extraordinário.

Creio que este episódio ilustra muito bem o que ocorre hoje quando o assunto é “pescar” vidas para o reino eterno. Há pessoas confiantes na sabedoria e capacidade humana, que utilizam estratégias e métodos elaborados por “especialistas” humanos, que passam muito tempo trabalhando sem produzir frutos reais agradáveis a Deus — mesmo que produzam “adesões”. Diferentemente, aqueles que se dedicam à missão sob a Palavra do Mestre dos mestres, orientados pela sabedoria divina e capacitados pelo poder que vem do alto, produzem frutos que permanecem, e que fazem o céu se alegrar para a honra e glória do Altíssimo.

Temos lançado nossas redes crendo em nossa própria capacidade, estratégias e métodos, ou temos feito sob a orientação do Senhor? E qual tem sido o resultado de nosso trabalho? A decepção? A exaltação humana? Ou o louvor daquele que realmente é digno de glória? Pense nisso!

quinta-feira, 16 de julho de 2020

“Se o Senhor quiser…”

Amanhã, se eu acordar, Cristo estará comigo, se não acordar, estarei com Cristo. Esta certeza me basta; ela é revigorante, reconfortante, motivadora…

cemitério
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“Ao invés disso, deveriam dizer: ‘Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo’”. (Tiago 4:15 — NVI)


Pr. Cleber Montes Moreira


Alguém me disse: “Quero acordar cedo amanhã”. Respondi: Quero acordar. Falei brincando, mas depois comecei a pensar sobre o valor desta afirmação: ter acordado é uma bênção, por isso devo expressar minha gratidão a Deus por dádiva tão preciosa. Acordar amanhã é incerto, mas se acontecer, devo ter a consciência de que devo viver de modo que o Autor da vida seja glorificado em cada pensamento, em cada ato, e em cada palavra minha. Vivo por Ele e para Ele, e todos os meus dias devem ser para a sua glória.

Este ano já morreram, até este exato momento, 75.825.3121 pessoas. É assim que muitos fizeram planos para hoje, todavia não poderão executá-los (Eclesiastes 9:10). Sonhos são interrompidos todos os dias, obras ficam inacabadas, projetos não saem do papel… Por isso não devemos alimentar a soberba, nem cultivar vãs pretensões, conforme nos ensina Tiago: “Ouçam agora, vocês que dizem: ‘Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro.’ Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Ao invés disso, deveriam dizer: ‘Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo.’ Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna” (Tiago 4:13-16 – NVI).

Uma certeza eu tenho, a de que “Meus dias são como sombras crescentes; sou como a relva que vai murchando” (Salmos 102:11 — NVI), por isso meus planos devem ser elaborados a partir desta oração: “Se o Senhor quiser”. Amanhã, se eu acordar Cristo estará comigo, se não acordar, estarei com Cristo. Esta certeza me basta; ela é revigorante, reconfortante, motivante… Viver sem ela é como estar morto, e há muitos que assim estão porque não planejaram para a eternidade. Pense nisso!


1 Número atualizado aqui: https://www.worldometers.info/br/

quarta-feira, 15 de julho de 2020

“E sejam agradecidos”

Quando reconhecemos o favor divino, além de manifestarmos nossa gratidão a Deus, comunicamos graça ao mundo. O que recebemos transmitimos, sendo não apenas retentores, mas compartilhadores da graça

gratidão
Imagem: Pixabay

Pr. Cleber Montes Moreira


Conta-se que três homens, sendo um ingrato, um egoísta e um agradecido, encontraram pela manhã em suas portas um buquê de rosas, tendo cada um reagido de modo diferente diante do inusitado presente.

O ingrato atirou suas rosas numa lixeira quando ia a pé para o serviço. O egoísta apanhou as rosas, sentiu seu perfume, e colocou-as num jarro para decorar sua sala. O agradecido, radiante de alegria pelo presente recebido, foi visto, enquanto fazia sua caminhada matinal, distribuindo rosas para todos que encontrava. Sempre que ofertava uma rosa, outra surgia milagrosamente em seu lugar, de forma que ao voltar para casa seu buquê ainda contava com a mesma quantidade de rosas de antes, e elas não murchavam.1

As pessoas ingratas são aquelas que tendo recebido da graça, jogam no esquecimento o que receberam. As egoístas são as que recebem e guardam para si. As agradecidas são as que recebem e compartilham com alegria.

Quando reconhecemos o favor divino, além de manifestarmos nossa gratidão a Deus, comunicamos graça ao mundo. O que recebemos — δωρεὰν (dórean) como um presente gratuito, sem pagamento, livremente, sem merecimento2 —, transmitimos, sendo não apenas retentores, mas compartilhadores da graça: “Graciosamente recebestes, graciosamente dai” (Mateus 10:8 — BKJA).

É com este sentimento que o salvo por Cristo, em gratidão ao Salvador, se dispõe a servir a Deus e ao próximo. O problema é que este espírito de gratidão está cada vez mais escasso. Certa ocasião, um jovem ao ser consultado pela comissão de indicações de sua igreja sobre a possibilidade de assumir um cargo para o ano seguinte, logo quis saber: “Quanto receberei por isso?” Ele não considerou servir com alegria àquele que para salvá-lo enviou seu Filho unigênito, nem que aquele cargo seria uma oportunidade de comunicar graça aos irmãos — ele foi ingrato, como muitos têm sido.

Paulo diz que devemos ser eucháristoi (εὐχάριστοι), agradecidos3. “E sejam agradecidos” (Colossenses 3:15 — NVI) faz parte das orientações que o apóstolo dá aos salvos, àqueles que tendo ressuscitado com Cristo devem focar nas coisas do alto, e não nas terrenas, e incorporar em seu viver os valores do Reino de Deus. É assim que “E tudo quanto fizerdes, seja por meio de palavras ou ações, fazei em o Nome do Senhor Jesus, oferecendo por intermédio dele graças a Deus Pai.” (Colossenses 3:17 — BKJA).

