download download download download download

Mostrando postagens com marcador Apostasia da Fé. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Apostasia da Fé. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de novembro de 2020

Se a moda é repreender, amarrar, expulsar, exorcizar….

 “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:32)

Bíblia
Imagem: unsplash

Pr. Cleber Montes Moreira

 

Certa igreja evangélica muito famosa, “da moda”, durante um Congresso para Mulheres surgiu com mais uma invencionice de sua vasta coleção de heresias: o de Espírito de Solteirice! “Um clamor” foi levantado em favor das mulheres acima de 30 anos, no qual o malvado espírito foi devidamente repreendido.

Se a moda é repreender, amarrar, expulsar ou exorcizar, sinto-me no dever de colaborar com algumas dicas para essa gente desconectada da Bíblia. Vamos lá:

Além do Espírito Mau da Encalhação, bem que poderiam repreender alguns outros… Que tal começar pelo Espírito de Heresias e de Engano que age livremente na atmosfera gospel, afastando pessoas da Palavra de Deus, dividindo, causando escândalos e servindo de tropeço para os não conversos?

Que tal também extirpar o Espírito de Mamon, cultuado por bispos, apóstolos, missionários, pastores, profetas avarentos etc., que tem depenado o povo mal orientado na fé e enriquecido a líderes gananciosos?

E o Espírito de Charlatanismo que anda solto por aí, por que não amarrá-lo também?

Por que não amarrar o Espírito de Idolatria que, possuindo mentes fracas, leva pessoas a elegerem e adorarem deuses humanos como cantores, pastores, bispos, apóstolos etc., afastando-as daquele que verdadeiramente é digno de exclusiva adoração?

Outra ótima sugestão é amarrar o Espírito de Superstição, que alimenta a fé no sal grosso, nas águas ungidas por pseudos apóstolos, nas rosas, nas capas vermelhas, nos gravetos da cruz de Cristo, nas pedrinhas do Rio Jordão, nas porções de terra de lugares por onde o Salvador andou (ou jamais pisou), nas velas, nas meias e lenços ‘valdemirianos’ e tantos outros objetos sacralizados.

Bem que poderiam extirpar para sempre o Espírito Triunfalista de suas canções, que apregoa falsas vitórias, falsas promessas e semeia heresias no seio das igrejas.

Não podem se esquecer do Espírito de Soberba. Ele é o responsável pela morte da humildade no meio dito evangélico.

Extirpem também o Espírito de Vaidade, que se incorpora nos falsos servos que buscam a glória e a honra pessoal.

É preciso banir com urgência o Espírito de Visões, Sonhos e Revelações Extra-bíblicas, que engana o povo incauto.

Afastem também o Espírito de Variedade de Unções, que desencadeia a falsa sensação de poder e autoridade humana no meio das igrejas.

Amarrem bem o Espírito de Imprecações, Decretações e Declarações que usa, indevidamente, a autoridade do nome de Jesus.

Aniquilem o Espírito de uso Indevido da Bíblia, que usa “textos fora do contexto para simples pretexto”.

Anulem ainda o Espírito que Prega o Falso Cristianismo, fácil, cômodo, desprovido da cruz e do compromisso com o Salvador.

Por fim, para acabar com tudo isso, exorcizem, por favor, o Espírito de Invencionice. Assim a criatividade termina de vez!

Quem sabe repreendendo tais espíritos, o show termine e Deus seja verdadeiramente cultuado?

 

E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” (2º Crônicas 7.14).


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Quanto custa?

 Tenhamos sabedoria para separarmos os pastores dos bodes, aqueles que se preocupam com as ovelhas daqueles que apenas querem a lã

ovelha
Imagem: Pixabay

“Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.” (Mateus 10:8)

 

Pr. Cleber Montes Moreira


Aconteceu no dia 10 de novembro de 2015, por volta das 20h15min. Havia saído do hospital, onde fui para uma visita, e estava a caminho de casa. Ao passar em frente a um templo da prosperidade, de beira de rua, ouvi o que o dirigente do culto dizia sobre como entregar as contribuições: “Somente cartão e dinheiro.” É verdade que muitas igrejas sérias têm adotado o recebimento de doações via cartões de crédito e débito, para evitarem assaltos. Entretanto, minha reflexão não é quanto ao modo, mas sim à forma como a extorsão é praticada nas chamadas igrejas da prosperidade. Os criminosos também usam a tecnologia: as promessas de bênçãos, curas, orações etc., podem ser pagas com cartões de crédito e débito — e agora pelo PIX — e, se for o caso, até com parcelamentos que cabem no bolso do (in)fiel.

Alguém perguntou: “Meu pastor quer cobrar para fazer orações a domicílio, pode?” Imagino se o tal pastor não sairia carregando uma maquinha de cartões, ou se não teria um aplicativo no smartphone, para facilitar o pagamento. Ouvi de uma certa igreja que teria divulgado uma tabela de preços para orações que variavam conforme o tema: saúde, desemprego, dependência química, problemas no casamento etc. Cada oração teria um valor específico. Se verdade ou não, a tendência é a exploração dos incautos, cada vez mais de forma descarada. É o que vemos, principalmente nos meios neopentecostais. Os lobos devoradores estão se aperfeiçoando.

Não sou contra o sustento de quem realmente se dedica ao Ministério da Palavra. A Bíblia diz que “digno é o obreiro do seu salário” (1 Timóteo 5:18). Minha palavra é no sentido de advertir os menos avisados, para que, quando fragilizados por algum problema, ou mesmo por ganância, não caiam diante de devoradores vorazes.

Jesus nunca cobrou para orar pelas pessoas, nem pelos milagres realizados. Ele não cobra pela salvação. Quando comissionou seus discípulos e os enviou, estabeleceu o seguinte princípio: “De graça recebestes, de graça dai” (Mateus 10:8). Paulo, mesmo diante de necessidades extremas experimentadas em seu ministério, nada exigia das igrejas, antes recebia de bom grado e com ações de graças aquilo que lhe era enviado.

Tenhamos sabedoria para separarmos os pastores dos bodes, aqueles que se preocupam com as ovelhas daqueles que apenas querem a lã. Que não cheguemos ao ponto em que alguém possa procurar alguma igreja e perguntar: “Quanto custa?”

sábado, 24 de outubro de 2020

Onde está a cruz?

