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sábado, 1 de agosto de 2020

“Pecado é não amar”, é isso mesmo que a Bíblia ensina?

O conceito de pecado deve ser concebido na inteireza e abrangência do ensino bíblico, sem reducionismo ou relativismo, para que ninguém fique desavisado sobre a severidade do juízo divino sobre os pecadores não arrependidos. Dizer que Jesus preferiu não julgar ou condenar, pois estava mais interessado em amar e acolher é politicamente correto, mas faz parte de um discurso mentiroso e diabólico

aquarela
Imagem: Pixabay


Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.” (Efésios 5:6)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

O título desta reflexão é a frase, tomada de outro contexto, com que um líder religioso finaliza uma postagem em que afirma que Jesus não condenou a homossexualidade porque “preferiu não julgar ou condenar, pois estava mais interessado em amar e acolher.” No post, o autor admite a existência de textos bíblicos contrários à prática, mas insiste que se forem levados em conta, o leitor poderá “promover e justificar atrocidades”, bem como afirma que a Bíblia precisa ser contextualizada e lida a partir da consciência do Evangelho e da centralidade do amor. Ele enfatiza que “a letra mata, mas o compromisso com o Amor salva e promove vida”, e conclui: “Pecado é não amar.

É certo que a Bíblia não é um livro de ódio, que não autoriza nenhum tipo de violência e que revela o amor de Deus “que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Igualmente, o cristianismo verdadeiro não é uma religião de intolerância e ódio, mas defensora das liberdades, incluindo a liberdade de expressão e liberdade religiosa. Os cristãos não são contra os homossexuais, contra seguidores de outras religiões e nem segregadores, entretanto, a liberdade que defendem para os demais, defendem também para si. Assim, se alguém tem o direito de seguir princípios religiosos destoantes do cristianismo, conservar práticas e valores segundo sua consciência, também os cristãos têm direito de preservarem seus valores, viverem e expressarem sua fé sem medo ou constrangimentos. Se, por exemplo, alguém crê que comer carne é pecado, os cristãos têm o direito de pensar o contrário e agir conforme sua consciência e firmados na Palavra Sagrada, sem, todavia, que sua liberdade signifique ódio ou incentivo à violência, uma vez que o Cristo nos ensina um modo mais excelente. Como cristãos, defendemos a liberdade de pensar e de se expressar como direito inalienável.

Em sua Declaração Doutrinária, os batistas da Convenção Batista Brasileira tratam assim sobre o tema “Liberdade Religiosa”:

Deus e somente Deus é o Senhor da consciência. A liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais do homem, inerente à sua natureza moral e espiritual. Por força dessa natureza, a liberdade religiosa não deve sofrer ingerência de qualquer poder humano. Cada pessoa tem o direito de cultuar a Deus, segundo os ditames de sua consciência, livre de coações de qualquer espécie. A igreja e o Estado devem estar separados por serem diferentes em sua natureza, objetivos e funções. É dever do Estado garantir o pleno gozo e exercício da liberdade religiosa, sem favorecimento a qualquer grupo ou credo. O Estado deve ser leigo e a Igreja livre. Reconhecendo que o governo do Estado é de ordenação divina para o bem-estar dos cidadãos e a ordem justa da sociedade, é dever dos crentes orar pelas autoridades, bem como respeitar e obedecer às leis e honrar os poderes constituídos, exceto naquilo que se oponha à vontade e à lei de Deus.1

O fato de os cristãos conservadores considerarem o aborto como prática pecaminosa não significa, de forma alguma, que estejam destilando ódio contra alguém, mas sim emitindo opinião com base em seu entendimento das Escrituras, o que lhes é garantido pela Constituição Federal, que considera “inviolável a liberdade de consciência e de crença.2 Da mesma maneira, quando o tema é Ideologia de Gênero, homossexualidade ou mesmo o ingresso de LGBTs nas igrejas, a posição tradicional cristã contrária a tais práticas não indica homofobia, ódio, nem incentivo à violência, mas posições e conceitos formados a partir da leitura da Palavra de Deus. Igualmente, quando tratando de outros temas afirmam que um ou outro ato ou comportamento é pecaminoso, isso não implica intolerância, discriminação ou preconceito, mas em opinião religiosa, respeitosa e embasada.

Por defenderem as liberdades e direitos, como já dito aqui, é que os cristãos não aceitam que qualquer código de valores, regras, dogmas, ideologias etc., que violem direitos e/ou liberdades, sejam impostos arbitrariamente como padrão a ser seguido. É por isso que não querem Ideologia de Gênero ensinada nas escolas, nem distribuição de “kits” ou materiais que promovam a homossexualidade no ambiente escolar. Até porque, se o comportamento homossexual é algo natural, como alguns defendem, ele não precisa, como a heterossexualidade, ser imposto e/ou incentivado. Estamos num país livre, onde cada qual pode viver e agir conforme sua consciência, sem, entretanto, ferir o direito alheio, impondo aos demais o que considera ser para si natural e bom. Laborar para que o comportamento de alguma minoria seja imposto como padrão comum e normativo para a sociedade é tolher direitos e cercear a liberdade de quem pensa e quer viver de outra maneira.

Os cristãos têm o direito de chamar de “pecado” qualquer prática que assim considerem, à luz de seu entendimento bíblico. Isso vale para o aborto, para o homossexualismo, bem como para qualquer outra prática, sem, no entanto, consistir sua opinião em preconceito, homofobia ou qualquer outro tipo de discriminação ou violência. Opinião não é coisa a ser criminalizada num país livre. Graças ao bom Deus, o Brasil é uma nação democrática, e temos nossas liberdades e direitos garantidos.

Quanto a afirmação de que “pecado é não amar”, é preciso, com lucidez, colocar a coisa como se deve. A frase, como estruturada, é reducionista e serve propositalmente para lançar uma cortina de fumaça a fim de encobrir a verdade, e isso é artimanha maligna para enredar pessoas e levá-las à perdição. Tal sutileza cumpre perfeitamente seu objetivo de criar uma atmosfera favorável para que pessoas justifiquem suas práticas e, mesmo assim, se considerem na comunhão com Deus. Se as palavras forem devidamente ordenadas, temos “não amar é pecado”, e nisso há sentido. Dizer que “pecado é não amar” é o mesmo que afirmar que o único pecado é não amar, enquanto dizer que “não amar é pecado” não nega a existência de outras práticas condenadas nas Escrituras. A ideia de pecado deve ser concebida na inteireza e abrangência do ensino bíblico, sem reducionismo ou relativismo, para que ninguém fique desavisado sobre a severidade do juízo divino sobre os pecadores não arrependidos. Qualquer outro discurso consistirá em palavras vãs, cujo propósito já sabemos (Efésios 5:6).

Tenha em mente que as afirmações cristãs feitas com base bíblica, quando da abordagem de temas tão polêmicos e relevantes, não devem ser consideradas preconceituosas, odiosas, homofóbicas ou incentivadoras de qualquer violência, e sim como declarações de verdade, desnudas, graves, porém cheias de amor verdadeiro, como o amor de um pai que avisa seu filho com gravidade sobre algum perigo a ser evitado. Tais declarações são de cunho religioso e não intencionam desencadear guerra contra pessoas ou classes, uma vez que os cristãos sabem que não têm “que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” (Efésios 6:12).