 

Em agosto de 2019


1 Texto adaptado de “O Presente das Rosas”, de autoria desconhecida.

2 https://biblehub.com/greek/1432.htm (acessado em 01 de agosto de 2019)

3 https://biblehub.com/greek/2170.htm (acessado em 31 de julho de 2019)

terça-feira, 14 de julho de 2020

“Que os do mal fiquem do bem”

O amor altruísta nos leva a orar com sinceridade, não apenas para cumprir nosso dever religioso, mas por interesse real na transformação daqueles pelos quais poucos ousariam interceder

orando
Imagem: Pixabay

“Orai pelos que vos maltratam e vos perseguem…” (Mateus 5:44)


Pr. Cleber Montes Moreira


“Que os do mal fiquem do bem.” Esta era a frase mais repetida por nosso filho durante suas orações. Em seu linguajar infantil, o que pedia era que os maus se tornassem bons. Sempre que Jônatas começava a orar, Roberta e eu ficávamos na expectativa daquele pedido — Ele era persistente, o fazia por iniciativa própria, e antes que lhe houvéssemos ensinado sobre este princípio cristão.

Orar pelos maus deve ser uma atitude constante. Contrariando a lógica vigente na sociedade, Jesus nos ensinou a interceder por aqueles que nos têm por inimigos, que nos odeiam e nos fazem mal: “Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5:44).

Não somente orar, mas AMAR! Este amor altruísta nos leva a suplicar com sinceridade; não apenas para cumprir um dever religioso, mas por interesse real no bem daqueles pelos quais poucos ousariam interceder. O mundo pode não compreender isso, mas nós seguimos o exemplo de nosso Mestre. Alguém pode dizer que isso é difícil, ou mesmo impossível, mas se um pequenino pode fazê-lo por que não podemos? Aliás, o Senhor deseja que tenhamos um coração como de criança (Leia Mateus 18:3,4).

Motivados por Cristo e cheios de amor verdadeiro, que todos nós ao orarmos possamos fazer aquele mesmo pedido: “Que os do mal fiquem do bem”. Amém!


Junho de 2019

OBS.: Jônatas está com 8 anos e continua orando para que “os do mal fiquem do bem”.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Quando as aflições são bênçãos

Tenhamos sempre em mente que as aflições são bênçãos se nos servem como disciplina, se nos levam ao quebrantamento, se nos conduzem ao quarto de oração

Oração
Imagem: Free Images

“Eu disse: Guardarei os meus caminhos para não pecar com a minha língua; guardarei a boca com um freio, enquanto o ímpio estiver diante de mim… Ouve, Senhor, a minha oração, e inclina os teus ouvidos ao meu clamor; não te cales perante as minhas lágrimas.” (Salmos 39:1,12 – Leia todo o salmo)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

O salmista está abatido. Seus pensamentos estão carregados, talvez de questionamentos e dúvidas acerca de Deus e outras coisas que, se exteriorizadas, podem escandalizar.

Na estrada da vida há declives. Ninguém está imune às tristezas, e nem à depressão. Diante de situações adversas, de sofrimentos extremos, de dolorosas provações, não é incomum que pessoas questionem o silêncio, a ação, ou a permissão de Deus quando suas expectativas são frustradas. Pode parecer que Ele tarda em socorrer, que não ouve as súplicas, que está ausente quando o pior acontece. “Onde Deus estava?”, “Por que Ele permitiu que isso acontecesse?”, “Por que não mandou o livramento?”, perguntam. Isso é de nossa humanidade, é fraqueza nossa.

Davi propôs em seu coração colocar um freio em sua boca, de não dizer nada diante dos ímpios. Mattew Henri diz que “devemos nos lembrar que eles vigiam as nossas palavras e as modificam, se puderem, para nossa desvantagem.” De fato, toda palavra impensada, precipitada e inconsequente que dissermos, e até nossos lamentos poderão ser usados contra nós. Por isso, em certos momentos, o silêncio é preciosíssimo, ainda que agrave a nossa dor (v. 2).

Há hora de calar, e hora de falar. O salmista, quando falou, falou com Deus. Enquanto orava percebeu sua fragilidade, também viu que a força e a glória humana não passa de vaidade. Ele entendeu as consequências de suas iniquidades, suplicou por alívio, e colocou sua esperança no Senhor. Percebeu que não é Deus quem nos lança em sofrimento, que se ausenta e nos abandona, mas que é o pecado que como a traça nos corrói e faz de nossa vida um sopro (v. 11). As aflições são bênçãos se nos servem como disciplina, se nos levam ao quebrantamento, se nos conduzem ao quarto de oração. Pense nisso!


Abril de 2019

sábado, 11 de julho de 2020

O carro ou a neta?

O apego às coisas materiais é uma das características mais fortes desta sociedade afastada de Deus; priorizar as coisas em detrimento de pessoas é uma marca reveladora da ausência de Cristo na vida. Ou somos reconhecidos como discípulos do Mestre, por imitá-lo, inclusive no amor, ou o negamos por um padrão oposto aos seus ensinos

auto
Imagem: Pixabay

“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.” (João 13:35)

 

Pr. Cleber Montes Moreira


Presenciei um episódio em que uma neta ligou para o avô pedindo que a buscasse na escola. Naquela tarde havia chovido bastante, e a menina disse que estava toda molhada. O avô pronunciou algumas palavras ríspidas, desligou o telefone e comentou zangado: “Se ela pensa que vai entrar no meu carro molhada, está enganada!” Após ouvir tal coisa passei a refletir sobre como temos priorizado coisas menores em detrimento das que são realmente importantes. Também pensei sobre qual tem sido o tratamento frequente daquele homem para com sua neta, bem como que tipo de lembrança ela terá dele no futuro. Certamente que se recordará de um dia em que seu avô se recusou a deixá-la entrar em seu carro, só porque estava molhada da chuva. Confesso que quis ser, ao menos por uns minutos, o avô daquela menina, ir buscá-la e levá-la para o conforto do lar. O carro? Eu não tenho um carro novo, mas se tivesse que diferença isso faria? Certamente que abriria a porta e a deixaria entrar sem me importar com o estofado. Os bens materiais são para que nos sirvamos deles, as pessoas para serem amadas. Quem faz o contrário quebra o grande mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Marcos 12:31). E, se devemos amar o próximo, os mais próximos são os nossos familiares. Portanto, o amor começa em casa.

