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sábado, 28 de novembro de 2020

Se a moda é repreender, amarrar, expulsar, exorcizar….

 “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:32)

Bíblia
Imagem: unsplash

Pr. Cleber Montes Moreira

 

Certa igreja evangélica muito famosa, “da moda”, durante um Congresso para Mulheres surgiu com mais uma invencionice de sua vasta coleção de heresias: o de Espírito de Solteirice! “Um clamor” foi levantado em favor das mulheres acima de 30 anos, no qual o malvado espírito foi devidamente repreendido.

Se a moda é repreender, amarrar, expulsar ou exorcizar, sinto-me no dever de colaborar com algumas dicas para essa gente desconectada da Bíblia. Vamos lá:

Além do Espírito Mau da Encalhação, bem que poderiam repreender alguns outros… Que tal começar pelo Espírito de Heresias e de Engano que age livremente na atmosfera gospel, afastando pessoas da Palavra de Deus, dividindo, causando escândalos e servindo de tropeço para os não conversos?

Que tal também extirpar o Espírito de Mamon, cultuado por bispos, apóstolos, missionários, pastores, profetas avarentos etc., que tem depenado o povo mal orientado na fé e enriquecido a líderes gananciosos?

E o Espírito de Charlatanismo que anda solto por aí, por que não amarrá-lo também?

Por que não amarrar o Espírito de Idolatria que, possuindo mentes fracas, leva pessoas a elegerem e adorarem deuses humanos como cantores, pastores, bispos, apóstolos etc., afastando-as daquele que verdadeiramente é digno de exclusiva adoração?

Outra ótima sugestão é amarrar o Espírito de Superstição, que alimenta a fé no sal grosso, nas águas ungidas por pseudos apóstolos, nas rosas, nas capas vermelhas, nos gravetos da cruz de Cristo, nas pedrinhas do Rio Jordão, nas porções de terra de lugares por onde o Salvador andou (ou jamais pisou), nas velas, nas meias e lenços ‘valdemirianos’ e tantos outros objetos sacralizados.

Bem que poderiam extirpar para sempre o Espírito Triunfalista de suas canções, que apregoa falsas vitórias, falsas promessas e semeia heresias no seio das igrejas.

Não podem se esquecer do Espírito de Soberba. Ele é o responsável pela morte da humildade no meio dito evangélico.

Extirpem também o Espírito de Vaidade, que se incorpora nos falsos servos que buscam a glória e a honra pessoal.

É preciso banir com urgência o Espírito de Visões, Sonhos e Revelações Extra-bíblicas, que engana o povo incauto.

Afastem também o Espírito de Variedade de Unções, que desencadeia a falsa sensação de poder e autoridade humana no meio das igrejas.

Amarrem bem o Espírito de Imprecações, Decretações e Declarações que usa, indevidamente, a autoridade do nome de Jesus.

Aniquilem o Espírito de uso Indevido da Bíblia, que usa “textos fora do contexto para simples pretexto”.

Anulem ainda o Espírito que Prega o Falso Cristianismo, fácil, cômodo, desprovido da cruz e do compromisso com o Salvador.

Por fim, para acabar com tudo isso, exorcizem, por favor, o Espírito de Invencionice. Assim a criatividade termina de vez!

Quem sabe repreendendo tais espíritos, o show termine e Deus seja verdadeiramente cultuado?

 

E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” (2º Crônicas 7.14).


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Quanto custa?