Jesus sempre marcou posição firme sobre o pecado e a necessidade de arrependimento. Certa vez, ele disse: “Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados.” (João 8:24). Seu discurso jamais anulou seu amor, tanto que morreu pelos pecadores, bem como seu amor nunca cooperou para atenuar suas falas severas e cheias de Verdade (João 6:60,66). À mulher adúltera amou e perdoou, porém a advertiu dizendo “vai-te e não peques mais”, mostrando-lhe o caminho do arrependimento como condição para uma nova vida (João 8:11). A mesma Bíblia que diz que “Deus é amor” (1 João 4:8) é a mesma que diz que “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hebreus 10:31), e que o Poderoso “tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo” por meio do Cristo ressurreto (Atos 17:31). Falar de amor e ocultar o juízo divino é desonestidade. Dizer que Jesus preferiu não julgar ou condenar, pois estava mais interessado em amar e acolher é politicamente correto, mas faz parte de um discurso mentiroso e diabólico.

Afirmar que textos bíblicos que tratam sobre pecados, se levados em conta pelo leitor, poderão “promover e justificar atrocidades”, é desqualificar a Palavra de Deus, atribuir-lhe ódio e violência, e esvaziá-la da Verdade. O evangelho, quando reduzido à mensagem moderna de amor, deixa de ser “o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16), e torna-se uma doutrina do diabo para arrebanhar almas incautas. Este falso amor que exclui a realidade do juízo é porta larga que conduz à perdição e, portanto, deve ser evitada. Pense nisso!


Em 2018


1 Declaração Doutrinária da CBB, “XV- Liberdade Religiosa”: http://www.batistas.com/portal-antigo/index.php?option=com_content&view=article&id=15&Itemid=15&showall=1 (acessado em 21 de abril de 2018).

2 Constituição Federal, Art. 5º, inciso VI, http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm (acessado em 24 de abril de 2018)

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Tempos difíceis

O mundo está em desordem. Uma nova “verdade” está sendo difundida, não apenas destoante, mas ofensiva aos princípios e valores da Palavra de Deus, norte do cristão

peixes
Imagem: Pixabay


“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.” (2 Timóteo 3:1)


Pr. Cleber Montes Moreira


Marquinhos havia completado 15 anos. Era um jovem educado, atencioso e muito interessado nos estudos. Recentemente, seu pai observara alguma mudança em seu comportamento, alguma inquietude, mas não sabia do que se tratava, apenas que estava diferente, estranho…Tentara conversar com ele algumas vezes, sem sucesso. Finalmente, naquela tarde, Marquinhos decidiu que contaria tudo, pois guardar aquilo o deixava cada vez mais angustiado. Foi quando, então, sem qualquer rodeio, desabafou:

— Pai, eu sou um pássaro.

— Como? Não entendi, pode repetir?

— Eu disse que sou um pássaro. Estou falando sério. Não é brincadeira.

— Pássaro?

— Sim.

Antônio pensou que o filho estivesse brincando, porém, como insistia, ficou convencido de que falava sério. “Pode estar perturbado, confuso, doente…”, pensou. Deixou que continuasse explicando, imaginando que falando poderia revelar mais precisamente seu problema, e assim ter como ajudá-lo.

— Na escola aprendemos que ninguém nasce gente. Essa coisa de que todos nascemos humanos é fruto de uma cultura impiedosa cultivada há anos por esta sociedade opressora. Cada um tem o direito de escolher ser o que quiser, sem interferência, sem a necessidade de sentir-se culpado, de ter que se explicar, e eu não me deixarei ser manipulado por ninguém. Eu sou um pássaro, me sinto como um, e quero ser livre como são os passarinhos.

— Filho, creio que precisamos buscar ajuda.

— Não. Não preciso de ajuda. Estou bem. Sabia que não entenderia, mas não estou decepcionado. O senhor não teve a mesma educação e, portanto, não tem a obrigação de entender como as coisas realmente são.

E tentou explicar um pouco mais:

— Da mesma forma que meninos não nascem meninos, e meninas não nascem meninas, ninguém nasce gente. Cada um é livre para ser o que quiser, quando e como quiser. É esta liberdade que torna a vida fascinante. Há quem escolha ser cachorro, há quem escolha ser gato, há quem escolha ser cavalo… há burros, há antas, há macacos, há papagaios, há veados… cada qual escolhe o que quer ser. — Enfatizou.

O pai, achando que a conversa já estava indo longe demais, propôs continuar noutro momento, para entender melhor o assunto, calculando que teria tempo para pensar no que dizer e em como ajudar o filho. Depois de lhe beijar na testa, saiu para pagar algumas contas na lotérica e buscar resultados de exames médicos, prometendo não demorar.

Marquinhos era órfão de mãe desde os 11 anos e morava sozinho com o pai. Embora fossem amigos, tinha dificuldades em se abrir com ele sobre certos assuntos. Para falar de sua opção, teve que tomar muita coragem.

O rapaz realmente não estava bem, parecia transtornado. No silêncio e solidão do apartamento onde morava, no décimo sexto andar, pensou: “Se sou um pássaro, tenho que agir como um”, e assim tomou providências. Em poucos minutos, um cenário horrível e de morte havia sido formado, para a perplexidade de quem transitava pela principal avenida do bairro: um corpo dilacerado, sustentado pelas lanças da pequena grade que separava o jardim da calçada, rodeado de curiosos e espantados. O rapaz alçara voo da janela de seu quarto, porém se esquecera de que não tinha asas.

Se você pensa na impossibilidade de um quadro como o narrado acima, se engana, a Ideologia de Espécie já está presente em vários países. Em 2016, o site Gospel Prime publicou notícia com o seguinte título: “Ideologia de espécie faz 10 mil ingleses viverem como cachorros.1 O site Exateus também publicou matéria sobre o assunto em que cita o caso da “francesa Karen, que nasceu homem, fez cirurgias para trocar de sexo e agora quer ser um cavalo. Ele(a) conta que essa ideia o(a) persegue desde que tinha sete anos de idade.” Também há “uma jovem que disse que é uma gata presa em um corpo humano.2

Imagino que em algum momento alguém dirá “eu sou um automóvel”, “eu sou uma cadeira”, “eu sou uma pedra”, “eu sou um repolho”, “eu sou uma abóbora”, “eu sou uma bananeira” e encontrarão respaldo na ciência e nas leis, visto que assim como ocorre com a Ideologia de Gênero, a questão não poderá ser tratada como doença ou anomalia, e sim como opção, e as pessoas não poderão procurar ajuda, já que os profissionais capacitados, bem como religiosos bem-intencionados, serão proibidos de atendê-los.

Pior que isso, talvez algumas igrejas comecem a ter o mesmo entendimento secular sobre estes casos, vendo-os do prisma de uma reinterpretação das Escrituras, e até formulando uma nova hermenêutica que os expliquem como sendo parte da diversidade criada pelo próprio Deus, pois é exatamente o que ocorre com a Ideologia de Gênero. Quem ousar pensar diferente será tido como arcaico, fundamentalista, legalista ou homofóbico, podendo, inclusive, ser penalizado perante a lei por sua discriminação e preconceitos. “Onde já se viu não aceitar que o filho seja um melão? Em que mundo nós estamos?”