A cruz é o lugar onde renunciamos à nossa própria vida para desfrutarmos da vida abundante que só Cristo pode dar; uma vida cujo prazer, contentamento e propósito está naquele que é o autor e consumador da nossa fé. A cruz é o lugar onde é mortificado o adorador de si mesmo para, na Palavra e pelo poder do Espírito, ser gerado um novo ser capaz de adorar a Deus em espírito e em verdade

ao pé da cruz
Imagem: Pixabay

“Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade.” (Efésios 4:22-24)


Pr. Cleber Montes Moreira


Numa postagem no Facebook uma internauta elogiava jovens evangélicos de um determinado grupo por sua prontidão para servir “atendendo ao chamado”. Nas fotos, jovens descontraídos, demonstrando alegria, em cenas divertidas. Nos vídeos, coreografias ao som de músicas dançantes em ambiente com paredes escuras e luzes de neon — não consegui identificar se a celebração cúltica ocorria num templo religioso ou outro espaço próprio para shows. No palco “animadores” e “dançarinos” comandavam a galera, tendo num telão projetada a imagem de um leão. Durante aquela performance espetacular a maioria, aglomerada, usava máscaras — não entendi se em obediência a algum protocolo determinado por algum decreto, em decorrência da pandemia, ou se, inconscientemente, como indicativo de falsa espiritualidade.

 

Observando atentamente aquelas fotos e vídeos, notando com atenção cada cena registrada do ambiente, surgiu em minha mente uma pergunta inquietante: Onde está a cruz? Não falo sobre uma cruz de madeira, metal ou outro material, pendurada em algum pescoço, fixada ou projetada numa parede — porque este tipo de cruz não havia, mesmo —, mas da cruz do evangelho. Falo da cruz sobre a qual Jesus falou: “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” (Mateus 10:38). Falo da cruz sem a qual ninguém é, verdadeiramente, cristão. Falo da cruz de quem renunciando à sua vida, por amor ao Senhor, encontra a vida abundante que só Cristo pode dar (Mateus 10:39); uma vida cujo prazer, contentamento e propósito está naquele que é o “autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” (Hebreus 12:2); uma cruz pela qual somos libertos da antiga natureza, do velho modo de viver, corrompido pelos desejos impuros e pelo engano, tendo nossos pensamentos e atitudes renovados pelo Espírito Santo, sendo, agora, revestidos por uma nova natureza, criada para ser justa e santa, segundo o padrão de Deus (confira Efésios 4:22-24); falo da cruz que nos transforma em “verdadeiros adoradores” cuja adoração é “em espírito e em verdade” (João 4:22-24), não na carne, não no engano, não movida pelo hedonismo, tendo não o homem, mas Cristo como centro e Sua glória como propósito.

 

Culto a Deus não é oferecido com agitação de corpos, danças, gritos, cambalhotas, declarações triunfalistas, sermonetes descontextualizados… Devemos aprender com Paulo que o culto racional se pratica na inconformação com o mundo, renovação da mente e na experiência da vontade de Deus mediante a apresentação dos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Romanos 12:1,2). Precisamos aprender da experiência de Isaías, quando os serafins em reverência cobriam com suas asas seus rostos e pés enquanto declaravam que “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”, e com o profeta que, diante da presença de Deus, em temor e reconhecimento, exclamou: “Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos” (Isaías 6:3).

 

As igrejas falham quando proveem entretenimento para os jovens como estratégia para atraí-los ou “mantê-los na igreja”, produzindo, assim, um estilo carnal de ‘adoração’ descolada da cruz. Charles Spurgeon, dizia: “o diabo raramente teve uma ideia mais sagaz que sugerir à igreja que parte da sua missão é fornecer entretenimento para as pessoas, tendo em vista conquistá-las”. Não sou contra o entretenimento, no tempo e no espaço próprio, mas entendo que o “evangelho do entretenimento” não leva ninguém ao Salvador, não produz discípulos de Cristo, embora seja eficaz em produzir adesões; afinal, é natural que jovens de vida secular sejam facilmente atraídos por este tipo de oferta, uma vez que encontram na “igreja” atrativos que há mundo. Além disso, podem levar uma “vida divertida”, e até liberal, seguindo um falso evangelho capaz de aplacar suas consciências. Não é sem motivo que certa ocasião, uma famosa atriz, ao dar seu testemunho — ou tristemunho — declarou que escolheu ser membro de uma determinada igreja porque lá não havia regras, e que podia estar em comunhão com Deus e continuar fazendo tudo o que fazia antes. Certamente que o diabo se especializou em oferecer ao pecador um evangelho palatável, que não requer abnegação nem santidade, um evangelho sem exigências e sem a cruz.

 

Pensemos no que disse Joe Thorn: “A infiltração do entretenimento dentro do culto não é uma questão de estilo, mas de substância. O entretenimento é uma coisa boa, mas o seu propósito é o alívio da mente e do corpo, não a transformação da mente ou a edificação do espírito.”

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Evangelho ou mero comércio?

Cada vez mais os oportunistas usam do evangelho como ferramenta para bons negócios. Quem não tem base bíblica, já não consegue mais distinguir entre o que é o evangelho e o que é apenas comércio

livraria
Imagem: Unsplash

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E, por avareza, farão de vós negócio com palavras fingidas…” (2 Pedro 2:1-3)


Pr. Cleber Montes Moreira


Certa vez estive numa livraria evangélica onde fui comprar um DVD de um filme para presentear. Enquanto escolhia, achei inúmeros títulos: mensagens de cunho neopentecostal, DVDs de “louvor profético”, de “dança profética” e até de aula de dança (não era do professor Carlinhos de Jesus). A variedade é imensa e atende a todos os gostos.

Um irmão que me acompanhava olhava as Bíblias, quando me perguntou: “Você já viu a Bíblia da Mulher?” Em tom de brincadeira disse que sim, mas que ainda não havia encontrado a Bíblia do Homem. Ele respondeu: “Existe!”, o que aguçou minha curiosidade e me levou a observar as várias Bíblias à disposição na loja: Bíblia do Adolescente (essa eu já conhecia), Bíblia da Vovó (e a do vovô, não tem?), Bíblia da Garota de Fé (essa me chamou a atenção), isso sem falar na Bíblia “Batalha Espiritual e Vitória Financeira” de Silas Malafaia e tantas outras. A variedade é grande e por isso não conseguiria enumerar todos os títulos aqui.

Na mesma loja, sobre o balcão, encontrei um convite impresso intitulado “7 passos para a vitória completa”, do qual transcrevo abaixo algumas partes:

Com a presença de 7 profetas de Deus que virão de outras cidades para orar por você e abençoar sua vida (…).