 Tenhamos sabedoria para separarmos os pastores dos bodes, aqueles que se preocupam com as ovelhas daqueles que apenas querem a lã

ovelha
Imagem: Pixabay

“Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.” (Mateus 10:8)

 

Pr. Cleber Montes Moreira


Aconteceu no dia 10 de novembro de 2015, por volta das 20h15min. Havia saído do hospital, onde fui para uma visita, e estava a caminho de casa. Ao passar em frente a um templo da prosperidade, de beira de rua, ouvi o que o dirigente do culto dizia sobre como entregar as contribuições: “Somente cartão e dinheiro.” É verdade que muitas igrejas sérias têm adotado o recebimento de doações via cartões de crédito e débito, para evitarem assaltos. Entretanto, minha reflexão não é quanto ao modo, mas sim à forma como a extorsão é praticada nas chamadas igrejas da prosperidade. Os criminosos também usam a tecnologia: as promessas de bênçãos, curas, orações etc., podem ser pagas com cartões de crédito e débito — e agora pelo PIX — e, se for o caso, até com parcelamentos que cabem no bolso do (in)fiel.

Alguém perguntou: “Meu pastor quer cobrar para fazer orações a domicílio, pode?” Imagino se o tal pastor não sairia carregando uma maquinha de cartões, ou se não teria um aplicativo no smartphone, para facilitar o pagamento. Ouvi de uma certa igreja que teria divulgado uma tabela de preços para orações que variavam conforme o tema: saúde, desemprego, dependência química, problemas no casamento etc. Cada oração teria um valor específico. Se verdade ou não, a tendência é a exploração dos incautos, cada vez mais de forma descarada. É o que vemos, principalmente nos meios neopentecostais. Os lobos devoradores estão se aperfeiçoando.

Não sou contra o sustento de quem realmente se dedica ao Ministério da Palavra. A Bíblia diz que “digno é o obreiro do seu salário” (1 Timóteo 5:18). Minha palavra é no sentido de advertir os menos avisados, para que, quando fragilizados por algum problema, ou mesmo por ganância, não caiam diante de devoradores vorazes.

Jesus nunca cobrou para orar pelas pessoas, nem pelos milagres realizados. Ele não cobra pela salvação. Quando comissionou seus discípulos e os enviou, estabeleceu o seguinte princípio: “De graça recebestes, de graça dai” (Mateus 10:8). Paulo, mesmo diante de necessidades extremas experimentadas em seu ministério, nada exigia das igrejas, antes recebia de bom grado e com ações de graças aquilo que lhe era enviado.

Tenhamos sabedoria para separarmos os pastores dos bodes, aqueles que se preocupam com as ovelhas daqueles que apenas querem a lã. Que não cheguemos ao ponto em que alguém possa procurar alguma igreja e perguntar: “Quanto custa?”

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Os deuses Morrem

 Os deuses morrem, e os sepulcros comprovam isso...

Maradona
Imagem: Unsplash


Pr. Cleber Montes Moreira

 

O Jornal francês “L’Eequipe” publicou neste dia 26 de novembro: “Deus está morto”1. Os deuses morrem, inclusive os “imortais”. Quando morre um deus, morre também a alegria, a fé e a esperança de seus fiéis. Esta verdade ganhou destaque na publicação do Jornal Extra, intitulada: “Igreja Maradoniana convoca ‘culto’ para se despedir de Maradona.”2 Já o Metrópolis grafou: “Fiéis de luto”3 — sim, fiéis de luto pela morte de seu deus.

 

Maradona era um deus. De fato, com a sua morte ele conseguiu algo que só um ser divino poderia realizar: contrariando as leis naturais ele anulou, ainda que apenas pelo período de seu funeral, o perigo mortal que fez com que o governo argentino adotasse as regras mais rígidas possíveis para o enfrentamento do coronavírus. Tanto que os jornais exibem hoje imagens de pessoas aglomeradas, algumas de máscaras, outras sem, ao redor da Casa Rosada onde as autoridades esperam cerca de um milhão de pessoas — talvez bem mais — para o velório de seu ídolo.

 

O craque argentino está certamente entre os dois ou três maiores jogadores de futebol da história. Com a bola um gênio, sem ela um ser falho, um pecador, um mortal… Para a morte não há reis, príncipes, nem deuses.

