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domingo, 10 de janeiro de 2021

Igreja online, ou igreja com presença online?

 Membros comprometidos com o Corpo de Cristo, ou apenas consumidores de conteúdo religioso digital?

culto online
Photo by Aaron Burden on Unsplash

Pr. Cleber Montes Moreira

 

A realidade presente, em função da pandemia, nos obriga a buscar alternativas e soluções para que as coisas funcionem, e isso inclui as igrejas. Embora a presença virtual das igrejas já fosse uma realidade, em virtude da situação atual aumentou significativamente. Até mesmo igrejas que não tinham página no Facebook ou canal no YouTube, por exemplo, ingressaram nas redes com cultos, estudos bíblicos, PGMs, aconselhamentos etc. É certo que as redes sociais são excelentes ferramentas de comunicação, e a presença online pode contribuir para que a mensagem do evangelho tenha maior abrangência e alcance muito mais pessoas, sendo, assim, um recurso do qual as igrejas não devem se abdicar. Entretanto, o seu uso inadequado pode acarretar sérios prejuízos. Exemplifico: Durante este período algumas igrejas inovaram (se é que podemos chamar isso de inovação) e, além das transmissões onlines, passaram a celebrar a “Ceia Online”, “Batismos Online”, e até passaram a realizar “Celebração Online de Casamento”, coisas antes inimagináveis que agridem o bom-senso e ferem a sã doutrina.

Pelo que temos visto, parece que as “inovações” não terminaram. É o caso de certa igreja que resolveu reformar seu estatuto e incluir nele uma nova “modalidade de membros”, os chamados “membros onlines”. Certamente que esta igreja terá que implementar formas online para receber estes membros, seja por carta de transferência ou por batismo, bem como desenvolver métodos de interação online, e oferecer-lhes tudo que um membro presencial tem à disposição em sua igreja local. Esta igreja também terá de celebrar a ceia online, e criar condições para doutrinamento — se é que isso interessa, bem como tomar outras providências.

Um líder denominacional, numa live recente, admitiu a possibilidade de “igrejas onlines” — totalmente online, sem um templo com endereço físico, apenas com endereço virtual, que receba membros e que realize todas as suas celebrações, inclusive das ordenanças bíblicas, online. Chegou a discorrer sobre o “conforto” de ser um membro online, tendo, por exemplo, a liberdade para escolher seus horários: o membro poderia acordar tarde, almoçar, ver TV, jogar uma partida de futebol e, à tardinha ou mesmo à noite, participar da EBD — propôs. Apresentou ainda a possibilidade de alguém se tornar membro de uma igreja distante de sua casa, uma vez que no mundo virtual não teria que percorrer quilômetros para participar do culto, bastando, para isso, apenas alguns cliques.

É certo que as pessoas buscam facilidades. Já podemos ter na palma da mão, digo, no smartphone, o nosso Título de Eleitor, a nossa CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e outros documentos importantes. Não precisamos sair de casa para pedir comida e várias outras coisas, pois já há serviços de entrega para quase tudo. Até médicos há que estão realizando “consultas virtuais”, e planos de saúde que oferecem o serviço. Faz pouco tempo li um anúncio inusitado de uma profissional oferecendo “atendimento odontológico online” — fiquei surpreso e pensativo: como seria tal atendimento? Se as pessoas podem fazer transações bancárias online, consultar um advogado online, namorar (e trair) online e tantas outras coisas, por que não podem “cultuar”? Aliás, igrejas apenas online já são uma realidade. Por incrível que pareça há uma que afirma ser “uma igreja relacional” — estão confundindo ‘comunhão’ com ‘conexão’.

A Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira diz que a igreja é “uma congregação local de pessoas regeneradas e batizadas após profissão de fé”1. Por este entendimento é que os batistas fundamentam sua eclesiologia no conceito de igreja local (não virtual), porque nela o salvo é recebido, desenvolve e realiza seus dons servindo a Deus, ao próximo e à sua comunidade; é na vida da igreja local que ele experimenta a comunhão e pratica a mutualidade. Este conceito de igreja como “ajuntamentos” locais está explícito no Novo Testamento. Apresento aqui apenas algumas referências: Paulo e Silas passaram pela “Síria e Cilícia, confirmando as igrejas” (Atos 15:41). Paulo saudou “às igrejas da Galácia” (Gálatas 1:2). Aquila e Priscila, em Roma e em Éfeso, cediam seu lar para as reuniões da igreja (Romanos 16:3-5; 1 Coríntios 16:19). O Senhor Jesus escreveu, por meio de João, cartas às sete igrejas da Ásia (Apocalipse 2 e 3). Paulo, corrigindo os desvios na celebração da Ceia do Senhor na igreja em Corinto, repreendeu aqueles irmãos dizendo: “De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor”; “Portanto, meus irmãos, quando vos ajuntais para comer, esperai uns pelos outros” (1 Coríntios 11:20,33 — grifo do autor). O mesmo conceito é usado quando o apóstolo trata sobre a questão de “línguas”: “Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos?” (1 Coríntios 14:23). Já o escritor Aos Hebreus faz a seguinte exortação: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia”. Na Bíblia King James Atualizada lemos: “Não abandonemos a tradição de nos reunirmos como igreja, segundo o procedimento de alguns, mas, pelo contrário, motivemo-nos uns aos outros, tanto mais quanto vedes que o Dia está se aproximando. O castigo do pecado renitente” (Hebreus 10:25 — grifo do autor). O autor usa o grego episunagógé, significando “um encontro, uma assembleia”2, e as ações mencionadas no texto somente são possíveis presencialmente.

O conceito de “igreja virtual” ou “igreja online” — diferente de presença online — fere a ideia de igreja corrente no Novo Testamento e, portanto, deve ser rejeitada.

Por fim, entendo que a realidade de “igrejas online” transforma o membro em mero consumidor de conteúdo religioso digital — ele deixa de ser membro “dos outros” (Romanos 12:5; Efésios 4:25), de ser um cooperador que serve com seus dons para a edificação do Corpo de Cristo e, sem a necessidade de compromisso e fidelidade com uma igreja local, sem a consciência de pertencimento, ele passa a navegar em busca dos melhores serviços e conteúdos, ou daquilo que lhe agrada. Assim fazendo ele acaba se transformando num nômade virtual, ou mesmo num desigrejado moderno.


1 http://www.convencaobatista.com.br/siteNovo/pagina.php?MEN_ID=22

2 Strong

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

O que esperar, ou em quem esperar?

 “Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque 3:17,18)

2021
Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

Pr. Cleber Montes Moreira

 

Depois de um ano tão conturbado, o que esperar do Ano Novo? Nesta época mensagens são compartilhadas com desejos de saúde, paz e prosperidade. Se cada um fizesse uma lista de desejos, talvez entre as expectativas comuns estivesse uma vacina eficaz contra a Covid-19 e o retorno à normalidade. Uma sociedade mais justa, mais segurança, educação de qualidade, igualdade social e melhor gestão dos recursos públicos também seriam, dentre outros temas, lembrados. Não faltariam pedidos específicos como a cura para alguma enfermidade, emprego, restabelecimento de relacionamentos, viagens, a realização de algum sonho pessoal etc.

Vamos falar de você. Qual é a sua ‘lista de desejos’ para 2021? E se todas as suas expectativas para o Ano Novo forem frustradas? A questão, quando tratada de modo adequado, não é o que esperamos, mas em quem esperamos. O profeta Habacuque, por exemplo, fala de realidades muito adversas:“ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado”. E o salmista nos apresenta cenas de um possível caos: “ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza” (Salmos 46:2,3). Talvez, um bom exercício para a fé seja pensarmos em possíveis “ainda que”, já que nem tudo o que desejamos ou esperamos se concretiza. Talvez, apenas talvez, o Ano Novo não seja melhor que o que passou, e mesmo assim, ainda que não haja a cura definitiva para a Covid-19, ainda que não haja fartura na mesa, ainda que a economia não vá bem, ainda que os recursos sejam escassos, ainda que o mundo esteja em desordem… a questão determinante é onde ou em quem está sua confiança e contentamento. Se você é capaz de crer em Deus como o seu “refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Salmos 46:1) e, independentemente das circunstâncias, dizer “Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque 3:18) você terá paz e segurança. Pense nisso!

domingo, 27 de dezembro de 2020

Quem conhece a Jesus, conhece o amor

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16 — grifo do autor)

crucificação
Imagem de José Manuel de Laá por Pixabay


Pr. Cleber Montes Moreira


O amor verdadeiro não é um mero sentimento, algo estático, mas ativo. É altruísta. Quando Deus amou o mundo Ele não fez um discurso, escreveu um poema, compôs uma canção, mandou flores… embora encontremos na Bíblia declarações, poemas e canções sobre o amor divino, Paulo diz que Deus provou o seu amor para conosco ao entregar Cristo para morrer em nosso lugar, na cruz, estando nós em inimizade contra Ele por causa do pecado (Romanos 5:8).