Um momento especial para você que busca cura para o corpo e alma, libertação das obras malignas, prosperidade espiritual e financeira, avivamento espiritual, transformação e salvação (…).

Serão 7 quintas-feiras que vão mudar a história da sua vida.

 

Eu perguntei, em tom de brincadeira, se aquela era realmente uma livraria evangélica.

Você já reparou na quantidade de livros para campanhas, no estilo quarenta dias disso ou daquilo?

Uma vez recebi uma ligação:

— Não sei se o senhor sabe, mas nós estamos numa campanha para aumentar o conhecimento bíblico nas igrejas. — Daí em diante a pessoa começou a fazer propaganda de livros, comentários, dicionários, Bíblias… Sem muita paciência para esperar a leitura do catálogo inteiro, a interrompi dizendo que no momento não tinha interesse. Mas fiquei pensando: “Aumentar o conhecimento bíblico ou as vendas?” Qual seria seu real motivo?

O que percebo é que cada vez mais o evangelho se transforma em oportunidade para bons negócios. E vale tudo para agradar e chamar a atenção do freguês. Desde o que ocorre nas lojas ao que acontece nas igrejas, tudo gira em torno do lucro ou do aumento das entradas financeiras. A fé nunca foi tão comercializada como hoje em dia. Quem não tem base bíblica, já não consegue mais distinguir entre o que é o evangelho e o que é mero comércio.

Este é um tempo de confusão.

sábado, 10 de outubro de 2020

Profetas e jumentos

Falsos profetas falam por conta própria, falam o que querem, proferem o engano, estão em trevas e não na iluminação do Espírito Santo

jumento
Imagem: Pixabay

“E a jumenta disse a Balaão: Porventura não sou a tua jumenta, em que cavalgaste desde o tempo em que me tornei tua até hoje? Acaso tem sido o meu costume fazer assim contigo? E ele respondeu: Não.” (Números 22:30)


Pr. Cleber Montes Moreira


O profeta Balaão foi chamado por Balaque, rei dos moabitas, para amaldiçoar o povo de Israel, ao qual temia. Para isso foram oferecidas ao profeta muitas riquezas. Balaão era ganancioso. Sabia que consultando a Deus não receberia nenhuma palavra contra os israelitas, como, aliás, aconteceu. Mas, em seu íntimo desejava os presentes oferecidos. Quando seguia para se encontrar com Balaque, a jumenta de Balaão vê um anjo, mas ele não. Por três vezes, ao empacar por causa do emissário de Deus em seu caminho, a jumenta é espancada. Então, o Senhor usa a boca da jumenta e repreende a Balaão.

O que destaco no texto é o fato de Deus ter falado por meio de uma jumenta. Animais não falam, mas a jumenta falou (“E a jumenta disse a Balaão”). Deus pode usar o que quiser para falar, embora prefira falar por meio de seus profetas humanos. Ele poderia falar por meio dos anjos, enviando-os à Terra para trazer sua mensagem, mas usou deste artifício raríssimas vezes. Poderia fazer ouvir do céu a sua voz, como o som de um trovão. Poderia usar qualquer criatura ou coisa se quisesse, mas não quis. Aprouve a Deus chamar e vocacionar pessoas para o ministério da pregação de sua Palavra. É por meio destes que Ele nos fala, mediante a revelação que está em Sua Palavra, a Bíblia. Entretanto, naquela ocasião, excepcionalmente, falou por meio de uma jumenta.

Pergunto: qual o conhecimento que a jumenta tinha sobre Deus? Certamente, nenhum. Jumentos não são seres intelectuais como nós. Possuem instintos, mas não capacidade intelectiva. Assim não poderia a jumenta aprender sobre Deus, ter experiência com Deus, nem se relacionar com Ele como podem os humanos. Mas, Deus falou pela boca da jumenta.

Sem a intenção de ser indelicado, mas na tentativa de provocar uma oportuna reflexão, é que afirmo: há muitos jumentos por aí falando em nome de Deus. Pessoas que não tiveram um encontro transformador com Cristo, que não buscam o conhecimento do Altíssimo, que não manejam bem a Palavra da Verdade, que não se relacionam nem colecionam experiências com o Divino. A jumenta de Balaão possui mais crédito que estes, uma vez que aprouve a Deus usá-la, mas os profetas aqui mencionados não são chamados, muito menos vocacionados. Falam por conta própria, falam o que querem, proferem o engano, estão em trevas e não na iluminação do Espírito Santo. A jumenta foi usada por Deus, mas estes…

Um dos jumentos de nosso tempo, cujo nome não mencionarei aqui, pregou, num de seus sermões que Jesus era muito rico, que tinha uma bela casa à beira-mar, e muitas outras baboseiras. O que dizer dos pregadores da prosperidade e seus sermões desconectados das Escrituras Sagradas? É… No tempo de Balaão houve uma jumenta profetisa1, hoje, há profetas jumentos. Perdoem-me os animais!


1  Força de expressão.

sábado, 19 de setembro de 2020

Sobre falsos profetas

Os falsários da Palavra têm conhecimento intelectual sobre Deus, conhecem a Bíblia, mas sua pregação e comportamento contrariam os valores cristãos — o evangelho que pregam é cheio de sutilezas, forjado para enganar

Falso evanhgelho
Imagem: Pixabay

“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores.” (Mateus 7:15)


Pr. Cleber Montes Moreira


Certo dia, deixaram em minha mesa um artigo muito interessante, no qual o autor discorreu sobre dinheiro e prosperidade. Com certeza, a pessoa que deixou o texto o fez em tom provocativo, como uma brincadeirinha, já antevendo minha reação.

O autor falou sobre prioridades, ensinou que o dinheiro não é tudo, que não se deve amar e se deixar escravizar por ele etc. Coisas com as quais concordo. O único detalhe, capaz de me causar indignação, é a assinatura do texto. O autor é um dos maiores pregadores da prosperidade de nosso tempo, construtor de megatemplo, dono de rede de comunicação, vendedor de livros e de ilusões a incautos. Percebe-se aqui algo terrível: ele tem conhecimento intelectual sobre Deus, conhece a Bíblia, mas, na prática, sua pregação e comportamento se opõe aos valores do evangelho. É um enganador, um falso profeta, que se enriqueceu com dinheiro de fiéis. Basta uma busca pelo YouTube e lá encontraremos vídeos deste bispo, ensinando seus pastores sobre como tirar dinheiro das pessoas. Ele tem conhecimento intelectual, mas não conhecimento experiencial de Deus. É o tipo de incrédulo travestido de crente; um lobo em pele de ovelha — um incrédulo oculto.

