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quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Perfeita, Eficaz e Suficiente

Nós temos a Bíblia, nosso fundamento de fé, onde encontramos toda a revelação de Deus, segundo Seu propósito, para por meio dela orientarmos nossas vidas

lendo a Bíblia
Imagem: Pixabay


“Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (2 Pedro 1:21)


Pr. Cleber Montes Moreira


É comum em alguns cultos alguém levantar dizendo ter recebido uma palavra de Deus, trazendo uma nova profecia, uma revelação, um recado… Temos profetas nos dias atuais? Se temos, esta é a forma de agir dos profetas de hoje?

Paulo, escrevendo aos Coríntios, disse: “Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar.” (1 Coríntios 14:1). Então, profetizar é um dom. Entretanto, é preciso compreender que o ministério dos profetas no Velho Testamento se dá num contexto e numa forma diferente do modo como ocorre no Novo, especialmente no contexto do cristianismo. Antes, as profecias eram dadas por inspiração, hoje, porém, por iluminação. Os profetas de antes não tinham a Bíblia como a temos hoje, e a revelação de Deus se deu de uma forma progressiva (Hebreus 1:1). Hoje esta revelação está completa, perfeita, não tendo necessidade de nenhum acréscimo. Nós temos a Bíblia, nosso fundamento de fé, onde encontramos toda a revelação de Deus, segundo Seu propósito, para por meio dela orientarmos nossas vidas.

O profeta de hoje tem a luz do alto, dada pelo Espírito Santo, o Ensinador, para que compreenda e transmita com fidelidade aquilo que outrora fora revelado, tanto no Velho quanto no Novo Testamento. O profeta que omitir, ou acrescentar algo às profecias, será tido como infiel, falso, incrédulo e digno de severa punição. É o que diz a Bíblia: “Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro.” (Apocalipse 22:18-19 — grifo do autor).

Para não sermos enganados, precisamos conhecer a Bíblia. É o conhecimento da Santa Palavra que nos ajudará a discernir os falsos dos verdadeiros profetas, como disse João: “Amados, não creiais a todo o espírito1, mas provai se os espíritos2 são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 João 4:1). Portanto, todo aquele que proferir algo que destoe da Bíblia, proferirá uma falsa profecia e, portanto, será considerado um falso profeta. Quem se levantar com uma nova revelação falará pelo homem, e não em nome de Deus, pois tudo quanto Deus quis revelar está na Bíblia. Não importa o título que ostente o falso profeta: pastor, bispo, apóstolo, evangelista, irmão ou irmã de oração… As Sagradas Escrituras dizem: “A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele” (Lucas 16:16). Depois de João não houve nenhuma revelação nos moldes do Antigo Testamento, nem haverá, mas sim a iluminação divina para que, compreendendo as profecias, os profetas de hoje anunciem clara e fielmente o reino de Deus, chamando pecadores ao arrependimento e à salvação em Cristo.

Mais uma vez recordo de Martinho Lutero, que disse: “Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para o que há de vir.” Portanto, não me procurem com uma outra palavra, ou outra revelação além das Escrituras, seja dada por palavras, sonhos, visões etc. Eu tenho a Bíblia. Ela me basta. Ela é perfeita, eficaz e suficiente. O que for além dela é de procedência maligna, é mentira e não merece crédito.


1 Aqueles que são movidos por espíritos enganadores proferem falsos ensinos.

2 Todo ensino deve ser confrontado com as Escrituras para que seja comprovada ou não sua autenticidade.


sábado, 29 de agosto de 2020

Meus sonhos ou a vontade de Deus?

 No contexto do falso evangelho, focado na criatura, o homem sonha, e Deus realiza; o homem decreta, e Deus faz acontecer; o homem ordena, e Deus obedece; o homem é deus, e Deus é servo

Bíblia
Imagem: Unsplash


“Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor.” (Efésios 5:17)

 

Pr. Cleber Montes Moreira


Há um deus adorado por alguns evangélicos que está cada vez mais em evidência, um deus que realiza sonhos e que está sempre a serviço do homem. Confesso que já estou cansado de certas frases compartilhadas em redes sociais, tais como: “Deus dá vida aos nossos sonhos”; “Sonhar é humano, mas realizar os seus sonhos é obra de Deus”; “Sonhe, os sonhos alimentam nossa fé”; “Pela fé verei meus sonhos realizados por Deus”; “Deus realiza sonhos”; “Deus não engaveta seus sonhos, e na hora certa Ele te surpreende dizendo: O tempo chegou”. Há uma canção gospel cuja letra diz:

Deus vai fazer o que você sonhar (…)

Deus vai realizar os teus sonhos

Mesmo em tempo de seca

Muita chuva terá

Você agora está no deserto

Mas eu sei que está perto

Da tua benção chegar (…)

 

A maioria, quando diz “Os sonhos de Deus jamais serão frustrados”, está, na verdade, pensando em seus sonhos, e não na vontade divina. Criador e criatura inverteram seus papéis: O homem sonha, e Deus realiza. O homem decreta, e Deus faz acontecer. O homem ordena, e Deus obedece. O homem é deus, e Deus é servo. Desculpem, mas este não é o Deus da Bíblia, embora seja o deus de muita gente que se diz cristã.

Que tal uma mudança de foco? Que tal a vontade de Deus como prioridade? Que tal submetermos todos os nossos sonhos, anseios, ideais e planos àquele que sabe o que é melhor, com o objetivo de sermos seus instrumentos para a realização de Sua vontade?

Quem prioriza seus sonhos pensa como o mundo e não tem a mente de Cristo. Quem se conforma ao padrão secular não pode experimentar a “boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2), pois seu entendimento está entenebrecido. Mais que isso, quem prioriza seus sonhos e despreza a vontade de Deus não tem parte com o Senhor, pois Ele mesmo disse: “Porquanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe.” (Marcos 3:35).

