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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

“Coisa nenhuma há senão este maná”

Este é o tempo em que muitos olham para certas igrejas e reclamam: “Mas eles só têm este Pão?”, “Não têm nada além da mensagem Bíblica para oferecer?”, “Apenas este maná?”, e saem em busca de algo mais apetitoso

púlpito
Imagem: Frreimages


“Mas agora a nossa alma se seca; coisa nenhuma há senão este maná diante dos nossos olhos.” (Números 11:6)

 

Pr. Cleber Montes Moreira

 

O maná é o alimento com o qual Deus, miraculosamente, sustentou seu povo durante a travessia do deserto. Era saudável, nutritivo, gratuito, sua aparência “era como semente de coentro branco, e o seu sabor como bolos de mel” (Êxodo 16:31), portanto, gostoso. Mesmo assim o povo reclamava por ter apenas este maná para comer. A queixa teria iniciado com estrangeiros cheios de gula, que contagiaram os israelitas com suas murmurações. Seriam mestiços de israelitas com egípcios, fruto de casamentos mistos. Eles se lembravam dos peixes, dos pepinos, das melancias, dos alhos-porós, das cebolas e dos alhos que comiam no Egito (v. 5). Agora, tinham apenas “este maná”, expressão que parece denotar desprezo.

Certa pessoa disse que se transferiria para outra igreja, porque o seu pastor “só prega doutrina”. Há quem despreze a exposição bíblica por sentir desejo por outros tipos de sermões, mais adequados às suas expectativas. É por isso que aqueles que não suportam a sã doutrina constituem para si, cada vez mais, mestres segundo os seus próprios desejos (2 Timóteo 4:3). Como a oferta de outros alimentos cresce a cada dia, o povo da gula tem diante de si um cardápio vasto: sermões de autoajuda, sofismas, filosofias humanas, mensagens antropocêntricas, triunfalistas, entretenimento, pregação de prosperidade, falsos milagres, revelações, profecias extrabíblicas, e muitas outras coisas. Há sempre uma nova opção neste mercado imenso, especializado em satisfazer o apetite da clientela.

As igrejas que insistem em oferecer o Pão do Céu, que dá vida ao mundo (João 6:33), passam pela mesma experiência de Jesus, quando abandonado pela multidão que queria apenas benefícios temporais: “Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele” (João 6:66), da mesma forma como tantos que já não suportam a Palavra da Verdade deixam suas congregações em busca de novas experiências.

Este é o tempo em que muitos olham para certas igrejas e reclamam: “Mas eles só têm este Pão?”, “Não têm nada além da mensagem Bíblica para oferecer?”, “Apenas este maná?”, e saem em busca de algo mais apetitoso.

Que não haja entre nós nenhum anseio por outro alimento, senão o desejo pala Palavra da Vida, pelo Pão do Céu. Que nos contentemos com apenas “este maná”, o maná da vida que é Cristo e seus ensinos. Que haja em nosso meio fome, não fome por um falso evangelho, mas fome e sede pela autêntica Palavra do Senhor. Amém!