Um jovem, muito habilidoso na música, ex-membro da igreja à qual servi, mudou-se de cidade. Um conhecido seu encontrou-se com outra pessoa, também daquela cidade, e perguntou: “Como está fulano?” A resposta foi: “Fulano está muito bem! Fundou uma igreja, já comprou carro, está enriquecendo…” Mais um conhecedor intelectual do evangelho, sem, entretanto, experiência transformadora com Cristo. Como estes, há muitos outros. O apóstolo Paulo assim os descreve: “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo” (2 Coríntios 11:13). Conhecem a Luz, mas amam as trevas (João 3:19). Podem ter muito conhecimento da Bíblia, história, teologia, filosofia, mas não têm vida com Deus. São conhecedores do evangelho, mas não praticantes. O seu conhecimento não está à disposição do Reino de Deus, mas de seus próprios propósitos. Eles não fazem parte do Reino, não trabalham para o Reino, mas querem construir o próprio reino ou império.

Porque não os enviei, diz o Senhor, e profetizam falsamente em meu nome…” (Jeremias 27:15).

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Evangelho abracadabrista

 O precioso nome do Senhor Jesus tem sido vilipendiado por aqueles que o tomam indevidamente. “Em nome de Jesus” é a frase predileta de falsários da Palavra disfarçados de “homens de Deus”, que estão por aí enganando gente incauta

cruz e vela
Imagem: Pixabay

“E, havendo atravessado a ilha até Pafos, acharam um certo judeu mágico, falso profeta, chamado Barjesus.” (Atos 13:6)

 

Pr. Cleber Montes Moreira


Há pessoas que quando querem emagrecer, optam por dietas, remédios e até cirurgias para conseguirem seu intento. Mas, um pastor de Cariacica, na Grande Vitória, virou notícia em vários jornais por causa da promessa de emagrecimento instantâneo, que ficou conhecido popularmente por lipoaspiração divina. Disse o religioso, em entrevista a um jornal:

— Alguns estão acima do peso por problemas na tireoide e hipófise, mas já escutei o testemunho de fiéis que sentem como se tivessem passado por uma cirurgia e ficam até com cicatriz. Deus foi o cirurgião1.

Segundo ele, os fiéis que recebem a oração sentem como se ficassem anestesiados, entram em sono profundo e, quando acordam, já estão mais magros.

Quando tomo conhecimento de episódios como este, seja pelos jornais, pela TV ou outras fontes, logo penso numa palavra: abracadabra! Minha conclusão é que muita gente é iludida por um evangelho “abracadabrista”.

Segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, “abracadabra” significa:

1. Palavra cabalística a que se atribuía a virtude de curar moléstias. 2. Amuleto com essa palavra inscrita. 3. [Figurado] Crença supersticiosa no poder dessa palavra. 4. Fórmula pronunciada geralmente na crença de que invoca poderes mágicos ou sobrenaturais. 5. Palavra ou expressão que não se percebe.

Conforme o Dicionário Web:

Palavra mágica, a que os antigos atribuíam a virtude de curar moléstias várias, e cujas letras deviam ser escritas em triângulo, de modo que pudesse ser lida de todos os lados.

Hoje, é uma palavra à qual se atribuem poderes mágicos. É bastante usada como palavra de encantamento por mágicos, ilusionistas, encantadores, feiticeiros etc. Provavelmente você já a tenha encontrado num livro, escutado num filme ou desenho animado e, talvez, a proferido durante alguma brincadeira de criança. Já “abracadabrista” diz respeito à “que ou pessoa que pratica abracadabra”.

O evangelho abracadabrista é cheio de magia e encantamentos:

“Abracadabra”, e o doente é curado;

“Abracadabra”, e a vitória é decretada;

“Abracadabra”, e o espírito mau é amarrado;

“Abracadabra”, e o sonho é interpretado;

“Abracadabra”, e uma nova profecia é revelada;

“Abracadabra” para emagrecer;

“Abracadabra” para deixar de fumar;

“Abracadabra” para prosperar;

“Abracadabra” para arranjar marido;

“Abracadabra” para trazer o amor de volta em sete dias etc.


O que muda, infelizmente, é a palavra de ordem para que a magia ou milagre se realize: o nome santo de nosso Senhor Jesus. Sim, o nome precioso de Cristo tem sido vilipendiado por aqueles que o tomam indevidamente. “Em nome de Jesus” é a frase predileta de ‘bruxos’ disfarçados de “homens de Deus”, que estão por aí enganando gente incauta. Não é sem motivo que o próprio Cristo tenha dito: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores” (Mateus 7:15). E, ainda: “E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos” (Mateus 24:11). Eles não são enviados de Deus, embora profetizem falsamente em seu nome (Jeremias 27:15). Eles não merecem crédito, mas desprezo.           

Não se iluda, caro leitor, o verdadeiro evangelho não é mágica, nem encantamento, mas o poder de Deus para a salvação (Romanos 1:16). Não consiste em instrumento para a realização da vontade humana, mas na Palavra Viva e transformadora de vidas que se rendem a Cristo. O engano escraviza, mas a Verdade liberta. Pense nisso!


1 http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2013/11/pastor-promete-emagrecimento-instantaneo-atraves-da-oracao-no-es.html (acessado em 25 de abril de 2015)


sábado, 5 de setembro de 2020

Varinha de Condão

Os empreendimentos religiosos se sustentam por duas iniciativas: o desejo do (in)fiel, incauto, que busca soluções e/ou prosperidade fácil, e a ambição do lobo voraz, aproveitador, falsário da Palavra. Ambos pecam pelo apetite carnal e se afastam cada vez mais de Deus; o primeiro, às vezes, pela ignorância (e ganância), o segundo pela má-fé

vara mágica
Imagem: Pixabay

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” (2 Pedro 2:1-3)


Pr. Cleber Montes Moreira


O que é uma vara de condão? É uma pequena vara usada por fadas, feiticeiros, mágicos e afins, que supostamente tem atributo especial ou poder sobrenatural para exercer uma influência negativa ou positiva e, hipoteticamente, mágica. Enquanto escrevo estas primeiras linhas, meu filho de seis anos* lê e observa:

— Pai, isso não existe!