Deus não é Deus de sonhos. A Bíblia não fala dos sonhos de Deus, mas de Sua vontade e realizações. Quem dirige a história não precisa sonhar. Cabe ao homem desejar servi-lo e submeter-se à Sua vontade, como instrumento. Aprendamos com Jesus: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” (João 4:34). Do contrário, “certo é que Deus não ouvirá a vaidade, nem atentará para ela o Todo-Poderoso” (Jó 35:13). Pense nisso!


quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Movidos pela ganância

Pastores e líderes espirituais há que se tornaram especialistas em gestão eclesiástica, tecnocratas do evangelho; eles foram treinados para uma liderança eficaz objetivando o crescimento e a lucratividade

lucro
Imagem: Pixabay

“E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas…” (2 Pedro 2:3)               

Na Bíblia King Kames Atualizada (BKJA), lemos: “Movidos por sórdida ganância, tais mestres os explorarão com suas lendas e artimanhas…”


Pr. Cleber Montes Moreira


Na sociedade atual há uma briga acirrada, e até desleal, pela conquista de espaço e mercado. Empresas e marcas estão sempre em disputa. Basta ver os comerciais da TV: Marcas de refrigerantes, cervejas, remédios, produtos para limpeza, higiene, beleza e serviços estão sempre concorrendo com seus similares na telinha. Também nos outdoors e em qualquer outro espaço de mídia publicitária. O importante é vender! Não importa se para conquistar os clientes a propaganda seja enganosa.

Infelizmente, o mesmo tem ocorrido no meio dito evangélico. Quantos nomes de igrejas você conhece? Provavelmente um “sem número”; elas se proliferam por toda parte. Tradicionais, conservadoras, modernas, irreverentes, informais, inovadoras, inclusivas, sem rótulos… Tem para todos os gostos e necessidades do freguês. Elas estão sempre competindo umas com as outras no afã de atrair pessoas. Cada uma tem seu slogan, frases de efeito, mensagens publicitárias e promessas. Elas ocupam espaço na TV, no rádio, internet, outdoors e em todos os lugares possíveis.

Até algumas igrejas históricas deixaram de ser igrejas e passaram a tratar as coisas com uma visão secular de negócio, lucro, crescimento e gestão meramente humana. Nesta visão, o que importa não é cada indivíduo, e sim a massa. Pessoas passaram a ser tratadas como números e clientes. Líderes agora são gestores, e pastores são especialistas em administração; eles se tornaram tecnocratas do evangelho, cuja missão é gerir, e não pastorear; atrair, e não transformar; promover adesões, e não conversões. Eles se preocupam com a lã, e não com as ovelhas. Se não der lucro, por causa da lei de mercado, a “empresa” tem que rever sua administração. Tudo isso porque os lobos devoradores, disfarçados de homens de Deus, são movidos por sórdida ganância. É a infalível Palavra de Deus se cumprindo.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

O fracasso do sucesso

 Tudo que alguém possa fazer ou conquistar sem antes considerar a vontade divina é fracasso. No fim, o que se constatará é o fracasso do sucesso, pois todo sucesso fora dos planos de Deus é fracasso

celebração
Imagem: Unsplash


“E Arão, vendo isto, edificou um altar diante dele; e apregoou Arão, e disse: Amanhã será festa ao Senhor. E no dia seguinte madrugaram, e ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se a comer e a beber; depois levantou-se a folgar.” (Êxodo 32:5 e 6)


Pr. Cleber Montes Moreira


Como as pessoas geralmente reconhecem o sucesso de um líder religioso? Normalmente pelos sermões que prega, pelo carisma, pela projeção de sua imagem, pelo tamanho de sua igreja, pelo salário que recebe, pelo carro que possui, pelas grifes que usa etc. Em certa ocasião, um amigo desabafou: “O valor de um pastor é medido pela quantidade de membros de sua igreja.”

Arão, durante a ausência de Moisés, fez o maior sucesso. Ao ceder ao clamor popular por um deus para adorar, conquistou a simpatia de muitos. Diante do ídolo que construíra, um bezerro de ouro, o povo se apresentou com grande entusiasmo, tanto que resolveu erguer um altar e convocar a todos para uma grande celebração no dia seguinte. O que muitos líderes de hoje querem é ver o povo alegre e festejando. Este panem et circenses (pão e circo) gospel rende aplausos e gera um ambiente favorável para a liderança. Veja, por exemplo, o que ocorre nas chamadas “igrejas da prosperidade”, onde os pastores, bispos e apóstolos são bem quistos e até idolatrados. Dar ao povo o que ele quer é garantia quase infalível de sucesso, por isso que muitos, movidos pela ganância, se rendem aos caprichos de seus liderados.

Fico pensando até onde Arão e seu povo iria se Moisés não descesse do monte e se não houvesse uma intervenção divina. Podemos dizer que o sucesso sem Deus é mero fracasso. O sucesso de Arão foi um fracasso. O sucesso dos líderes gananciosos de nosso tempo é fracasso. Toda conquista fora dos desígnios de Deus é fracasso. Todos os sonhos realizados, toda obra empreendida, toda riqueza acumulada, toda fama alcançada, tudo que alguém possa fazer ou conquistar sem antes considerar a vontade divina é fracasso. No fim, o que se constatará é o fracasso do sucesso, pois todo sucesso fora dos planos de Deus é fracasso.

Quer ser bem-sucedido? Quer experimentar o verdadeiro sucesso? Siga o conselho dado a Josué pelo próprio Deus: “Tão-somente esforça-te e tem mui bom ânimo, para teres o cuidado de fazer conforme a toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares. Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem-sucedido.” (Josué 1:7,8 — grifo do autor). Por fim, tenha em mente que, independente do que pensam as pessoas, o sucesso sem Deus é fracasso, mas o “fracasso” com Deus é sucesso!

sábado, 22 de agosto de 2020

Quando um líder faz concessões…

Quando um líder se desvia da Verdade e faz concessões para agradar seus liderados, a consequência é uma sucessão de erros que lava à morte

bezerro
Imagem: Pixabay


Texto Bíblico: Êxodo 32:1 a 35)


Pr. Cleber Montes Moreira


O maior patrimônio de um líder cristão é sua integridade. Viver à vista de Deus, ser fiel, não negociar a fé ou fazer barganhas, não baratear o evangelho, não abrir mão de princípios, não ceder, não se corromper, ainda que diante de certas pressões, é o que se espera daqueles que lideram. Entretanto, vemos que há muitos que se desviam para agradar ao povo e criar em torno de si uma atmosfera (provisória) de conforto. Estes, ao contrário de Paulo, se preocupam mais em agradar aos homens que a Deus (1 Tessalonicenses 2:4), sempre visando certos benefícios.

