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quarta-feira, 29 de julho de 2020

“Miga, lacrei”

Lobos não podem ser tratados como ovelhas (Mateus 7:15; Atos 20:29). Somos advertidos a resisti-los, e não a tirarmos selfies com eles

Bíblia
Bíblia aberta: Romanos 16:17


“Desviai-vos deles.” (Romanos 16:17)


Pr. Cleber Montes Moreira


A frase título desta reflexão foi tomada de um comentário de uma foto publicada em redes sociais na qual um jovem, de uma igreja evangélica histórica, bacharel em Teologia, aparece ao lado de um teólogo gay. A foto foi tirada durante um evento conhecido como Festival Reimaginar, o qual acontece em várias cidades brasileiras, onde são debatidos temas como Direitos Humanos, violência, racismo, ecologia, missão e espiritualidade, Igreja, Diversidades e Gênero, dentre outros.

Num dos encontros, o painel que tratou de Igreja, Diversidades e Gênero — cujo vídeo está publicado no YouTube1 —, se inicia com a palavra da mediadora, uma jovem que se apresenta como sendo uma lésbica cristã, e tem as participações de uma pastora de uma igreja inclusiva e do referido teólogo, que também é militante de um movimento “inclusivo”.

Chamem como quiserem: “Teologia Queer”, “Teologia Inclusiva”, ou qualquer outra coisa, isso não é teologia, é artimanha maligna; não é ciência ou estudo que busca o conhecimento do Eterno, e sim uma tentativa de recriar Deus a partir de suas convicções, preferências e interesses; trata-se de um esforço bem articulado de reimaginar Deus, a fé e a igreja, e reinterpretar as Escrituras a partir de certos pressupostos. É um evangelho formatado com o objetivo de atrair pessoas excluídas sem a exigência do arrependimento como condição para a salvação e o relacionamento com Deus; é um evangelho humano, e não divino. Como eles mesmos dizem, é uma fé pública, porém, sabemos que a verdadeira fé não é de domínio público, assim como não são as doutrinas e os valores ensinados por Cristo. A verdade não vem do povo, de seu pensamento, de suas lutas, de sua cultura, de suas crenças, costumes ou vontade, mas do Pai das luzes. O evangelho se torna público na medida em que é proclamado aos pecadores, contudo, na medida em que é recusado, transforma-se em bem para aqueles que o guardam, e em maldição para os que o rejeitam (João 12:48). Os pilares da fé pública se erguem de humanos, enquanto os pilares da fé dos que creem em Deus se constroem e se sustentam na Rocha, que é Cristo, portanto, são inabaláveis; não podem ser relativizados, ressignificados ou reimaginados, pois a Palavra não muda, assim como imutável é Seu Autor. A Bíblia diz: “O conselho do Senhor permanece para sempre; os intentos do seu coração de geração em geração.” (Salmos 33:11).

Estes movimentos pela inclusão de LGBTQs2 (e outros) na membresia das igrejas vêm fazendo a cabeça de muita gente. Em nome do amor, falso amor, baseado no conceito secular e vigente de amor, “amor” que subjuga a verdade, estão relativizando os valores do Reino e a própria Bíblia, que já ganhou versões para o público LGBT, bem como livros e revistas para estudos que abordam a temática a partir desta reinterpretação.

Este é o tempo em que muitos, até mesmo em nome de Deus, ao mal chamam bem, e ao bem, mal, fazem das trevas luz, e da luz, trevas, do amargo doce, e do doce, amargo (Isaías 5:20), inculcando nas mentes que pecado já não é pecado, e que opinião contra o pecado é legalismo, intolerância, homofobia etc. Estamos vivendo os tempos difíceis aos quais Paulo se refere, em que há pessoas que ostentam a piedade, mas a negam na prática, que aprendem, porém nunca chegam ao conhecimento e experiência da verdade, mas a resistem porque suas mentes são depravadas, corruptas, e por isso são, diante de Deus, reprovados na fé (Leia 2 Timóteo 3:1-17). Nisso que escrevo não há ódio, há opinião, há respeito, mas há divergência. É impossível para alguém ostentar um discurso contrário à Bíblia, principalmente quando fruto de uma ressignificação, e mesmo assim estar ao lado da verdade e no caminho com Deus. A própria Escritura nos apresenta este princípio: “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Amós 3:3). É incoerente pensar que uma Bíblia ressignificada ou reduzida ao amor como única doutrina continue sendo a infalível e imutável Palavra de Deus, da mesma forma que não se pode admitir que aqueles que pregam uma Escritura reducionista sejam profetas autênticos e porta-vozes do evangelho. A verdade ou é acatada ou rejeitada; se modificada ou relativizada, já não é mais a verdade, ainda que consista em verdade para alguns.           

É lamentável que pessoas envolvidas em tais movimentos estejam ministrando em seminários, em igrejas, e produzindo material para o ensino teológico e educação cristã, bem como para a leitura do povo evangélico. Mas é justamente este o expediente que adotam para fazer a cabeça dos que ainda não estão firmes na Sã Doutrina. Infelizmente, muitos estão ministrando aos adolescentes e jovens pelas igrejas, outros estão se preparando para o ministério pastoral, e outros já estão no exercício do pastorado, o que nos dá uma perspectiva terrível sobre a futura geração de crentes. A preocupação aqui não é quanto às igrejas declaradamente inclusivas, pois estas, no uso de sua liberdade, já se decidiram pelo tipo de “fé” que querem praticar, mas em relação às igrejas e denominações históricas que têm sido contaminadas por estes movimentos e ideologias progressistas.

David Martyn Lloyd Jones dizia que todo falso ensinamento deve ser odiado e combatido. Paulo exortou a Timóteo a se afastar dos heréticos (2 Timóteo 3:5), e aos romanos escreveu: “E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples.” (Romanos 16:17,18 — grifo do autor). Assim, também nós, se desejarmos igrejas fortes, crentes com fé sólida, e se quisermos construir um caminho que nos dê uma perspectiva melhor para as futuras gerações, precisamos afastar de nosso meio aqueles que, insubmissos à Palavra, persistem na intenção de desviar pessoas do bom caminho.

Lobos não podem ser tratados como ovelhas (Mateus 7:15; Atos 20:29). Somos advertidos a resisti-los, e não a tirarmos selfies com eles.

Miga, lacrei!”? Estou fora! E você?


Em 2018


1 https://www.youtube.com/watch?v=3bmDnYNhuCY (acessado em 29 de agosto de 2017)

2 Conheça outras SIGLAS acessando este link: http://desacato.info/lgbt-lgbti-lgbtq-ou-o-que/; http://blog.educahelp.com/lgbtq-pra-que-tanta-sigla/ (sites acessados em 26 de abril de 2018).