O que você tem escolhido amar? O carro ou a neta? Os bens materiais ou as pessoas? Quais são os verdadeiros tesouros guardados em seu coração? O amor, não pelas coisas mas pelas pessoas, é a maior característica do cristão. Pense nisso!

 

 

Fato ocorrido em 2015.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Não creio…

“Por isso hoje saberás, e refletirás no teu coração, que só o Senhor é Deus, em cima no céu e em baixo na terra; nenhum outro há.” (Deuteronômio 4:39)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Não creio no deus dos que dizendo pregar o evangelho, porém, servindo ao próprio ventre, com suas sutilezas enganam os incautos.

Não creio no deus daqueles que se dizendo fiéis ao evangelho, mas descrentes de seu poder, usam de subterfúgios para convencerem os infiéis.

Não creio no deus dos que pregam o amor, mas fazem acepção de pessoas.

Não creio no deus dos que, subindo aos montes para ver a sua glória, desejam construir lá cabanas para si.

Não creio no deus dos soberbos “espiritualizados”, cheios de “poder” e desprovidos da humildade característica do Salvador.

Não creio no deus dos mestres, sábios aos próprios olhos, que instruem aos outros sem, todavia, praticarem o que ensinam.

Não creio no deus dos que ocultam o verdadeiro Cristo enquanto exaltam a si mesmos.

Não creio no deus dos que servem a Mamon; dos que priorizam as riquezas em detrimento do reino eterno.

Não creio no deus dos que pregam um amor que sujuga a verdade.

Não creio no deus daqueles que, iludidos por um “evangelho social”, pregam uma justiça temporal e deixam de ensinar sobre a justiça divina, da qual devemos ter fome e sede.

Não creio no deus dos que apresentam uma verdade mentirosa, destoante dos princípios ensinados nas Escrituras; “verdade” que engana, aprisiona e mata.

Não creio no deus dos malabaristas da palavra, encantadores de (in)fiéis, que atraem para si aqueles que, não suportando a sã doutrina, se desviam da Verdade em busca de quem lhes afague o ego.

Não creio no deus daqueles que tendo aparência de piedade, na prática negam sua eficácia.

Não creio no deus daqueles que, declarando falar em nome do Eterno, proclamam aos homens a sua própria palavra.

Não creio no deus dos mercadores da fé.

Não creio no deus daqueles que, ostentando espiritualidade, encobrem seu ateísmo.

Não creio no deus presente nos louvores antropocêntricos.

Não creio no deus das “igrejas” mundanizadas.

Não creio no deus das “igrejas” que dialogam com o mundo, sempre dispostas a negociarem princípios basilares da fé cristã.

Não creio no deus da religião sem Deus.

Não creio no deus da fé institucionalizada.

Não creio no deus daqueles que ressignificam as Escrituras.

Não creio no deus dos que pregam um outro evangelho.

Não creio num deus mutável (nem mutante).

Não creio num deus criado pelos homens, à sua imagem e semelhança, falho, impotente, sujeito às paixões, subserviente, pronto a atender aos comandos de seu criador.

Não creio num deus que não ama.

Não creio num deus que não se relaciona seu povo.

Não creio num deus que não disciplina seus filhos.

Não creio num deus que não julga.

Não creio no deus da Teologia Universalista.

Não creio num deus que dispensa a reverência e o temor dos fiéis.

Não creio num deus que não exija dos salvos a santificação.

Não creio em nenhum deus além do Deus eterno, Soberano, diante do qual todos os deuses serão aniquilados, e todos os homens dobrarão seus joelhos naquele grande e terrível dia.

 

Março de 2019

domingo, 5 de julho de 2020

“Humildade” radiante

Que a falsa humildade não seja a potência motriz de nossas boas ações; que nosso amor e serviço seja sincero e desprovido de segundas intenções

lava pés
Imagem: Pixabay

“Com toda a certeza vos afirmo que eles já receberam o seu galardão”. (Mateus 6:6 — BKJA)


Pr. Cleber Montes Moreira


José era muito “humilde” e prestativo; ele sempre buscava oportunidades para servir, e depois saía contando para todos tudo o que fazia apenas por “amor”.

O pastor Adegivaldo é conhecido como servo exemplar e humilde. Certa feita ele resolveu inovar durante a celebração da ceia: pegou uma bacia com água e uma toalha, e lavou os pés de cada membro da igreja presente naquela reunião. Sua intenção era imitar o Senhor, e pregar para suas ovelhas um “sermão vivo”. Já no outro dia, aquela “pregação” alcançou o mundo através das redes sociais: em seus perfis ele postou um texto sobre seu feito e fotos que eternizaram aquele momento. Nos comentários, vários louvores ao pastor.

Há pessoas tão humildes, mas tão humildes, que sua humildade é como a luz do sol (é vista por todos). São como aqueles religiosos do tempo de Jesus, que faziam suas obras diante dos homens e oravam publicamente para serem vistos e elogiados (Mateus 6:1-6) — eles praticavam uma “humildade” radiante! O farisaísmo atual se assemelha ao daquele tempo, mas a advertência do Mestre é a mesma: “Guardai-vos de fazer (como eles) […]. Com toda a certeza vos afirmo que eles já receberam o seu galardão” (Mateus 6:1,6 — BKJA).

Que esta “humildade” não seja a potência motriz de nossas boas ações; que nosso amor e serviço seja sincero e sem segundas intenções.