Na ausência de Moisés, o povo pediu a Arão: “Levanta-te, faze-nos deuses, que vão adiante de nós” (Êxodo 32:1). Ele tinha duas alternativas, atender ao clamor popular, ou ser fiel a Deus. Escolheu a mais cômoda: pediu que lhe trouxessem ouro e criou um bezerro para ser adorado, diante do qual ofereceram holocaustos e apresentaram ofertas. O resultado? Morreram naquele dia cerca de três mil pessoas.

Quando um líder se desvia da Verdade e faz concessões para ficar em paz com seus liderados, a consequência é a morte: pessoas deixam de receber orientação segura, de ouvir a verdade, igrejas enfraquecem e almas deixam de ser salvas. Há quem se comporte como Arão: Enquanto Jesus não volta, consente o pecado, adota o politicamente correto, faz vista grossa ou apoia o erro abertamente, na intenção clara de preservar seu status, poder e amizade com os que se corrompem, criando ou permitindo que sejam criados bezerros de ouro. Gente assim não cultiva a fé genuína, mas camufla sua incredulidade.

Você é líder cristão? Não faça como fez Arão. Considere a natureza de seu chamado. Viva sempre na dependência do Espírito e preserve a sua integridade.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Perdoar é possível

Perdoar não é uma obrigação, não é uma arte, não é uma ciência, perdoar é uma virtude, é um dom do Espírito; o perdão deve ser mais que uma frase decorada, mais que uma oração automatizada, deve ser um princípio de vida

perdão
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“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas.” (Mateus 6:14,15)


Pr. Cleber Montes Moreira


Em 22 de janeiro de 2016, a Missão Portas Abertas publicou em seu site uma nota sobre um cristão que foi atacado por militantes do Boko Haram, que invadiram sua casa na tentativa de decapitá-lo. A Organização, que apoia cristãos perseguidos ao redor do mundo, informou que Yakubu (nome fictício) sobreviveu por um milagre e foi capaz de perdoar seus agressores. Ao ler este relato, logo lembrei-me da última oração de Estêvão, que, ao ser apedrejado, intercedeu pelos seus perseguidores: “E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu” (Atos 7:60). Cultivar o perdão foi algo que Estêvão aprendeu com o Mestre, que do alto da cruz rogou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34).

O caso de Yakubu e Estêvão não são fatos isolados. Há, na história do cristianismo, muitos outros relatos de cristãos que foram capazes de perdoar seus agressores, mesmo diante da morte iminente. O perdão é valor praticado e ensinado pelo Senhor. “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mateus 6:12) deve ser para nós mais que uma frase decorada, mais que uma oração automatizada, deve ser um princípio de vida. E não importa o tamanho da agressão, o perdão será sempre maior que tudo. Uma calúnia, um desaforo, uma agressão física, uma traição… há quem tenha sofrido bem mais que isso, há quem tenha suportado dores bem mais terríveis e, mesmo assim, praticado o perdão. Perdoar não é uma obrigação, não é uma arte, não é uma ciência, perdoar é uma virtude, é um dom do Espírito.

Pense um pouco: Qual o maior perdão já praticado em toda a história da humanidade? Certamente o perdão de nossos pecados. Este perdão é fruto do amor divino, “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8), portanto, o segredo para perdoar é amar. Quanto mais amamos, mais perdoamos. Assim, se amarmos as pessoas como Cristo as ama, se colocarmos em prática o “amarás o teu próximo como a ti mesmo”, seremos capazes de perdoar. E quem nos capacita a amar e perdoar é o Espírito Santo; se Ele governa nossas vidas, perdoar é possível.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

O maior tesouro

 O evangelho não é uma fórmula mágica para enriquecimento material e satisfação da vontade e anseios humanos

comércio
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“Então Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos; que receberemos?” (Mateus 19:27)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Muitas pessoas compreendem o evangelho como uma fórmula mágica para enriquecimento material e satisfação da vontade e anseios humanos. Há até quem ouse tentar barganhar com o Senhor: “Se Deus me curar…”, “Se Deus ouvir minha oração…”, “Se Deus me der um emprego…”, “Se Deus me der um carro novo…”, “Se Deus me ajudar nos estudos…”, “Se Deus restaurar minha família…”, Se Deus fizer isso ou aquilo, “prometo passar a crente”, “prometo ser um dizimista fiel” etc. Mas o Poderoso não abriu um balcão de negócios no qual se pode trocar bênçãos temporais por promessas humanas. O ser humano, em seu estado de miséria, não está em condições de negociar com Deus, bastando-lhe somente a abundante graça, sem a qual está perdido.

O contexto do texto lido nos fala de um jovem rico que estava tão apegado às riquezas temporais que não podia servir a Cristo. Assim também estão todos os que colocam seu coração neste mundo, esperando no Senhor apenas para esta vida, esquecendo-se de que é necessário buscar o reino de Deus em primeiro lugar (Mateus 6:36). Para aqueles que assim se comportam, eis o que Paulo diz: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” (1 Coríntios 15:19).

Ao contrário daquele jovem, rico, mas, do ponto de vista espiritual, miserável, os discípulos deixaram tudo para seguir o Mestre. Literalmente, tudo! E, que recompensa tem os que assim fazem? E nós que “deixamos tudo, e te seguimos; que receberemos?”, perguntou Pedro. A resposta do Senhor foi: “E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor de meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna.” (Mateus 19:29). Que riqueza pode ser maior que a vida eterna? A saúde, o emprego, a família, bens materiais? Nada é maior e mais precioso que a salvação, oferecida graciosamente.