Talvez uma mãe ou um pai ouse morrer em lugar de um filho, um irmão em lugar de outro, um cônjuge em lugar da pessoa amada, ou mesmo um amigo em lugar de alguém muito especial, mas quem morreria em lugar de um inimigo? Porém, a grandeza do amor divinal está “não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1 João 4:10) — João diz que Deus nos “deu o seu Filho unigênito” (João 3:16). Isso pode parecer loucura. De fato este amor transcende nosso entendimento. Paulo afirmou que “a palavra da cruz é loucura para os que perecem” (1 Coríntios 1:18), entretanto, esta ‘loucura’ é a maior prova de amor já vista. Como este amor, em toda a sua dimensão, não pode ser traduzido em palavras humanas, pode ser este o motivo de João, inspirado pelo Espírito, ter escrito: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira…” E o que isso significa? Que não há em todo o universo algum outro amor, nem mesmo o amor de mãe, nada que o pensamento humano possa conceber, nada que possa ser descrito ou sonhado que possa, ainda que palidamente, ilustrar com fidelidade o amor do Pai — se não há como descrevê-lo, basta-nos saber que Ele nos “amou de tal maneira…”.

O amor de Deus é a suprema expressão de amor. Como escreveram nossos saudosos poetas, “se os mares todos fossem tinta e o céu sem fim fosse papel, se as hastes todas fossem penas e os homens todos escrivães, nem mesmo assim o amor seria descrito em seu fulgor”; de modo que “quem pode o seu amor contar? Quem pode o seu amor contar? O grande amor do Salvador quem poderá contar?”

Se o amor divino não pode ser sondado, nem descrito, ele pode ser experimentado. Quem conhece a Jesus, conhece o amor. Pense nisso.

sábado, 26 de dezembro de 2020

O maior presente

 “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16 — grifo do autor)

presépio
Imagem: Pixabay


Pr. Cleber Montes Moreira


Há uma frase muito conhecida que virou chavão, principalmente entre os evangélicos, extraída de uma canção que diz que “o melhor de Deus ainda está por vir”. Tal afirmação contraria João 3:16, onde lemos que Deus nos “deu o seu Filho unigênito”, que é Jesus. Sendo Ele a revelação perfeita do Pai — de modo que “quem me vê a mim vê o Pai” (João 14:9) —, tendo sido profetizado por Isaías como o “Deus conosco” (Isaías 7:14; Mateus 1:23), que expectativa podemos ter de algo melhor que o próprio Senhor? Quem ainda espera o “melhor de Deus” não compreendeu o verdadeiro sentido do Natal. Talvez o cenário do menino de família humilde deitado num cocho para animais, e o estábulo fétido — nada comparável aos presépios iluminados de hoje — possa ser ilustrado por um porta-joias velho, sem beleza, que guarda um diamante de valor inestimável, cujo brilho intenso ofusca a visão.

Tudo que o Eterno nos dá é bom. Se tentássemos fazer uma lista das bênçãos recebidas pela bondade do Pai, ela seria imensa e, certamente, por falta de memória, e até de gratidão, nos esqueceríamos muitas coisas.

 O apóstolo Paulo disse certa vez: Aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade”. Em outras palavras, ele estava dizendo: “eu posso suportar todas as coisas sem me abater, porque o meu contentamento está em Cristo que me fortalece” (Filipenses 4:11,12). Há uma música, intitulada “Razão da Minha Fé”, cuja letra ilustra bem o sentido das palavras de Paulo:

Me falte água ou alimento, ou suprimento para o amanhã que vem.
Se nos olhos me faltarem toda luz, só não me falte a presença de Jesus.

Sua presença é a razão da minha fé, sua presença me conduz onde estiver

Me falte o vento, o mar e o sol, onde estiver sei que não vou me abalar. Se na seara o meu trigo não produz, só não me falte a presença de Jesus.

Quando experimentamos Jesus descobrimos que nada há mais precioso que Sua presença; de todas as bênçãos, Ele é a melhor! Tudo pode nos faltar, podemos suportar qualquer coisa, mas não podemos viver sem Ele! O Natal nos ensina que aquele menino é o maior presente de Deus para a humanidade. Pense nisso!

sábado, 28 de novembro de 2020

Se a moda é repreender, amarrar, expulsar, exorcizar….