No Brasil, e em muitos outros países, educadores, sociólogos e políticos, dentre outros, têm trabalhado pela inclusão da Ideologia de Gênero nas escolas. Sempre há uma nova investida, mesmo diante da recusa da sociedade. Na Suécia e na Holanda existem escolas onde não se pode chamar o aluno de menino e a aluna de menina, são chamados apenas de crianças, porque elas devem decidir, quando crescerem, se serão homens ou mulheres3. Imagine uma jovem formada, com belos seios, vagina, útero e ovários dizendo que decidiu ser homem! É tão racional quanto um jumento decidir que não é mais jumento, que é uma baleia. Pergunto: da perspectiva da biologia, tal “opção” é razoável? Não! Mas você pode argumentar que jumentos não tomam tal decisão. Será?

Certas militâncias reclamam que querem apenas fazer valer seus direitos, o que é, na verdade, uma estratégia de discurso. Querem mais que isso, querem impor um padrão. Querem transformar a exceção em regra para todos; querem amordaçar a sociedade e combater qualquer um que ouse pensar diferente.

No site “padrepauloricardo.org” lemos:

Na Alemanha, um casal, pai de nove filhos, está ameaçado de perder a liberdade, porque sua filha se negou a participar das aulas de educação sexual previstas para a escola primária. A polícia alemã já encarcerou Eugen Martens, em agosto de 2013, e só não prendeu ainda sua esposa, Luise, porque ela está amamentando o filho mais novo. O agente policial que visita a família, no entanto, garante: “O escritório da promotoria fará aplicar a decisão do juiz”. Ou seja, mais dia ou menos dia, também a mãe será presa.4

Já o site Consultor Jurídico publicou matéria com o seguinte título: “Em Ontário, pais podem perder filhos se recusarem identidade de gênero5. Nova lei estipula que o governo pode tirar os filhos de famílias que não aceitam suas identidades de gênero ou suas expressões de gênero. A justificativa é que a legislação deve ser centrada na criança e nos seus interesses, e não nos pais.

Em 2013, um menino de seis anos, na Argentina, “mudou de gênero” e recebeu uma nova certidão com um nome feminino. Não tem útero, não tem vagina, não menstruará, não poderá engravidar e ter filhos, mas é menina. E desde quando uma criança de seis anos tem maturidade para decidir sobre algo que mudará sua vida para sempre, inclusive afetando drasticamente o psicológico? Caso a decisão tenha sido autorizada pelos pais, trata-se de um crime.

Em 2016, o site G1 publicou: “Menino consegue na Justiça mudar para gênero feminino e trocar de nome.” O juiz de Sorriso, MT, que autorizou a mudança, apresentou a seguinte justificativa: “Ele nasceu com anatomia física contrária à identidade sexual psíquica.”6 O site do Jornal Extra publicou em 17 de junho de 2019: “Justiça do Rio autoriza criança a mudar de gênero e nome na certidão.” A justificativa? “Por se tratar de uma criança, explica a defensora pública do estado do Rio Elisa Costa de Oliveira, é preciso muita cautela nesse tipo de processo. Bruna (nome fictício), por exemplo, tinha um laudo médico indicando o diagnóstico de incongruência de gênero na infância.”7 Hoje é possível que qualquer pessoa tenha em seus documentos o seu “nome social”, inclusive uma criança.

Já o site Raciocínio Cristão deu a seguinte notícia: “Criança de 4 anos iniciará processo de mudança de sexo — Pastora gay apoia.8

Jesus disse: “Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome”. E também alertou: “Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão.” E no verso seguinte cita os falsos profetas (Leia Mateus 24:9-11). Este tempo chegou, e é agora.

No mundo há perseguição aos salvos, e nos arraiais evangélicos há traição. Os evangélicos inclusivos travam uma luta, ainda não percebida por muitos, contra os que ainda conservam a Palavra em sua essência. Esta luta, por enquanto, é de palavras, está no campo intelectual. Os heréticos avançam com discursos sobre amor, perdão, tolerância e outras sutilezas, e vão penetrando nas igrejas bíblicas e minando suas bases. Agem, principalmente, sobre os jovens, e também, discretamente, em vários seminários teológicos, para inculcarem nos que se preparam para servir as ideias da luta. Aqueles que são formados com esta mente são os que exercerão o pastorado, liderança de jovens e adolescentes, e depois lecionar nos seminários, onde continuarão sua militância.

O mundo está em desordem. Uma nova verdade está sendo apregoada, não apenas destoante, mas ofensiva aos princípios e valores da Palavra de Deus, norte do cristão. A maioria tem escolhido as benesses e facilidades do caminho largo. No entanto, a verdade não está, e nunca esteve, necessariamente, com a maioria. Engana-se quem pensa que “a voz do povo é a voz de Deus”. Em mar de peixes mortos, apenas os vivos são capazes de nadar contra as correntezas.

Paulo já havia avisado: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.” (2 Timóteo 3:1). Tempos trabalhosos, tempos terríveis, tempos penosos, tempos perigosos9… Há muitas formas de descrever os tempos difíceis aos quais o apóstolo se refere. Fato é que vivemos, nesta época, as realidades mencionadas pelo escritor bíblico. Quanto mais reconhecemos isso, mais necessário se faz que os verdadeiros cristãos marquem posição firme, independentemente das consequências. É hora de entendermos e assumirmos a condição do apóstolo que disse: “Por amor de Ti somos entregues à morte todo o dia; somos reputados como ovelhas para o matadouro.” (Romanos 8:36). Sabendo que “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos.” (2 Coríntios 4:8,9). Afinal, Deus está conosco, e não devemos temer “os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer.” (Lucas 12:4).

Que sejamos fiéis ao Senhor, à Sua Palavra, e em momento algum cedamos ao relativismo que nos é proposto pelo reino deste mundo; que não negligenciemos àqueles que, antes de nós, deram seus corpos e sangue em sacrifício, por amor a Deus e ao evangelho.

Saibamos que nossa luta não é contra pessoas, assim como diz a Palavra Santa: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” (Efésios 6:12).

Compreendamos ainda que embora nossa luta se dê no campo das ideias, estas são formuladas por pessoas e, por isso, o conflito, em algum momento, é inevitável. Busquemos sabedoria do alto, não lutemos com nossas forças, mas com as armas e a força do Espírito, sempre na dependência e como instrumentos daquele a quem servimos.