Tudo bem, não se desespere, pois a Teologia da Prosperidade criou, faz algum tempo, diretamente de sua oficina, a caneta ungida. As esferográficas made in China, ungidas pelo “homem de deus” em algum monte por aí, prometem ser a vara de condão para quem quer passar em provas, concursos públicos, assinar contratos, abrir empresas etc. Para ter uma, basta ofertar, quer dizer, semear, a pequena quantia de cem reais. Uma proposta tentadora, já que os benefícios trazem retornos infinitamente maiores.

Pesquisando sobre o assunto, encontrei num site de leilões e compras virtuais uma caneta de marca nacional, também ungida, e cujo anúncio contém as mesmas promessas. Não sei se uma franquia da loja anterior, digo, igreja, ou se algum novo empreendedor, digo, homem de deus, que abriu concorrência. Fato é que já existem outros “investidores” oferecendo o mesmo produto, um gritando mais alto que o outro para atrair a freguesia.

Não é de hoje que objetos ungidos têm sido colocados nas prateleiras do mercado da fé. Água ungida, sal ungido, lenços, mantos, óleos, alianças, saquinhos de cimento, tijolos, colher de pedreiro, chaves, rosas, meias de algodão, lâmpadas benzidas em Israel, vassouras, kits de beleza, rendinha do milagre, fronha… Ufa! Quase perdi o fôlego. Não dá para listar aqui todos os itens, até porque O Fantástico Mundo dos Empreendedores da Fé sempre surpreende com alguma novidade1. É a lei da oferta e da procura que viabiliza os negócios de quem vende e quem compra. Chamar isso de evangelho é apenas questão de marketing; usar a Bíblia e afirmar falar em nome de Deus sempre dá bons resultados. A “fé”, sem a qual o “milagre não acontece”, é a “vara de condão” dos encantadores.

Os empreendimentos religiosos se sustentam por duas iniciativas: o desejo do (in)fiel, incauto, que busca soluções e/ou prosperidade fácil, e a ambição do lobo voraz, aproveitador, falsário da Palavra. Ambos pecam pelo apetite carnal e se afastam cada vez mais de Deus; o primeiro, às vezes, pela ignorância (e ganância), o segundo pela má-fé.

Se você busca sinceramente a Deus, esteja atento: Varinha de Condão não existe! Nossa esperança em Cristo não deve ser apenas para este mundo (1 Coríntios 15:19). O evangelho não é uma promessa de soluções fáceis, imediatas e temporais, mas a Boa Nova de perdão e salvação para aquele que, pela fé, renunciar a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir após o Salvador (Lucas 9:23).


* Texto escrito em 2018


1 Veja aqui alguns destes objetos “ungidos”: https://www.youtube.com/watch?v=0o6rciU1SHY (acessado em 19 de abril de 2018).

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Movidos pela ganância

Pastores e líderes espirituais há que se tornaram especialistas em gestão eclesiástica, tecnocratas do evangelho; eles foram treinados para uma liderança eficaz objetivando o crescimento e a lucratividade

lucro
Imagem: Pixabay

“E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas…” (2 Pedro 2:3)               

Na Bíblia King Kames Atualizada (BKJA), lemos: “Movidos por sórdida ganância, tais mestres os explorarão com suas lendas e artimanhas…”


Pr. Cleber Montes Moreira


Na sociedade atual há uma briga acirrada, e até desleal, pela conquista de espaço e mercado. Empresas e marcas estão sempre em disputa. Basta ver os comerciais da TV: Marcas de refrigerantes, cervejas, remédios, produtos para limpeza, higiene, beleza e serviços estão sempre concorrendo com seus similares na telinha. Também nos outdoors e em qualquer outro espaço de mídia publicitária. O importante é vender! Não importa se para conquistar os clientes a propaganda seja enganosa.

Infelizmente, o mesmo tem ocorrido no meio dito evangélico. Quantos nomes de igrejas você conhece? Provavelmente um “sem número”; elas se proliferam por toda parte. Tradicionais, conservadoras, modernas, irreverentes, informais, inovadoras, inclusivas, sem rótulos… Tem para todos os gostos e necessidades do freguês. Elas estão sempre competindo umas com as outras no afã de atrair pessoas. Cada uma tem seu slogan, frases de efeito, mensagens publicitárias e promessas. Elas ocupam espaço na TV, no rádio, internet, outdoors e em todos os lugares possíveis.

Até algumas igrejas históricas deixaram de ser igrejas e passaram a tratar as coisas com uma visão secular de negócio, lucro, crescimento e gestão meramente humana. Nesta visão, o que importa não é cada indivíduo, e sim a massa. Pessoas passaram a ser tratadas como números e clientes. Líderes agora são gestores, e pastores são especialistas em administração; eles se tornaram tecnocratas do evangelho, cuja missão é gerir, e não pastorear; atrair, e não transformar; promover adesões, e não conversões. Eles se preocupam com a lã, e não com as ovelhas. Se não der lucro, por causa da lei de mercado, a “empresa” tem que rever sua administração. Tudo isso porque os lobos devoradores, disfarçados de homens de Deus, são movidos por sórdida ganância. É a infalível Palavra de Deus se cumprindo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Igreja ou prostíbulo?

 “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela.” (Mateus 7:13)

porta
Imagem: Unsplash


Pr. Cleber Montes Moreira


O Pastor Neemias Santos Lima, em seu livro “Aos Olhos do Pai”, cita que em visita à Segunda Igreja Batista de Porto Velho, Rondônia, pôde ouvir do Pastor Márcio Hübner, então Secretário Executivo da Convenção Batista daquele Estado, uma história interessante a respeito daquela igreja: “Quando o templo foi construído, havia uma casa de prostituição cujo nome era Porta Larga. Para contrastar com essa realidade, a igreja fez o templo com a porta estreita.

Talvez aquela igreja quisesse ensinar para a sociedade que a porta do inferno é larga, enquanto a do céu é bem estreita, fazendo ecoar, assim, o ensino do próprio Cristo.

Quem quiser entrar para o reino de Deus deverá, sem dúvidas, andar por um caminho difícil e atravessar por uma porta estreita. Aqueles que desejam o mundo encontrão portas largas e escancaradas, andarão por avenidas asfaltadas e terão caminho livre para o inferno. O mundo oferece prazeres que satisfazem a carne, porém, quem deseja a vida eterna tem que mortificar a carne e rejeitar o mundo e suas ofertas. Por isso, a mensagem da igreja deve enfatizar o arrependimento e o nascimento para uma nova vida. Mas, é assim que ocorre hoje em dia?