Quando você fizer algo por amor e obediência a Cristo, não dê entrevistas, “não toques trombeta diante de ti” (v. 2); não troque o galardão do Senhor por apenas “quinze minutos” de fama. Pense nisso!

 

Agosto de 2019

terça-feira, 30 de junho de 2020

Confia e espera

Ainda que não compreendamos, o tempo de Deus é o tempo certo, e Seu agir é perfeito; tudo o que precisamos é confiar e esperar.

oração
Imagem: Pixabay

“Ele fez tudo apropriado a seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez” (Eclesiastes 3:11)


Pr. Cleber Montes Moreira


Embora a Bíblia nos ensine que há tempo para tudo, e que Deus é soberano em suas ações, muitas vezes murmuramos enquanto aguardamos por alguma resposta às nossas orações. Vivemos sob a influência de uma sociedade imediatista, que quer tudo para ontem. A facilidade do controle remoto para trocar o canal da TV, abrir o portão, acender uma lâmpada e realizar outras tarefas, bem como toda comodidade que temos neste tempo de avanços tecnológicos, nos fez mal-acostumados. Esses dias meu filho estava “judiando” (como ele mesmo disse) do controle remoto: é que as pilhas estavam fracas e ele já demorava para obedecer aos comandos. Em relação a Deus muitos querem a mesma prontidão, como se fosse possível apertar uma tecla e o Poderoso responder prontamente.

Jairo era um homem importante. Ele era o líder da sinagora. Quando sua filha única, de doze anos, estava muito doente, ele foi buscar socorro em Jesus. Não sabemos o quanto ele conhecia sobre o Senhor, mas certamente o bastante para confiar que Ele seria capaz de curá-la. O relato bíblico diz que “prostrando-se aos pés de Jesus, rogava-lhe que entrasse em sua casa” (Lucas 8:41).

Enquanto iam, rodeados por uma multidão, Jairo teve de esperar, pois “uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze anos, e gastara com os médicos todos os seus haveres, e por nenhum pudera ser curada, chegando por detrás dele, tocou na orla do seu vestido, e logo estancou o fluxo do seu sangue. E disse Jesus: Quem é que me tocou?” (Lucas 8:43-45). Enquanto isso acontecia, “chegou um dos príncipes da sinagoga, dizendo: A tua filha já está morta, não incomodes o Mestre” (Lucas 8:49). Aquele ‘atraso’ poderia ter deixado Jairo angustiado, decepcionado, com raiva… mas, ele confiou. Jesus lhe disse: “Não temas; crê somente, e será salva” (Lucas 8:50), e assim aconteceu: apesar da desconfiança dos que estavam na casa, e das risadas dos incrédulos, Jesus “pegando-lhe na mão, clamou, dizendo: Levanta-te, menina. E o seu espírito voltou, e ela logo se levantou” (Lucas 8:54,55).

O pedido de Jairo foi atendido, não no tempo que ele imaginava, mas no tempo de Deus, para a honra e glória de Deus e alegria de todos. Ainda que não compreendamos, o tempo de Deus é o tempo certo, e Seu agir é perfeito. Quem não tem fé se desespera, mas quem nele confia espera, mesmo quando aos olhos naturais tudo parece perdido.

Confia e espera, pois “bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca. Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor” (Lamentações 3:25,26).

segunda-feira, 29 de junho de 2020

A Escola de Justino

Quase tudo que Justino sabia sobre Deus, ele aprendera na EBD. As lições recebidas na “maior escola do mundo” cooperaram para forjar seu caráter, formar seus valores, e prepará-lo para a vida

criança lendo a Bíblia
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“Trazendo à memória a fé não fingida que em ti há, a qual habitou primeiro em tua avó Lóide, e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também habita em ti […]. E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.” (2 Timóteo 1:5; 3:15)


Pr. Cleber Montes Moreira


Justino, órfão de pai, criado pela mãe e a avó materna, nunca teve vida fácil. Passou escassez de quase tudo, teve de trabalhar cedo para ajudar nas despesas da casa, não pôde frequentar a escola, e o pouco que aprendeu a ler foi com uma vizinha professora, a quem chamava de tia. Por muito tempo o único livro da casa, a velha Bíblia, e algumas revistas recebidas na igreja foram-lhe bastante úteis para treinar a leitura. Era inteligente, autodidata. Na década de 1970 cooperou na organização de uma igreja no bairro onde morava. Sempre operante, dirigia cultos, pregava, ensinava classes bíblicas e gostava de evangelizar. Desenvolto, hábil no ensino da Palavra de Deus, certa feita alguém lhe inquiriu sobre a escola em que havia estudado, ao que respondeu: “Na Escola Bíblica Dominical.” Sim, ele desenvolveu sua habilidade na leitura desde criança, a partir das revistas da EBD da antiga igreja. Assim como Lóide e Eunice, que instruíram Timóteo na fé, Justino também aprendeu com o testemunho da avó e da mãe, mulheres sábias, que despertaram nele, desde a infância, o interesse pela classe dominical.

Quase tudo que Justino sabia sobre Deus, ele aprendera na EBD. As lições recebidas na “maior escola do mundo” cooperaram para forjar seu caráter, formar seus valores, e prepará-lo para a vida. Mesmo sem formação secular, alcançou sabedoria. Seu testemunho era impactante e persuasivo. Agora era ele quem conduzia seus três filhos no bom caminho.

Creio que se agirmos como Lóide e Eunice, e como a avó e a mãe de Justino, se ensinarmos aos pequeninos as sagradas Escrituras, que podem fazê-los sábios para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus, tais ensinos frutificarão em suas vidas e Deus fará neles a Sua Obra.