 

Os deuses morrem. Morrem porque são deuses, feitos assim pelos homens. Como seres criados, os deuses são à semelhança de seu criador. “Aos homens está ordenado morrerem uma vez,” e também aos deuses, “vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9:27). Sim, também os deuses terão que prestar contas a Deus, àquele “que tem, ele só, a imortalidade”, “ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus”, diante do qual todo joelho se dobrará (1 Timóteo 1:17; 6:16; Romanos 14:11; Filipenses 2:10).

 

Os deuses morrem, e os sepulcros comprovam isso, mas Deus é eterno. Quem adora um deus um dia estará de luto, ou, se partir antes, perdido eternamente, mas os que adoram ao Senhor não serão confundidos, nem envergonhados, pois Ele é eterno.

 

Se o seu “deus está morto”, saiba que “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente” (Hebreus 13:8); Ele “é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1 João 5:20). Pense nisso!



1 https://www.lequipe.fr/abonnement/kiosque/le-journal/ab2ba183-ce7b-4c28-882d-006475cc446d (em 26 de novembro de 2020)

2 https://extra.globo.com/noticias/page-not-found/igreja-maradoniana-convoca-culto-para-se-despedir-de-maradona-24764748.html (em 25 de novembro de 2020).

3 https://www.metropoles.com/esportes/futebol/fieis-de-luto-reveja-historia-da-igreja-de-maradona-da-argentina (em 25 de novembro de 2020)


sábado, 24 de outubro de 2020

Onde está a cruz?

A cruz é o lugar onde renunciamos à nossa própria vida para desfrutarmos da vida abundante que só Cristo pode dar; uma vida cujo prazer, contentamento e propósito está naquele que é o autor e consumador da nossa fé. A cruz é o lugar onde é mortificado o adorador de si mesmo para, na Palavra e pelo poder do Espírito, ser gerado um novo ser capaz de adorar a Deus em espírito e em verdade

ao pé da cruz
Imagem: Pixabay

“Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade.” (Efésios 4:22-24)


Pr. Cleber Montes Moreira


Numa postagem no Facebook uma internauta elogiava jovens evangélicos de um determinado grupo por sua prontidão para servir “atendendo ao chamado”. Nas fotos, jovens descontraídos, demonstrando alegria, em cenas divertidas. Nos vídeos, coreografias ao som de músicas dançantes em ambiente com paredes escuras e luzes de neon — não consegui identificar se a celebração cúltica ocorria num templo religioso ou outro espaço próprio para shows. No palco “animadores” e “dançarinos” comandavam a galera, tendo num telão projetada a imagem de um leão. Durante aquela performance espetacular a maioria, aglomerada, usava máscaras — não entendi se em obediência a algum protocolo determinado por algum decreto, em decorrência da pandemia, ou se, inconscientemente, como indicativo de falsa espiritualidade.

 

Observando atentamente aquelas fotos e vídeos, notando com atenção cada cena registrada do ambiente, surgiu em minha mente uma pergunta inquietante: Onde está a cruz? Não falo sobre uma cruz de madeira, metal ou outro material, pendurada em algum pescoço, fixada ou projetada numa parede — porque este tipo de cruz não havia, mesmo —, mas da cruz do evangelho. Falo da cruz sobre a qual Jesus falou: “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” (Mateus 10:38). Falo da cruz sem a qual ninguém é, verdadeiramente, cristão. Falo da cruz de quem renunciando à sua vida, por amor ao Senhor, encontra a vida abundante que só Cristo pode dar (Mateus 10:39); uma vida cujo prazer, contentamento e propósito está naquele que é o “autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” (Hebreus 12:2); uma cruz pela qual somos libertos da antiga natureza, do velho modo de viver, corrompido pelos desejos impuros e pelo engano, tendo nossos pensamentos e atitudes renovados pelo Espírito Santo, sendo, agora, revestidos por uma nova natureza, criada para ser justa e santa, segundo o padrão de Deus (confira Efésios 4:22-24); falo da cruz que nos transforma em “verdadeiros adoradores” cuja adoração é “em espírito e em verdade” (João 4:22-24), não na carne, não no engano, não movida pelo hedonismo, tendo não o homem, mas Cristo como centro e Sua glória como propósito.