Tenho visto muitas igrejas com portas bem largas. São igrejas que deixaram de ser igrejas, segundo a Bíblia, para se tornarem verdadeiros prostíbulos espirituais, promovendo qualquer coisa capaz de atrair pessoas para seus templos. Suavizam o evangelho, negociam princípios e doutrinas, promovem entretenimento, pregam sermões de autoajuda e fazem muitas outras coisas. Normalmente têm marketing bem agressivo.

É lamentável ver como algumas igrejas se esforçam para alargar o caminho. Por causa disso, elas estão com seus templos cheios de pessoas vazias; gente que encontra alegria passageira, experimenta emoções, que nutre algum tipo de fé, mas segue sem a experiência de uma conversão genuína. Gente crente, mas não cristã. Gente perdida andando por um caminho largo.

A porta de sua igreja é larga ou estreita? Digo da igreja, e não do templo. Sua mensagem é cristocêntrica ou antropocêntrica? Ou seja, é bíblica, ou adaptada para agradar e atrair pessoas? Esteja atento para não confundir igreja com prostíbulo. A diferença, neste caso, está na largura da porta.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Noiva ou meretriz?

 Na era do “politicamente correto” muitos dos que se intitulam crentes no Senhor Jesus agem movidos por sentimentos e interesses seculares, demonstrando completa conformação com o mundo

Bíblia
Imagem: Unsplash

“Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.” (Efésios 5:27)


Pr. Cleber Montes Moreira


Li uma frase de John MacArthur que me fez pensar no processo de secularização pelo qual estão passando muitas igrejas e crentes de hoje em dia: “É evidente que muitos que se dizem evangélicos atualmente agem norteados por outros objetivos, e não por uma visão bíblica de mundo.” É fato que muitas decisões tomadas hoje em dia, tanto por igrejas como por aqueles que se dizem crentes, são motivadas por princípios e anseios que demonstram sua completa conformação com o mundo. A ética, a verdade, a justiça e, sobretudo, o amor, ou foram relativizados ou substituídos por aquilo que é mais conveniente ou “politicamente correto”. Até mesmo os dons espirituais passaram a ser exercidos tendo em vista o benefício próprio, e não dos outros.

O poder, a influência, o status, a fama, os bens e o dinheiro passaram a ser prioridades em detrimento da justiça e santidade de vida. Aqueles que deveriam proclamar o reino de Deus e convocar homens ao arrependimento se fizeram súditos do reino temporal dominado por hostes malignas. Negligenciaram a orientação paulina, que diz: “Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo.” (Filipenses 2:15). Assim, a política praticada em meio aos ditos evangélicos já não se distingue daquela exercida por pessoas infiéis, cujo resultado é a corrupção, a opressão dos pobres, a calúnia, a difamação, a luta por interesses próprios ou partidários e o desprezo pelo bem comum.

Aquela pergunta, feita no passado, se faz cada vez mais necessária, tanto quanto as pessoas se afastam ainda mais de Deus: “Quando, porém, vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18:8). Que tipo de igrejas e crentes o Senhor encontrará? Crentes e igrejas locais que representam a imagem de uma noiva santa, ou de uma meretriz?

Lembre-se: Jesus vem para buscar a sua noiva, e não aquela que é amante do mundo. Pense nisso!


terça-feira, 11 de agosto de 2020

“Posso entrar?”

 Uma igreja local sem Cristo é como um corpo sem cabeça, sem direção, sem propósito e sem vida; uma igreja sem o Senhor é qualquer coisa, menos igreja

celebração
Imagem: Unsplash

“Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.”(Apocalipse 3:20)


Pr. Cleber Montes Moreira


A Carta à Igreja em Laodiceia é a última das sete cartas do Apocalipse escritas às igrejas da Ásia. Nela o Senhor não faz nenhum elogio, mas revela a sua condição terrível. Mornidão espiritual e soberba são duas características marcantes aqui reveladas. A igreja pensava ser rica, mas era pobre, cega e estava nua. No verso 20 surge a nota mais triste, digna de lamento, reveladora de sua desgraça: “Eis que estou à porta.” Esta palavra não é dita aos de fora, aos que desconhecem o evangelho, mas à igreja. Há uma porta fechada, e Jesus está batendo, como que dizendo, “posso entrar?”

Normalmente, quando pensamos em igreja, pensamos num grupo de pessoas salvas, obedientes ao evangelho, orientadas pela Verdade, adorando, servindo, proclamando o reino de Deus e vivendo segundo os valores deste mesmo reino. Pensamos num corpo saudável, onde há amor, comunhão, mutualidade e, antes de qualquer coisa, a presença e direção de Jesus Cristo. Mas, no caso de Laodiceia, o Senhor está do lado de fora, excluído. Ele bate à porta, mas ela está fechada por dentro. Ele não irá arrombá-la, continuará lá fora, esperando que a igreja queira abri-la.

Você já pensou numa igreja sem Jesus? Talvez não. Mas, infelizmente, Laodiceia não é um caso único. A revelação feita no texto sobre aquela igreja expõe a realidade de muitas outras de nosso tempo.

Uma igreja local pode ter um lindo templo, poltronas confortáveis, púlpito bonito, bom equipamento de som, datashow, boa música, muita gente no auditório, grupos de louvor, corais, solistas, boa estrutura, boas entradas financeiras, liderança capacitada, ministérios, realizar atividades diversas e, mesmo assim, faltar o principal. Se Jesus não estiver presente, não será uma igreja, apenas um ajuntamento de pecadores perdidos: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.” (Mateus 7:21-23). A explicação está em que “todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia” (Mateus 7:26).

Uma igreja que não está edificada em Cristo é como uma casa edificada sobre terreno arenoso. Pode ser, a olho humano, bonita, operosa e atuante, mas lhe faltará o principal: o firme fundamento sobre o qual a verdadeira igreja é construída! E este fundamento é Jesus: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mateus 16:18 — ler também Efésios 2:20).

O Salvador faz parte da comunhão de sua igreja local? Ele é o cabeça de sua igreja, ou ela é dirigida por homens? Lembre-se: uma igreja sem Cristo é como um corpo sem cabeça, sem direção, sem propósito e sem vida.

Posso entrar? Reflita sobre a gravidade desta pergunta.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Ser cristão ou ser “a Universal”?