 “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:32)

Bíblia
Imagem: unsplash

Pr. Cleber Montes Moreira

 

Certa igreja evangélica muito famosa, “da moda”, durante um Congresso para Mulheres surgiu com mais uma invencionice de sua vasta coleção de heresias: o de Espírito de Solteirice! “Um clamor” foi levantado em favor das mulheres acima de 30 anos, no qual o malvado espírito foi devidamente repreendido.

Se a moda é repreender, amarrar, expulsar ou exorcizar, sinto-me no dever de colaborar com algumas dicas para essa gente desconectada da Bíblia. Vamos lá:

Além do Espírito Mau da Encalhação, bem que poderiam repreender alguns outros… Que tal começar pelo Espírito de Heresias e de Engano que age livremente na atmosfera gospel, afastando pessoas da Palavra de Deus, dividindo, causando escândalos e servindo de tropeço para os não conversos?

Que tal também extirpar o Espírito de Mamon, cultuado por bispos, apóstolos, missionários, pastores, profetas avarentos etc., que tem depenado o povo mal orientado na fé e enriquecido a líderes gananciosos?

E o Espírito de Charlatanismo que anda solto por aí, por que não amarrá-lo também?

Por que não amarrar o Espírito de Idolatria que, possuindo mentes fracas, leva pessoas a elegerem e adorarem deuses humanos como cantores, pastores, bispos, apóstolos etc., afastando-as daquele que verdadeiramente é digno de exclusiva adoração?

Outra ótima sugestão é amarrar o Espírito de Superstição, que alimenta a fé no sal grosso, nas águas ungidas por pseudos apóstolos, nas rosas, nas capas vermelhas, nos gravetos da cruz de Cristo, nas pedrinhas do Rio Jordão, nas porções de terra de lugares por onde o Salvador andou (ou jamais pisou), nas velas, nas meias e lenços ‘valdemirianos’ e tantos outros objetos sacralizados.

Bem que poderiam extirpar para sempre o Espírito Triunfalista de suas canções, que apregoa falsas vitórias, falsas promessas e semeia heresias no seio das igrejas.

Não podem se esquecer do Espírito de Soberba. Ele é o responsável pela morte da humildade no meio dito evangélico.

Extirpem também o Espírito de Vaidade, que se incorpora nos falsos servos que buscam a glória e a honra pessoal.

É preciso banir com urgência o Espírito de Visões, Sonhos e Revelações Extra-bíblicas, que engana o povo incauto.

Afastem também o Espírito de Variedade de Unções, que desencadeia a falsa sensação de poder e autoridade humana no meio das igrejas.

Amarrem bem o Espírito de Imprecações, Decretações e Declarações que usa, indevidamente, a autoridade do nome de Jesus.

Aniquilem o Espírito de uso Indevido da Bíblia, que usa “textos fora do contexto para simples pretexto”.

Anulem ainda o Espírito que Prega o Falso Cristianismo, fácil, cômodo, desprovido da cruz e do compromisso com o Salvador.

Por fim, para acabar com tudo isso, exorcizem, por favor, o Espírito de Invencionice. Assim a criatividade termina de vez!

Quem sabe repreendendo tais espíritos, o show termine e Deus seja verdadeiramente cultuado?

 

E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” (2º Crônicas 7.14).


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Quanto custa?

 Tenhamos sabedoria para separarmos os pastores dos bodes, aqueles que se preocupam com as ovelhas daqueles que apenas querem a lã

ovelha
Imagem: Pixabay

“Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.” (Mateus 10:8)

 

Pr. Cleber Montes Moreira


Aconteceu no dia 10 de novembro de 2015, por volta das 20h15min. Havia saído do hospital, onde fui para uma visita, e estava a caminho de casa. Ao passar em frente a um templo da prosperidade, de beira de rua, ouvi o que o dirigente do culto dizia sobre como entregar as contribuições: “Somente cartão e dinheiro.” É verdade que muitas igrejas sérias têm adotado o recebimento de doações via cartões de crédito e débito, para evitarem assaltos. Entretanto, minha reflexão não é quanto ao modo, mas sim à forma como a extorsão é praticada nas chamadas igrejas da prosperidade. Os criminosos também usam a tecnologia: as promessas de bênçãos, curas, orações etc., podem ser pagas com cartões de crédito e débito — e agora pelo PIX — e, se for o caso, até com parcelamentos que cabem no bolso do (in)fiel.