A escola de Justino pode ser também a escola de sua família. Pense nisso!

domingo, 28 de junho de 2020

A Escola Bíblica Dominical como instrumento para alcançar as futuras gerações

Se cada geração entender a importância do discipulado, e alcançar e capacitar a próxima para que faça o mesmo, a Palavra de Deus seguirá salvando, santificando, edificando, e aperfeiçoando os salvos de hoje e de amanhã para a Boa Obra

Bíblia
Imagem: Pixabay

“E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te.” (Deuteronômio 6:6 — grifo do autor)


Pr. Cleber Montes Moreira


A maior demonstração de amor e fidelidade a Deus é acolher a Sua Palavra, praticá-la e transmiti-la às futuras gerações. Por isso ela deve estar guardada no coração (Salmos 119:11), inundar nossos pensamentos, transbordar em nossas ações, ser declarada por nossos lábios (Lucas 6:45), ensinada aos filhos em casa, andando pelo caminho, antes de dormir e ao acordar (v. 7). Ela deve estar sempre diante de nossos olhos, para que seja memorizada, compreendida, aplicada, e opere eficazmente em nós e nossas famílias (vs. 7,8). Para Israel ser bem-aventurado em sua terra, deveria observar isso. Também nós, se quisermos agradar a Deus, alcançar os nossos e transmitirmos valores eternos aos filhos, e por meio deles fazermos chegar a Palavra aos nossos netos, bisnetos e assim por diante. Se cada geração entender a importância do discipulado, e alcançar e capacitar a nova geração para que faça o mesmo, a Palavra de Deus seguirá salvando, santificando, edificando, e aperfeiçoando os salvos de hoje e de amanhã para a Boa Obra. Porém, aquela geração que romper com este clico colherá resultados nefastos.

Um dos recursos que temos à disposição, que nos ajuda a cumprir o que nos pede o texto bíblico, é a Escola Bíblica Dominical. Ela não é apenas uma atividade, ou departamento da igreja, mas um instrumento poderoso de ensino e transformação de vidas. Muitos que hoje servem a Cristo, aprenderam os princípios fundamentais da fé cristã desde pequenos, na EBD. A Bíblia diz: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Provérbios 22:6). Eu creio nisso. E você?

sábado, 27 de junho de 2020

Billy Graham e Charles Templeton

“Pai, pela fé eu aceito este livro como Tua Palavra! Pela fé vou além das minhas dúvidas; eu creio que esta seja a Tua Palavra inspirada!”

Billy Graham
Billy Graham, 1969. Imagem: BGEA

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem.” (Hebreus 11:1)

“E a minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.” (1 Coríntios 2:4,5)

 

Pr. Cleber Montes Moreira

 

Em 1949, antes de pregar num grande evento numa tenda em Los Angeles, Billy Graham mergulhou em dúvidas que afligiam sua alma. Algumas semanas antes, ele participara de uma conferência no Centro de Retiros Forest Home, na Califórnia, com diversos teólogos da época, dentre eles o seu então melhor amigo Charles Templeton, que defendia no Seminário Teológico de Princeton (Princeton Theological Seminary) seu estudo histórico e literário da Bíblia contrário a inspiração e inerrância das Escrituras.

Perturbado, certa noite Billy pegou sua Bíblia e caminhou sozinho pelas montanhas de San Bernardino, ao redor do Forest Home. Ao ver um velho tronco de árvore ao lado do caminho, colocou sobre ele sua Bíblia aberta e começou a orar:

“Ó Deus! Há muitas coisas neste livro que não entendo. Existem muitos problemas para os quais não tenho solução. Existem muitas contradições aparentes. Existem algumas áreas que não parecem se correlacionar com a ciência moderna. Não posso responder a algumas das questões filosóficas e psicológicas que Templeton e outros estão levantando.”

Depois caiu de joelhos, e continuou:

“Pai, pela fé eu aceito este livro como Tua Palavra! Pela fé vou além das minhas dúvidas; eu creio que esta seja a Tua Palavra inspirada!”

Após sua oração Graham sentiu o Espírito de Deus inundando sua alma. Quando se dirigiu ao público do Forest Home na noite seguinte, era como se fosse um novo homem. Havia uma confiança, um senso de autoridade em sua pregação que era totalmente nova e poderosa.

Ambos eram estudiosos da Palavra e evangelistas muito conhecidos. Um buscou entender a Bíblia por critérios humanos, o outro dobrou seus joelhos. Billy Graham tornou-se no homem que conhecemos, já Charles Templeton trocou a fé cristã pelo ateísmo1. (1 Coríntios 2:14)


1  Com informações de:

Documentário “Billy Graham O embaixador de Deus”, God's Ambassador (Original), DVD, 2006, Distribuído no Brasil por Comev.

https://www.ultimato.com.br/conteudo/billy-graham-e-a-ante-sala-da-apostasia (acessado em 29 de maio de 2019)

https://friendsofjustice.blog/2015/08/03/billy-grahams-shadow-chuck-templeton-and-the-crisis-of-american-religion/ (acessado em 29 de maio de 2019)

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Apenas cumpra o seu ministério

Há líderes que se esforçam demasiadamente para elaboração de estratégias de crescimento e multiplicação, e se esquecem da responsabilidade de criarem um ambiente propício à ação do Espírito Santo na medida em que, obstinados pelo crescimento, desprezam o compromisso e o ensino da Sã Doutrina

plantio
Imagem: Pixabay

“Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.” (1 Coríntios 3:6,7 — grifo do autor)


Pr. Cleber Montes Moreira


No início de meu ministério comprei alguns livros sobre “como fazer sua igreja crescer”. Sinceramente que pensava poder fazer algo sobre isso. Li livros e matérias diversas sobre o assunto. Ainda hoje noto os modelos de gestão e estratégias de crescimento que estão em voga, tidas por alguns como a “nova invenção da roda”. Com o tempo percebi que esta é uma intenção inútil, por mais honesta que seja. Assim como não podemos acrescentar um centímetro à nossa estatura (Mateus 6:27), tampouco fazer uma criança crescer, a não ser criar um ambiente e condições favoráveis à saúde, também não podemos fazer a igreja crescer a partir de nossa capacidade. O grande problema que vejo é que estamos confundindo os papéis no processo de crescimento: “somos cooperadores de Deus” (v. 9) e não deuses; nossa tarefa é plantar e regar, ou seja, alimentar e sustentar os cristãos com a pregação do evangelho genuíno, todavia, o crescimento, é Deus quem dá. É como o lavrador cujo trabalho é observar as estações, preparar a terra, semear e cuidar da lavoura, sabendo que quem faz a semente germinar e crescer é o Criador, utilizando de leis da natureza que Ele mesmo estabeleceu.