 Pessoas há que, estimuladas pelo marketing agressivo, tornam-se simpatizantes e até seguidoras de um evangelho cujo foco está no sucesso temporal, e não na salvação eterna

religião
Imagem: Unsplash


“Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.” (Hebreus 11:13)


Pr. Cleber Montes Moreira


Há um comercial de TV muito conhecido no qual pessoas bem-sucedidas contam sua história de vida, declaram seu progresso, vitórias e sucessos, e terminam seu testemunho sempre com a frase: “Eu sou a Universal!” Esta é uma propaganda motivacional que visa vincular a ideia de prosperidade, de conquistas, de sucesso e felicidade àquela denominação religiosa. Pessoas há que estimuladas pelo marketing agressivo, tornam-se simpatizantes e até seguidoras deste tipo de evangelho cujo foco está no sucesso temporal, e não na salvação eterna. Interessante que, ao contrário destas pessoas, os heróis da fé não tiveram vida fácil. Na verdade, o escritor bíblico diz que eles “morreram na fé, sem ver o cumprimento das promessas…” Simplesmente creram. Se guiaram pela fé e não por vistas. Viveram na Terra como estrangeiros e peregrinos (Hebreus 11:13).

Dentre os personagens mencionados no capítulo 11 de Hebreus, a narrativa sobre Moisés é realmente interessante e oportuna. Diz o texto: “Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa. Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível.” (Hebreus 11:24-27). Ele tomou o caminho contrário ao que prega hoje o evangelho da prosperidade: recusou ser chamado filho da filha de Faraó, o que significa que rejeitou todas as glórias e benesses do reino, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, considerando obedecer a Deus algo mais precioso que os tesouros do Egito. No final, não entrou na Terra, apenas a viu de longe.

O texto bíblico ainda diz: “E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados” (Hebreus 11:36,37).

Certamente, pessoas como os heróis da fé não podem ser garotos-propaganda deste falso evangelho. O que teriam a dizer se testemunhassem naquele comercial de TV? Contar suas humilhações não seria politicamente correto.

O que é mais importante, ser cristão, ser guiado pela fé, ainda que em meio ao sofrimento, ou ser a Universal? Eu já fiz a minha escolha, e você?

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Seguir o amor, ou seguir a Verdade?

A “doutrina do amor” — falso amor — é o referencial para aqueles que desprezaram a Bíblia; é fonte normativa e instrumento para a “reimaginação” de toda estrutura considerada “injusta” e “opressora”

Bíblia
Imagem: Priscilla du Preez, Unsplash


“Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.” (Efésios 4:15)


Pr. Cleber Montes Moreira


Há um falso evangelho sendo alardeado, fundamentado e pautado no amor — ou, pelo menos, no seu entendimento hodierno. Relembro o caso do pastor, expoente deste “evangelho”, que publicou em seu perfil no Facebook: “Onde estiver o amor, ali estou eu.” A teologia deste evangelho é chamada de Teologia Inclusiva, e seus seguidores enfatizam o amor em detrimento da verdade. Este é um cristianismo que descamba para o universalismo. Na prática, se alinha a certas ideologias políticas, milita em defesa de certas minorias e pela inclusão de pessoas sem o arrependimento na membresia das igrejas, desconsiderando que a mensagem cristã, proclamada pelo próprio Cristo, consiste em “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.” (Mateus 4:17). É como se dissessem aos pecadores: “Venham, possuam o reino e continuem como estão.”

Uma pastora, também expoente deste pensamento, disse num encontro que os valores da sociedade não caem prontos do céu, mas são produzidos a partir das perspectivas de diferentes grupos, incluindo os valores sexuais. A proposta do movimento que ela representa é uma releitura, uma reinterpretação, uma reimaginação da igreja, da fé, e mesmo das Escrituras. Uma igreja que aderiu a este pensamento, e que decidiu em sua assembleia receber homossexuais em sua membresia — o que implica batizá-los, realizar casamentos homoafetivos, conferir-lhes direitos e deveres —, justificou-se, por intermédio de seu pastor, com estas palavras: “O que a Igreja *** fez, revela que, mesmo não tendo todas as respostas para a questão da homossexualidade na Bíblia ou na doutrina histórica, decidimos seguir o caminho do amor.” Observem que o amor, e não a Verdade, é o referencial para a tomada de decisões, embasamento doutrinário e reimaginação de toda estrutura que se considera injusta e oposta ao amor.

Seguir o amor é um discurso politicamente correto, bonito, bem-aceito, que soa como acolhedor, inclusivo… Mas é, antes de tudo, diabólico. É uma perversão da Palavra de Deus, e o que o diabo mais sabe fazer é dar um novo sentido ao que Deus disse. Foi com este artifício que enganou Eva e Adão, tentou enganar a Jesus e tem enganado a muitos.

Percebam que Paulo exorta a seus leitores para que sigam a Verdade em amor, e não para que sigam o amor. A verdade a que se refere é o senhorio de Cristo, sua doutrina, elemento que propicia crescimento e firmeza, inclusive contra as heresias. Seguir o “amor” é seguir o engano, é falhar, é se afastar de Deus, é ser “meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” (Efésios 4:14). Seguir a Verdade em amor é seguir o Mestre.

Quem segue o amor está no mundo, quem segue a Verdade em amor está em Cristo. Pense nisso!

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Amor inclusivo

Amar é ensinar o povo a deitar fora os seus falsos deuses, a abandonar seus pecados, a buscar a face de Deus, a se humilhar, a orar e a se desviar de seus maus caminhos (2 Crônicas 7:14). O amor verdadeiro é um convite ao arrependimento

inclusão
Imagem: Pixabay


“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

“Vai-te, e não peques mais.”

(João 3:16; 8:11)

 

Pr. Cleber Montes Moreira

 

“Deus abençoa toda forma de amor”, foi o que disse uma pessoa que é apresentada como pastor, mesmo sem ter passado por um concílio e ter sido consagrada ao ministério pastoral. O amor está cada vez mais em moda. Um outro pastor, inclusivo, publicou em seu perfil, no Facebook: “Onde estiver o amor, ali estarei eu.

A base bíblica para isso é Deus é amor — como sempre, o texto é pretexto —. Porém, pergunto: o amor, do ponto de vista comum das pessoas, se coaduna com o amor de Deus? O amor que ama o pecador, mas não lhe avisa do perigo, é amor? O amor que convida para a igreja, contudo não versa sobre arrependimento, é amor? O amor que alardeia a inclusão no reino, como se alguém pudesse entrar para ele por uma janela arrombada, sem, todavia, vestir os trajes de santidade, é amor (Mateus 22:12)? O amor que convida “venha como está”, mas não ensina a Palavra que desencadeia a transformação, o novo nascimento, é amor?