 

Culto a Deus não é oferecido com agitação de corpos, danças, gritos, cambalhotas, declarações triunfalistas, sermonetes descontextualizados… Devemos aprender com Paulo que o culto racional se pratica na inconformação com o mundo, renovação da mente e na experiência da vontade de Deus mediante a apresentação dos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Romanos 12:1,2). Precisamos aprender da experiência de Isaías, quando os serafins em reverência cobriam com suas asas seus rostos e pés enquanto declaravam que “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”, e com o profeta que, diante da presença de Deus, em temor e reconhecimento, exclamou: “Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos” (Isaías 6:3).

 

As igrejas falham quando proveem entretenimento para os jovens como estratégia para atraí-los ou “mantê-los na igreja”, produzindo, assim, um estilo carnal de ‘adoração’ descolada da cruz. Charles Spurgeon, dizia: “o diabo raramente teve uma ideia mais sagaz que sugerir à igreja que parte da sua missão é fornecer entretenimento para as pessoas, tendo em vista conquistá-las”. Não sou contra o entretenimento, no tempo e no espaço próprio, mas entendo que o “evangelho do entretenimento” não leva ninguém ao Salvador, não produz discípulos de Cristo, embora seja eficaz em produzir adesões; afinal, é natural que jovens de vida secular sejam facilmente atraídos por este tipo de oferta, uma vez que encontram na “igreja” atrativos que há mundo. Além disso, podem levar uma “vida divertida”, e até liberal, seguindo um falso evangelho capaz de aplacar suas consciências. Não é sem motivo que certa ocasião, uma famosa atriz, ao dar seu testemunho — ou tristemunho — declarou que escolheu ser membro de uma determinada igreja porque lá não havia regras, e que podia estar em comunhão com Deus e continuar fazendo tudo o que fazia antes. Certamente que o diabo se especializou em oferecer ao pecador um evangelho palatável, que não requer abnegação nem santidade, um evangelho sem exigências e sem a cruz.

 

Pensemos no que disse Joe Thorn: “A infiltração do entretenimento dentro do culto não é uma questão de estilo, mas de substância. O entretenimento é uma coisa boa, mas o seu propósito é o alívio da mente e do corpo, não a transformação da mente ou a edificação do espírito.”

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Evangelho ou mero comércio?

Cada vez mais os oportunistas usam do evangelho como ferramenta para bons negócios. Quem não tem base bíblica, já não consegue mais distinguir entre o que é o evangelho e o que é apenas comércio

livraria
Imagem: Unsplash

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E, por avareza, farão de vós negócio com palavras fingidas…” (2 Pedro 2:1-3)


Pr. Cleber Montes Moreira


Certa vez estive numa livraria evangélica onde fui comprar um DVD de um filme para presentear. Enquanto escolhia, achei inúmeros títulos: mensagens de cunho neopentecostal, DVDs de “louvor profético”, de “dança profética” e até de aula de dança (não era do professor Carlinhos de Jesus). A variedade é imensa e atende a todos os gostos.

Um irmão que me acompanhava olhava as Bíblias, quando me perguntou: “Você já viu a Bíblia da Mulher?” Em tom de brincadeira disse que sim, mas que ainda não havia encontrado a Bíblia do Homem. Ele respondeu: “Existe!”, o que aguçou minha curiosidade e me levou a observar as várias Bíblias à disposição na loja: Bíblia do Adolescente (essa eu já conhecia), Bíblia da Vovó (e a do vovô, não tem?), Bíblia da Garota de Fé (essa me chamou a atenção), isso sem falar na Bíblia “Batalha Espiritual e Vitória Financeira” de Silas Malafaia e tantas outras. A variedade é grande e por isso não conseguiria enumerar todos os títulos aqui.