1 https://noticias.gospelprime.com.br/ideologia-de-especie-ingleses-viverem-cachorros/ (acessado em 03 de setembro de 2017)

2 https://exateus.com/2016/02/02/onde-vai-parar-essa-ideologia-de-genero-ou-especie-menino-de-9-anos-consegue-na-justica-mudar-genero-e-nome/ ; https://www.youtube.com/watch?time_continue=4&v=YWeBunPiIzo (links acessados em 03 de setembro de 2017)

3 http://www.ultimosacontecimentos.com.br/artigos/ideologia-de-genero-uma-ideologia-completamente-dirigida-e-arq.html (acessado em 03 de setembro de 2017)

4 https://padrepauloricardo.org/blog/pais-sao-presos-por-nao-aceitarem-ideologia-de-genero (acessado em 03 de setembro de 2017)

5 http://www.conjur.com.br/2017-jun-07/ontario-pais-podem-perder-filhos-negarem-identidade-genero (acessado em 03 de setembro de 2017)

6 http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2016/01/menino-consegue-na-justica-mudar-para-genero-feminino-e-trocar-de-nome.html (acessado em 03 de setembro de 2017)

7 https://extra.globo.com/noticias/rio/justica-do-rio-autoriza-crianca-mudar-de-genero-nome-na-certidao-23727357.html (acessado em 18 de junho de 2019)

8 http://www.raciociniocristao.com.br/2016/09/crianca-4-anos-iniciara-mudanca-de-sexo/ (acessado em 03 de setembro de 2017)

9 Do grego καιροὶ χαλεποί, tempos “difíceis” ou “perigosos. RIENECKER, Fritz - ROGERS, Cleon, Chave Linguística do Novo Testamento Grego, página 477, Vida Nova, 1985.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

A ‘graça’ que tolera o erro é desgraça

Contrariando as Escrituras, muitas igrejas abandonaram a pregação contra o pecado e passaram a ostentar o que chamam de “cristianismo cheio de ‘graça’ e ‘acolhedor’”

Bíblia
Imagem: Pixabay


“Geralmente se ouve que há entre vós fornicação, e fornicação tal, que nem ainda entre os gentios se nomeia, como é haver quem possua a mulher de seu pai. Estais ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes por não ter sido dentre vós tirado quem cometeu tal ação.” (1 Coríntios 5:1,2)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Por causa de sua visão distorcida sobre a graça, a igreja em Corinto tolerava o pecado em seu seio, e fazia isso com certo orgulho. Da mesma forma, hoje, algumas igrejas, sob o viés de uma nova interpretação das Escrituras e a pretexto de amor e misericórdia, deixaram de cumprir a disciplina bíblica e adotaram uma postura de tolerância e inclusão que dá aos membros a liberdade de conservarem certas práticas pecaminosas. Alguns chamam isso, equivocadamente, de resiliência. Na verdade, trata-se de falsa espiritualidade que, com aparência de piedade, nada mais é que conformação com os padrões sociais vigentes, o que chamamos de mundanismo ou secularismo. Muitas igrejas locais, levadas por essa visão errada de cristianismo, passaram a estabelecer “novos diálogos” sobre certos temas, como o aborto, a aceitação de homossexuais na membresia, a relação da igreja com movimentos e ideologias político-sociais etc. Em decorrência disso, cresce, cada vez mais, o liberalismo em meio aos ditos evangélicos.

Assim como em Corinto, já não há tristeza quando o pecado se estabelece em meio aos crentes, mas, ao contrário, uma ostentação do que entendem ser um cristianismo cheio de “graça” e acolhedor. Não importando mais o arrependimento, todos são chamados como estão, sem necessidade de qualquer mudança ou transformação para a comunhão com um deus tolerante e perfeitamente moldado para atender, sob medida, aos anseios dos que sofrem, principalmente das minorias. Assim, pecadores não transformados — devassos, idólatras, maldizentes, alcoólatras, exploradores, corruptos etc. (v. 11) —, sentam-se à mesa da comunhão e comem, para a sua própria condenação, não discernindo o caráter do Corpo de Cristo.

Paulo encerra sua exortação dizendo: “Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo.” (v. 13). A graça que tolera o erro, é desgraça. Quando o assunto é pecado, não se deve fazer vista grossa. A disciplina é ensino bíblico e deve ser cumprida com amor e zelo, do contrário o fermento do mal contaminará toda a massa.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

“Miga, lacrei”

Lobos não podem ser tratados como ovelhas (Mateus 7:15; Atos 20:29). Somos advertidos a resisti-los, e não a tirarmos selfies com eles

Bíblia
Bíblia aberta: Romanos 16:17


“Desviai-vos deles.” (Romanos 16:17)


Pr. Cleber Montes Moreira


A frase título desta reflexão foi tomada de um comentário de uma foto publicada em redes sociais na qual um jovem, de uma igreja evangélica histórica, bacharel em Teologia, aparece ao lado de um teólogo gay. A foto foi tirada durante um evento conhecido como Festival Reimaginar, o qual acontece em várias cidades brasileiras, onde são debatidos temas como Direitos Humanos, violência, racismo, ecologia, missão e espiritualidade, Igreja, Diversidades e Gênero, dentre outros.

Num dos encontros, o painel que tratou de Igreja, Diversidades e Gênero — cujo vídeo está publicado no YouTube1 —, se inicia com a palavra da mediadora, uma jovem que se apresenta como sendo uma lésbica cristã, e tem as participações de uma pastora de uma igreja inclusiva e do referido teólogo, que também é militante de um movimento “inclusivo”.

Chamem como quiserem: “Teologia Queer”, “Teologia Inclusiva”, ou qualquer outra coisa, isso não é teologia, é artimanha maligna; não é ciência ou estudo que busca o conhecimento do Eterno, e sim uma tentativa de recriar Deus a partir de suas convicções, preferências e interesses; trata-se de um esforço bem articulado de reimaginar Deus, a fé e a igreja, e reinterpretar as Escrituras a partir de certos pressupostos. É um evangelho formatado com o objetivo de atrair pessoas excluídas sem a exigência do arrependimento como condição para a salvação e o relacionamento com Deus; é um evangelho humano, e não divino. Como eles mesmos dizem, é uma fé pública, porém, sabemos que a verdadeira fé não é de domínio público, assim como não são as doutrinas e os valores ensinados por Cristo. A verdade não vem do povo, de seu pensamento, de suas lutas, de sua cultura, de suas crenças, costumes ou vontade, mas do Pai das luzes. O evangelho se torna público na medida em que é proclamado aos pecadores, contudo, na medida em que é recusado, transforma-se em bem para aqueles que o guardam, e em maldição para os que o rejeitam (João 12:48). Os pilares da fé pública se erguem de humanos, enquanto os pilares da fé dos que creem em Deus se constroem e se sustentam na Rocha, que é Cristo, portanto, são inabaláveis; não podem ser relativizados, ressignificados ou reimaginados, pois a Palavra não muda, assim como imutável é Seu Autor. A Bíblia diz: “O conselho do Senhor permanece para sempre; os intentos do seu coração de geração em geração.” (Salmos 33:11).

Estes movimentos pela inclusão de LGBTQs2 (e outros) na membresia das igrejas vêm fazendo a cabeça de muita gente. Em nome do amor, falso amor, baseado no conceito secular e vigente de amor, “amor” que subjuga a verdade, estão relativizando os valores do Reino e a própria Bíblia, que já ganhou versões para o público LGBT, bem como livros e revistas para estudos que abordam a temática a partir desta reinterpretação.

