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sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Quanto custa?

 Tenhamos sabedoria para separarmos os pastores dos bodes, aqueles que se preocupam com as ovelhas daqueles que apenas querem a lã

ovelha
Imagem: Pixabay

“Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.” (Mateus 10:8)

 

Pr. Cleber Montes Moreira


Aconteceu no dia 10 de novembro de 2015, por volta das 20h15min. Havia saído do hospital, onde fui para uma visita, e estava a caminho de casa. Ao passar em frente a um templo da prosperidade, de beira de rua, ouvi o que o dirigente do culto dizia sobre como entregar as contribuições: “Somente cartão e dinheiro.” É verdade que muitas igrejas sérias têm adotado o recebimento de doações via cartões de crédito e débito, para evitarem assaltos. Entretanto, minha reflexão não é quanto ao modo, mas sim à forma como a extorsão é praticada nas chamadas igrejas da prosperidade. Os criminosos também usam a tecnologia: as promessas de bênçãos, curas, orações etc., podem ser pagas com cartões de crédito e débito — e agora pelo PIX — e, se for o caso, até com parcelamentos que cabem no bolso do (in)fiel.

Alguém perguntou: “Meu pastor quer cobrar para fazer orações a domicílio, pode?” Imagino se o tal pastor não sairia carregando uma maquinha de cartões, ou se não teria um aplicativo no smartphone, para facilitar o pagamento. Ouvi de uma certa igreja que teria divulgado uma tabela de preços para orações que variavam conforme o tema: saúde, desemprego, dependência química, problemas no casamento etc. Cada oração teria um valor específico. Se verdade ou não, a tendência é a exploração dos incautos, cada vez mais de forma descarada. É o que vemos, principalmente nos meios neopentecostais. Os lobos devoradores estão se aperfeiçoando.

Não sou contra o sustento de quem realmente se dedica ao Ministério da Palavra. A Bíblia diz que “digno é o obreiro do seu salário” (1 Timóteo 5:18). Minha palavra é no sentido de advertir os menos avisados, para que, quando fragilizados por algum problema, ou mesmo por ganância, não caiam diante de devoradores vorazes.

Jesus nunca cobrou para orar pelas pessoas, nem pelos milagres realizados. Ele não cobra pela salvação. Quando comissionou seus discípulos e os enviou, estabeleceu o seguinte princípio: “De graça recebestes, de graça dai” (Mateus 10:8). Paulo, mesmo diante de necessidades extremas experimentadas em seu ministério, nada exigia das igrejas, antes recebia de bom grado e com ações de graças aquilo que lhe era enviado.

Tenhamos sabedoria para separarmos os pastores dos bodes, aqueles que se preocupam com as ovelhas daqueles que apenas querem a lã. Que não cheguemos ao ponto em que alguém possa procurar alguma igreja e perguntar: “Quanto custa?”