O evangelho não é barganha. Para entrar para o reino de Deus é preciso deixar de amar o mundo e de se preocupar deliberadamente com as coisas seculares. Quem quer ganhar o mundo acaba perdendo a própria vida: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” (Mateus 16:26). Por isso Jesus disse que “é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Mateus 19:24). Quem tem seu coração no mundo está perdido, mas quem, por amor a Cristo, renuncia ao mundo, “receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna.” E este é o maior tesouro que alguém pode encontrar. Pense nisso!

domingo, 9 de agosto de 2020

Onde o céu começa

 Não existe “lar doce lar” sem a presença de Cristo; com Ele até o mais humilde casebre irradia luz e alegria. A Sua Palavra, lida e ensinada, amada e praticada, transforma nosso lar no lugar “onde o céu começa”

casa
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“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te.” (Deuteronômio 6:6-7)


Pr. Cleber Montes Moreira


Li no adesivo de um carro uma frase muito interessante: “O céu começa em casa”. Logo pensei: se para alguns o céu começa em casa, para outros é lá que o inferno tem início. Penso que um lar com Jesus é céu, mas sem Ele é inferno.

A Bíblia diz que “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam…” (Salmos 127:1). Muitos querem edificar seus lares nas areias movediças da autossuficiência, de tradições familiares ou religiosas, do velho ou novo moralismo etc. Se esquecem de que todo esforço neste sentido é vão, e que somente é possível ter uma família equilibrada, sadia e firme diante das intempéries se ela estiver firmada na base sólida da Palavra de Deus.

A Bíblia é o manual para a formação de famílias saudáveis. Ela tem orientações para o esposo, a esposa, pais, filhos etc. Ela transmite valores eternos, e quem fizer caso deles será bem-sucedido. Podemos parafrasear assim o Salmo primeiro, versos 1, 2 e 3: “Bem-aventurada é a família que não vive segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.”

Sabemos que Satanás tem se esforçado para desfazer a Obra do Criador, e sua maior estratégia é destruir a família. Ele tenta afastar seus membros da presença de Deus, usando todos os meios possíveis, inclusive a mídia, para propagar valores invertidos. Traições, desobediência, rebeldia, desrespeito, inveja, ódio, violência, pornografia, ridicularização dos valores bíblicos, heterofobia (isso existe), são apenas alguns ingredientes dos enredos de filmes, novelas e programas de auditórios da TV que entram nos lares e minam as colunas que dão firmeza às famílias. Às vezes de forma imperceptível, devagar, o pecado vai entrando e, quando se percebe, o estrago está feito.

Muitas lutas podem ser travadas nos lares, podendo ser motivadas por desvio dos cônjuges, brigas, consumo de álcool e drogas, consumismo, má administração do tempo, escassez de saúde, desemprego, falta de dinheiro etc. A família sem Jesus estará vulnerável e propícia ao esfacelamento.

Se você quer que o céu comece em sua casa precisa viver e ensinar os valores bíblicos em seu lar. Seus ensinos e seu exemplo terão papel poderoso e determinante na influência positiva da sua vida sobre os demais membros de sua família. Pense nisso!

sábado, 8 de agosto de 2020

Incrédulos louvam?

 Fora do relacionamento com Deus ninguém é capaz de produzir qualquer expressão agradável ao Pai, nada que possa ser chamado, verdadeiramente, de louvor

louvor
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Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (João 4:23, 24)


Pr. Cleber Montes Moreira


Sei que o texto acima fala sobre adoração. Adorar é um termo muito abrangente, é mais que louvar, entretanto, quero particularizar e discorrer mais especificamente sobre o louvor, considerando-o como um ato, elemento, ou aspecto da adoração.

Pessoas que conversavam num grupo, elogiavam a participação de alguém durante um evento secular, diziam que “fulano louvou muito bonito”. Alguém, logo após seu “louvor”, teria perguntado se pertencia a alguma igreja evangélica. A resposta dada foi que não, e que jamais havia frequentado uma. Pelas informações, não tem um testemunho de conversão nem qualquer compromisso com o evangelho de Cristo.

“Louvar” está em moda, e incrédulos também louvam. Não entrando no mérito da qualidade, nem do conteúdo dos louvores atuais, as músicas gospel têm ótima aceitação, penetram fundo no emocional das pessoas e, muitas canções tornam-se populares, de modo que mesmo os que vivem alheios às questões religiosas as conhecem e até cantam. Aliás, louvar já não é mais coisa só de crente; há muita gente louvando por aí: louvam em casa, nas ruas, nos programas de TV, nos auditórios, nas festas, durante shows etc. Há até um certo cantor que certa feita avisou: “não sou evangélico, sou cantor gospel”. Agradeço pela sinceridade, mas pergunto: incrédulos louvam? Seus louvores chegam a Deus?

O salmista afirmou que “os mortos não louvam ao Senhor” (Salmos 115:17a). Os mortos são aqueles que não têm vida, sejam os ídolos, sejam os que os adoram, sejam os mortos vivos deste mundo, sejam os que já partiram sem um encontro com Cristo. Mortos não louvam, e toda pessoa sem o Salvador está morta em ofensas e pecados (Efésios 2:1). O perdido não pode louvar nem agora e nem depois da morte. O louvor dos incrédulos são palavras jogadas ao vento, sem qualquer utilidade, pois ninguém pode louvar com os lábios se não louvar primeiro com a vida.

Os verdadeiros adoradores adoram em espírito e em verdade, e não como a samaritana que adorava o que não conhecia (João 4:22,23). O mesmo princípio se aplica ao louvor, pois o louvor é parte da adoração. Louvor sem conhecimento, compromisso e vida com Deus pode ser qualquer coisa, menos louvor. Da mesma forma que a oração eficaz é aquela feita por um justo, é o louvor do redimido que chega aos céus. Fora da relação pessoal com Deus não há verdadeiro adorador, nem qualquer expressão agradável ao Pai. A samaritana tinha, talvez, vínculos com a religião de seus antepassados, porém não cultivava um relacionamento pessoal com o Pai Eterno.

Há muitos que se intitulam, ou são intitulados adoradores, há muita coisa chamada louvor, mas não se impressione, assim como “nem tudo que reluz é ouro”, nem todo aquele que diz “Senhor, Senhor” tem parte com Ele.

Deus não busca louvores, Ele busca vidas santas dispostas no altar; Ele não busca adoração, mas adoradores que adorem em espírito e em Verdade, porque nem tudo o que sai da boca sai do coração, e nem todo barulho que o homem produz são louvores que brotam de uma vida transformada. Pense nisso!