Este é o tempo em que muitos, até mesmo em nome de Deus, ao mal chamam bem, e ao bem, mal, fazem das trevas luz, e da luz, trevas, do amargo doce, e do doce, amargo (Isaías 5:20), inculcando nas mentes que pecado já não é pecado, e que opinião contra o pecado é legalismo, intolerância, homofobia etc. Estamos vivendo os tempos difíceis aos quais Paulo se refere, em que há pessoas que ostentam a piedade, mas a negam na prática, que aprendem, porém nunca chegam ao conhecimento e experiência da verdade, mas a resistem porque suas mentes são depravadas, corruptas, e por isso são, diante de Deus, reprovados na fé (Leia 2 Timóteo 3:1-17). Nisso que escrevo não há ódio, há opinião, há respeito, mas há divergência. É impossível para alguém ostentar um discurso contrário à Bíblia, principalmente quando fruto de uma ressignificação, e mesmo assim estar ao lado da verdade e no caminho com Deus. A própria Escritura nos apresenta este princípio: “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Amós 3:3). É incoerente pensar que uma Bíblia ressignificada ou reduzida ao amor como única doutrina continue sendo a infalível e imutável Palavra de Deus, da mesma forma que não se pode admitir que aqueles que pregam uma Escritura reducionista sejam profetas autênticos e porta-vozes do evangelho. A verdade ou é acatada ou rejeitada; se modificada ou relativizada, já não é mais a verdade, ainda que consista em verdade para alguns.           

É lamentável que pessoas envolvidas em tais movimentos estejam ministrando em seminários, em igrejas, e produzindo material para o ensino teológico e educação cristã, bem como para a leitura do povo evangélico. Mas é justamente este o expediente que adotam para fazer a cabeça dos que ainda não estão firmes na Sã Doutrina. Infelizmente, muitos estão ministrando aos adolescentes e jovens pelas igrejas, outros estão se preparando para o ministério pastoral, e outros já estão no exercício do pastorado, o que nos dá uma perspectiva terrível sobre a futura geração de crentes. A preocupação aqui não é quanto às igrejas declaradamente inclusivas, pois estas, no uso de sua liberdade, já se decidiram pelo tipo de “fé” que querem praticar, mas em relação às igrejas e denominações históricas que têm sido contaminadas por estes movimentos e ideologias progressistas.

David Martyn Lloyd Jones dizia que todo falso ensinamento deve ser odiado e combatido. Paulo exortou a Timóteo a se afastar dos heréticos (2 Timóteo 3:5), e aos romanos escreveu: “E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples.” (Romanos 16:17,18 — grifo do autor). Assim, também nós, se desejarmos igrejas fortes, crentes com fé sólida, e se quisermos construir um caminho que nos dê uma perspectiva melhor para as futuras gerações, precisamos afastar de nosso meio aqueles que, insubmissos à Palavra, persistem na intenção de desviar pessoas do bom caminho.

Lobos não podem ser tratados como ovelhas (Mateus 7:15; Atos 20:29). Somos advertidos a resisti-los, e não a tirarmos selfies com eles.

Miga, lacrei!”? Estou fora! E você?


Em 2018


1 https://www.youtube.com/watch?v=3bmDnYNhuCY (acessado em 29 de agosto de 2017)

2 Conheça outras SIGLAS acessando este link: http://desacato.info/lgbt-lgbti-lgbtq-ou-o-que/; http://blog.educahelp.com/lgbtq-pra-que-tanta-sigla/ (sites acessados em 26 de abril de 2018).

terça-feira, 28 de julho de 2020

Noiva de Cristo ou amante do diabo?

Empunhando a bandeira do “amor” o movimento inclusivo propõe “novos diálogos”, um evangelho moldável, e uma igreja “acolhedora” e aculturada

noiva
Imagem: Pixabay


“E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as.” (Efésios 5:11)

“Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (Tiago 4:4)

 

Pr. Cleber Montes Moreira


O cristianismo deve ser uma censura ao mundo, e não uma mesa de debates. Os princípios cristãos nunca devem ser relativizados a pretexto de uma postura de tolerância e entendimento com os diferentes. Há, entretanto, um movimento que se esforça neste sentido, por “novos diálogos”, por um evangelho inclusivo e por uma igreja sensível, que se amolda e se acultura ao contexto e valores sociais vigentes.

Este movimento é portador de um discurso estético, politicamente correto, sobre a necessidade da igreja dialogar com a sociedade sobre certos temas, como, por exemplo, aborto, ideologia de gênero, inclusão de LGBTQs, relações homoafetivas, teologia queer, novas configurações familiares, teologia negra, feminismo, direitos humanos e outros; como se fosse possível luz e trevas entrarem em acordo e firmarem consenso, como se os fundamentos cristãos pudessem ser adequados ou ressignificados a partir do entendimento comum entre as partes.

O argumento utilizado é quase sempre o amor. Para eles, o amor é a única doutrina, uma vez que tudo mais pode ser reinterpretado. Esta é uma tentativa diabólica de fazer a igreja relevante perante a sociedade, de produzir uma nova teologia a partir das ruas, de criar uma hermenêutica com base no pensamento de certas minorias e reimaginar a igreja. Isso nada mais é que parte de um esforço bem articulado para levar adiante um processo de desconstrução não só da igreja mas da própria sociedade, que passa pela quebra de paradigmas e conduz para um novo código moral que se contrapõe ao padrão divino ensinado nas Escrituras; é a criação de um novo deus, um novo evangelho, uma nova sociedade e uma nova religião. É pauta de uma agenda em andamento.

Este diálogo é falácia maligna, é estratégia das trevas. Deus não deixou sua igreja na Terra para se entender com o mundo senão para fazer discípulos de Cristo que venham a fazer jus ao nome cristão. A luz não comunga com as trevas, antes revela e condena suas más obras e desnuda o pecado; por isso os salvos são odiados (Mateus 24:9 — leia o contexto).

A verdadeira igreja é a noiva do Cordeiro que se preserva santa e irrepreensível (Efésios 5:27; Apocalipse 19:7). Ela não precisa ser reimaginada, deve ser igreja conforme o modelo bíblico, e capacitar os santos para cumprir seu papel de Sal e Luz. Igreja que busca consenso com o mundo não é igreja, é amante do diabo.


Abril de 2018

sexta-feira, 24 de julho de 2020

A religião dos “amantes de si mesmos”

Mais que pelo entendimento errado das Escrituras, que pela falta de uma hermenêutica correta, a apostasia da fé deste tempo é fruto do amor que contempla os interesses pessoais, que alimenta a ganância, que coloca o ego como centro da adoração do sistema religioso humano

narcisismo
Imagem: Pixabay

“Porque haverá homens amantes de si mesmos…” (2 Timóteo 3:2)


Pr. Cleber Montes Moreira


Enquanto o amor se esfria no mundo em decorrência da multiplicação da iniquidade (Mateus 24:12), o amor sincero, altruísta, um outro tipo de amor se estabelece cada vez mais como marca de uma geração corrompida e cada vez mais distante de Deus. Falo do amor ao qual se refere Paulo ao dizer que os homens dos “tempos trabalhosos” seriam “amantes de si mesmos”.