Alguém perguntou: “Meu pastor quer cobrar para fazer orações a domicílio, pode?” Imagino se o tal pastor não sairia carregando uma maquinha de cartões, ou se não teria um aplicativo no smartphone, para facilitar o pagamento. Ouvi de uma certa igreja que teria divulgado uma tabela de preços para orações que variavam conforme o tema: saúde, desemprego, dependência química, problemas no casamento etc. Cada oração teria um valor específico. Se verdade ou não, a tendência é a exploração dos incautos, cada vez mais de forma descarada. É o que vemos, principalmente nos meios neopentecostais. Os lobos devoradores estão se aperfeiçoando.

Não sou contra o sustento de quem realmente se dedica ao Ministério da Palavra. A Bíblia diz que “digno é o obreiro do seu salário” (1 Timóteo 5:18). Minha palavra é no sentido de advertir os menos avisados, para que, quando fragilizados por algum problema, ou mesmo por ganância, não caiam diante de devoradores vorazes.

Jesus nunca cobrou para orar pelas pessoas, nem pelos milagres realizados. Ele não cobra pela salvação. Quando comissionou seus discípulos e os enviou, estabeleceu o seguinte princípio: “De graça recebestes, de graça dai” (Mateus 10:8). Paulo, mesmo diante de necessidades extremas experimentadas em seu ministério, nada exigia das igrejas, antes recebia de bom grado e com ações de graças aquilo que lhe era enviado.

Tenhamos sabedoria para separarmos os pastores dos bodes, aqueles que se preocupam com as ovelhas daqueles que apenas querem a lã. Que não cheguemos ao ponto em que alguém possa procurar alguma igreja e perguntar: “Quanto custa?”

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Os deuses Morrem

 Os deuses morrem, e os sepulcros comprovam isso...

Maradona
Imagem: Unsplash


Pr. Cleber Montes Moreira

 

O Jornal francês “L’Eequipe” publicou neste dia 26 de novembro: “Deus está morto”1. Os deuses morrem, inclusive os “imortais”. Quando morre um deus, morre também a alegria, a fé e a esperança de seus fiéis. Esta verdade ganhou destaque na publicação do Jornal Extra, intitulada: “Igreja Maradoniana convoca ‘culto’ para se despedir de Maradona.”2 Já o Metrópolis grafou: “Fiéis de luto”3 — sim, fiéis de luto pela morte de seu deus.

 

Maradona era um deus. De fato, com a sua morte ele conseguiu algo que só um ser divino poderia realizar: contrariando as leis naturais ele anulou, ainda que apenas pelo período de seu funeral, o perigo mortal que fez com que o governo argentino adotasse as regras mais rígidas possíveis para o enfrentamento do coronavírus. Tanto que os jornais exibem hoje imagens de pessoas aglomeradas, algumas de máscaras, outras sem, ao redor da Casa Rosada onde as autoridades esperam cerca de um milhão de pessoas — talvez bem mais — para o velório de seu ídolo.

 

O craque argentino está certamente entre os dois ou três maiores jogadores de futebol da história. Com a bola um gênio, sem ela um ser falho, um pecador, um mortal… Para a morte não há reis, príncipes, nem deuses.

 

Os deuses morrem. Morrem porque são deuses, feitos assim pelos homens. Como seres criados, os deuses são à semelhança de seu criador. “Aos homens está ordenado morrerem uma vez,” e também aos deuses, “vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9:27). Sim, também os deuses terão que prestar contas a Deus, àquele “que tem, ele só, a imortalidade”, “ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus”, diante do qual todo joelho se dobrará (1 Timóteo 1:17; 6:16; Romanos 14:11; Filipenses 2:10).

 

Os deuses morrem, e os sepulcros comprovam isso, mas Deus é eterno. Quem adora um deus um dia estará de luto, ou, se partir antes, perdido eternamente, mas os que adoram ao Senhor não serão confundidos, nem envergonhados, pois Ele é eterno.

 

Se o seu “deus está morto”, saiba que “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente” (Hebreus 13:8); Ele “é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1 João 5:20). Pense nisso!



1 https://www.lequipe.fr/abonnement/kiosque/le-journal/ab2ba183-ce7b-4c28-882d-006475cc446d (em 26 de novembro de 2020)

2 https://extra.globo.com/noticias/page-not-found/igreja-maradoniana-convoca-culto-para-se-despedir-de-maradona-24764748.html (em 25 de novembro de 2020).

3 https://www.metropoles.com/esportes/futebol/fieis-de-luto-reveja-historia-da-igreja-de-maradona-da-argentina (em 25 de novembro de 2020)