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

“Coisa nenhuma há senão este maná”

Este é o tempo em que muitos olham para certas igrejas e reclamam: “Mas eles só têm este Pão?”, “Não têm nada além da mensagem Bíblica para oferecer?”, “Apenas este maná?”, e saem em busca de algo mais apetitoso

púlpito
Imagem: Frreimages


“Mas agora a nossa alma se seca; coisa nenhuma há senão este maná diante dos nossos olhos.” (Números 11:6)

 

Pr. Cleber Montes Moreira

 

O maná é o alimento com o qual Deus, miraculosamente, sustentou seu povo durante a travessia do deserto. Era saudável, nutritivo, gratuito, sua aparência “era como semente de coentro branco, e o seu sabor como bolos de mel” (Êxodo 16:31), portanto, gostoso. Mesmo assim o povo reclamava por ter apenas este maná para comer. A queixa teria iniciado com estrangeiros cheios de gula, que contagiaram os israelitas com suas murmurações. Seriam mestiços de israelitas com egípcios, fruto de casamentos mistos. Eles se lembravam dos peixes, dos pepinos, das melancias, dos alhos-porós, das cebolas e dos alhos que comiam no Egito (v. 5). Agora, tinham apenas “este maná”, expressão que parece denotar desprezo.

Certa pessoa disse que se transferiria para outra igreja, porque o seu pastor “só prega doutrina”. Há quem despreze a exposição bíblica por sentir desejo por outros tipos de sermões, mais adequados às suas expectativas. É por isso que aqueles que não suportam a sã doutrina constituem para si, cada vez mais, mestres segundo os seus próprios desejos (2 Timóteo 4:3). Como a oferta de outros alimentos cresce a cada dia, o povo da gula tem diante de si um cardápio vasto: sermões de autoajuda, sofismas, filosofias humanas, mensagens antropocêntricas, triunfalistas, entretenimento, pregação de prosperidade, falsos milagres, revelações, profecias extrabíblicas, e muitas outras coisas. Há sempre uma nova opção neste mercado imenso, especializado em satisfazer o apetite da clientela.

As igrejas que insistem em oferecer o Pão do Céu, que dá vida ao mundo (João 6:33), passam pela mesma experiência de Jesus, quando abandonado pela multidão que queria apenas benefícios temporais: “Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele” (João 6:66), da mesma forma como tantos que já não suportam a Palavra da Verdade deixam suas congregações em busca de novas experiências.

Este é o tempo em que muitos olham para certas igrejas e reclamam: “Mas eles só têm este Pão?”, “Não têm nada além da mensagem Bíblica para oferecer?”, “Apenas este maná?”, e saem em busca de algo mais apetitoso.

Que não haja entre nós nenhum anseio por outro alimento, senão o desejo pala Palavra da Vida, pelo Pão do Céu. Que nos contentemos com apenas “este maná”, o maná da vida que é Cristo e seus ensinos. Que haja em nosso meio fome, não fome por um falso evangelho, mas fome e sede pela autêntica Palavra do Senhor. Amém!

quinta-feira, 30 de julho de 2020

A ‘graça’ que tolera o erro é desgraça

Contrariando as Escrituras, muitas igrejas abandonaram a pregação contra o pecado e passaram a ostentar o que chamam de “cristianismo cheio de ‘graça’ e ‘acolhedor’”

Bíblia
Imagem: Pixabay


“Geralmente se ouve que há entre vós fornicação, e fornicação tal, que nem ainda entre os gentios se nomeia, como é haver quem possua a mulher de seu pai. Estais ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes por não ter sido dentre vós tirado quem cometeu tal ação.” (1 Coríntios 5:1,2)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Por causa de sua visão distorcida sobre a graça, a igreja em Corinto tolerava o pecado em seu seio, e fazia isso com certo orgulho. Da mesma forma, hoje, algumas igrejas, sob o viés de uma nova interpretação das Escrituras e a pretexto de amor e misericórdia, deixaram de cumprir a disciplina bíblica e adotaram uma postura de tolerância e inclusão que dá aos membros a liberdade de conservarem certas práticas pecaminosas. Alguns chamam isso, equivocadamente, de resiliência. Na verdade, trata-se de falsa espiritualidade que, com aparência de piedade, nada mais é que conformação com os padrões sociais vigentes, o que chamamos de mundanismo ou secularismo. Muitas igrejas locais, levadas por essa visão errada de cristianismo, passaram a estabelecer “novos diálogos” sobre certos temas, como o aborto, a aceitação de homossexuais na membresia, a relação da igreja com movimentos e ideologias político-sociais etc. Em decorrência disso, cresce, cada vez mais, o liberalismo em meio aos ditos evangélicos.

Assim como em Corinto, já não há tristeza quando o pecado se estabelece em meio aos crentes, mas, ao contrário, uma ostentação do que entendem ser um cristianismo cheio de “graça” e acolhedor. Não importando mais o arrependimento, todos são chamados como estão, sem necessidade de qualquer mudança ou transformação para a comunhão com um deus tolerante e perfeitamente moldado para atender, sob medida, aos anseios dos que sofrem, principalmente das minorias. Assim, pecadores não transformados — devassos, idólatras, maldizentes, alcoólatras, exploradores, corruptos etc. (v. 11) —, sentam-se à mesa da comunhão e comem, para a sua própria condenação, não discernindo o caráter do Corpo de Cristo.

Paulo encerra sua exortação dizendo: “Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo.” (v. 13). A graça que tolera o erro, é desgraça. Quando o assunto é pecado, não se deve fazer vista grossa. A disciplina é ensino bíblico e deve ser cumprida com amor e zelo, do contrário o fermento do mal contaminará toda a massa.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Vivo, porém morto

Santidade e santarrice não combinam. Aquele cuja vida cristã é representativa, ainda que possa enganar a muitos, está totalmente exposto diante de Deus, daquele que sabe quem tem fama de vivo mas está morto

dia dos mortos
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“Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela…” (2 Timóteo 3:5)

“Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto.” (Apocalipse 3:1)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Mariana é dona de uma voz inconfundível. Quando louva o auditório silencia. Parece que o Céu desce à Terra. Certa noite, após o pastor pregar uma poderosa mensagem sobre “Como Deus cuida de Seus filhos”, o auditório, repleto, se emocionou ao ouvi-la entoar maviosamente: “Aflito e triste coração, Deus cuidará de ti! Por ti opera a Sua mão, que cuidará de ti […].”