Este amor — amor egoísta, que busca saciar os deleites da carne — parece ser a força propulsora de uma apostasia da fé jamais vista na história. Ele move tanto aqueles que procuram os benefícios dos falsos evangelhos quanto os falsos profetas que providenciam meios para atender às demandas do mercado da fé. Os primeiros estão sempre em busca da cura, do milagre, do emprego, da prosperidade, de trazer de volta o amor que se foi, de desfazer algum “trabalho de macumbaria”, de legitimar seus pecados, e outros favores e vantagens, enquanto os últimos — movidos pelo mesmo amor — ofertam soluções e fazem promessas em troca do que lhes interessa, quase sempre o dinheiro, o poder e o status. É assim que por meio deste amor multidões com comichão nos ouvidos, não suportando a sã doutrina, constituem para si líderes segundo seus próprios interesses, os quais, por sua vez, e porque são carnais e não espirituais, passam a mercadejar a Palavra em benefício próprio (2 Timóteo 4:3; 2 Pedro 2:3; 2 Coríntios 2:17).

Aqueles que amam a si mesmos acabam se tornando “sologâmicos”, ou seja, casados consigo mesmos, com seus interesses e caprichos. Eles fazem juras de amor e prometem ser fiéis a si mesmos na busca da satisfação pessoal, muitas vezes ao custo da honra, da desconstrução da família, em detrimento dos interesses e bem-estar do próximo, e do afastamento de Deus.

Mais que pelo entendimento errado das Escrituras, que pela falta de uma hermenêutica correta, a apostasia da fé deste tempo é fruto do amor que contempla os interesses pessoais, que alimenta a ganância, que coloca o ego como centro da adoração do sistema religioso humano; também nos arraiais evangélicos onde quase tudo converge para o homem. Basta uma análise simples das canções gospel, das mensagens proferidas por “encantadores de pecadores” (como chamo certos pregadores), e dos eventos que atraem multidões de “adoradores” para que se perceba onde está o foco. Nestas celebrações marcadas por rituais hedonistas, a adoração é dirigida ao (in)fiel — tudo é preparado para ele, para o seu prazer, para a sua exaltação.

Os profetas do engano são os ateus modernos: oportunistas de plantão, que falam em nome do Deus no qual eles mesmos não creem — porque se cressem teriam temor —, que usam a Bíblia apenas como pretexto e meio para conquistar a confiança dos incautos, que ostentam autoridade e poder espiritual, mas vivem na carne; ele são os “inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18,19).

Seja o helicóptero decolando de um heliponto de um mega templo em São Paulo, cheio de malas de dinheiro, a portinha de um templo de uma seita qualquer num bairro pobre, os frequentadores das correntes dos empresários, ou os pobres que procuram na religião alguma solução, parece que todos são movidos pelo mesmo amor que busca os próprios interesses.

O encontro dos “amantes de si mesmos” — de um lado os (in)fiéis que procuram um deus que corresponda aos seus desejos temporais, do outro os mercadores da fé que despudoradamente adéquam o evangelho aos anseios dos ouvintes — cria um ambiente favorável aos desvios, onde o amor-próprio passa a ser o fator gerador da apostasia da fé. Deste encontro de interesses (e interesseiros) que surge a necessidade de teologias moldáveis que correspondam às expectativas e contemplem a diversidade, que seja capaz de apresentar um deus serviçal, multiforme e representativo das mais diversas correntes de fé, de tradições e de comportamentos; um deus criado à imagem e semelhança dos homens. A Teologia da Prosperidade, o Evangelho Social, o Evangelho da Confissão Positiva, o Triunfalismo Gospel, a Teologia do Coaching, a Teologia Inclusiva (também chamada Teologia Queer e Teologia Gay) e outros desvios são apenas alguns dos meios pelos quais este deus se revela. Nada mais funesto, mais anticristão, que esta religião que fala de Deus, mas é, em sua essência, antropocêntrica — a religião dos “amantes de si mesmos”.


Fevereiro de 2020

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Os homens dos “tempos trabalhosos” serão obstinados

Aquele que age impulsivamente, movido por paixões carnais, está sempre inclinado a se atirar no abismo. A obstinação inconsequente é como a pá na mão daquele que cava a própria cova

precipício
Imagem: Pixabay


“Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus.” (2 Timóteo 3:4 — grifos do autor)

 

Pr. Cleber Montes Moreira


Os homens dos tempos trabalhosos também serão propeteis (προπετεῖς). Na ACF “obstinados”, na NVI “precipitados”, na BKJA “inconsequentes”, e na NAA “atrevidos”. Conforme a Chave Linguística do Novo Testamento Grego, “alguém que cai antes ou adiante, obstinado, precipitado, alguém que está pronto a precipitar as coisas com linguagem ou ações ásperas”1. Segundo Champlim “são pessoas ousadas quando se entregam à maldade, visto que estão debaixo da influência e paixões descontroladas”2. Para Hernandes Dias Lopes é aquele “que não se detém diante de nada para obter seus propósitos”3. Esta característica descreve aqueles que agem impulsivamente, sem temor do perigo, e se atiram de cabeça em busca da realização de seus ideais e prazeres4.

Um exemplo bíblico de obstinação inconsequente foi o de Amnon, filho de Davi. Ele se apaixonou por sua irmã Tamar. Consumido por aquele desejo ardente e ilícito ele chegou a adoecer e emagrecer. Em vez de agir com a razão e repelir seus maus pensamentos, deu vazão ao sentimento carnal. Aconselhou-se com o sagaz Jonadabe, fingiu estar doente e pediu para ser atendido pela irmã para, no momento oportuno, abusar dela. O prazer momentâneo deu lugar a aversão por Tamar, e as consequências deste pecado marcou tragicamente a família de Davi (2 Samuel 13:1-17).

Este comportamento pode ser ilustrado pela esposa ou esposo, mãe ou pai de família, que se deixando levar por uma paixão se atira como que no escuro numa aventura amorosa, traindo o cônjuge e os filhos (se os tiver), sem medir as consequências deste ato em sua vida e na vida de seus familiares. A pessoa que assim age sabe que está cometendo um erro, porém, dominada por impulsos carnais, obstinada no seu intento, ousa seguir em frente independente dos prejuízos. Ela o faz por uma satisfação imediata e temporal, por prazer egoísta, por ser “amante de si mesma”. O resultado será decepção e sofrimento.

Um outro exemplo é o da pessoa que se precipita em contrair dívidas, que ama comprar, frequentar lugares caros, bancar os amigos, dar festas etc., que sempre tem o cartão de crédito consigo e extrapola seus limites, in-con-se-quen-te-men-te! Esta precipitação resulta em dívidas enormes, nome sujo e restrição do crédito, dentre outras coisas.

Você já falou algo do qual se arrependeu? Ou você conhece alguém que tem por hábito se precipitar no que fala? Um “sim” ou um “não” dito precipitadamente pode causar sérios prejuízos. Uma resposta impensada, áspera, ofensiva também pode resultar em grandes males. Também uma promessa não calculada, ou uma declaração inoportuna.

