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sábado, 10 de outubro de 2020

Profetas e jumentos

Falsos profetas falam por conta própria, falam o que querem, proferem o engano, estão em trevas e não na iluminação do Espírito Santo

jumento
Imagem: Pixabay

“E a jumenta disse a Balaão: Porventura não sou a tua jumenta, em que cavalgaste desde o tempo em que me tornei tua até hoje? Acaso tem sido o meu costume fazer assim contigo? E ele respondeu: Não.” (Números 22:30)


Pr. Cleber Montes Moreira


O profeta Balaão foi chamado por Balaque, rei dos moabitas, para amaldiçoar o povo de Israel, ao qual temia. Para isso foram oferecidas ao profeta muitas riquezas. Balaão era ganancioso. Sabia que consultando a Deus não receberia nenhuma palavra contra os israelitas, como, aliás, aconteceu. Mas, em seu íntimo desejava os presentes oferecidos. Quando seguia para se encontrar com Balaque, a jumenta de Balaão vê um anjo, mas ele não. Por três vezes, ao empacar por causa do emissário de Deus em seu caminho, a jumenta é espancada. Então, o Senhor usa a boca da jumenta e repreende a Balaão.

O que destaco no texto é o fato de Deus ter falado por meio de uma jumenta. Animais não falam, mas a jumenta falou (“E a jumenta disse a Balaão”). Deus pode usar o que quiser para falar, embora prefira falar por meio de seus profetas humanos. Ele poderia falar por meio dos anjos, enviando-os à Terra para trazer sua mensagem, mas usou deste artifício raríssimas vezes. Poderia fazer ouvir do céu a sua voz, como o som de um trovão. Poderia usar qualquer criatura ou coisa se quisesse, mas não quis. Aprouve a Deus chamar e vocacionar pessoas para o ministério da pregação de sua Palavra. É por meio destes que Ele nos fala, mediante a revelação que está em Sua Palavra, a Bíblia. Entretanto, naquela ocasião, excepcionalmente, falou por meio de uma jumenta.

Pergunto: qual o conhecimento que a jumenta tinha sobre Deus? Certamente, nenhum. Jumentos não são seres intelectuais como nós. Possuem instintos, mas não capacidade intelectiva. Assim não poderia a jumenta aprender sobre Deus, ter experiência com Deus, nem se relacionar com Ele como podem os humanos. Mas, Deus falou pela boca da jumenta.

Sem a intenção de ser indelicado, mas na tentativa de provocar uma oportuna reflexão, é que afirmo: há muitos jumentos por aí falando em nome de Deus. Pessoas que não tiveram um encontro transformador com Cristo, que não buscam o conhecimento do Altíssimo, que não manejam bem a Palavra da Verdade, que não se relacionam nem colecionam experiências com o Divino. A jumenta de Balaão possui mais crédito que estes, uma vez que aprouve a Deus usá-la, mas os profetas aqui mencionados não são chamados, muito menos vocacionados. Falam por conta própria, falam o que querem, proferem o engano, estão em trevas e não na iluminação do Espírito Santo. A jumenta foi usada por Deus, mas estes…

Um dos jumentos de nosso tempo, cujo nome não mencionarei aqui, pregou, num de seus sermões que Jesus era muito rico, que tinha uma bela casa à beira-mar, e muitas outras baboseiras. O que dizer dos pregadores da prosperidade e seus sermões desconectados das Escrituras Sagradas? É… No tempo de Balaão houve uma jumenta profetisa1, hoje, há profetas jumentos. Perdoem-me os animais!


1  Força de expressão.