Ao contrário da piedade aparente, a adoradora domingueira leva uma vida dupla: aos domingos, e em datas especiais, como casamentos e aniversários, canta na igreja, porém, aos sábados e dias de festas frequenta lugares inadequados para um cristão, bebe, e ainda posta em seus perfis nas redes sociais fotos e legendas que não condizem com a fé cristã. Certa ocasião postou um convite para um evento de universitários intitulado “Festa da Pinga”. No templo, santa, no mundo, profana; ostenta vida, mas está morta.

Mariana não é exceção. Ela nos revela um comportamento cada vez mais frequente entre os crentes, principalmente entre os mais jovens: “um pé na igreja, outro no mundo”, como se pudessem ao mesmo tempo servir Cristo e satisfazer a carne, desconsiderando a exortação que diz: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4:4).

Para aqueles que acham que “brincar de crente” é muito divertido, fica a advertência: Santidade e santarrice não combinam. O hipócrita — aquele cuja vida cristã é representativa — pode enganar a muitos, mas não a Deus. Ele conhece as obras de cada um, e sabe quem tem fama de vivo mas está morto. Pense nisso!

terça-feira, 21 de julho de 2020

Vidas cheias de poder

Vidas cheias de poder são as que verdadeiramente pertencem e se sujeitam ao Espírito de Deus; são aquelas que o Eterno usa para a sua glória

pentecostes
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“E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo…” (Atos 2:2-4)


Pr. Cleber Montes Moreira


A Bíblia não diz que houve vento nem fogo, mas um som como que de um vento, e línguas que se pareciam com labaredas de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. Mesmo diante da clareza do texto, alguns não conseguem compreendê-lo.

É notório que muitos estão em busca dos sinais, do “extraordinário” de Deus, e não do próprio Deus, desprezando assim o importante: uma vida transformada, submissa e cheia do Espírito Santo. Esta busca insensata leva a enganos e produzi frustrações.

Conheci um homem que abandonou sua igreja e foi para outra em busca de uma experiência extraordinária: ele queria ser “batizado com o Espírito Santo”. Ficou por lá algum tempo, sempre orando, jejuando, e fazendo o que achava ser necessário para que seu sonho fosse realizado: queria falar em línguas, profetizar, e fazer outras coisas que somente pessoas “batizadas com o Espírito Santo” faziam. Enquanto se esforçava, observava algumas vidas “cheias de poder” por meio das quais deus — porque não poderia ser Deus — realizava grandes “sinais e maravilhas”: o pastor estava em adultério, alguns líderes eram maus pagadores, outros crentes tinham vida dúbia. Um dia ele pensou: “Isso não pode ser obra divina”. Após concluir que aquelas manifestações eram apenas encenações, aquele irmão, arrependido, me procurou chorando. Orei com ele e o aconselhei a procurar seu antigo pastor e a retornar para a igreja da qual havia saído, coisa que ele fez.

Aquele crente jamais falou em “línguas”, nunca “curou” alguém pela imposição de suas mãos, nunca recebeu nenhuma nova “profecia”, nem realizou algum outro sinal, porém, ao estudar sua Bíblia transformou-se num excelente crente e num ótimo evangelista. Ele descobriu que não precisava falar na “língua dos anjos”, mas comunicar o evangelho na língua dos homens (v. 8), e o Espírito o revestiu de poder para isso.

Há muita gente procurando “vento” e “fogo” como evidência da manifestação do Espírito Santo, no entanto, certos fenômenos e certas demonstrações de poder podem vir de outras fontes:“Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos”; “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz” (Mateus 24:24; 2 Coríntios 11:13,14 — grifos do autor).

O Pai da mentira e seus servos podem realizar “grandes sinais e prodígios”; podem enganar a muitos produzindo coisas extraordinárias, mas sua obra não resistirá à prova.

Vidas cheias de poder são as que verdadeiramente pertencem e se sujeitam ao Espírito de Deus, as demais, independente de suas realizações, são vidas vazias. Pense nisso!

sábado, 18 de julho de 2020

Só o néscio pode dizer que não há Deus

A pessoa verdadeiramente sábia não apenas crê no Criador, mas se relaciona com Ele; a fé é experiencial

universo
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“Disse o néscio no seu coração: Não há Deus.” (Salmos 14:1)

Pr. Cleber Montes Moreira


Um amigo meu, pastor, foi apresentado a um médico ateu num restaurante. Após cumprimentá-lo, disse: “Eu admiro muito os ateus”. O médico, curioso, perguntou: “Por quê?”. Meu amigo respondeu: “Para alguém refutar a existência de Deus terá que apresentar excelentes argumentos, e laborar contra a lógica para provar que sua crença no ateísmo é baseada em fundamentos sólidos e irrefutáveis, o que acaba sendo impossível. Muitos que percorreram este caminho acabaram por crer na existência de um Criador. Mas, para nós que confessamos crer em Deus, é muito mais fácil, pois que está diante de nós todo universo, imenso, perfeito, complexo e maravilhoso, como evidência incontestável de que um ser supremo teve de planejar cada detalhe para que tudo estivesse em seu devido lugar, de modo ordenado e harmonioso, e cada corpo obedecesse às leis que Ele mesmo criou, assim como cada instrumento numa grande orquestra executa a música não por acidente, mas sob a batuta do maestro.”

Aquele que não sabe ler de quem são as digitais na criação, jamais se contentará com as respostas que encontrar: sempre haverá alguma pergunta cuja resposta provocará uma outra, e assim sucessivamente, porque para uma teoria o próximo ponto será sempre de interrogação. Uma teoria precisa ser bem desenvolvida, explicada e defendida, e mesmo assim continuará sendo apenas teoria. Mas um fato é um fato, mesmo que seja negado.