Na mesma loja, sobre o balcão, encontrei um convite impresso intitulado “7 passos para a vitória completa”, do qual transcrevo abaixo algumas partes:

Com a presença de 7 profetas de Deus que virão de outras cidades para orar por você e abençoar sua vida (…).

Um momento especial para você que busca cura para o corpo e alma, libertação das obras malignas, prosperidade espiritual e financeira, avivamento espiritual, transformação e salvação (…).

Serão 7 quintas-feiras que vão mudar a história da sua vida.

 

Eu perguntei, em tom de brincadeira, se aquela era realmente uma livraria evangélica.

Você já reparou na quantidade de livros para campanhas, no estilo quarenta dias disso ou daquilo?

Uma vez recebi uma ligação:

— Não sei se o senhor sabe, mas nós estamos numa campanha para aumentar o conhecimento bíblico nas igrejas. — Daí em diante a pessoa começou a fazer propaganda de livros, comentários, dicionários, Bíblias… Sem muita paciência para esperar a leitura do catálogo inteiro, a interrompi dizendo que no momento não tinha interesse. Mas fiquei pensando: “Aumentar o conhecimento bíblico ou as vendas?” Qual seria seu real motivo?

O que percebo é que cada vez mais o evangelho se transforma em oportunidade para bons negócios. E vale tudo para agradar e chamar a atenção do freguês. Desde o que ocorre nas lojas ao que acontece nas igrejas, tudo gira em torno do lucro ou do aumento das entradas financeiras. A fé nunca foi tão comercializada como hoje em dia. Quem não tem base bíblica, já não consegue mais distinguir entre o que é o evangelho e o que é mero comércio.

Este é um tempo de confusão.

sábado, 10 de outubro de 2020

Profetas e jumentos

Falsos profetas falam por conta própria, falam o que querem, proferem o engano, estão em trevas e não na iluminação do Espírito Santo

jumento
Imagem: Pixabay

“E a jumenta disse a Balaão: Porventura não sou a tua jumenta, em que cavalgaste desde o tempo em que me tornei tua até hoje? Acaso tem sido o meu costume fazer assim contigo? E ele respondeu: Não.” (Números 22:30)


Pr. Cleber Montes Moreira


O profeta Balaão foi chamado por Balaque, rei dos moabitas, para amaldiçoar o povo de Israel, ao qual temia. Para isso foram oferecidas ao profeta muitas riquezas. Balaão era ganancioso. Sabia que consultando a Deus não receberia nenhuma palavra contra os israelitas, como, aliás, aconteceu. Mas, em seu íntimo desejava os presentes oferecidos. Quando seguia para se encontrar com Balaque, a jumenta de Balaão vê um anjo, mas ele não. Por três vezes, ao empacar por causa do emissário de Deus em seu caminho, a jumenta é espancada. Então, o Senhor usa a boca da jumenta e repreende a Balaão.

O que destaco no texto é o fato de Deus ter falado por meio de uma jumenta. Animais não falam, mas a jumenta falou (“E a jumenta disse a Balaão”). Deus pode usar o que quiser para falar, embora prefira falar por meio de seus profetas humanos. Ele poderia falar por meio dos anjos, enviando-os à Terra para trazer sua mensagem, mas usou deste artifício raríssimas vezes. Poderia fazer ouvir do céu a sua voz, como o som de um trovão. Poderia usar qualquer criatura ou coisa se quisesse, mas não quis. Aprouve a Deus chamar e vocacionar pessoas para o ministério da pregação de sua Palavra. É por meio destes que Ele nos fala, mediante a revelação que está em Sua Palavra, a Bíblia. Entretanto, naquela ocasião, excepcionalmente, falou por meio de uma jumenta.

Pergunto: qual o conhecimento que a jumenta tinha sobre Deus? Certamente, nenhum. Jumentos não são seres intelectuais como nós. Possuem instintos, mas não capacidade intelectiva. Assim não poderia a jumenta aprender sobre Deus, ter experiência com Deus, nem se relacionar com Ele como podem os humanos. Mas, Deus falou pela boca da jumenta.