Aqueles que falam precipitadamente devem levar em conta o que diz o sábio: “Você viu alguém que é precipitado no falar? Há mais esperança para um tolo do que para ele” (Provérbios 29:20 — NAA). E o que age sem pensar deveria considerar que “Não é bom agir sem pensar; quem se precipita acaba pecando” (Provérbios 19:2 — NAA). Tiago nos exorta: “Vocês sabem estas coisas, meus amados irmãos. Cada um esteja pronto para ouvir, mas seja tardio para falar e tardio para ficar irado” (Tiago 1:19 — NAA).

O historiador grego Heródoto disse: “A precipitação é a mãe do fracasso.” A palavra precipitação vem de precipício. A pessoa precipitada é aquela que está sempre inclinada a se atirar no abismo. Sabe aquele provérbio português sobre “cavar a própria sepultura”? É exatamente o que faz a pessoa inconsequente.

Quanto mais se aproxima o tempo do fim, mais este comportamento se fará presente e intenso na sociedade, mas, infelizmente, também no seio religioso.

“Agir por impulso, é privilégio do insipiente. O sábio, é ponderado no pensar e no agir” (Edmilson Silveira).


1 Rienecker, Fritz – Rogers, Cleon. Chave linguística do Novo Testamento grego, página 477, Vida Nova, São Paulo-SP, 1985.

2 Champlin, Russell Norman, Ph. D., Comentário Bíblico, Volume 5, página 387, Hagnos, 2001

3 Lopes, Dias Hernandes. 2 Timóteo, o Testamento de Paulo à Igreja, página 86, Hagnos, São Paulo, 2014.

4 STRONGS NT 4312: προπετής “caindo para a frente, de cabeça para baixo, inclinada, precipitada” https://biblehub.com/greek/4312.htm

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Pastores e o “Armário Teológico”

Teólogos, pastores e líderes há que abandonaram a teologia conservadora e as interpretações bíblicas históricas; eles e assumiram publicamente novas convicções; trocaram a fé tradicional pela chamada Teologia Inclusiva, e adotaram um novo posicionamento em relação a temas basilares da fé cristã. Outros, porém, por algum motivo, continuam no “armário teológico”

armário
Imagem: Pixabay


“Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela…”(2 Timóteo 3:5)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

A expressão “sair do armário” é tradução da gíria americana “come out of the closet”, que teria surgido a partir de outras duas expressões. Nos séculos 19 e 20, “come out” (“sair”, “surgir”, “se revelar”) era usado quando os pais organizavam os famosos bailes de debutantes que serviam para apresentar as adolescentes à sociedade. Era nestas festas de quinze anos que as meninas “se revelavam” adultas. Já a expressão “skeletons in the closet” (“esqueletos no armário”) era usada como sinônimo de algum segredo vexaminoso. Foi assim que “come out of the closet” passou a ser uma metáfora para aqueles que assumiam a homossexualidade, ou, como se diz hoje em dia, a sua “orientação sexual” ou “identidade de gênero”.

Creio que “sair do armário” seja uma expressão também adequada para ser usada em relação àqueles que resolveram sair do “armário teológico”, ou seja, abandonaram a teologia conservadora e as interpretações bíblicas históricas e assumiram publicamente outras convicções. Muitos líderes e autoridades religiosas — teólogos, pastores, padres etc. — têm trocado a fé tradicional pela chamada Teologia Inclusiva. Adotaram um novo posicionamento em relação a temas como pecado, arrependimento, novo nascimento, amor, justiça etc., e passaram a sustentar um discurso complacente em relação a certos valores e comportamentos. Algumas práticas antes consideradas pecaminosas agora são aceitas como sendo normais, dentre elas comportamentos (ou “orientações”) sexuais alternativas ao padrão tradicional. Para fundamentar “biblicamente” tais padrões resolveram ignorar, revisar ou ressignificar certos textos bíblicos e estabeleceram uma nova hermenêutica em que a Bíblia passou a ser interpretada não mais a partir da perspectiva de Seu Autor, mas das experiências, anseios e conveniências humanas. Eles passaram a fazer a “leitura pública da Bíblia” que consiste em sua interpretação a partir de certos grupos sociais: LTGBTs, mulheres (feministas), negros, indígenas e outros, sempre tratando de adequar os “mandamentos” às suas demandas. Certos textos, principalmente dentre os escritos paulinos, passaram a ser considerados “interditivos” de mulheres e homossexuais. Por esta nova leitura a Palavra de Deus deixou de ser normativa, e assumiu posição de submissão à Teologia Inclusiva para servir às suas finalidades.

Estes pastores que saíram do armário teológico, porque adotaram uma postura “politicamente correta” têm encontrado espaço na mídia e atraído multidões. Para os pecadores nada melhor que este “evangelho” que ao mesmo tempo em que autoriza o viver na carne aplaca suas consciências em relação a Deus. É como se a Nicodemos não tivesse sido dito “que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3), nem à mulher adúltera “vai-te, e não peques mais”, (João 8:11), ou que João Batista e Jesus não tivessem iniciado seus ministérios com uma exortação ao arrependimento (Mateus 3:3; 4:17), ou ainda que não houvesse nas Escrituras nenhuma exigência à santidade, porque à luz desta teologia, como seus expoentes ensinam, o único pecado é “não amar”.

Muitos pastores que têm saído do armário teológico expõem suas ‘convicções inclusivas’ a partir de seus púlpitos e por meio de todas as mídias possíveis; escrevem livros, promovem congressos e festivais, criam páginas e blogs onde publicam seus textos, coordenam movimentos etc. Geralmente investem e conseguem exercer grande influência sobre os mais jovens. Por isso muitas igrejas com perfil histórico se desviaram da Sã Doutrina, se desligaram ou foram desligadas de suas denominações, e passaram a interagir com outras igrejas e movimentos inclusivos. Outras ainda estão no rol de denominações históricas, mas sem compromisso doutrinário e teológico. É o caso de algumas igrejas onde pastores inclusivos, LGBTs, teólogos feministas, defensores do aborto, dentre outros, têm trânsito livre para pregar e ensinar.

Apesar da naturalidade como alguns pastores estão “saindo do armário” — de fato perderam a vergonha —, há outros que, mesmo abraçando tais convicções, não tiveram, ainda, a mesma coragem. Eles continuam no “armário teológico”. Alguns, talvez, estejam também naquele outro “armário”. Sei de pastores que não tendo assumido publicamente a Teologia Inclusiva procuram se cercar de ministros auxiliares (indicados por eles mesmos) e líderes inclusivos. Alguns encenam uma performance conservadora, porém agem sutilmente por meio de seu corpo de líderes para perverter a doutrina e desviar suas igrejas — tudo é uma questão de tempo. Por que eles continuam no armário? Talvez não haja uma única resposta, mas, provavelmente, por alguma conveniência ainda não tenham “se revelado”: porque estão numa zona de conforto, pastoreando boas igrejas e ganhando ótimos salários; porque ocupam cargos denominacionais e fazem de sua posição instrumento de militância (ainda que velada); porque não querem se indispor com líderes conservadores na igreja ou denominação; porque “ainda não é hora”; ou por outros motivos.