Deus não precisa ser provado. Ele existe, e isso é um fato. Só o néscio pode dizer que não há Deus — porque é néscio, ainda que se julgue competente. A pessoa verdadeiramente sábia não apenas crê no Criador, mas se relaciona com Ele (a fé é experiencial). O irlandês Clive Staples Lewis, autor de “As Crônicas de Nárnia”, que foi ateu por cerca de 30 anos, um dia escreveu: “Eu descobri em mim mesmo desejos que nada nesta terra podem satisfazer; a única explicação lógica é que eu fui feito para um outro mundo.”

“O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um vasto oceano. O arranjo maravilhoso e a harmonia do universo não poderiam senão sair de um ser onisciente e onipotente.” (Isaac Newton)

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Sob a orientação do Mestre

Aqueles que se dedicam à missão, para que produzam frutos que glorifiquem a Deus, precisam estar sob a orientação do Mestre

a grande pesca
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“Simão Pedro disse aos outros: — Vou pescar. Os outros responderam: — Nós também vamos com você. Foram e entraram no barco, mas, naquela noite, não pegaram nada […]. Então Jesus disse: — Joguem a rede à direita do barco e vocês acharão. Assim fizeram e já não podiam puxar a rede, tão grande era a quantidade de peixes.” (João 21:3,6 — NAA)


Pr. Cleber Montes Moreira


Pedro decidiu pescar, e os demais discípulos que ali estavam resolveram ir com ele. Dentre eles haviam pescadores profissionais, experientes, porém passaram toda a noite e nada pegaram. Logo pela manhã Jesus apareceu na praia e lhes perguntou: “será que vocês têm aí alguma coisa para comer? Eles responderam: — Não” (v. 5). Então o Mestre lhes disse: “Joguem a rede à direita do barco e vocês acharão.” O resultado? “Assim fizeram e já não podiam puxar a rede, tão grande era a quantidade de peixes” (v. 6). Pergunto: Por que aqueles homens, acostumados ao mar, nada apanharam durante a noite inteira? Porque estavam orientados por si mesmos, confiados em suas habilidades, certos de sua capacidade. Porém, quando se colocaram sob a orientação do Mestre o resultado foi extraordinário.

Creio que este episódio ilustra muito bem o que ocorre hoje quando o assunto é “pescar” vidas para o reino eterno. Há pessoas confiantes na sabedoria e capacidade humana, que utilizam estratégias e métodos elaborados por “especialistas” humanos, que passam muito tempo trabalhando sem produzir frutos reais agradáveis a Deus — mesmo que produzam “adesões”. Diferentemente, aqueles que se dedicam à missão sob a Palavra do Mestre dos mestres, orientados pela sabedoria divina e capacitados pelo poder que vem do alto, produzem frutos que permanecem, e que fazem o céu se alegrar para a honra e glória do Altíssimo.

Temos lançado nossas redes crendo em nossa própria capacidade, estratégias e métodos, ou temos feito sob a orientação do Senhor? E qual tem sido o resultado de nosso trabalho? A decepção? A exaltação humana? Ou o louvor daquele que realmente é digno de glória? Pense nisso!

quinta-feira, 16 de julho de 2020

“Se o Senhor quiser…”

Amanhã, se eu acordar, Cristo estará comigo, se não acordar, estarei com Cristo. Esta certeza me basta; ela é revigorante, reconfortante, motivadora…

cemitério
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“Ao invés disso, deveriam dizer: ‘Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo’”. (Tiago 4:15 — NVI)


Pr. Cleber Montes Moreira


Alguém me disse: “Quero acordar cedo amanhã”. Respondi: Quero acordar. Falei brincando, mas depois comecei a pensar sobre o valor desta afirmação: ter acordado é uma bênção, por isso devo expressar minha gratidão a Deus por dádiva tão preciosa. Acordar amanhã é incerto, mas se acontecer, devo ter a consciência de que devo viver de modo que o Autor da vida seja glorificado em cada pensamento, em cada ato, e em cada palavra minha. Vivo por Ele e para Ele, e todos os meus dias devem ser para a sua glória.

Este ano já morreram, até este exato momento, 75.825.3121 pessoas. É assim que muitos fizeram planos para hoje, todavia não poderão executá-los (Eclesiastes 9:10). Sonhos são interrompidos todos os dias, obras ficam inacabadas, projetos não saem do papel… Por isso não devemos alimentar a soberba, nem cultivar vãs pretensões, conforme nos ensina Tiago: “Ouçam agora, vocês que dizem: ‘Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro.’ Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Ao invés disso, deveriam dizer: ‘Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo.’ Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna” (Tiago 4:13-16 – NVI).

Uma certeza eu tenho, a de que “Meus dias são como sombras crescentes; sou como a relva que vai murchando” (Salmos 102:11 — NVI), por isso meus planos devem ser elaborados a partir desta oração: “Se o Senhor quiser”. Amanhã, se eu acordar Cristo estará comigo, se não acordar, estarei com Cristo. Esta certeza me basta; ela é revigorante, reconfortante, motivante… Viver sem ela é como estar morto, e há muitos que assim estão porque não planejaram para a eternidade. Pense nisso!


1 Número atualizado aqui: https://www.worldometers.info/br/

quarta-feira, 15 de julho de 2020

“E sejam agradecidos”

Quando reconhecemos o favor divino, além de manifestarmos nossa gratidão a Deus, comunicamos graça ao mundo. O que recebemos transmitimos, sendo não apenas retentores, mas compartilhadores da graça

gratidão
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Pr. Cleber Montes Moreira


Conta-se que três homens, sendo um ingrato, um egoísta e um agradecido, encontraram pela manhã em suas portas um buquê de rosas, tendo cada um reagido de modo diferente diante do inusitado presente.

O ingrato atirou suas rosas numa lixeira quando ia a pé para o serviço. O egoísta apanhou as rosas, sentiu seu perfume, e colocou-as num jarro para decorar sua sala. O agradecido, radiante de alegria pelo presente recebido, foi visto, enquanto fazia sua caminhada matinal, distribuindo rosas para todos que encontrava. Sempre que ofertava uma rosa, outra surgia milagrosamente em seu lugar, de forma que ao voltar para casa seu buquê ainda contava com a mesma quantidade de rosas de antes, e elas não murchavam.1

As pessoas ingratas são aquelas que tendo recebido da graça, jogam no esquecimento o que receberam. As egoístas são as que recebem e guardam para si. As agradecidas são as que recebem e compartilham com alegria.