Sem a intenção de ser indelicado, mas na tentativa de provocar uma oportuna reflexão, é que afirmo: há muitos jumentos por aí falando em nome de Deus. Pessoas que não tiveram um encontro transformador com Cristo, que não buscam o conhecimento do Altíssimo, que não manejam bem a Palavra da Verdade, que não se relacionam nem colecionam experiências com o Divino. A jumenta de Balaão possui mais crédito que estes, uma vez que aprouve a Deus usá-la, mas os profetas aqui mencionados não são chamados, muito menos vocacionados. Falam por conta própria, falam o que querem, proferem o engano, estão em trevas e não na iluminação do Espírito Santo. A jumenta foi usada por Deus, mas estes…

Um dos jumentos de nosso tempo, cujo nome não mencionarei aqui, pregou, num de seus sermões que Jesus era muito rico, que tinha uma bela casa à beira-mar, e muitas outras baboseiras. O que dizer dos pregadores da prosperidade e seus sermões desconectados das Escrituras Sagradas? É… No tempo de Balaão houve uma jumenta profetisa1, hoje, há profetas jumentos. Perdoem-me os animais!


1  Força de expressão.

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Mamãe ou Papai?

 “Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes.” (1 Coríntios 1:19)

mamãe ou papai

Opinião


Pr. Cleber Montes Moreira


A Revista Crescer publicou, no dia 23 de setembro, com base numa entrevista com a enfermeira Aline Oliveira, matéria intitulada “Homem trans descobre gravidez de gêmeos com cinco meses”1. No texto o uso de “ele”, “dele”, “o gestante”, “o paciente” etc., segue a tendência do “politicamente correto” como padrão quase universal adotado pela imprensa. Em certo momento a entrevistada, tratando sobre a decisão “do gestante” por ficar com os bebês, após desistir de entregá-los para adoção, diz: “É legal o posicionamento dele, ele diz que não vai ser mãe, vai ser pai”. Entretanto, logo após escorrega ao afirmar: “Ela disse que não se sente confortável em amamentar e nós percebemos já o incomodo dele com os seios crescendo por causa do leite. É um sofrimento para ele” — a entrevistada começa com “ela”, depois usa os pronomes “dele” e “ele”.

Não trato aqui especificamente sobre o caso deste “grávido” — o debate não é sobre pessoas —, mas sobre a questão da gravidez (indesejada ou não) de “homens trans” como algo que ocorre com certa frequência2, o que demonstra que a negação do sexo biológico afronta a natureza, e ela não deixa barato.

Pense comigo: Como um “homem trans” engravida? Fazendo sexo, obviamente que assumindo na hora do ato o papel de mulher. E como podemos chamar homem alguém que tem vagina, útero, menstrua, engravida, os seios crescem durante a gravidez e é capaz de amamentar? Por mais que a falsa ciência queira negar o padrão de Deus e colaborar na perversão humana, a natureza, seguindo o curso determinado pelo Criador, sempre prega uma peça nos “sabichões” — e assim o Eterno vai destruindo a “sabedoria dos sábios” e aniquilando a “inteligência dos inteligentes”.

Segundo o Dicionário Michaelis Online, homem é “o ser humano do sexo masculino”3, enquanto mulher é “ser humano do sexo feminino”4. É evidente que isso não é uma “construção social”, mas determinação daquele que “homem e mulher os criou” (Gênesis 1:27). Jesus mesmo afirmou: “Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea” (Marcos 10:6), e isso não pode ser mudado — a natureza está aí para provar.


1 https://revistacrescer.globo.com/Gravidez/noticia/2020/09/homem-trans-descobre-gravidez-de-gemeos-com-cinco-meses.html (acessado em 23 de setembro de 2020)

2 No dia 24 de setembro de 2020 fiz uma busca no Google por “homem trans engravida” obtendo “aproximadamente 35.800 resultados”

3 https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/homem/

4 https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/mulher/