O problema de alguns líderes de hoje é que eles se esforçam demasiadamente para elaboração de estratégias de crescimento e multiplicação, tarefa que compete a Deus, e se esquecem da responsabilidade de criar um ambiente propício à ação do Espírito Santo na medida em que, focando no crescimento, desprezam o compromisso e o ensino da Sã Doutrina. Dessa forma, o resultado que conseguem é meramente numérico, decorrente de adesões e não de conversões. A consequência são igrejas cheias de membros carnais, tendo pastores humanos e não a Cristo por cabeça, manejados por metodologias e estratégias seculares e não pela Palavra da Verdade, guiados por “visões” e não pelo evangelho.

Se você é pastor e quer cooperar para o crescimento da igreja local, apenas plante e regue: pregue a Palavra com integridade, a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina, seja sóbrio em tudo, suporte os sofrimentos, faça a obra de um pastor e de um evangelista, cumpra fielmente o seu ministério, e creia que Deus fará a sua parte (Leia 2 Timóteo 4:5).

quinta-feira, 25 de junho de 2020

A fé não empodera

Enquanto a fé dos que buscam “andar sobre as águas” tende a produzir autoconfiança, a fé bíblica revela que precisamos do socorro divino, sem o qual estamos perdidos

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“E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me! E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?” (Mateus 14:29-31)


Pr. Cleber Montes Moreira


Há quem ostente uma fé num deus servil, subserviente ao homem, fé capaz de “mover montanhas”, de dar a quem crê o poder de “mover no sobrenatural”, de decretar curas, milagres e outras realizações; fé que diminui o Criador e empodera a criatura. Porém, esta fé que exalta nosso ego nada mais é que um ‘recurso de autoajuda’, capaz de gerar uma sensação agradável de poder e segurança que obscurece o entendimento de nossa dependência de Deus, e por isso nos leva ao naufrágio.

É certo que Pedro foi ousado ao fazer tal pedido. É certo que ele caminhou, ainda que por pouco tempo, sobre o mar, desafiando leis naturais. É certo que sua atitude pode merecer alguma admiração, mesmo tendo origem numa dúvida: “se és tu” — ele desafiou Jesus para que provasse ser Ele mesmo, e não um fantasma ou outro ser (v. 26). Mas, é também certo que ele teve que suplicar por socorro para não se afogar, motivo pelo qual concluo que nossa fé não é aferida quando andamos sobre as águas, mas quando clamamos por Cristo e seguramos em sua mão salvadora, sempre estendida para nos ajudar.

A tendência de quem anda sobre as águas é confiar em si mesmo, por isso Jesus não permitiu que Pedro fosse longe, e logo o fez perceber a sua impotência diante de forças tão ameaçadoras. E nisso há um ensino contra a soberba: Ninguém pode ir encontrar com Cristo caminhando sobre as águas, para que não se glorie em si mesmo; é o Senhor que vem a nós, com sua graça e misericórdia, trazendo Salvação; é ele quem estende sua mão para nos erguer da miséria do pecado. Assim, a fé salvadora não é aquela que nos faz sentir acima das circunstâncias, que nos empodera, mas a que nos leva a buscar e confiar somente em Jesus, nossa única esperança. Pense nisso!

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Vencendo a ansiedade por meio da oração

A prática constante da oração nos faz confiar no agir de Deus, e esta confiança é a cura para o mal da ansiedade.

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“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.” (Filipenses 4:6)


Pr. Cleber Montes Moreira


Como filhos de Deus temos um recurso eficaz contra a ansiedade, a oração. A sua prática constante nos fortalece para lidarmos com as aflições na confiança de que o Eterno está no controle, e que Ele pode, se for de sua agradável vontade, alterar o cenário desfavorável ou nos capacitar para lidarmos com as circunstâncias de modo que seu nome seja glorificado. A disciplina da oração nos faz entender e aceitar os desígnios de Deus para nós, e nos torna gratos pelo entendimento de que“todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8:28), inclusive tudo que nos aflige.

O ensino bíblico é para levarmos ao Pai, em oração, tudo que nos inquieta, seja algum medo, alguma culpa, algum sentimento indevido, alguma necessidade, alguma enfermidade, alguma preocupação… cada um terá o que apresentar em suas petições. O resultado é que a paz que excede todo o entendimento tranquilizará nossos corações e aquietará nossos pensamentos.

Quanto mais tempo passamos em oração, maior é nossa confiança no agir de Deus, e esta confiança é a cura eficaz para o mal da ansiedade. Pense nisso!

 

O Grande Amigo

(Hino 155 do Cantor Cristão)

 

Em Jesus amigo temos, mais chegado que um irmão,

E nos manda que levemos, tudo a Deus em oração.

Oh que paz perdemos sempre, ó que dor no coração,

Só porque nós não levamos tudo a Deus em oração!

 

Temos lidas e pesares, e na vida tentação,

Não ficamos sem conforto, indo a Cristo em oração.

Haverá um outro amigo de tão grande compaixão,

Os contritos Jesus Cristo, sempre atende em oração!

 

E se nós desfalecemos, Cristo estende nos a mão,

Pois é sempre a nossa força e refúgio em oração.

Se este mundo nos despreza, Cristo é nosso em oração,

Em Seus braços nos acolhe, e nos dá consolação!