Os pastores (e outros líderes) inclusivos que ainda não “saíram do armário”, por causa de sua dissimulação — muitos até travestidos de conservadores —, são um enorme perigo porque que agem de modo articulado e estratégico, quase que imperceptivelmente, para desconstruir valores e apresentar às suas igrejas, por meio de um discurso suave e “contextualizado”, um “evangelho” palatável e adequado às suas convicções e intenções sórdidas. Tenham cuidado, “pois certos homens, cuja condenação já estava sentenciada há muito tempo, infiltraram-se dissimuladamente no meio de vocês. Estes são ímpios, e transformam a graça de nosso Deus em libertinagem e negam Jesus Cristo, nosso único Soberano e Senhor” (Judas 1:4 — NVI).


Setembro de 2019


domingo, 19 de julho de 2020

Discurso fraudulento

A enganosa Teologia Inclusiva considera o “amor” como a única doutrina para o acesso a Deus, desprezando a fé, o arrependimento e o novo nascimento, afrontando a cruz e blasfemando contra o Salvador, ensinando que qualquer pecador, mesmo um ateu confesso, se é capaz de amar ao próximo, está salvo

bandeira inclusiva
Imagem: Pixabay

“Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo.” (Colossenses 2:8)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Na época em que ocorreu o acidente que vitimou o jornalista Ricardo Boechat, um pastor evangélico progressista publicou numa rede social:

“Ainda sobre o Boechat, alguns estão perguntando: ‘Adianta ter amor ao próximo e não acreditar em Deus?’ Gente! Ter amor ao próximo é acreditar em Deus!”

A teologia Inclusiva considera o amor como a única doutrina para o acesso a Deus, desprezando exigências bíblicas como o arrependimento e o novo nascimento. Assim, qualquer pecador, mesmo um ateu confesso, se é capaz de amar ao próximo, está salvo. Esta “teologia” (entre aspas mesmo), exalta a liberdade e despreza a cruz, debocha do evangelho, barateia a graça, torna desnecessária a obra de Cristo, e zomba do próprio Deus porque apresenta uma mentira travestida de verdade. Para não dizer que rasgam a Bíblia, os teólogos inclusivos ressignificam sua mensagem para adequá-la aos interesses humanos e aplacar as consciências em relação ao pecado. Aqueles que defendem os valores do verdadeiro evangelho são tidos como “puritanos e castradores” que proferem uma “repetição infinda de velhas fórmulas moralistas, que escravizam as pessoas, em vez de libertá-las”.1

Nada mais perigoso que essa mentira travestida de verdade. É como se dissessem: “Evitem a porta estreita, nela há falso moralismo, muitas exigências inúteis, e o caminho é muito difícil. Entrem pela porta larga onde não há legalismos, onde sua liberdade não será tolhida, onde o “evangelho” é suave e sua vida não será importunada.” Quer coisa melhor que um evangelho atrativo e sem a exigência da cruz? (Lucas 9:23)

“Se você ama, tudo bem, nada mais importa, você está salvo!” Esta é a mensagem que gera ateus evangélicos, crentes num deus a seu gosto, guiados por uma “verdade” aprisionadora — mas que lhes dá uma falsa sensação de liberdade — e orientados por uma “bíblia” cuja leitura e entendimento se dá a partir dos anseios das pessoas, especialmente de certas minorias.

“Ter amor ao próximo é acreditar em Deus” é um discurso fraudulento, construído pelo inimigo mais sutil e ardiloso — Satanás — cujo propósito é alargar a porta do inferno.


1 http://teologiainclusiva.blogspot.com/ (acessado em 18 de fevereiro de 2019)

sábado, 18 de julho de 2020

“Todo amor é sagrado”?

Qualquer ‘amor’ que despreze os ensinos bíblicos, que relativize princípios e valores, ou que para se estabelecer necessite reinterpretar ou ressignificar as Escrituras está longe de ser ‘sagrado’

balões
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“Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor…” (João 15:10 — ACF)


Pr. Cleber Montes Moreira


Em seu perfil no Facebook uma igreja inclusiva divulgou uma imagem com a seguinte frase: “Todo amor é sagrado”1. Certamente que do ponto de vista desta sociedade decadente, amoldada ao “politicamente correto”, onde o principal valor é “seguir a voz do coração”, esta é uma afirmação muito bonita e suave aos ouvidos. Nada mais encantador que um discurso que versa sobre amor, principalmente se este for um discurso religioso, proferido em nome de Deus e tendo como base algum texto (por pretexto) das Escrituras. Não é sem motivo que atualmente este seja o tema predileto dos profetas do engano.

Será mesmo verdadeira a afirmação de que “todo amor é sagrado”? Esta pergunta deve ser respondida com base na Palavra de Deus, a regra de fé e prática de qualquer cristão autêntico, fora da qual não há nenhuma base confiável e normativa para a vida cristã. A Bíblia é inerrante e suficiente; não há outra fonte de revelação digna de total confiança, e por isso nenhuma outra palavra poderá substituir ou ser colocada em igualdade com a Palavra da Verdade. É nela que conhecemos o amor do Pai, bem como, por meio deste perfeito amor, somos chamados e ensinados sobre o modo como devemos amar a Deus e ao próximo.

Jesus nos adverte: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor” (João 15:10 — ACF). Por meio de João, o Pai nos fala:“E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele. Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (1 João 2:3-6 — ACF). O texto sagrado afirma que quem realmente conhece a Deus é aquele que guarda os seus mandamentos, que naquele que guarda a Sua Palavra (ensinos/mandamentos) o amor de Deus é aperfeiçoado, e que quem permanece verdadeiramente nele é aquele que anda como Ele (Jesus) andou.

Está claro que não existe amor puro, verdadeiro, que exclua a necessidade de obediência aos mandamentos de Deus explícitos na Bíblia. O critério do amor é este: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra…” De outro modo, “Quem não me ama não guarda as minhas palavras…” (João 14:23,24 — ACF). Assim percebemos que é impossível amar verdadeiramente sem antes amar a Deus, pois é o amor de Deus em nós que nos faz obedecer à Sua Palavra, que rege nossas vidas, incluindo, é claro, nossos relacionamentos. Qualquer ‘amor’ que despreze os ensinos bíblicos, que relativize princípios e valores, ou que para se estabelecer necessite reinterpretar ou ressignificar as Escrituras está longe de ser amor verdadeiro.

O “evangelho paz e amor” pode ser muito agradável, mas não se engane, ele não é o poder de Deus para salvar, mas a mentira do diabo para enredar pessoas. Este amor celebrado pela religião inclusiva exalta a carne, autoriza o pecado e em nada opera para o bem; trata de um amor corrompido, hedonista, reprovado por Deus, que escraviza, que desonra corpos… nada mais é que um sentimento egoísta travestido de amor. É o amor daqueles que se desviaram da fé, conforme Paulo já nos adivertiu: “Porque haverá homens amantes de si mesmos…” (2 Timóteo 3:2 — ACF).

Nada que esteja fora do padrão estabelecido por Deus em Sua palavra pode ser chamado de “sagrado”, nem mesmo aquilo que muita gente insiste em chamar de “amor”. Pense nisso!


1 https://www.facebook.com/ibacolher/photos/a.535725653433963/1081702915502898