Quando reconhecemos o favor divino, além de manifestarmos nossa gratidão a Deus, comunicamos graça ao mundo. O que recebemos — δωρεὰν (dórean) como um presente gratuito, sem pagamento, livremente, sem merecimento2 —, transmitimos, sendo não apenas retentores, mas compartilhadores da graça: “Graciosamente recebestes, graciosamente dai” (Mateus 10:8 — BKJA).

É com este sentimento que o salvo por Cristo, em gratidão ao Salvador, se dispõe a servir a Deus e ao próximo. O problema é que este espírito de gratidão está cada vez mais escasso. Certa ocasião, um jovem ao ser consultado pela comissão de indicações de sua igreja sobre a possibilidade de assumir um cargo para o ano seguinte, logo quis saber: “Quanto receberei por isso?” Ele não considerou servir com alegria àquele que para salvá-lo enviou seu Filho unigênito, nem que aquele cargo seria uma oportunidade de comunicar graça aos irmãos — ele foi ingrato, como muitos têm sido.

Paulo diz que devemos ser eucháristoi (εὐχάριστοι), agradecidos3. “E sejam agradecidos” (Colossenses 3:15 — NVI) faz parte das orientações que o apóstolo dá aos salvos, àqueles que tendo ressuscitado com Cristo devem focar nas coisas do alto, e não nas terrenas, e incorporar em seu viver os valores do Reino de Deus. É assim que “E tudo quanto fizerdes, seja por meio de palavras ou ações, fazei em o Nome do Senhor Jesus, oferecendo por intermédio dele graças a Deus Pai.” (Colossenses 3:17 — BKJA).

 

Em agosto de 2019


1 Texto adaptado de “O Presente das Rosas”, de autoria desconhecida.

2 https://biblehub.com/greek/1432.htm (acessado em 01 de agosto de 2019)

3 https://biblehub.com/greek/2170.htm (acessado em 31 de julho de 2019)

terça-feira, 14 de julho de 2020

“Que os do mal fiquem do bem”

O amor altruísta nos leva a orar com sinceridade, não apenas para cumprir nosso dever religioso, mas por interesse real na transformação daqueles pelos quais poucos ousariam interceder

orando
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“Orai pelos que vos maltratam e vos perseguem…” (Mateus 5:44)


Pr. Cleber Montes Moreira


“Que os do mal fiquem do bem.” Esta era a frase mais repetida por nosso filho durante suas orações. Em seu linguajar infantil, o que pedia era que os maus se tornassem bons. Sempre que Jônatas começava a orar, Roberta e eu ficávamos na expectativa daquele pedido — Ele era persistente, o fazia por iniciativa própria, e antes que lhe houvéssemos ensinado sobre este princípio cristão.

Orar pelos maus deve ser uma atitude constante. Contrariando a lógica vigente na sociedade, Jesus nos ensinou a interceder por aqueles que nos têm por inimigos, que nos odeiam e nos fazem mal: “Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5:44).

Não somente orar, mas AMAR! Este amor altruísta nos leva a suplicar com sinceridade; não apenas para cumprir um dever religioso, mas por interesse real no bem daqueles pelos quais poucos ousariam interceder. O mundo pode não compreender isso, mas nós seguimos o exemplo de nosso Mestre. Alguém pode dizer que isso é difícil, ou mesmo impossível, mas se um pequenino pode fazê-lo por que não podemos? Aliás, o Senhor deseja que tenhamos um coração como de criança (Leia Mateus 18:3,4).

Motivados por Cristo e cheios de amor verdadeiro, que todos nós ao orarmos possamos fazer aquele mesmo pedido: “Que os do mal fiquem do bem”. Amém!


Junho de 2019

OBS.: Jônatas está com 8 anos e continua orando para que “os do mal fiquem do bem”.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Quando as aflições são bênçãos

Tenhamos sempre em mente que as aflições são bênçãos se nos servem como disciplina, se nos levam ao quebrantamento, se nos conduzem ao quarto de oração

Oração
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“Eu disse: Guardarei os meus caminhos para não pecar com a minha língua; guardarei a boca com um freio, enquanto o ímpio estiver diante de mim… Ouve, Senhor, a minha oração, e inclina os teus ouvidos ao meu clamor; não te cales perante as minhas lágrimas.” (Salmos 39:1,12 – Leia todo o salmo)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

O salmista está abatido. Seus pensamentos estão carregados, talvez de questionamentos e dúvidas acerca de Deus e outras coisas que, se exteriorizadas, podem escandalizar.

Na estrada da vida há declives. Ninguém está imune às tristezas, e nem à depressão. Diante de situações adversas, de sofrimentos extremos, de dolorosas provações, não é incomum que pessoas questionem o silêncio, a ação, ou a permissão de Deus quando suas expectativas são frustradas. Pode parecer que Ele tarda em socorrer, que não ouve as súplicas, que está ausente quando o pior acontece. “Onde Deus estava?”, “Por que Ele permitiu que isso acontecesse?”, “Por que não mandou o livramento?”, perguntam. Isso é de nossa humanidade, é fraqueza nossa.

Davi propôs em seu coração colocar um freio em sua boca, de não dizer nada diante dos ímpios. Mattew Henri diz que “devemos nos lembrar que eles vigiam as nossas palavras e as modificam, se puderem, para nossa desvantagem.” De fato, toda palavra impensada, precipitada e inconsequente que dissermos, e até nossos lamentos poderão ser usados contra nós. Por isso, em certos momentos, o silêncio é preciosíssimo, ainda que agrave a nossa dor (v. 2).

Há hora de calar, e hora de falar. O salmista, quando falou, falou com Deus. Enquanto orava percebeu sua fragilidade, também viu que a força e a glória humana não passa de vaidade. Ele entendeu as consequências de suas iniquidades, suplicou por alívio, e colocou sua esperança no Senhor. Percebeu que não é Deus quem nos lança em sofrimento, que se ausenta e nos abandona, mas que é o pecado que como a traça nos corrói e faz de nossa vida um sopro (v. 11). As aflições são bênçãos se nos servem como disciplina, se nos levam ao quebrantamento, se nos conduzem ao quarto de oração. Pense nisso!


Abril de 2019