 

Charles Crozat Converse (1832-1918)

Joseph Scriven (1820-1886)

terça-feira, 23 de junho de 2020

Votos Sologâmicos

Como um dos sinais dos “tempos trabalhosos’, o ‘sologanismo’ se mostra cada vez mais como característica deste tempo em que se prolifera a ‘autoveneração’

espelho
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“Porque haverá homens amantes de si mesmos…”(2 Timóteo 3:2)


Pr. Cleber Montes Moreira


A data escolhida, o sábado, dia 11 de maio de 2019. O horário, às 11 horas. O lugar, a Chácara Santa Felicidade, pertencente a um tio. A ornamentação, de tirar o fôlego; parecia um conto de fadas. Tudo perfeito, como planejado. Naquele dia, a noiva não atrasou.

No altar o ministro religioso aguardava, enquanto os convidados, confortavelmente acomodados, dirigiram seus olhares em direção àqueles que, ao som de uma música, executada por uma banda local, caminhavam lentamente sobre o tapete vermelho e entre arranjos floridos, pausando para fotos: casais de padrinhos, os pais da noiva, a florista e uma dama que trazia uma joia e um pequeno espelho com moldura e ornamentos dourados, após os quais eis que surge a noiva, linda, disputada por fotógrafos e cinegrafistas, bem como por amadores que com seus smarphones procuravam eternizar imagens daquele momento ímpar.

Atenta, Giulianna, de 26 anos, já no altar, ouvia emocionada uma canção oferecida por Carla, uma amiga da faculdade. O oficiante fez um pequeno sermão sobre o amor, e em seguida a dama apresentou o anel cravejado de diamantes que a própria noiva colocou em seu dedo anular esquerdo, para então, segurando o espelho, proferir votos:

Eu, Giulianna Graziane, prometo me amar, me respeitar e ser fiel a mim, a lutar em defesa de minha honra, a perseguir meus ideais, cuidar de minha saúde e bem-estar, buscar minha felicidade, apreciar as coisas boas da vida, e não desistir de mim na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até os fins de meus dias.


Após a noiva beijar a própria imagem no espelho, o ministro impetrou a Benção Araônica e Carla cantou mais uma música durante o recessional.

Embora esta seja uma história fictícia, o casamento sologâmico é uma realidade. Não falo do tipo de cerimônia descrita acima, já comum em várias partes do mundo, mas sobre a realidade explícita em nossa sociedade: pessoas “amantes de si mesmas”, casadas consigo mesmas, narcisistas, egolátricas; comprometidas com seus próprios interesses, sonhos e valores, indiferentes ao próximo e alheias a Deus. O problema é que quando um transtorno se torna padrão de comportamento, ele deixa de ser considerado patológico. Assim, o sologanismo já não é percebido como patologia social, de tão comum que é: ser “amante de si mesmo” se firma cada vez mais como característica deste tempo em que indivíduos se ‘autoveneram’.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

A “Síndrome de Tio Patinhas”

A avareza afeta a razão; na prática o avarento valoriza mais as coisas que a própria vida, pois enquanto ajunta esquece de viver.

avareza
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E lhes propôs uma parábola: “As terras de certo homem rico produziram com abundância. E ele começou a pensar consigo mesmo: ‘Que farei agora, pois não tenho onde armazenar toda a minha colheita?’. Então lhe veio à mente: ‘Já sei! Derrubarei os meus celeiros e construirei outros ainda maiores, e ali guardarei toda a minha safra e todos os meus bens. E assim direi à minha alma: tens grande quantidade de bens, depositados para muitos anos; agora tranquiliza-te, come, bebe e diverte-te! Contudo, Deus lhe afirmou: ‘Tolo! Esta mesma noite arrebatarei a tua alma. E todos os bens que tens entesourado para quem ficarão?’. Isso também acontece com quem poupa riquezas para si mesmo, mas não é rico para com Deus”. (Lucas 12: 16-21 — BKJA).


Pr. Cleber Montes Moreira


Alice é uma jovem executiva, funcionária de uma grande empresa do ramo de tecnologia. É inteligente, bonita, atraente, bem-sucedida… e A-VA-REN-TA!

Ela se veste inadequadamente para o cargo que ocupa, pois não considera razoável pagar o que suas colegas do escritório pagam pelas roupas que usam. Não aceita convites para sair com os amigos, só para não ter que dividir com eles a conta de gastos que considera desnecessários.

Por muito tempo morou num pequeno apartamento, próximo do trabalho, dividindo as despesas com outras duas jovens. Quando resolveu comprar um imóvel, pagou à vista por um apartamento bem mais simples do que poderia, considerando seu salário e a poupança acumulada. Aliás, na época ela conseguia poupar mais de 70% do que ganhava. Como não gosta de riscos, prefere a caderneta de poupança, mesmo com rendimentos menores.

Aos 32 anos ela ainda tem facilidade para iniciar relacionamentos, porém, por causa de seu comportamento avaro, seus namoros não duram muito.

Alice sofre da “Síndrome de Tio Patinhas”, patologia que ganhou este nome por causa do Tio Patinhas, personagem da Disney conhecido por sua avareza. Ele é tão mão de vaca que mesmo nadando em dinheiro não gasta um tostão, e nem empresta. Na vida real, em certas proporções, muitos assumem comportamento parecido. Para alguns especialistas, sofre da “Síndrome de Tio Patinhas” aquele que consegue poupar mensalmente 30% ou mais de sua renda líquida, o que é considerada uma poupança exagerada se o objetivo é não ficar sem dinheiro até o fim da vida. O aconselhável é acumular 20% da renda durante o período de vida ativa.1

Há gente que por causa da avareza não vive, não desfruta do que ganha, se priva de compartilhar momentos alegres, de cultivar amizades etc. O homem rico da parábola (Lucas 12:16-21) pensou apenas em acumular, desprezando o mais importante. Sua estratégia era guardar para usufruir mais tarde, porém não fez caso do tempo: no final não aproveitou a vida, não teve tempo para Deus, e se despediu deste mundo tal como veio, sem coisa alguma — porque ninguém leva para a eternidade o que junta aqui.