O amor que considera o evangelho não como o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, mas o reimagina a partir da cultura, das lutas, do sofrimento, da vontade de um povo e o adapta para que se torne aceitável não é amor. O amor que entende a exigência da santidade como legalismo dos intolerantes e inculca nas mentes uma concepção de vida cristã dissociada dos valores bíblicos não é amor.

Amor é perdoar a adúltera e dizer “vai-te e não peques mais” (João 8:11). É curar um paralítico e adverti-lo dizendo: “não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior” (João 5:14). Amor é entrar em casa de um homem pecador, anunciar-lhe as boas novas de perdão e depois concluir que “hoje veio salvação a esta casa” (Lucas 19:9). Amor é chorar pela Jerusalém que apedreja e mata os profetas, aqueles mesmos que denunciavam o adultério espiritual do povo, e lamentar que seus moradores não deram ouvidos à Palavra e, por isso, serão julgados.

Praticar o amor é dizer a Verdade, sem adorná-la, sem diminuí-la, sem torná-la outra coisa, sem dizer que ela é o que não é, mas apresentá-la como está nas Sagradas Escrituras, ainda que isso não seja politicamente correto em nossos dias. Amor é ensinar o povo a deitar fora os seus falsos deuses, a abandonar seus pecados, a buscar a face de Deus, a se humilhar, a orar e a se desviar de seus maus caminhos (2 Crônicas 7:14). O oposto disso jamais será amor, e sim artimanha maligna para enganar pessoas, enredá-las e levá-las pelo caminho da perdição. Amor não é tornar a vereda cristã uma estrada larga e asfaltada, adorná-la à vista das pessoas, mas ensinar que “larga é a porta que conduz à perdição, e apartado o caminho que conduz à vida” (Mateus 7:13). O verdadeiro amor, praticado e ensinado por Jesus, visa não à adesão das pessoas a uma instituição religiosa, mas à conversão, à salvação e à inclusão no reino de Deus, reino de vida, reino de valores eternos, reino odiado pelo mundo. O amor chama do pecado, das trevas para a maravilhosa luz (1 Pedro 2:9) e ensina que luz e trevas não se comunicam, que não há harmonia entre Cristo e Belial, que não há acordo entre o santo e o profano, que o salvo não imita a conduta dos ímpios, nem pratica a idolatria, pois é santuário de Deus (leia Coríntios 6:14-18; Salmos 1).

Ah, o amor… “O amor é inclusivo”, dizem. Sim, e por isso o verdadeiro amor caminha lado a lado com a Verdade. O amor convida ao arrependimento, e a Verdade liberta (João 8:32, 36). Sim, liberta de todo pecado, de tudo que é abominável, das paixões ilícitas, das práticas e comportamentos sexuais abomináveis, de tudo o que é falso e enganoso. Qualquer amor que não comunica esta mensagem é qualquer coisa, menos amor; e qualquer verdade que não liberta é qualquer coisa, menos Verdade.

A função precípua do amor não é enganar, mas salvar e transformar. Por isso, só o verdadeiro amor — amor de Deus, que nos constrange a amar como Ele amou — é inclusivo. Porque Deus amou, e Jesus morreu para salvar o que crê, e crer é conversão. Se fosse para a pessoa continuar no pecado, não teria sentido o Filho de Deus pagar tão alto preço. Pense nisso!

domingo, 2 de agosto de 2020

Em nome do “amor”

A Teologia Inclusiva, que como praga se alastra, relativiza a Palavra de Deus, desconstrói o conceito bíblico de pecado e eleva o amor à condição de doutrina única como quesito para a entrada no Reino, desprezando o arrependimento e a conversão

inclusiva
Imagem: Pixabay


“Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, a fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, e se convertam, e eu os cure.” (João 12:40)


Pr. Cleber Montes Moreira


Lídia procurava uma comunidade em que pudesse exercer sua fé cristã, ser aceita e se sentir bem. Passando pelo Facebook de uma amiga, encontrou um convite para um culto de família. Ao ler a legenda, logo se identificou com o perfil daquela igreja e propôs em seu coração fazer uma visita. Depois de conversarem, Nathália aceitou acompanhá-la.

No dia especial, chegaram uns minutos antes e foram recebidas calorosamente por uma equipe devidamente treinada. Sorrisos contagiantes, abraços, demonstrações de carinho… Um ambiente perfeito e de acolhimento. Em pouco tempo, passaram a se considerar parte daquela família.

Preconceito era palavra proibida, o lema daquela igreja era inclusão. Ali eram admitidas todas as formas de amor. Aliás, o amor era a única doutrina que se exigia dos fiéis — Amar a todos, sem distinção, como Cristo amou. Para o “casal”, um lugar de refúgio. As pastoras, assumidas e casadas, traziam sempre mensagens relevantes para o público, abordando temas como fidelidade conjugal, adoção e criação de filhos, violência contra mulheres, negros e outras minorias, igualdade de gênero etc. Congressos e retiros espirituais eram promovidos, e a evangelização era ensinada como meio de cumprir a missão. Durante as celebrações da Ceia, os “diferentes” eram sempre bem-vindos à mesa do Senhor. A obra social jamais era esquecida.

Inesquecível foi o dia em que Lídia e Nathália puderam celebrar sua união conjugal. Mesmo sem a presença de vários familiares, mas diante de centenas de irmãos tão acolhedores, elas selaram seu amor e rogaram as bênçãos de Deus para o seu “casamento”. A celebrante, pastora Bruna, pregou um poderoso sermão sobre “Os Deveres Matrimoniais”, enquanto Larissa, esposa de Bruna, entoou uma linda canção. O momento alto da celebração foi quando, após o sim e troca das alianças, a noiva beijou a noiva.

Que desgraça é a “Compaixão e Graça” desprovida da Verdade, que barateia o evangelho, supervaloriza as obras e aniquila a cruz em nome de um falso amor. A Teologia Inclusiva, que como praga se alastra, relativiza a Palavra de Deus, desconstrói o conceito bíblico de pecado e eleva o amor à condição de doutrina única como quesito para a entrada no Reino, desprezando o arrependimento e a conversão. Por ela ninguém precisa nascer de novo, pois todos podem se apresentar diante de Deus como estão: nada lhes é exigido, apenas que amem e aceitem as pessoas. O caminho da perdição está sempre sendo alargado… Os operários do engano, fiéis ao patrão, não descansam.


Em 2018