O sábio disse: “Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas, nunca se sentirá em paz e feliz com seus rendimentos. Certamente, isso também é ilusão, vaidade” (Eclesiastes 5:10 — BKJA). A avareza afeta a razão; na prática o avarento valoriza mais as coisas que a própria vida, pois enquanto ajunta esquece de viver.


Nota: Alice é um personagem fictício criado para contar fatos de uma história real.


1 Com informações de https://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/o-problema-das-pessoas-que-poupam-demais/ (acessado em 25 de junho de 2019)

domingo, 21 de junho de 2020

Portanto, não temeremos…

Quando a terra se abalar, quando o seu chão desabar, em quem você buscará socorro?

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“Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza.” (Salmos 46:2,3)

 

Pr. Cleber Montes Moreira 

 

Em 1755, um terremoto seguido de um tsunami devastou Lisboa, causando a morte de cerca de 100 mil pessoas. No dia 26 de dezembro de 2004, um terremoto de 9.2 graus na Escala Richter provocou uma série de tsunamis que devastaram países banhados pelo Oceano Índico, principalmente a Indonésia, provocando mais de 230 mil mortes e deixando cerca de 40 mil desaparecidos. O terremoto no Haiti, em 2010, matou mais de 250 mil pessoas. O ciclone da Índia, em 1970, foi o pior registrado na história, causando, segundo estimativas, 500 mil mortes. O maior desastre natural ocorreu em 1931, na China, com a inundação do rio Huang He (Amarelo), durante os meses de julho e novembro, e matou cerca de 4 milhões de pessoas.

A fúria da natureza é impressionante, e atesta a nossa impotência. Quem sou eu diante de um terremoto de grande magnitude, um tsunami, ou um ciclone? Eventos mais brandos têm ceifado vidas. Um sobrevivente de um tsunami na Indonésia, em 2018, narrando sua experiência, disse: “Tentei me segurar em qualquer coisa para sobreviver”. E quando não há nada em que se segurar?

O salmista fala de eventos de grandeza imensurável, verdadeiros cataclismos, para expressar sua dependência e confiança naquele que tem poder para guardá-lo. Ele se sente seguro, “ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza”, ainda que as estruturas o universo sejam afetadas, pois sua confiança está naquele que é “o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Salmos 46:1).

Na vida, muitos acontecimentos podem ser comparados aos eventos mencionados pelo salmista. É durante as adversidades que demonstramos onde está nossa fé: ou nos apoiamos em nossa própria força, que nada é, ou tentamos nos agarrar em alguma “tábua de salvação”, seja alguma crença, religião, ou outra coisa, ou, então, confiamos em Deus, sabendo que “o Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio” (vs. 7,11).

Quando a terra se abalar, quando o seu chão desabar, em quem você buscará socorro?

Aqueles que confiam em Deus, somente eles, diante de qualquer situação, podem dizer com segurança: “Portanto, não temeremos…”. Pense nisso.

 

Quando nos cercar o mal,

Ao rugir o temporal,

Em Jesus é confiar,

Nunca poderá falhar.

(O Segredo do Viver, hino 329 do Cantor Cristão)

sábado, 20 de junho de 2020

Os homens dos "tempos trabalhosos" serão avarentos

A avareza é característica presente nos “amantes de si mesmos”. Alguém impregnado do amor-próprio valorizará tudo aquilo que puder ser usado para satisfazer sua cobiça, por isso terá obsessão pelo dinheiro

avareza
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“Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos.” (2 Timóteo 3:2)


 Pr. Cleber Montes Moreira


O termo φιλάργυροι (philarguros), traduzido por avarentos, significa, literalmente, “amantes da prata” ou “amantes do dinheiro”. Este espírito cobiçoso chamado avareza é uma forma de idolatria, pois o dinheiro é tratado como a prioridade da vida, em razão de que a pessoa passa a desprezar valores importantes, pessoas e o próprio Deus. O dinheiro torna-se o seu “sol”, em torno do qual gira seus interesses.

A avareza é característica presente nos “amantes de si mesmos”. Alguém impregnado do amor-próprio valorizará tudo aquilo que puder ser usado para satisfazer sua cobiça, por isso terá obsessão pelo dinheiro. Não é sem motivo que Paulo escreveu que “o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos” (1 Timóteo 6:10 — NVI). Sim, o amor ao dinheiro provoca muitos males: O amor ao dinheiro leva a apostasia. Por amar ao dinheiro, pessoas gastam tempo demasiado no trabalho, deixando a família, os amigos e tantas coisas importantes para segundo plano. O amor ao dinheiro sufoca os bons sentimentos e torna a pessoa insensível. Todos os que se corrompem na política o fazem pelo amor ao dinheiro. Pelo amor ao dinheiro, ou ao que o dinheiro pode comprar, pessoas brigam, traem umas as outras, mentem, caluniam, roubam, matam… Plutarco disse que “a avareza é um tirano bem cruel; manda ajuntar e proíbe o uso daquilo que se junta; visita o desejo e interdiz o gozo”. Considerando seu poder nefasto, não é sem motivo que seja uma das marcas dos “tempos trabalhosos” aos quais Paulo se refere.

Se há um conselho oportuno que possa ser considerado em relação ao exposto, é este: Seja senhor e não servo do dinheiro. Considere o dinheiro como bênção, e não como combustível da cobiça. Use-o de maneira inteligente, para abençoar a si, a sua família e aos que dele necessitam; faça-o de modo generoso. Administre-o de forma que Deus seja glorificado. Seja fiel no sustento da Obra do Senhor e colabore para a expansão do evangelho. Fazendo assim seu coração estará no Céu, onde o seu verdadeiro tesouro está protegido, e não na Terra “onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam” (Mateus 6:19).